AS MELHORES HORAS
Posso dizer de ontem, Que foram as melhores horas Aquelas que fiquei com você. Descobri que, além de bela, Vale muito te conhecer. O que foi aquilo, Não sei dizer, Foi o que foi, É melhor nem saber. No fundo eu sei bem, Algo bom pode nascer. Amor? Talvez... Uma paixão? Certamente... Tomara que tenha futuro, Plantamos a semente. Foi muito louco, eu sei, Nem queria nada igual, Eu acho que me enamorei, E foi sensacional. Quero ver-te de novo, Quantas vezes forem, Quero abraçar seu corpo E sentir seu gosto Num beijo lento e saboroso. Nos vemos por aí, Um dia desses qualquer, Espero que não demore, Me liga quando puder...
QUE LOUCURA!
Ontem, não sei o que houve, Aconteceu tudo de uma vez, Ainda não assimilei, O que a gente fez. Que loucura, tudo aquilo! Não estava preparado, Mas foi bom, admito, Ainda estou anestesiado. De repente uma coisa, Um calor tomou conta, Nossos corpos se despiram, E fizemos mil loucuras. E de agora em diante, Nos encontraremos de novo? Deixe o tempo nos dizer, Assim é sempre mais gostoso. Seu gozo foi tão feliz, Senti seu corpo leve, Não pensei que fosse assim, Que ia acontecer... Eu romantizei nossa primeira vez, Fiz planos tão minuciosos, Mas o tesão derrubou tudo, Acho que assim foi delicioso...
ONTEM O MAR SE REVOLTOU
Se o barco não virou Foi porque ele não quis, Pois ontem o mar se revoltou, Perdi a rota por um triz. Ondas grandes, enormes, Chacoalharam a embarcação, A água toda cinza, Parecia terra de vulcão. Despedi de tanta coisa Em meio àquela confusão, De repente tudo escuro, Perdi minha visão. Era onda e trovão, A tormenta era enorme, Raios e ventos fortes, Atingiram meu coração. Atormentado, eu gritei, Para pedir socorro, Nenhuma mão apareceu, Pensei: "agora morro". E você me deixou assim, Com o barco em frangalhos, Ao passar a tormenta, Me perdi naquelas águas. Veio o sol e me queimou, O sal me corroeu, Senti que tudo se acabou, O seu amor por mim morreu.
SÃO OS PORCOS...
São os porcos Que estão ao meu lado, Chafurdando na lama, Me deixando atordoado. Me arrastam para o barro, Tentam me afundar, São tão simpáticos, Mas querem me derrubar. Quanto mais eu me afasto, Mais eles vêm me perturbar, São podres, falsos, Fazem de tudo para roubar. Comem lavagem em seus cochos, Arrotam champanhe e caviar. Parecem tão puros, São imundos ao se juntar. Seu sorriso é escárnio Sua boca cheira mal, Um hálito podre, Coisa sem igual. Fingem ser o que não são, Prometem fazer o que não fazem. Vendedores de ilusão, Usam Deus como camuflagem.
COMO PODE?
Me faz de besta o tempo todo, Esconde toda a verdade, Beija outro pelos cantos, Depois me sorri com falsidade. Anda pelos bares dessa vida, Procurando o prazer, Depois vem para mim, Quando se sente perdida. Como pode agir assim? Vive como louca, Um poço sem fundo, Onde cai sem perceber. Eu, com todo carinho, Te recebo, cuido de suas feridas, Em meus braços te faço um ninho, Mas, quando melhora, some. Eu, sozinho, choro, Porque sou um tolo, Acredito que um dia Acabo com essa loucura. Mas ela já não se acaba, É minha também. Somos dois loucos, Não amamos ninguém...
SEM INTERESSE
Não me interesso Pelo que pensa de mim, Desde já vou embora, Termino tudo assim. Não me interesso Por suas decisões, Faça tudo o que quiser, Machuque outros corações. Não me interesso Se você chora ou não, Sei que é tudo falso, Uma bufa encenação. Não me interesso Nada mesmo por você, Que tanto me enganou E me fez sofrer...
VOU BERRAR UM PALAVRÃO!
Vou berrar um palavrão, Mas aqui não dá para ser, Então mantenho o padrão Para não te aborrecer. É que hoje está difícil, O computador está lento, Parace que movido a manivela, Um enorme tormento...
PISA EM MIM!
Pisa, com esses pés delicados, Nesse corpo que é seu. Ele já está dilacerado, Por tudo que não me deu. Mas pisa com toda força, Esmaga com vontade, Não deixe sobrar nada, Me deixe em liberdade. Faz um sapateado, Pule em cima do resto. Faça de mim um bolo deformado, Bastante indigesto. Depois jogue tudo fora, Me coloque no esgoto, Onde nem os ratos vão querer Sentir o meu gosto.
MIL DEFEITOS
Sei que tenho mil defeitos, Foi o que consegui contar, Mas todos eles eu aceito, Não tento escamotear. Sou falho, admito, Às vezes estourado, Dizem que sou teimoso, E também desleixado. Eu tento ser diferente, Um cara melhorado, Mas essa vida da gente, Me bagunça um bocado. Fico fulo nas tamancas, Quando me dizem vagabundo, Escrever é coisa séria, A coisa que mais amo nesse mundo. Abandonei o perfeccionismo, Desse mal eu me livrei, Hoje sou menos chato, Pois assim vivo bem. Mas eu não fico nessa coisa De remoer tais defeitos, Eles estão todos aí, Compõem o meu jeito.
CANSADO...
Estou cansado de tanto lamentar, Acho que agora preciso, É me movimentar, Ser mais ativo. Não gosto mais de ouvir lamentos, Nem de quem eu amo, Muito menos de quem odeio, Vão embora, seus lazarentos! A vida não é assim, Muito menos é assada. Se tá ruim para mim, Também está para a moçada. Então luta, que vale a pena, Deixa de lado essa choradeira, Se ficar muito tempo deitado, Pode crer que empena. Estou cansado, mesmo, De agora em diante vou descansar. Procuro me distrair um pouco Tentando trabalhar. E se nada der certo, Nem posso reclamar, O tanto que esperei, Dei sorte em não me findar.