Lista de Poemas
PORTO FIRME
Quero, nessa vida,
Em que navego solitário,
Encontrar um porto firme,
Onde eu seja bem guardado.
Nessa busca delicada,
Navego em mar agitado,
Encontrei muita furada,
Quase fico decepcionado.
Mas a vida segue em frente,
O oceano é muito grande,
Viajo com o que tenho,
Não levo nada que me prende.
Ainda tenho um longo trecho,
Vejo o futuro mais bonito,
Todo dia agradeço,
E enfrento meu destino.
Um dia encontro um porto
Onde eu possa atracar,
Daí então fixo moradia,
Mais nada vou procurar...
É A CHUVA
Cai a chuva lá fora,
Molhando a terra em que trabalhamos,
Ela traz muita fartura.
Brotam as sementes que plantamos...
AQUI TEM UM CORAÇÃO!
Nesse peito que tu maltratas,
Não há um vazio,
Nele bate um coração
Que lhe tem muito carinho.
Você pode não me amar,
Nem querer ficar ao meu lado,
Mas saiba que maltratar,
Não deve ser cogitado.
Eu sou feito de sentimentos,
Eles estão à flor da pele,
Se você não tem nenhum,
O meu corpo te repele.
Mas, enfim, o meu coração,
Quer você dentro dele,
Ele inventou essa paixão,
Que eu sofro e me fere.
Me desculpe a insistência,
Eu juro que não quero,
Essa sua ausência
Torna o sofrimento mais sério.
No meu peito arqueado,
Já desfalecido,
Corre sangue aperreado,
Louco e sem sentido.
Eu queria, com toda força,
Arrancar de mim esse falso amigo,
Jogar no lixo esse músculo tosco,
Que hoje me faz aborrecido.
COMO VEJO O MUNDO
Vejo o mundo de um jeito
Que só eu posso ver,
Ele tem cores próprias,
Pois não fui eu quem o pintou.
Vejo gente oprimida
Louvando o opressor.
Vejo gente corrompida,
Corrompendo o seu inferior.
Vejo gente destemida,
Que luta com amor.
Vejo gente sacudida,
Que vive com fervor.
Vejo coisas imundas,
Correndo a céu aberto.
Vejo tramas ainda mais sujas,
Por um manto encobertas.
Vejo o sorriso da criança,
Ainda puro e inocente.
Vejo que ela cresce
E se torna inconsequente.
Vejo o mundo como ele é,
Às vezes manso, outras feroz.
Vejo ele girando com fé,
Levando junto todos nós.
Vejo o homem insano,
Espancando sua mulher.
Vejo a paz se desmanchando,
Num lugar qualquer.
Vejo o que vejo, sem filtro algum,
Queria ver outras coisas,
Mas as pessoas não se entendem,
Por si é cada um.
DE BRAÇADA
Nado nessa vida
Com tamanha desenvoltura,
Sou campeão nessa corrida,
De tamanha aventura.
De braçada venço obstáculos,
Sejam quais forem,
Eu fujo de alguns maus tentáculos,
Que de longe me procuram.
Quase sempre contra a corrente,
É a minha natação,
Ela é forte e constante,
Uma constante aflição.
Sou forte e destemido,
Faço a água me ajudar,
Entre pedras e corredeiras,
Que tentam me afogar.
Nado longe da margem,
Pois lá posso agarrar
Em galhos que ali brotam,
Somente para me detonar.
Se encontro águas calmas,
Aproveito para ganhar terreno,
Assim se algo complicar,
Muita frente ainda tenho.
E vou nessa loucura,
Procurando o meu lugar,
Ele está logo na frente,
Ainda tenho muito que nadar.
NAQUELE MORRO
Lá no alto daquele morro,
Tem as marcas do nosso amor,
Aquele mato amassado,
Foi onde tudo aconteceu.
Tão de repente, nem acredito,
Parece que um raio caiu,
Num instante éramos um,
Até o céu se abriu.
