PARA TE DIZER ALGO
Queria só um tempo, Nada mais que você me der, Mas eu preciso te dizer, Que te quero, mulher! Você não me dá chance, Nem me olha direito, Preciso viver esse romance E que seja perfeito! Tenho algo a lhe dizer, Mas só quando estivermos juntos, Precios te conhecer No lugar mais profundo. Uma vez eu te pedi, Mais ou menos um minuto, Você virou as costas, Nem me deu assunto. Então resolvi escrever Esse poema bem simples, Para você saber Que te amo com requinte.
EU NÃO TENHO NADA
Nessa vida tenho pouco, Mas é tudo meu, Se me achas muito louco, É porque me enlouqueceu. Eu não tenho nada, Apenas tomo conta, Um dia vou embora, Como vim ao mundo. Nessa vida absurda, Onde o dinheiro é o senhor, Eu nunca tive nada, Nem ao menos fui sonhador. Se sonhei foi acaso, Eu tive que lutar. Todo dia ao acordar, Vivia mais um novo ocaso. Mas a vida, nada me deu, E se deu foi retirado, Um pouco do que sou, Está todo machucado. E quanta lamúria eu carrego, Um verdadeiro fardo, Ando tonto e escorrego, No chão enlameado. Fui e não voltei, Parti e fiquei, Andei e me afundei, Depois eu chorei.
CAIU O MUNDO!
Caiu o mundo! Eu caí com ele. Morreram todos, Eu morri também...
CAIU TUDO. MAS JÁ ESTÁ DE PÉ
Um dia tudo caiu, Não sobrou nada em pé, O sonho ruiu, Não foi falta de fé. Nem o alicerce sobrou, Um pouco de terra sobre terra, Tudo revirou. Pobre do homem que erra! O horizonte sumiu, A poeira foi enorme, Cegou o pobre rapaz, Que não agiu nos conformes. Era dia de muito sol, Não havia nenhum trovão, Quando tudo veio abaixo, Arrancou-lhe o coração. Mas ele era obstinado, Limpou todo o lugar, Os escombros levou para longe, Era preciso recomeçar. Fez um novo projeto, Reforçou a base, Usou materiais mais nobres, Reconstruiu por fases. Primeiro fez a parte interna, Reforçou as paredes, Depois na parte externa, Rebocou com cimento forte. Recomeçou bem pequeno, Não podia novamente errar, Nessa parte pequena, Fez sua vida funcionar. Depois fez outro cômodo, Com o mesmo cuidado, Sem pressa foi crescendo, Estava bem concentrado. E não se incomodou com a situação, Fez a obra diferente, Às vezes lhe doía o coração, Ser esnobado por tanta gente. Mas, sozinho, conseguiu, Depois atraiu pessoas, Sua fama atingiu O mundo numa boa.
FEITO O SOL E A LUA
Nós não nos encontramos, Por muito pouco, Estamos sempre no oposto, Um o dia outro a noite. Feito sol e lua, que nunca se encontram, Não conseguimos estar juntos. Será isso maldição, ou apenas coincidência? Tem que haver alguma explicação. Se somos tão opostos De onde surgiu esse amor? Sol, e lua não se encontram Mas dividem o calor. Pois então quero ser estrela, E brilhar junto a ti, Ou quero ser fogo, A queimar em seu corpo.
CAMINHANDO SEM PARAR
Agora encontrei meu caminho, Nele quero ficar, Custei a encontrar o destino, Muito tempo a procurar. Rodei sem sair do lugar, Como rato na roda, O caminho era eu, E não conseguia enxergar. Dentro de mim algo gritava, Mas meus ouvidos eram surdos, Esses gritos se calavam, Entre tantos absurdos. Meu caminho agora brilha, Não é tão seguro, Mas nele sei onde piso, Mesmo quando está escuro. Tempo perdido imitando os outros, Deixei de lado meus sonhos, Acreditei em tantos tolos, Fui mais tolo do que eles. Agora é ir em frente, Sem medo de ser feliz, Mais vale a felicidade, Do que quebrar meu nariz.
CAMPO DE MORTE
A guerra não faz heróis, Ela faz suas vítimas, As pessoas de bem, Que morrem todas sós. Lá no campo de batalha, Que hoje são as cidades, Inocentes morrem por nada, Vidas pobres, desgraçadas. Dentro dos palácios, Muito luxo. Quem declara a guerra, Dela nem passa perto. Quanto sofrimento ao povo, Que apenas quer viver, São tratados como escudo, De covardes a se proteger. Crianças perdem a vida, Choram desprotegidas, Tem suas casas violadas Por soldados insensíveis. Lado numa guerra? Só o de quem sofre, Que só quer um pouco de paz, Viver a vida e morrer de morte. Mas morrem de tiros, Como alvos indefesos, Gente boa e trabalhadora, Nas mãos do senhor desespero. E a vida fica parada, Perde-se o pouco que tem, Nada é honesto numa guerra, Muito menos os argumentos, Esses todos vão terra...
ACABADO, DESTRUÍDO E ARRASADO
Por que? Tudo acontece comigo, Perdi tudo, a dignidade, Não tenho meu sorriso. Acabaram com minha história, Foi toda para o ralo, Vivo sem destino, Andando tresloucado. Tentei fugir, Mas não consegui, Não tive forças, Então fiquei aqui. Sumir para algum lugar, Onde não possa ser encontrado, Já cansei de pensar. Agora choro desesperado. Caí nas garras da mentira, Acreditei em gente ruim, Atraí tantas flechas, Que elas já não cabem em mim. Olho para o futuro E vejo o passado, Minha vida dá voltas Sempre para o lado errado. Vislumbrei o céu azul, Mas ele se encheu de nuvens, Tão pesadas de tempestades, Que caem e me inundam. Não tenho lágrimas, A última secou há tanto tempo, Meu choro é seco, Árido é o meu lamento. Agora, sei lá, A vida está passando, Fico em pé olhando, Esperando o fim chegar.
MINHA BAGAGEM
Levo comigo tudo que a vida me deu, A bagagem leve do tempo, Do que me acontenceu, Das alegrias e também dos lamentos. Cada coisa no seu espaço, Formando minha vida, Carrego com alegria, Até o que me doeu. Pois sou o que sou, Com minhas dores e alegrias. Cada qual me faz feliz, Tenho a vida que queria. Levo comigo amores, Levo também amigos, Até levo traidores, Vão também os inimigos. Minha bagagem é completa, Mas não tem peso algum, As coisas que não gosto, Ficam no fundo, então. Meus erros e acertos, Minhas quedas e passos dados, As virtudes e defeitos, Está tudo lá guardado. Sem o que vivi Minha vida não vale a pena, Sou esse cara aqui, Que por hora está em cena.
NÃO TEMOS NADA A VER...
Percebi uma coisa simples, Nós não temos nada a ver, Nossa vida é mentira, Uma louca invenção. Há muito tempo nada temos, E nem mais vamos ter, Uma vida assim sem frutos, Melhor nem viver. A culpa é de nós dois, Não soubemos fazer as coisas, Confundimos sentimentos, E enrolamos nossa vida. Sofro eu e sofre você, Cada um no seu silêncio, Nem ao menos somos amigos, Vida tensa que vivemos. Disocrdamos em tudo, Até no que é mais simples, Nossa vida é do avesso, E vive decaindo. Admiração temos nenhuma, Parece que somos desconhecidos, Você não me vê como seu homem, Eu não te vejo como minha mulher. Estranhos em nossa própria casa, Um lugar desolado, Nossos sonhos não convergem, Cada um quer o seu, mais nada.