DOENTE DE AMOR
Quisera eu, possuir um par de asas albugíneas,
Para desembestar-me, rumo onde tu estejas...
Afligem-me estas distâncias, tão longilíneas,
Impedindo-me de ofertar o amor que desejas.
Sucumbo em prantos... Uma chaga a sangrar,
Uma moléstia que me toma por completo...
Corpo em febre... Anseia por tua boca, beijar,
E curar a minha dor, com teu sincero afeto.
Meus olhos não sabem ver o mundo externo,
São cegos para os outros... Só querem te olhar,
Na ânsia de contemplar o teu olhar tão terno.
Sabes bem, que por toda a minha existência,
Com o coração paciente, eu hei de te esperar,
Até o dia, que teu amor findar essa penitência.
- Cedric Constance
MARCAS DO PASSADO
Eu te amei em outros milênios, outros séculos,
Posso sentir isso, a cada vez que lhe vejo,
Ficou em mim, a doce essência dos ósculos,
Nem o tempo apagou a chama do meu desejo.
Tua voz está gravada dentro da minha alma,
A entoar um hino que celebra o amor de nós dois,
Num sonoro cântico que me anima e me acalma,
Assim te amo, vivo o presente sem pensar no depois.
Sei que já vislumbrei teus olhos negros antes,
Reconheço o brilho fulgurante que emana deles,
O mesmo brilho que me iluminou há tempo distantes.
És tu, a minha outra parte, a tão sonhada metade,
Por teu amor suportei tantas dores e males,
E agora, estamos unidos por toda a eternidade...
- Cedric Constance

CORVO MALDITO
Volta o corvo, a atormentar a alma inquieta,
Bicando as feridas, há muito cicatrizadas.
Verte o sangue das chagas rútilas e secretas,
Agoniza em meio a dor, duma alma penada.
Corvo, maldito corvo... Porque me atormenta?
Já não vês a penúria que me aflige e maltrata?
Pois é de minhas lágrimas que tu se alimenta,
E tua sombria presença, aos poucos me mata.
Vai-te daqui! Vai, animal profano e diabólico...!
Não hás de roubar a essência de meu viver,
Nem curvarei a ti, meu espírito melancólico!
Tu, pássaro carniceiro a grasnar um queixume,
Não hei de sucumbir as trevas do anoitecer,
Devolva a alegria que levaste em teu negrume.
- Cedric Constance

NÃO TE ATREVAS
Não te atrevas a fechar teu coração,
Por trilhar caminhos tão dolentes,
Pois sei que no fundo, ainda sentes,
A pequena brasa que arde em paixão.
Sinta o perfume das flores aprazíveis,
E veja o quanto amor podes ofertar,
Saberá que é desperdício, não amar,
E perder da vida, momentos incríveis.
Não te atrevas a perder a tua fé,
Faça do amor, teu maior legado,
Pois é o que te mantém vivo e em pé.
Não permita, é o que lhe peço,
Que te tornes um desapaixonado,
Hás de levantar, a cada tropeço.
- Cedric Constance
MILAGRE DE AMOR
Eu não acreditava em milagres,
Até encontrar teu olhar no meu,
O coração pulsou em batidas alegres,
E a magia do nosso amor, aconteceu.
Tu foste o sonho lindo que apareceu,
Realizando o meu desejo de amar,
E os meus beijos, foram todos teus,
Ah, como demorei para te encontrar!
Deus juntou caminhos separados,
Para que eu pudesse te ver chegar,
Aproximou dois corações apaixonados
E de ti, não quero nunca me afastar.
- Cedric Constance
DESEJO AMAR-TE
Desejo amar-te, apenas por amar,
Amar sem razão, amar sem motivo,
Amar, sem precisar nada explicar,
Amar, apenas, para me sentir vivo.
Dispo-me de toda e qualquer razão,
Entrego-me à magia do sentir,
Dou voz e poder, à minha emoção,
E amarei, enquanto o amor persistir.
Para quê lógica e raciocínio,
Se os sentimentos não se explicam?
Pois é o amor, o maior benefício.
Para quê tentar entender,
Porque os corações se completam?
Pois só quem ama, pode saber.
- Cedric Constance
LONGE DE TI
Longe de ti, os dias passam devagar,
E as noites não possuem estrelas,
Meu peito sufoca apertado, sem ar,
E as lágrimas caem, não posso contê-las.
Longe de ti, as rosas murcham,
E as madrugadas não tem calor.
As tuas lembranças me machucam,
E o céu da manhã, não tem cor.
Há um vazio infinito e profundo,
Que tua ausência não preenche,
E é uma dor maior que o mundo.
Quisera eu, matar este sentimento,
Pois meu coração, ainda mexe,
Por este amor, levado ao vento.
- Cedric Constance
EU ROGO
Eu rogo ao céu, nas noites límpidas,
Que a lua te conduza, ao meu encontro,
Para unir-te a mim, nas horas insípidas,
E deixar-me prantear, sobre teu ombro.
Sem teu amor, sou nada, sou miséria,
Um resquício da alegria, já falecida,
Minh' alma foi-se, há só a matéria,
Um corpo frio, que não possui vida.
Meu coração, já padecido de moléstia,
Pulsa em batimentos cadenciados,
Vítima dessa saudade tão deletéria.
Já não suporto a agonia dos ais,
Ouço tua voz, por todos os lados,
E diz a eu, que não regressa jamais.
- Cedric Constance
TEU CAIS
Sinto a brisa marítima refrescar meu espírito,
Contemplo de longe, o mar calmo e silencioso,
Suas ondas quebrando no oceano espumoso,
Acalentando meu coração saudoso e aflito.
Meu amor, que não hei de esquecer jamais,
Deixei-o livre, e em outros mares foi navegar,
Quem sabe, novos mundos fostes encontrar,
Mas sempre retorna a mim, teu porto seguro, teu cais.
Porque meu peito sempre será teu abrigo,
Não importa se distante daqui tu estiver,
Em pensamento, sempre hei de estar contigo.
Há uma certeza, que nunca irei perder-te,
Então vá, meu amor, para onde quiser,
Que eternamente, meu coração há de amar-te.
- Cedric Constance
RECOMEÇO
Pensava eu, nunca mais amar,
E viver solito até o fim dos dias,
Perecer carente, nas noites frias,
Mas a vida, ousou se desabrochar.
Encontrei todo amor que mereço,
Após tantas paixões fracassadas,
Fiquei tal qual flores murchadas,
Mas da dor, fez-se um recomeço.
Secou minhas lágrimas com ternura,
Trazendo alento a este ser sofrido,
Que lastimou um passado de agruras.
Que direi eu, deste grande amor,
Que por mim, tu tens nutrido?
Ama-me, que te amarei com fervor.
- Cedric Constance