Lista de Poemas

PODE SER SÓ UM ACENO

Desejava um beijo seu,
Desses lábios que me encantam,
Eu seria tão feliz,
Mais feliz que a felicidade.

Esse beijo não vou ter,
Pelo menos não tão cedo,
Então vou me contentar,
Com um aceno seu discreto.

Qualquer coisa que me faça
Saber que você me nota,
Um aceno, uma olhada.
Que me chame de marmota...

Eu preciso que saiba de mim,
Do quanto eu te amo,
Te desejo com tesão,
Toda noite é você que eu chamo.

Desejava só um beijo,
Depois dele todo seu corpo,
Mas fico feliz por enquanto,
Com o que me der de atenção.

Pode ser um aceno frio,
Pode ser ficar por perto,
Pode ser até um pisão,
Pode ser um tapa no meu coração.
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NO MEU ENTERRO...

Não quero ninguém chorando,
Mas também não quero rindo,
Sei não se quero alguém,
Estarei ali dormindo.

Mas se for se despedir,
Não fale muita mentira,
Sei bem como fui,
Não inventa, por favor.

Nada deixo para ninguém,
Então, por favor não briguem.
Não vale a pena lutar
Por algo que não se tem.

Vou santo do pau oco,
Assim como vivi.
O céu pode estar distante,
Não sei nem para onde vou.

E não me encha de flores no peito,
Assim vou espirrar.
Ponha em mim a camisa do Tupi,
Só para o Pelé me zoar.

Então, estamos combinados,
Pode me colocar num caixão barato,
Não mereço muito mais,
Pois sou aquele mesmo farrapo.
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NOVA VIDA, MAIS AMOR

Eu trouxe alegria
Lá de onde eu vim,
Saí daqui triste,
Esperava meu fim.
Mas lá encontrei o amor,
Um novo alento.
Minha vida ganhou sabor,
E muito contentamento.

Esqueci o quanto sofri,
Dali em diante mudei,
Todo dia eu sorri,
Então rapidamente voltei,
Para dizer ao mundo:
Eu estou aqui!
Com isso vibrei.

Nada está como antes,
Me esqueci do passado,
De todo meu sofrimento,
Hoje me sinto renovado.

Agora é seguir em frente,
Deixar o vento bater no meu rosto,
Bronzear minha pele no sol quente,
Encher o pulmão de ar puro,
Ser gente novamente.

E desvio dos buracos,
Que querem me engolir,
Neles não caio mais,
Quero mais é subir.

E a vida me sorri,
Me presenteia com amor,
Da mulher que eu pedi
De joelhos ao Senhor.
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ENTÃO, TÁ...

Nossa vida desmoronou,
Foi tudo ao chão,
Meu coração também chorou,
Foi forte a situação.

Então, tá, tudo acabado!
Não estamos mais juntos.
Nosso tempo terminou,
O para sempre acabou.

Seguiremos caminhos opostos,
Cada um com seus problemas.
Eu não sei para onde vou,
Não tenho nenhum esquema.

Então, tá, fechamos essa porta,
Mas podemos não trancá-la.
Deixemos entreaberta,
Quem sabe, para voltar.

Nesse instante de cabeça quente,
Nos tratamos tão mal,
Mas depois que esfriar,
Podemos até pensar na gente.

Sigo meu caminho olhando para trás,
Posso continuar te olhando,
Corrigindo nossos erros
E, novamente, te alcançar.

Então, tá, deixa tudo como está,
Cada um segue a vida,
Você pra lá eu pra cá,
Mesmo que seja bem sofrida.
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DURMA BEM, MEU AMOR

Depois do que fizemos,
Com tanto carinho,
Nessa cama acolhedora,
Eu desejo a você
Uma bela noite de sono.

Durma bem, meu amor,
Que esteja muito feliz!
Pois vi em seu rosto
A alegria de uma aprendiz.

Acredite que de minha parte,
Te entreguei o melhor de mim.
Hoje teve muito amor,
Há muito não tenho alguém assim.

Que em teus sonhos dessa noite,
Apareçam-lhe muitos anjos,
Que todos eles te façam bem,
E acariciem carinhosamente a sua alma.

Hoje fomos tão felizes,
Você é tudo que eu sonhei.
Nosso amor foi tão incrível,
De você não mais me separarei.

