Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.
Agora me veio à mente Os bons tempos já vividos, Fui criança contente, Que brincava com amigos.
Depois veio a adolescência, As primeiras namoradas. Melhorei minha aparência Para ter boa chegada.
Veio a idade adulta, E com ela as responsabilidades, Nem assim, com as coisas brutas, Deixei de viver as amenidades.
E guardei comigo, bem guardadas, As boas lembranças vividas, As outras foram descartadas, Atrapalhavam minha vida.
E assim fiquei mais leve, Pude ser o que desejava, Eu sonhei com tantas coisas Muitas delas não realizadas.
Se não as realizei Foi porque não eram minhas, Então eu as deixei E fui realizar o meu caminho.
Não guardo mágoas no coração, Elas vão todas para o lixo, Eu levo comigo na bagagem, Apenas o meu compromisso De não lutar por bobagens E não aceitar intromissões.
E vivam esses meus tempos bons, E que continuem existindo, Enquanto eu for vivo, Deles lembro sorrindo.
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PENSAMENTOS...
Me peguei aqui pensando, Estava longe, nem sei onde, Mas pensava com firmeza Pensamentos coloridos.
Minha cabeça viajava Em meio a flores azuis, Cada uma mais bela, Todas elas me seguiam.
Eu pensei na minha vida, Pensei em nada um pouco, Esvaziei minha mente, Para enchê-la de coisas boas.
E longe, perdido em mim, Me transportei para um monte, Ele era muito alto, impossível de escalar, E só eu podia ali ficar.
Não ouvia um ruído, Um silêncio benevolente, Eu não queria encontrar sentido, Só ficar quieto longe de gente.
E quando vi chegou a noite, Uma noite de céu estrelado, Fiquei ali olhando, Lá no monte deitado.
E o tempo não passou, Minha vida tinha parado. Foi tão bom esse momento, Eu nem tinha imaginado.
E voltando desse transe legal, Saindo dos meus pensamentos, Descobri que seria bom Me levar por outros sentimentos.
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NA VERDADE EU QUERIA...
Na verdade eu queria Ter seu coração, Aí eu bem viveria, Curtindo nossa paixão.
Na verdade eu queria Passear com você na praça, De todos os homens eu seria Aquele mais cheio de graça.
Na verdade eu queria Te beijar na minha sala, Num dia de calmaria Calando nossa fala.
Na verdade eu queria Ser seu namorado, Saiba que se isso acontecer um dia Serei o homem mais honrado.
Na verdade eu queria Me casar com você Numa igreja de Maria Para Ela nos proteger.
Na verdade eu queria Que você me desse atenção Pois assim eu sairia Dessa minha ilusão.
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DA FELICIDADE EU SEI LÁ
Há tanto tempo não sou feliz, Já perdi até a conta, Até chego a pensar Que felicidade é coisa de gente tonta.
Quem dera eu fosse feliz, Acordar todo dia a sorrir, Ter tudo o que sempre quis, Isso é chato para encardir.
Da felicidade eu sei lá, Será que existe mesmo? Fico aqui a matutar, Ela não seria um exagero?
Me disseram que preciso ser feliz, Isso é condição para uma vida boa, Por isso minha vida é sem rumo, E nela tudo voa...
Eu não acho que preciso ser feliz, Acredito que a felicidade é cosmético, E já logo aviso a quem me diz, Isso chega a ser poético.
Se você acha que é feliz, O problema é todo seu, Eu não mando no seu nariz, Sei lá onde aprendeu.
E para finalizar esse papo, Nunca serei feliz. Posso ter até alguma alegria, Mas não é que fiquei feliz...
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FEITO DE COISAS ALEATÓRIAS
Sou uma montagem mal feita De coisas aleatórias Construção de erros e poucos acertos, Do passado e de agora.
Sou um poço de mentiras, Algumas poucas verdades, Causos sérios a contar, De aventuras que não vivi.
Sou errante nesse mundo, Sem um rumo a seguir, Não sei onde é o norte, Então ando por aí.
Sou, de certo modo, aberração, Sem sentido nessa vida, Falta-me paz no coração, Exsitência bem sofrida.
Sou o que sou, sem evoluir, Não evoluo porque não quero, Não tenho porque existir. Apenas estou solto aqui.
Sou o final que não tem começo, Ou o começo do final, Qualquer outra situação desconheço, Vivo sendo um marginal.
Sou aquele que não é, O resto do que nunca teve, Uma pobre e tosca ilusão Que anda sem estar de pé.
