Lista de Poemas

AS MÃOS QUE TE SEGURAM

Minhas mãos são frágeis,
Podem se quebrar fácil,
Mas com elas te seguro,
Com uma força absurda.

Que mãos tão poderosas,
Essas que te mostro,
Parecem tão pequenas,
Ficam enormes, pois são generosas,

Não te solto por nada,
Terá vida segura,
Fique frio e esperto,
Não se meta em aventura.

Essas mãos calejadas,
Já sofreram de um tudo,
Foram até amarradas,
Seguraram meio mundo.

Quem nelas se fia,
Não se arrepende,
Pode vir, confia,
E num instante compreende.

Levante sua mão com fé,
Peça que eu te escuto,
Você, homem ou mulher,
Não perecerá ao bruto.

Sou aquele que te fez,
Que também criou a Terra,
Minhas mãos feridas de morte
Te salvaram dos pecados...
E te trazem boa sorte.

46

TENHA CALMA!

Fique calma, minha linda,
Não confundo amor com tesão,
O que temos é forte,
Mas é sexo do bom.

E não passa disso,
Apesar de nossa ligação,
Vou manter o compromisso
De não lhe abrir o meu coração.

Você ama seu namorado,
E eu não me preocupo,
Me contento com seu corpo,
Que goza tão perfeito.

E assim vamos ficar
Pelo tempo que houver,
Eu juro nunca te amar,
Nem se o coração quiser.

Seja feliz na sua vida,
E eu serei na minha,
Quando o desejo apertar,
Eu estarei sempre a postos.

Se eu estou sozinho,
É apenas porque quero,
Não tenho nada escondido,
De nós nada mais sério espero.

Vamos deixar de lado essa conversa,
E tirarmos nossas roupas,
O tempo está correndo,
E a cama nos espera...

72

DEPOIS DA CAMA...

Depois da cama, nada mais,
Somos dois desconhecidos,
Cada um para o seu lado,
Só o sexo faz sentido.

E assim, há tantos anos,
Vivemos nossa farsa,
Nunca nos amamos,
É o tesão que tem graça.

Infelizes sempre depois,
Procuramos outros corpos,
Sem pudor, nem constrangimento,
Oferecemos o resto de nós mesmos.

E em noites solitárias,
Quando a solidão pede abrigo,
Pulamos um na cama do outro,
Entre gritos e gemidos.

Que vida vazia temos,
Não damos nada um ao outro,
Até o prazer é meio forçado,
Estamos no fundo do poço...

45

SOU O MEU FIM

Sou um poço de arrependimento,
Um nada, cão sarnento.
Crio histórias mentirosas
Que são o meu tormento.

Eu não gosto de você,
Mas me forço a ficar,
Nem eu consigo entender,
Muito menos te explicar.

Me meto em confusão,
Crio monstros terríveis,
Num carrossel de emoções,
Que roda imprevisível.

Sou o fim de mim mesmo,
O meu próprio buraco,
Onde me afundo velozmente,
E me corto com meus cacos.

Enfim, sei lá por que existo,
Só para me ferir,
Pois nada eu conquisto,
Só faço a todos mentir.

48

DEDICO A VOCÊ A MINHA VIDA

Minha vida assim tão simples,
Eu dedico a você,
Que ganhou meu coração,
E nunca mais veio me ver.

Mesmo estando sozinho,
Fazendo esforço para sorrir,
Essa vida tão dura,
Dedico toda a ti.

Nela há sempre o sol,
Mesmo em meio a tempestades,
Ele brilha mais que as nuvens,
Afasta de mim as calamidades.

Ando firme pelas ruas,
Nada temo lá fora,
Tenho força que nem sei,
O mal eu mando embora.

E você, minha musa,
De quem nem sei o nome,
Nem ao menos me abusa,
Me dedico a te seguir.

Faço tudo por você,
Até conto umas mentiras,
Mas são todas inocentes,
Só para ter sua atenção.

Mas você não me nota,
Nem procura por mim,
Eu me lembro de você todo dia,
Do princípio até o fim.

E quando passo o meu perfume,
Imagino você a me cheirar,
Sentindo assim arrepios,
Doida para eu te desnudar.

