Lista de Poemas
PAULEIRA POUCA BOBAGEM
Que vida corrida!
Não tenho como respirar,
Acontece tudo rápido,
Nem mesmo dá para pensar.
Mas se não penso arrumo encrenca,
Então paro e deixo o mundo girar,
Mas ele gira veloz,
Depois tenho que me recuperar.
O tempo corre feito lebre,
Nada fica no lugar,
De repente acaba o dia
E sobram coisas a acertar.
Corro, como não?
Mas não consigo alcançar,
O tempo tem motor a combustão
Eu sou carroça a o desafiar...
PODIA SER DIFERENTE
Sim, podia ser diferente,
Essa vida que eu levo,
Podia ter dado liga entre a gente,
E hoje estarmos juntos.
Mas não deu,
Nem sei se poderia dar,
Eu nem tentei, falando a verdade,
Tive medo de te assustar.
Eu já estava casado,
Você prestes a casar,
Tinha um namorado,
Como que de amor eu ia te falar?
Mas se eu soubesse do futuro,
Que seríamos infelizes,
Aí, sim, eu dava um jeito,
Evitava os nossos deslizes.
Fomos enganados pela vida,
Deixamos ela nos guiar,
Pelo menos eu sinto assim,
Por você não posso falar.
E nem éramos tão jovens assim,
Já sabíamos muitas coisas,
Pelo menos para mim
O amor veio de forma torta.
Agora, te espero paciente,
Quem sabe essa espera vinga?
Tem dias que estou impaciente,
Nos outros choro pela vida.
Mas fizemos nossas escolhas,
Que deram muito errado.
Eu te amo daqui,
Não sei você aí do seu lado.
Espero que sintas alguma coisa,
Que seja além de uma amizade,
Quando nossos olhos se encontram,
Vejo que há neles pequena cumplicidade...
TOCO A SUA CAMPAINHA
Um dia toco a sua campainha,
Fico parado na sua porta,
Esperando que me abra
O seu coração duramente fechado.
E não saio daí,
Nem por nada desse mundo,
Você vai ter que vir,
Ou eu aos poucos sucumbo.
Seu marido? Que se dane!
Não tenho nada com ele!
Se aparecer na minha frente,
Digo o que sinto na cara dele.
Minha esposa? Já não é minha,
Porque há muito não sou dela,
Acabou a nossa vidinha,
Não nego, um dia foi bela.
Doravante eu te quero
Com toda a minha força,
Vou lutar com esmero
Para que você me ouça.
Sei não se te roubo um beijo,
Ou levo-te para viver comigo,
Ai, tenho que controlar meu desejo,
Às vezes exagero. Então me castigo.
Mas como controlar o que não tem controle?
Meu coração é autônomo,
Escolheu amar você de fato,
Eu não pude ir contra.
Já estou perdendo a razão,
Daqui a pouco perco a estribeira,
Estou aqui no seu portão,
Talvez invada a sua casa inteira...
Não, não serei tão insano,
Me desculpe a impetuosidade,
É que estou quase pirando,
É tanto amor que chega a beirar a insanidade.
Chega, paro por aqui,
Já estou dizendo bobagem,
É que a dias estou sem dormir,
Parece até sacanagem.
ERA PARA SER DE BRINCADEIRA
No começo era uma brincadeira
Que eu fiz comigo,
Não queria nada sério,
Acabei me envolvendo...
Imprudência a minha,
Perdi totalmente a razão,
Achei que que nada me pegaria,
Fui fisgado pelo coração.
Sem jeito de voltar atrás,
Parei por um tempo,
Assim poderia esquecer
E me livrar de um tormento.
Mais uma vez errei feio,
A coisa já não tinha mais controle,
O amor já passava do meu meio,
Se aproximava do pescoço.
Então, me afoguei nele,
Me deixei envolver completamente,
Eu estava indefeso,
Louco, alucinado, inteiro e inconsequente.
Brinquei com coisa séria,
Esse foi o meu grande erro,
Agora vivo uma miséria,
Uma vida de desacerto.
Ela não sai de mim,
E eu não estou nela.
Confusão que arrumei,
Sofro muito no centro dela.
"Não se brinca com coisa séria!",
Já diziam os antigos,
A eles nunca dei ouvidos,
Levei bomba nessa matéria.
SIM, EU CHORO
Ainda choro, por que não?
Mas lágrimas de alegria,
Por andar nesse chão,
Talhado sem fantasia.
O sofrimento ficou para trás,
Nada me faz cair,
Posso até tropeçar,
Mas o chão não há de vir.
Forte? Não sou, determinado, sim,
Minhas fraquezas eu fortaleço,
Tenho que pensar em mim,
Disso não me esqueço.
Caminho sempre olhando o futuro,
Mas o construo agora,
Nunca mais fiz um muro,
Fico aberto a toda hora.
