Lista de Poemas

BURRO É O HOMEM

Burro é o homem,
Que destrói onde vive
Em troca de uns trocados.
Depois, é aquele "Deus me livre!".

A coisa anda feia,
A terra está queimando,
Mas essa gente feia
Ainda continua teimando.

Botam fogo lá no mato,
Liberam gás carbônico,
Jogam caca no rio,
Verdadeiro pandemônio.

E depois choram as desgraças,
Tempestades e secas.
Morrem, literalmente, de calor,
Ai que besta essa gente!

E a coisa vai só piorando,
Ninguém faz coisa alguma,
O dinheiro vai jorrando,
Em breve comprará coisa alguma.

Onde vamos parar, amigo?
Seremos os novos dinossauros.
Um dia seremos viscoso líquido,
Combustível a ser queimado.

E não é brincadeira, não,
Isso é coisa muito séria,
A Terra reclama quieta,
Mas faz uma revolução.

Seremos eliminados,
Por nossa própria ação,
O homem, tão racional,
Age, sim, como aloprado.

Eu já não estarei aqui,
Mas quero deixar um mundo melhor,
O que puder fazer para isso,
Farei sim, sem dó.
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PASSANDO O DIA

Passo o dia passando o dia,
Mas quem disse que ele passa?
Parece tecido que não desamassa,
Coisa que me dá agonia.

Quantos dias tem um dia?
Os meus têm tantos...
Que já nem quero contar,
Pois quase chego aos prantos.

E quando a coisa enrola,
Não tenho como fugir,
Encaro a danada,
Mas querendo nem sair.

E o dia passa, parado,
Como carro escangalhado,
Vou ficando chateado,
Dá um sono danado.

Durmo para ver se vai,
Acordo ele ainda está vindo,
Se por acaso ele anda,
Eu que fico distraído.

Passa o tempo. No relógio nada,
Eu fico é estressado,
Pois não passa a contento,
Ainda invento coisa errada.

Passar o dia,
Trabalho de Sísifo,
Quando acho que acabou,
Ele volta ao início.
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DESTRUINDO O QUE NÃO HÁ

Bato no peito, com força,
Ele se quebra. Mil pedaços,
Como velha louça,
Espalham-se os cacos...

Não tem cola que cole,
O que não quer se colar,
Há choro, aqui,
Lá, ninguém vai chorar.

Um vazio me dói,
Dor escura, sem visão,
Dói, algo me corrói,
Já se foi meu coração.

Terra vazia, seca e poirenta,
Onde os pés queimam,
Bolhas estouram, nojentas!
Meus olhos clamam.
Indulgência!

Joelhos quebrados,
Já não servem à oração,
Fico, calado,
Esperando a maldição.

Sai!
Não saio!
Cai!
Eu caio!

Rosto ao chão,
Vermelho do sol,
Marrom da poeira,
Minha vida, em vão.
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ME PERDOA?

Venho agora aqui
Para te pedir perdão,
Eu sei bem o que fiz,
Não foi legal, não.

Você sofreu como não devia,
Passou por humilhação,
Eu te roubei a alegria,
Que tinha no coração.

Mas eu não fiquei bem,
Logo me arrependi,
Sei que volta não tem,
Pois eu te iludi.

Me perdoa?
Pode me xingar,
Mas preciso do seu perdão,
Para poder me consolar.

Fui um idiota,
Um verdadeiro malandro,
É que minha vida torta
Ainda está me machucando.

Fui ingrato com seu amor,
Estraguei um lindo romance,
Mereço sentir muita dor,
Da mais lancinante.
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PARA SEMPRE VOCÊ

Já não tenho mais jeito,
Meu coração está entregue,
Você foi o meu conserto,
Hoje sou mais leve.

E de agora em diante,
Nunca mais te deixo,
Seremos amigos amantes,
Muito mais que mereço.

Para sempre será você,
Até meu último dia,
Como é grande meu querer,
Como é enorme minha alegria!

Se te amo, é porque merece,
Cada gesto meu,
Por favor, não esquece,
Que sou todinho seu.

Entre rimas e palavras,
Entre beijos e abraços,
Mais você me amarra,
Mais belezas em você eu acho.

Acabou meu sofrimento,
Você é minha cura,
Esse amor é o unguento,
Que faltava nessa mistura.
103

CHEGA A NOITE

Chega a noite, fim do dia,
Estou cansado, destruído,
Mesmo assim cheio de alegria,
Seu beijo me faz reconstituído.

E depois de um bom banho,
De um jantar bem gostoso,
Fico feito bobo te curtindo,
Com carinho amoroso.

Nem vejo a televisão,
Onde só passa a guerra,
Prefiro afagar seu coração,
Isso é coisa que me apega.

Faço amor com você,
Ali mesmo na sala.
Começamos no sofá,
Terminamos, felizes, no chão.

E quando vamos para a cama,
Achando que o sono vem,
Acendemos novamente a chama,
E a transa vai muito bem.

De repente apagamos,
Dormimos o sono dos amantes.
De manhã acordamos,
Fazemos o que fizemos antes.
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PERDIDO OU CAÍDO

Caí ou me jogaram,
Ainda não sei,
Meus ossos se quebraram,
E eu não os consertei.

Estou perdido, ou me perderam,
Só sei que onde estou não sei.
Nesse mundo, tão grande,
Ainda não me encontrei.

Se alguém me encontrou,
Não gostou e jogou fora,
Fez uso de mim depois descartou.
Nem deu chance de eu ir embora...

Mas se choro, sou um bobo,
Se sorrio me acham louco.
Acho que louco eu já sou,
Ainda não me internaram.

Caído ou perdido?
Não sei a diferença,
Sei que está doído,
E não tenho paciência.
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NÃO ME CONFORMO!

Não me conformo com essa vida,
Que insiste em me judiar,
Quanto mais eu luto,
Mais consigo apanhar.

Acho que já chega,
De tentar vencer,
Me entrego de bobeira
Cansei de viver.

Inconformado sigo,
Não sei onde vou parar,
Nunca mais eu brigo,
Aqui vou me entregar.
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NOSSA VIDA

Nossa vida seria boa,
Muito mais do que é,
Se vivêssemos à toa,
Conforme a maré.

Numa cama muito fofa,
Só para fazer amor,
Te deixaria muito louca,
Te faria sentir calor.

E com tão pouca roupa,
Nenhuma, na verdade,
Nosso pudor não haveria,
Só tesão à vontade.
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VOLTO JÁ

Vou ali e volto já,
Voltei!
Mas não sei se vou ficar.
Sei lá, fiquei!

Partiu daqui para acolá,
Foi outro lugar visitar,
Não gostou, eu vi,
Agora tem que pagar!

Eu não fui,
Resolvi ficar,
Duro!
Não dá para pagar.

Volto já, logo, logo,
Vou pertinho,
Bem do lado,
Se for mais longe, empolgo.

Saí, fui na rua,
Nada vi.
Comi carne crua,
Sofri.

Daqui não saio,
Só se me tirarem,
Mas será um balaio
Se me forçarem.

Volto já, daqui a pouco,
Amanhã ou de tardinha.
Fui ver uma coisa,
Não vi nadinha.

Coisa estranha,
Estou fora,
Mas pensei estar dentro,
Chega! Vou embora...
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Comentários (2)

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celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.