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TELEGUIADO
Minhas vontades se foram, Faço o que me mandam, Vivo teleguiado Por conta de falsos amores.
Destruí todos os meus desejos, Agora me deixo levar, Minhas crenças se acabaram, Nem sei mais como rezar.
Estou em mãos alheias, Elas fazem de mim o que querem, Isso pouco me importa, A vida está cada vez mais feia.
Já sofri por isso algumas vezes, Hoje já nem me abalo, O que tenho não me satisfaz, Mas, resignado, eu me calo.
Onde deixei minha esperança? Eu nem sei mais, A perdi, talvez, quando criança, Nesse tempo, também, perdi a paz.
E cresci, perdido, como um cão vadio, Aquele que vai atrás de qualquer um na rua E não pode ver cadela no cio, Um verdadeiro coitado, um pulha.
E quando alguém me encontrou, Me colocou uma coleira, Que bem se ajustou E ficou para a vida inteira.
Hoje não tenho vontades, Faço o que a senhora me manda. Em troca de uns petiscos frios Ando por onde você anda...
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UM DIA EU TE GANHO
Vai pensando que me engana, Eu sei que faz um doce, Tira onda de bacana, Se acha como fosse.
Mas não é bem assim, Eu te conheço bem, Você nem dá bola para mim, E eu te quero bem.
Um dia eu te ganho, menina, E você vai me amar, Eu ficarei em cima Até você me beijar.
Leve o tempo que levar, Nunca vou te esqucer, Eu comecei a te amar, Nem sei bem por quê.
Só sei bem que um dia Tudo isso vai mudar, Será você a me seguir, Me pedindo para te amar.
E, claro, que te amarei, Serei o melhor dos amantes, Todo tempo que dediquei, Vai virar um lindo romance.
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DA PORTA PARA FORA
Da porta para fora ninguém me manda, Lá na rua faço o quero, Não quero ninguém a me seguir, Caso contrário me desespero.
Da porta para fora sou mais eu, Tenho meus amigos do boteco, Gente que você nunca conheceu, E que nem quer te conhecer.
Da porta para fora, minha vida é outra, Sou feliz do meu jeito, Vou aonde quero sem frescura. Posso ser até imperfeito.
Da porta para fora, um dia eu fico, Se me encher assim o saco, Eu, daqui, me pico, E ficrá no grande vácuo.
Da porta para fora, fique quieta, Me deixe curtir a vida, Andar de bicicleta E colher muitas margaridas.
Da porta para fora não sou seu homem, Sou mais um homem sem rumo, De coração partido em pedaços, Tentando entrar no prumo.
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SEM TÍTULO
Fiz esse poema sem título, Porque não sei o que escrever, Vou deixar sair o que vier, E se gostar, você vai ler.
Hoje é segunda-feira, Dia da preguiça universal, Mas contrariando tudo, Eu gosto desse dia sem igual.
É quando recomeça tudo, Começam até as dietas, Que vão até sexta-feira, Quando chegam as festas.
Esse poema sem título, É só para brincar, Com quem empurra a segunda, Querendo pouco trabalhar.
Hoje, dia da ressaca, De quem enfiou o pé na jaca, O corpo então se arrasta, Faz muita pirraça.
Você pode até não estar gostando, Tudo bem, não vou brigar, Mas esse poema não é para pensar, É para quem está se virando, Esperando só o dia acabar.
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SEM AMARRAS
Desfiz as amarras da vida E ela saiu a navegar, Levantei velas, tracei o mapa, E outros portos vou buscar.
Estava parado, pronto para zarpar, Mas ficava esperando cético O momento certo chegar, Chegava a ser patético...
Um dia percebi, felizmente, Que na vida nada é certo, A não ser a morte, inclemente. Então me deixei aberto.
Fui para dentro de mim, Fiz uma busca minuciosa, Precisava me encontrar Era uma jornada preciosa.
E bem lá no fundo eu me vi, Com medo de me mostrar, Por muito tempo fiquei ali A me sufocar.
Então me estendi a mão, E com força me puxei, Era o eu verdadeiro Que estava fora do coração.
Depois desse encontro, Precisei aprender a dizer alguns nãos. Eles eram tão doídos Que me jogavam ao chão, Me acostumei a ser capacho A não ouvir meu coração, Eu era dominado Pela inação.
Acordei, graças a Deus! E foi uma libertação, Eu joguei fora os grilhões, Me guiei com minhas próprias mãos.
Encontrei a felicidade, Que estava reprimida, Eu vivia os sonhos alheios, Não tinha minha vida...