Celso Ciampi

Celso Ciampi

n. 1971 BR BR

Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.

n. 1971-12-16, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Perfil
109 693 Visualizações

CORAÇÃO VAZIO

No momento está vago
O meu pobre coração.
Não está ocupado,
Sem nenhuma paixão.

Mas está bom assim,
Precisa fazer uma faxina,
Limpar as dores que ficaram,
Para procurar gente fina.

Agora nem adianta,
Que ninguém vai entrar,
Ele está concentrado,
Em se aprumar.

Ainda bate com tristeza,
Pois está cheio de entulho.
Eu te peço por fineza,
Não vem atrapalhar.

O tempo que ele precisa,
Está correndo bem,
Não queira que se apresse,
Tenha calma você também!

Ele precisa de reforma,
De uma nova pintura,
Daqui a pouco estará em forma,
Pronto, mas não para aventura.
Ler poema completo

Poemas

1030

NOVAMENTE

Estou aqui novamente,
Pedindo que me ouça,
Já perdi a conta
De quantas vezes te procurei.

E não vou parar, 
Nem que o mundo acabe,
Para onde for eu vou continuar,
No fundo você sabe.

Pô, eu te amo, meu Deus!
Porque me trata assim?
Eu só quero ser amado,
Nem que seja um pouquinho.

As coisas podem estar difíceis,
Nossa condição não é a melhor,
Fizemos escolhas idiotas
Num passado de dar dó.

Mas podemos mudar tudo,
Basta que fiquemos juntos,
Quer saber? Dane-se esse mundo,
Que vive de pequenos absurdos!

Larga essa sua vida mixuruca
E vem viver de verdade,
O amor vale a barra
Que será leve, afinal, liberdade!

7

EU SOU A VIDA DESTROÇADA

Eu sou a própria vida,
Não a mais bela,
Sou a sofrida,
Que cai por tabela.

Eu sou a vida destroçada
Por um amor não vivido,
Talvez seja até desgraçada,
Disso eu não duvido!

Quem sou então?
Toda a fúria da natureza,
O vírus que te consome,
A praga da incerteza.

A vida me deixou sozinho,
Abandonado em meio à multidão,
Um ser pequenininho,
Sem um pingo de ambição.

Sou o que sempre fui,
Um zero em lugar nenhum,
Nem o zero eu sou,
Não existo de modo algum.

O que vejo no espelho? Nada!
Um borrão com olhos arregalados,
A vida me esmaga,
Aos poucos estou sendo triturado...

10

PARA FALAR DE AMOR...

Eu não sei o que precisa,
Acho que estar amando,
Dica muito imprecisa,
Talvez eu esteja viajando.

Mas amor é coisa boa,
Às vezes muito ruim,
Pode ser uma bela coroa,
Ou um arco de espinho.

Vai em frente e me diga
O que pensas do amor.
A mim ele causa fadiga,
E para você, seria como uma flor?

Porcaria é ser poeta,
Não que eu esteja reclamando,
Encontrar a palavra certa
Para expressar o que vou pensando...

Eu gosto de ser poeta,
Mesmo quando não estou gostando,
O problema é que algo me desperta
Dores que vão aumentando...

Enfim, o fim, saio de cena,
Finalizo o meu drama,
Sofrendo esse poema.
Acho que vou para a cama...

10

O DOCE QUE ME MATA

Doce da pior fruta,
Aquela ácida e espinhosa,
Quanto mais te como
Maior a minha luta.

Corroendo minhas entranhas,
Vai fazendo o seu estrago,
Não, esse poema não tem manha,
É só sobre coisas em que esbarro.

Quanto açúcar nesse fel,
E nem doce ainda está,
Azedo e podre mel,
Que vai me matar.

Na verdade já morri,
Morte das piores,
A vida não mais me sorri,
Felicidade? Nem as menores.

O sol está frio e tenso,
Seus raios não me acertam,
O frio já é denso,
Geleiras me cercam.

Sou, sei lá, fui, nem sei,
Quem sou eu nessa fila
Que vai dar lá no nada?
Ninguém! E não me grila!

9

SEM DINHEIRO

Dinheiro? Não sei se presta,
Não tenho nenhum,
A carteira vazia é o que me resta.
Ei, você, me empresta um?

Sobre a vida, não é a grana,
Que garante, sim, a sobrevida,
Melhor ter vida bacana,
Correndo atrevida.

Minha cama é uma festa,
Tem amor de verdade nela,
O sonho é o que me resta,
Gente metida vejo da janela.

Há quem não tem nada,
Mas tira onda de milionário,
Há quem realmente nada tem,
Nem mesmo um salário.

Ser feliz com dinheiro é fácil,
Dizem que ele compra tudo,
Mas não compra valor,
Compra preço bem barato.

Será mesmo importante
Ter dinheiro de montão,
Se amor mesmo interessante
É coisa que vem do coração?

Vale mais uma vida,
Do que a vida toda,
Dinheiro dá barriga,
A pessoa fica gorda.

Eu, que não tenho nada,
Sou feliz mesmo triste,
Já perdi a mulher amada,
Que de dedo em riste,
Disse estar desapontada.
Ela procura um rico e insiste,
Que um dia será viajada.