Sim, eu choro, ainda,
Mas por ter crescido, feliz.
Minha boa corrida,
É resultado do que já fiz.
Vou e não volto mais,
Meu destino é a vitória,
Ao fundo não volto jamais,
Escrevo uma bela história.
QUANTOS DESAFIOS
Viver é um desafio
Que a gente não escolheu,
Um belo dia nascemos
E tudo se deu.
Então vai na boa,
Deixe o medo escondido,
Não fique à toa,
Não se recupera o tempo perdido!
Um desafio atrás do outro,
Um problema depois mais um,
Se a vida fosse coisa pouca,
Seria chata e incomum.
A vida é uma linha
Onde andamos no limite,
Uma pisada fora dela,
Ai, que terrível palpite!
Se chegamos até aqui,
Temos força para ir além,
Ela está no coração,
Jogue-o na frente e vá também!
Somos como somos,
Nada mais importa,
Vamos pelo vida,
Abrindo todas as portas.
VASO RUIM NÃO QUEBRA
Mas que grande mentira!
Eu quebrei faz tempo,
Tanta coisa me tiram,
Elas se vão com o vento.
Sou vaso do pior barro,
Aquele da enxurrada,
Barro que desce do morro,
Deixa a rua enlameada.
Eu quebro a todo instante,
Já quebrei várias vezes,
Nem a cola me cola,
Perdeu sua eficácia.
Se eu já fugi da escola?
Tantas vezes, perdi a conta,
O muro não era o problema,
Mas a Matemática e suas contas.
Sou ruim com espírito bom,
Não tenho maldade,
Sou elástico feito o som,
Movido a curiosidade.
Barro que não se assenta,
Nem consegue ser queimado,
Por isso se arrebenta
Esse pobre coitado.
QUERO MUITO
Quero muito o que quero,
E sei porque o quero,
Não quero por querer,
É o meu bem-querer.
Minha vida depende disso,
Já não volto mais atrás,
É comigo o compromisso,
Com ninguém mais.
Continuo o meu caminho,
Ele não é fácil não,
Levo por aí uns tombinhos,
Mas levanto logo do chão.
Que coisa mais engraçada,
Se é que sacanagem tem graça,
Tem quem torce na arquibancada
Para a minha desgraça.
Estão todos errados,
Vivo mesmo é na graça,
Sou protegido e segurado,
Por Deus e ele não larga.
Então vou em frente na vida,
Enfrento os obstáculos,
Construo pontes sólidas,
Que me levam ao outro lado.
Venço algumas rodadas,
Outras, perco, mas não caio,
Sou um cara escaldado,
Já sofri tanto que nem desmaio.
Uma coisa é muito certa:
Posso até não ir muito longe,
Mas já fui além de um ponto,
Venci gente metida a esperta.
O COITADO
Eu, coitado, já não sei mais nada,
Uns se dizem bons,
Mesmo assim não fazem nada,
Pintam em vários tons.
Deus me proteja dessa cambada!
Quem é mau nessa joça?
Eles não aparecem,
Vestem belas máscaras,
Nos fazem troça.
E nós aqui embaixo,
Passando o Diabo,
Comendo a massa amassada
Com o seu azedo rabo.
Sofro eu e sofre você,
Sofre também aquele ali,
Que em troca de migalhas,
Defende o mau de ti.
Sou eu e mais ninguém,
Que por mim trabalha,
Se eu quero ficar bem,
Vem alguém e me atrapalha.
Mas vamos em frente,
Um pouco de lado,
Sim, estou consciente,
Que meu sonho é esculhambado.
Daqui eu solto um grito,
Ele jamais será ouvido,
Mesmo que muito aflito,
Há tempos já fui esquecido.
HOJE ACORDEI PARA A VIDA
Hoje acordei de um sono
Muito agitado,
Ele durou muitos anos,
Acontecia quando estava acordado.
Era, na verdade, um pesadelo,
Que nunca acabava,
Ele me levou ao desespero
E a doenças que eu não imaginava.
Fui eu que escolhi, sim,
Não posso negar,
Eu até antevi o futuro,
Mas comecei a negar.
Neguei tanto que acreditei,
Na mentira que eu mesmo inventei,
Então vivi a vida numa bolha
Onde eu me enfiei.
Perdi o tempo,
Perdi amigos,
Perdi tudo o que tinha,
Perdi até a vergonha...
Se ganhei alguma coisa
Foi uma grande tristeza,
Que eu pintei em cores,
Para dar-lhe outra natureza.
Amores eu espantei,
Não pude vivê-los,
Nessa vida eu errei,
Nem busquei por conselhos.
O coração já está fraco,
Não sabe mais amar,
Ele também está num buraco,
E só falta alguém tampar...
Comentários (2)
Obrigado!!
Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.