Penso em me enrolar em seus cabelos,
Tão sedosos e belos,
Me tocando em desespero,
Gozando em paralelo.

Dedico a você este poema,
Mesmo sabendo que nunca o lerá,
Assim mantenho meu esquema
De sempre te louvar.

65

COM CORAGEM EU VOU

Eu tenho medo sim!
Quem disse que não?
Mas eu sou corajoso,
A coragem vem do meu coração.

Mesmo em um mar revolto,
Continuo a remar,
Venço as ondas assassinas,
Não deixo meu barco afundar.

Quase nada eu tenho,
A não ser minha vontade,
Coragem, eu arranjo,
Tenho um plano e vou executar.

Não sou forte como pensam,
Sou frágil e quebradiço,
Mas não deixo que vejam,
Pois assim não corro risco.

Eu vejo um futuro
Que será brilhante,
Tenho certeza disso tudo,
Me formo como um diamante.

Sim, na pressão eu me construo,
Me tornando inquebrável,
Passo por deformações insanas,
Mas ganho valor inestimável.

Eu aceito ser moldado,
Sei que é para meu bem,
Mas não fico ali parado,
Pois assim não serei ninguém.

63

SAIO POR AÍ SEM RUMO

Saio pela rua, sem lugar para ir,
Ando para lá e para cá,
Sem me decidir,
Nem ao menos me encontrar.

Não sei o que procuro,
Nem se devo procurar,
A vida passa louca,
Sem me esperar.

Ando sem querer andar,
Minhas pernas estão cansadas,
As ruas são todas iguais,
Me levam a muitas quebradas.

E nessa de sair sem destino,
Qualquer lugar me serve,
Entro em bares moribundos,
Bebo tudo que me servem.

Trôpego volto à rua,
Caindo aqui e ali,
Durmo numa calçada,
Descalço e sem roupa...

86

HOJE VOU TE VER

Nem mal começou o dia
E já quero que acabe,
Mais tarde vou te ver,
O nervoso me consome.

Não consigo trabalhar,
Nem fazer o mais simples,
Hoje vou sonhar
Com a noite que teremos.

Tomara seja perfeita,
Que dê tudo certo.
Tenho tanto a te dizer,
Que as palavras não me faltem.

Já comprei roupa nova,
E um tênis bacana,
Quero estar bem arrumado,
Como nunca me vira antes.

89

CHEGA DE GUERRA!

Já não aguento ver o noticiário,
Falam tanto em tantas guerras,
Fazem assim macabro diário,
E a gente toda que se ferra.

Vejo muitos inocentes,
Pessoas que desejam a paz,
Que de forma inclemente
Morrem feito pobres animais.

Gente ruim os senhores da guerra,
Dizem que fazem isso pela paz,
Mas não sabem o quanto erram,
Não têm limites sua covardia,
De tantas atrocidades são capazes.

"E o mundo que se dane,
As pessoas que se virem,
Eu tenho a força e a uso,
Pelo vil metal faço o inferno".

No inferno eles já vivem,
São a face do mal,
Sua alma está tomada
De forma incondicional.

Enquanto se protegem,
Por trás de drones e bombas,
Deixam pessoas expostas,
Sem a mínima chance de defesa.

Parem com essa matança,
Vocês não são os donos do mundo!
Um dia vão pagar caro
Por todos esses absurdos!

69

UM CARA LOUCO

Já fui um porra louca,
Não tinha nenhum limite,
A vida para mim eram festas,
Que duravam até o dia seguinte.

Gastei todo meu dinheiro,
Perdi naquilo muito tempo,
Eu era bagunceiro,
E muito mulherengo.

Levei vida desregrada,
Beijava a torto por aí,
Até mulher casada,
E daí?

Foi um tempo de vida
Em que minha vida se perdeu,
Depois não tive muita escolha,
Peguei o que a circunstância me deu.

E nunca mais fui feliz,
Perdi até o que não tinha,
Hoje nada tenho,
A não ser arrependimento.

Agora não adianta
Não tem como voltar,
Tento seguir adiante,
Mas vou bem devagar...

50

Comentários (2)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.