UM ANO BOM
Esse ano promete Ser melhor do que o passado, Continuo lutando Pela graça que tenho esperado. E ela virá, sem dúvida, Quando eu menos esperar, Pois eu trabalho com afinco, Não fico a reclamar. Sempre há um caminho, Que eu possa percorrer, Eu não fico quietinho Esperando algo acontecer. Ano novo, tudo novo, Sim, e assim será! Ano que vem estarei aqui de novo Só para te contar!
TROPEÇOS
De tropeços eu entendo, Já dei muita topada, Umas vezes eu caí, De outras tive só a unha arrancada. Nem chorei nesses momentos, Eu até achei muito bom, Talvez fosse para melhoramentos, Podia estar fora do tom. Quando vejo obstáculos, Tento deles me desvencilhar, Não deixo vácuos A me incomodar. Sigo em frente, Nem olho para trás, Vivo bem contente, Não reclamo mais...
QUEM DIRIA?
Quem diria um dia Qualquer de uma semana Um tanto fria Que você descobriria que me ama? Tudo era possível, E até o impossível, Virou possível, Assim fico impossível! Mas vá lá, Que essa coisa de me amar, Não dá para complicar, É só aqui perto chegar. Mas quem diria? Eu disse certo dia, Que tudo mudaria E você me procuraria. E foi assim, Uma bela tarde, Você veio para mim, Sorrindo à vontade. Aconteceu, quem diria? Nós dois juntos, Passeando na Bahia A de Todos os Santos... E a gente em folia.
COISA MAIS LINDA!
Olha só quem vem lá, Caminhando bem devagar, É ela que vem me buscar, Para ao céu me levar. É coisa mais linda, Que consegui encontrar, Ela tem corpo de deusa, Com curvas a me desafiar. Ela vem bem vestida, Com vestes de alucinar. Ela é de verdade, Pare de caçoar! Pela rua ela desfila, Nada pode lhe parar, Seu sorriso me anima, Coisa linda de olhar. E então eu deixo meu copo, Ainda cheio desse vinho, Vou beber de seu néctar, E com ele me fartar. Não pago essa conta, Que eu vou pendurar, O dinheiro trago depois, Quando meu namoro acabar. E vem ela pela calçada, Com seu cabelo a esvoaçar, Ainda calada Posso a ouvir falar. Meu coração palpita, Parece que vai parar. Ela, de cara feia, grita: "Acorda e vai trabalhar!"
SAIBAM TODOS!
A quem interessar possa, Comunico desde agora, Que vou para a roça, Da cidade vou embora. Lá serei mais feliz, Vou viver em liberdade, Respirar ar fresco, Comer alimento de verdade. Vou ter meu cantinho Só para ver o sol nascer, E bem à tadezinha Corro a vê-lo se pôr. Meu fogão será a lenha, A televisão minha janela, O meu mundo todo o mato, Onde conhecerei linda dozela. E quando tiver cansado, No açude vou pescar, Passar meu tempo deitado, Esperando um peixe fisgar. E assim viverei muito bem, Sem na cidade eu voltar, Quem quiser me ver, Vai ter que ir lá.
TENHO MEDO...
Tenho medo de fazer tudo errado, E continuar fazendo... De ser simplesmente abandonado, De morrer vivendo. Tenho medo de ir em frente, De não ter como voltar, De caminhar longo trecho, Sem ter onde chegar... Tenho medo do meu medo, De nem conseguir sair do lugar, De me deitar na cama, E nunca mais levantar. Tenho medo do mundo, Do que ele carrega. Das pessoas que nele vivem, De minha pouca entrega... Tenho medo da vida, De suas voltas loucas, De estar em cima e embaixo, De fazer coisa pouca. Tenho medo, nada mais, Alimento esse sentimento, Todo dia quando levanto, Me dá arrependimento.
JÁ DISSE TANTO...
Que não tenho mais o que dizer, Calado, por não ter palavras, Agora eu só posso fazer Coisas que te amarram A meu viver. E não te quero cativa, Você é livre para voar, Viva sua vida, Que te espero voltar.
SEM PENA DE VOCÊ
Não lhe tenho mais sentimentos, Pelo menos os bons, Eu vou te deixar agora, Sem pena de você. O que fez me magoou, Deixou-me infeliz, Sua atitude estragou Todo o amor que te fiz. Foi injusta, Foi cruel, Por muita custa, Descobri ser infiel. E não tem mais salvação, Tudo foi de caso pensado, Foi por acaso, não. Eu fui desonrado, Não mereci consideração.
PENSAMENTO TORTO
Tenho um pensamento, Que não é muito certo, Dizem que é torto, Não é muito correto. Passa aqui em minha cabeça Coisas loucas com você, Mas não queira nem saber, Eu me esforço para esquecer. Mas eu sinto que você Até ia gostar. Pois pelo que lê, Pelo menos quer provar. Fico meio constrangido, De te propor tais coisas, Um dia, quem sabe?, Perco a vergonha e te laço.
NO MONTE
Naquele monte alto, Que quase toca o céu, Eu estava desesperado, Olhando para baixo. Vi o amor passar, Junto dele a desilusão, Eu tentei lhe chamar, Mas não me deu atenção. Então fui bem na beirinha, Para ver-te ao longe, Vi que andava ligeirinha, Daqui nada se esconde. Esperei mais um tempo, E nada do amor voltar, Fui de novo lá beira, E vi um homem a te beijar. Chorei e gritei bem alto, A dor tomou todo meu ser, Meu amor tinha outro. Como seria meu viver? Não mais fiquei lá, Começou a esfriar, Dei a meia volta, Comecei a voltar. Te vi feliz como nunca, Seus olhos a brilhar, Fiquei tão chateado, Fui para casa me deitar. E no dia seguinte cedo, Subi de novo o monte, Meu amor era segredo, Que nunca disse antes. Escrevi um bilhete, Coloquei nele o seu nome, Joguei-o lá de cima, Ele se perdeu voando longe. Fiquei lá para sempre, Nunca mais quis voltar, Lá eu vivo calmamente, Esperando você chegar.