E quando nos amarmos novamente,
Que seja assim tão belo,
Esse nosso encontro amoroso
Estava já escrito no mais alto do céu.
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SOFRIMENTO QUE NÃO TERMINA

Sofro tanto que acostumei,
Não era para ser assim,
Será onde que errei
Para o mundo cair em mim?

Sim, cometi vários erros,
Uns maiores que outros,
Mas todo mundo erra um dia,
Por que os meus me levam ao sufoco?

A vida não está fácil,
Cada dia um desafio,
A casa caiu faz um tempo,
Mas ainda estou resistindo...

Não sei até quando
Consigo me manter de pé,
Ando tropeçando,
Só não perdi a minha fé.

Estou tentando me realizar,
Mas parece que estou preso,
Tem alguma coisa a me puxar,
Com uma força que desconheço.

Vivo um dia depois do outro,
Mas são todos iguais,
Acordo hoje como foi ontem,
A vida não progride mais...

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VIDA DE CACHORRO

Levo a vida abandonado,
Vida essa de cachorro,
Que um dia foi deixado
Na rua sem socorro.

Mas a vida segue em frente,
Não sei para onde ela vai,
Talvez em direção ao poente,
De onde ninguém sai.

Eu nunca fui um cão,
Meus sentimentos foram honestos,
Deixei falar o meu coração
E assim sobrou-me os restos.

Fico, vou, nem sei mais,
Muito menos quem sou,
Amar, nunca, jamais!
Esse meu sonho acabou. 

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É QUASE...

Mais uma vez, amor,
Ficamos no quase,
Nenhum beijo,
Nem peguei na sua mão.

Somente olhares quentes,
Meio de longe, meio sem querer,
Meio querendo tudo...
Ai que vontade de você!

Será sempre assim?
Espero que não,
Desse jeito quase infarto,
Coitado do meu coração.

É que já estamos maduros,
Sabemos bem o que rola,
Deixemos de lado convenções,
Para elas não daremos bola.

Que linda você estava ontem,
Você é linda sempre!
Até descabelada tem seu charme,
Quero te descabelar!

Pô, mas é difícil, sei lá,
Talvez um recato mentiroso,
Medo de nos pegarem,
Mas se for, o que que há?

Que nos peguem felizes,
Gozando sem parar,
Se são todos infelizes,
Que arrumem alguém para amar!

Já não quero mais sonhar,
Esses "quases" quase me matam,
Um dia vou te pegar,
Pois solitário já te amei.

Tortura é ficar distante,
Fazer de conta que nada há.
Você sabe que te como
Toda vez que te vejo lá.

Quero mesmo é uma cama,
E nós dois deitados nela,
Fazendo coisas lindas,
Sem querer parar...

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O SEU BEIJO

Imagino o seu beijo
Como o que há de melhor,
Nunca te encostei os lábios,
Tremo só de pensar...

Sua boca tão perfeita,
Chama a minha sem falar,
Ai, que coisa feia
Eu por ti me apaixonar.

Feio mesmo é chorar,
Assim como faço agora,
O que me resta é sonhar
Em beijar sua boca, senhora.

Lembro dela sorrindo,
O mais belo sorriso.
Ver sua boca se abrindo,
Uh, quanto tremor eu sinto!

Posso ser um cara feliz,
Mas ainda não o sou,
Você é tudo o que eu quis,
Meu desejo nunca acabou.

Sua boca é o princípio,
O meio e nunca o fim,
Ela é o meu precipício,
Com um lindo rio docinho.

Fala "eu te amo!",
Com sua boca de coração,
Me derreto todo, sem engano,
Estou morrendo de tesão...

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BEM-TE-VI

Outro dia bem-te-vi,
Estava de roupa nova,
Andando por aí,
Mas era sebosa.

Outro dia bem-te-vi,
Estava chegando em casa,
Pensei que vinha aqui,
Apaguei logo a minha brasa.

Outro dia bem-te-vi,
Estava em meu sonho,
Até mesmo ali,
Seu silêncio era medonho.

Outro dia bem-te-vi,
Melhor não ter visto,
Namoravas no pé de caqui
Um sujeito esquisito...

Depois mal-te-vi,
Foi grande a decepção,
Das nuvens eu caí,
Quebrei o meu coração.

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Comentários (2)

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celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.