NADA, UM NADA
Mergulhei no abismo, Escuro e fundo, Caí e continuo caindo, Não pertenço a este mundo.
PARA TE DIZER ALGO
Queria só um tempo, Nada mais que você me der, Mas eu preciso te dizer, Que te quero, mulher! Você não me dá chance, Nem me olha direito, Preciso viver esse romance E que seja perfeito! Tenho algo a lhe dizer, Mas só quando estivermos juntos, Precios te conhecer No lugar mais profundo. Uma vez eu te pedi, Mais ou menos um minuto, Você virou as costas, Nem me deu assunto. Então resolvi escrever Esse poema bem simples, Para você saber Que te amo com requinte.
EU NÃO TENHO NADA
Nessa vida tenho pouco, Mas é tudo meu, Se me achas muito louco, É porque me enlouqueceu. Eu não tenho nada, Apenas tomo conta, Um dia vou embora, Como vim ao mundo. Nessa vida absurda, Onde o dinheiro é o senhor, Eu nunca tive nada, Nem ao menos fui sonhador. Se sonhei foi acaso, Eu tive que lutar. Todo dia ao acordar, Vivia mais um novo ocaso. Mas a vida, nada me deu, E se deu foi retirado, Um pouco do que sou, Está todo machucado. E quanta lamúria eu carrego, Um verdadeiro fardo, Ando tonto e escorrego, No chão enlameado. Fui e não voltei, Parti e fiquei, Andei e me afundei, Depois eu chorei.
CAMINHANDO SEM PARAR
Agora encontrei meu caminho, Nele quero ficar, Custei a encontrar o destino, Muito tempo a procurar. Rodei sem sair do lugar, Como rato na roda, O caminho era eu, E não conseguia enxergar. Dentro de mim algo gritava, Mas meus ouvidos eram surdos, Esses gritos se calavam, Entre tantos absurdos. Meu caminho agora brilha, Não é tão seguro, Mas nele sei onde piso, Mesmo quando está escuro. Tempo perdido imitando os outros, Deixei de lado meus sonhos, Acreditei em tantos tolos, Fui mais tolo do que eles. Agora é ir em frente, Sem medo de ser feliz, Mais vale a felicidade, Do que quebrar meu nariz.
CAMPO DE MORTE
A guerra não faz heróis, Ela faz suas vítimas, As pessoas de bem, Que morrem todas sós. Lá no campo de batalha, Que hoje são as cidades, Inocentes morrem por nada, Vidas pobres, desgraçadas. Dentro dos palácios, Muito luxo. Quem declara a guerra, Dela nem passa perto. Quanto sofrimento ao povo, Que apenas quer viver, São tratados como escudo, De covardes a se proteger. Crianças perdem a vida, Choram desprotegidas, Tem suas casas violadas Por soldados insensíveis. Lado numa guerra? Só o de quem sofre, Que só quer um pouco de paz, Viver a vida e morrer de morte. Mas morrem de tiros, Como alvos indefesos, Gente boa e trabalhadora, Nas mãos do senhor desespero. E a vida fica parada, Perde-se o pouco que tem, Nada é honesto numa guerra, Muito menos os argumentos, Esses todos vão terra...
CAIU TUDO. MAS JÁ ESTÁ DE PÉ
Um dia tudo caiu, Não sobrou nada em pé, O sonho ruiu, Não foi falta de fé. Nem o alicerce sobrou, Um pouco de terra sobre terra, Tudo revirou. Pobre do homem que erra! O horizonte sumiu, A poeira foi enorme, Cegou o pobre rapaz, Que não agiu nos conformes. Era dia de muito sol, Não havia nenhum trovão, Quando tudo veio abaixo, Arrancou-lhe o coração. Mas ele era obstinado, Limpou todo o lugar, Os escombros levou para longe, Era preciso recomeçar. Fez um novo projeto, Reforçou a base, Usou materiais mais nobres, Reconstruiu por fases. Primeiro fez a parte interna, Reforçou as paredes, Depois na parte externa, Rebocou com cimento forte. Recomeçou bem pequeno, Não podia novamente errar, Nessa parte pequena, Fez sua vida funcionar. Depois fez outro cômodo, Com o mesmo cuidado, Sem pressa foi crescendo, Estava bem concentrado. E não se incomodou com a situação, Fez a obra diferente, Às vezes lhe doía o coração, Ser esnobado por tanta gente. Mas, sozinho, conseguiu, Depois atraiu pessoas, Sua fama atingiu O mundo numa boa.
CAIU O MUNDO!
Caiu o mundo! Eu caí com ele. Morreram todos, Eu morri também...
FEITO O SOL E A LUA
Nós não nos encontramos, Por muito pouco, Estamos sempre no oposto, Um o dia outro a noite. Feito sol e lua, que nunca se encontram, Não conseguimos estar juntos. Será isso maldição, ou apenas coincidência? Tem que haver alguma explicação. Se somos tão opostos De onde surgiu esse amor? Sol, e lua não se encontram Mas dividem o calor. Pois então quero ser estrela, E brilhar junto a ti, Ou quero ser fogo, A queimar em seu corpo.
QUERO CASAR, MAS...
Quero casar, mas não agora, Pode ser com você, amor, Ou outra senhora, Seja como for. Não vou embora, Pode deixar, Essa coisa de casar, Sei lá, enrola. Não fico mais, Me deixa! Cobra tudo. É caro demais. Se casar, eu não fujo, Posso pular o muro? Vou ver minha namorada, Lá no canto escuro. Casamento, diz que é bom, Mas está separado, Como posso acreditar Nesse amigo enrolado? Caso ou não caso? Acho que terei um caso, Aqueles ao acaso, Mas se me pegam, descaso. Enrolando enquanto posso, Ainda não tenho o terno, A igreja está fechada Até depois do inverno. No verão é muito quente, Vou tomar uma cerveja. Caso, mas com pouca gente, Duas ou três, no máximo. Então, não caso, Fico para titio, Melhor não arriscar, Estou com calafrios...
ACABADO, DESTRUÍDO E ARRASADO
Por que? Tudo acontece comigo, Perdi tudo, a dignidade, Não tenho meu sorriso. Acabaram com minha história, Foi toda para o ralo, Vivo sem destino, Andando tresloucado. Tentei fugir, Mas não consegui, Não tive forças, Então fiquei aqui. Sumir para algum lugar, Onde não possa ser encontrado, Já cansei de pensar. Agora choro desesperado. Caí nas garras da mentira, Acreditei em gente ruim, Atraí tantas flechas, Que elas já não cabem em mim. Olho para o futuro E vejo o passado, Minha vida dá voltas Sempre para o lado errado. Vislumbrei o céu azul, Mas ele se encheu de nuvens, Tão pesadas de tempestades, Que caem e me inundam. Não tenho lágrimas, A última secou há tanto tempo, Meu choro é seco, Árido é o meu lamento. Agora, sei lá, A vida está passando, Fico em pé olhando, Esperando o fim chegar.