Pobre dela, iludida,
Já lhe falta formosura,
Tem a coluna caída,
E na pele falta lisura.

Mas, enfim, o que fazer,
Se o dinheiro não me quer?
Eu até já deixei de o querer,
Como fiz com aquela mulher...

8

UM INFELIZ?

Não pense você coisa assim,
Eu, infeliz? Que pensamento!
Posso até estar triste,
Posso por duro momento...

Você já se foi faz tempo,
As feridas se fecharam.
Vivo novo momento,
Onde rosas se despetalaram.

Se eu fosse infeliz
Não conseguiria amar,
Você passou por um triz,
Só que fez o amor vacilar.

Vivo, a vida tem suas mazelas,
Acordo disposto todos os dias,
Vejo tudo em cores belas,
Minhas emoções não são vazias.

Se você pensa diferente,
Nunca me conheceu direito.
É, a relação da gente
Foi quase sem efeito...

Tenta encontrar a sua felicidade,
Talvez seja o que lhe falte,
Abra seu coração de verdade,
E se ame, não se mate!

8

TRISTEZA PROFUNDA

Oh, que dia mais terrível!
E ele nem começou!
Podia estar sendo incrível,
Mas você me deixou.

Aquele sol que agora brilha,
Daqui a pouco se apagará,
Fecharei as cortinas
E o mundo sumirá.

Quebro tudo aqui em casa,
Suas fotos rasgarei,
Seu contato bloqueio,
De você esquecerei.

Saiu sem mais nem menos,
Foi ganhar o mundo,
Mas quer saber de uma coisa,
O mundo é que sai perdendo...

Volta, por favor!
A minha vida está um caos,
Nem passou uma hora
E para mim tudo acabou.

Te quero longe,
A porta está trancada,
Nem tente vir aqui,
Pois será escorraçada!

Ainda dói o meu coração,
Ele bate descompassado,
Vou morrer de solidão,
O portão está destrancado...

Eu não quero mais te ver,
Suma de minha vida!
Arrumei suas coisas fétidas,
Estão na porta de saída.

Seu perfume está aqui,
Impregnado nessa cama,
Deitei agora chorando
Abraçado no seu travesseiro.

Venha aqui me consolar,
Meu espírito está precisando,
Juro que não vou brigar,
De joelhos estarei te adorando...

8

SEM NEXO, DESCONEXO

Sempre sorrindo eu vou,
Não sei para onde,
Para a frente é que se anda,
Mas meu passo atrasou.

Aqui e acolá, é verdade?
Olha, sei lá, entende?
Falta de dignidade,
Um ou outro compreende.

O sorriso aqui no rosto,
Mostra meus poucos dentes,
Quase todos cariados,
Que boca indecente!

No mais, tudo de menos,
Sem mais e nem menos,
Muito mais é muito menos,
Um pouco mais, faz bem menos.

Então, saio correndo,
As pernas travadas.
Todo mundo está vendo
As ruas esburacadas

10

SOBRE MIM?

Sobre mim? Nada a declarar!
Ando por aí, solto,
Sem ter aonde chegar,
Em meus pensamentos envolto.

Sou o que você não vê,
O que vê é muito pouco,
Se vê e não me crê,
Não sou eu o louco.

Vivo apenas, como e bebo,
Depois vou ao banheiro,
Boto tudo fora digerido,
Solto pum, mas não cheiro.

Me chamam de vadio,
Dizem que sou à toa,
Mas obras lindas eu crio,
Deixo que me xinguem, numa boa...

Vou, volto, vou outra vez, 
Depois eu fico, deito,
Continuo rindo de vocês,
Com seu espanto me deleito.

Já caí algumas vezes,
Em poucas eu machuquei,
Levantei muito mais vezes,
Só sorri, nunca chorei...

Amei amores lindos,
Também amei não correspondido,
Fiz das tristezas um conto contido,
Das alegrias um cupido...

Fui para outro canto,
Aqui estava sufocado,
Lá foi só desencanto,
Estava prestes a ser enforcado...

Então é isso no momento,
Nada mais a declarar,
Não me venha com novo tormento,
Pois dessa vez vou te calar!

4

O AMOR ACABOU

Sinto muito, meu amor,
Mas o amor acabou,
Passou por um furo
Que o coração deixou.

Vou deixar você agora,
Para não deixar depois,
Deixa eu ir embora,
Não há espaço para nós dois.

Quem viu a gente feliz
É claro que vai se assustar,
Mas diga que fui eu quem quis
Nosso lance terminar.

Sim, tenho lágrimas nos olhos,
E elas vão correr num instante,
Amores são transitórios
Para o meu coração errante.

Amei o tanto que pude,
Fui fiel ao meu sentimento,
Desculpe se sou rude,
Não passa desse momento.

Caio agora em mim,
Encontrei a minha verdade,
Meu amor era chinfrim,
Declarei-o por ansiedade.

Te desejo o melhor,
Você merece ser amada,
Não por um cara como eu,
De alma pesada.

A culpa é toda minha,
Do que está acontecendo.
Como sou fraco, gatinha!
Não perca seu tempo sofrendo...

9

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.