E agora, como estamos?
Quero outra vez,
Dessa vez numa cama,
Com calma e lucidez.
E se for lá no mato,
Tudo bem, eu aceito,
Mas que seja devagar,
Para nos pegarmos de jeito.
Quanto tempo esperei,
Parecia impossível,
Juro que sempre te amei,
E que aquele dia foi incrível.
Se não me ama, tudo bem,
Eu aceito numa boa.
Se foi por tesão o incêndio,
Tenho mais combustível.
Que saudade daquele dia,
E de você também,
Ainda estou cheio de alegria,
Quase grito por aí...
SABE DE NADA
Sabe tudo que eu sei,
De nada mais tem conhecimento,
Pensa que é rei,
Porque se acha do saber um monumento.
Eu não sei de muita coisa,
Tem o que não vou aprender,
O mundo é tão grande,
Tenho mais o que fazer.
Mas você se acha um gênio,
Uma mente brilhante,
Falta-lhe, sim, oxigênio,
Nesse seu cérebro errante.
Alucinação, é tudo o que tem,
Seus feitos ditos enormes,
Não valem um vintém,
De verdade é um come e dorme.
Acorda desse sonho,
E conheça bem o mundo,
É muito medonho,
Ser assim tão absurdo.
Chega! Com você não perco tempo,
Vou cuidar da minha vida,
Que se esvai feito o vento,
E você, se liga!
VOCÊ É PARA MIM...
A pessoa que mais amo,
Moradora do meu coração,
Quando só eu te chamo
Preciso segurar a sua mão.
Nunca senti amor assim,
Minha vida está gostosa,
Sua leveza trouxe para mim,
Tanta coisa maravilhosa.
Mas a vida é muito louca,
Resolveu nos separar,
Era coisa pouca,
A gente se amar.
Desde então não desisti,
Respeitei nossa situação,
Em alguns momentos pensei em desistir,
Mas doía o meu coração.
Algum dia desses,
A vida vai nos unir,
Ela está preparando isso
Para a gente curtir.
E será o tempo mais gostoso
De minha existência,
Viver esse amor gostoso,
Alimentado com o adubo de paciência.
VIGARISTA!
Já não aguento mais,
Ser tão explorado,
Nem viver consigo,
Estou acabado.
O meu banco me mandou
O extrato da conta,
Nela tem tanto desconto,
Eu me sinto roubado.
Já não entendo nada,
Quanta mensagem falsa,
Dizendo que meu cartão
Foi usado em loja cara.
Eu tento me desvencilhar,
Apago o que não presta,
Mas o vigarista é ligeiro,
Sua sanha é indigesta.
Até banco em que nunca entrei,
Manda belas mensagens,
Dizendo que lá sou rei,
Mas é pura molecagem.
Eu tento viver em paz,
Mas ela não está ativa,
Olha bem, meu rapaz,
Fica esperto e não se desliga!
Vou agora me calar,
Pois o mundo está girando.
Quem sabe tudo vai passar,
E o amor acaba voltando?
ATÉ AMANHÃ?
Tem que ser hoje,
Amanhã sei lá,
Tudo pode acontecer,
O mundo está para acabar!
O momento é agora,
Nem um minuto a mais,
Não me mande embora,
Temos muito que falar.
Estou aqui na sua frente,
Vai que amanhã eu me vá,
Então nunca mais me verá,
E depois vai se esquecer.
Diga que me escuta,
Por apenas uns minutos,
Serei breve e direto,
Não farei rodeios inúteis.
Mas não enrola,
O tempo está passando,
Ele corre feito uma lebre,
E meu amor está fervendo.
Tolice sua ser assim,
Fazer doce desse jeito,
Se não quer, diga,
Liberta-me e serei feliz!
Amanhã devo chorar,
Mas depois ficará tudo bem,
Por favor, pare de enrolar,
Pois assim não convém!
Comentários (2)
Obrigado!!
Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.