Celso Ciampi

Celso Ciampi

n. 1971 BR BR

Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.

n. 1971-12-16, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Perfil
109 159 Visualizações

CORAÇÃO VAZIO

No momento está vago
O meu pobre coração.
Não está ocupado,
Sem nenhuma paixão.

Mas está bom assim,
Precisa fazer uma faxina,
Limpar as dores que ficaram,
Para procurar gente fina.

Agora nem adianta,
Que ninguém vai entrar,
Ele está concentrado,
Em se aprumar.

Ainda bate com tristeza,
Pois está cheio de entulho.
Eu te peço por fineza,
Não vem atrapalhar.

O tempo que ele precisa,
Está correndo bem,
Não queira que se apresse,
Tenha calma você também!

Ele precisa de reforma,
De uma nova pintura,
Daqui a pouco estará em forma,
Pronto, mas não para aventura.
Ler poema completo

Poemas

1009

TARDE DEMAIS

É tarde demais,
Não podemos voltar,
Andar para trás
Só vai nos abalar.

Agora foi, deixa estar,
Demorou tanto tempo
Para eu te conquistar,
Caminhemos a favor do vento...

O meu corpo é todo seu,
Cada pedacinho dele
Que você já percorreu
Com essa boca quente.

Esse seu corpo divino,
De curvas tão gostosas,
As quais eu desafiei,
Me deixou sensações maravilhosas.

Hoje, amanhã e sempre,
Te quero todo dia, toda hora,
Você me conquistou,
Agora não te deixo ir embora.
 

58

JÁ NÃO TENHO MAIS PALAVRAS

Faltam-me palavras quaisquer que sejam,
Bonitas ou feias, certas ou erradas,
Já não sei o que escrever,
Elas estão acabadas.

Como posso expressar
Um amor tão grande,
Sem um pingo de reciprocidade,
Que só me faz chorar?

Palavras são apenas palavras,
Sons jogados para o ar,
Quando escritas são rasgadas,
Apagadas e a você não podem chegar.

Ai que vida essa minha!
Se é que ainda tenho alguma,
Sofrimento silencioso,
Amor que vai virando espuma.

As palavras me fogem,
São como boiada estourando,
Correm loucas para todos os lados,
Rapidamente me abandonando.

Seria eu um louco por te amar?
Não, isso nunca,
Você é tão sensata e boa,
Loucura seria não te amar.

Mas são as palavras,
Quantas eu perdi,
Queria, ao menos, agir,
Ir aí e te falar.

Sou um covarde no amor,
E assim vou te perdendo,
Palavras seriam boas,
Mas sou péssimo conquistador.

Então a vida passa,
Passa a nossa juventude,
A vida, é de graça,
Eu a perco sem atitude.

E no fim sobrará a dor,
Que será a minha doença,
Por não viver esse amor,
A morte a minha sentença.

28

AI, MINHA DELÍCIA

Você é minha delícia,
Que dá gosto à minha vida,
Traz daí a felicidade,
Pinta telas coloridas.

Cheia de encantos,
Você nem tem ideia,
Do quanto te adoro,
Te desejo pelos cantos.

Enquanto escrevo te vejo,
Você sempre está comigo,
É doloroso quando me chama
Apenas de amigo.

Melhor amigo do que ser nada,
Mesmo assim dói muito.
Se soubesse ser tão amada,
Se entregaria inteira a mim?

Sonho, talvez muito distante,
Eu respeito a sua vida,
Não quero ser mero amante,
Pois te amo, és por mim querida.

Não quero só algumas horas,
Quero-lhe o tempo todo,
Ser seu sem pressa de ir embora,
Viver, amar, te fazer feliz e ser um bobo.

Sei que não vai ler esse poema,
Triste constatação,
Uma doída pena
Arrancada do meu coração.

32

TOCO A SUA CAMPAINHA

Um dia toco a sua campainha,
Fico parado na sua porta,
Esperando que me abra
O seu coração duramente fechado.

E não saio daí,
Nem por nada desse mundo,
Você vai ter que vir,
Ou eu aos poucos sucumbo.

Seu marido? Que se dane!
Não tenho nada com ele!
Se aparecer na minha frente,
Digo o que sinto na cara dele.

Minha esposa? Já não é minha,
Porque há muito não sou dela,
Acabou a nossa vidinha,
Não nego, um dia foi bela.

Doravante eu te quero
Com toda a minha força,
Vou lutar com esmero
Para que você me ouça.

Sei não se te roubo um beijo,
Ou levo-te para viver comigo,
Ai, tenho que controlar meu desejo,
Às vezes exagero. Então me castigo.

Mas como controlar o que não tem controle?
Meu coração é autônomo,
Escolheu amar você de fato,
Eu não pude ir contra.

Já estou perdendo a razão,
Daqui a pouco perco a estribeira,
Estou aqui no seu portão,
Talvez invada a sua casa inteira...

Não, não serei tão insano,
Me desculpe a impetuosidade,
É que estou quase pirando,
É tanto amor que chega a beirar a insanidade.

Chega, paro por aqui,
Já estou dizendo bobagem,
É que a dias estou sem dormir,
Parece até sacanagem.

32

NÃO SUPORTO

Não devia ser assim,
Tanto amor por nada,
A tristeza me aperta,
Deixa a vida detonada.

Foi loucura minha,
Deixar acontecer,
Eu nem sei se tive escolha,
Resolvi pagar para ver.

E o preço foi caro,
É conta impagável,
Minha vida veio abaixo,
Me sinto deplorável.

Por que não gritei bem alto,
Quando ainda era possível,
Talvez eu estivesse enfeitiçado,
Por uma sombra muito densa.

Resolvi deixar para lá,
Sério, acreditei que era só simples desejo,
Eu nem sabia o que era amar,
Agora é que percebo...

Sofrimento sem fim o meu,
Você não tem a menor ideia,
Me sinto todinho seu,
Mas vivo na miséria.

Enfim, resta-me a dor,
E dela tenho que cuidar,
Ela se chama amor,
E ele, preciso calar.

30

QUERO MUITO

Quero muito o que quero,
E sei porque o quero,
Não quero por querer,
É o meu bem-querer.

Minha vida depende disso,
Já não volto mais atrás,
É comigo o compromisso,
Com ninguém mais.

Continuo o meu caminho,
Ele não é fácil não,
Levo por aí uns tombinhos,
Mas levanto logo do chão.

Que coisa mais engraçada,
Se é que sacanagem tem graça,
Tem quem torce na arquibancada
Para a minha desgraça.

Estão todos errados,
Vivo mesmo é na graça,
Sou protegido e segurado,
Por Deus e ele não larga.

Então vou em frente na vida,
Enfrento os obstáculos,
Construo pontes sólidas,
Que me levam ao outro lado.

Venço algumas rodadas, 
Outras, perco, mas não caio,
Sou um cara escaldado,
Já sofri tanto que nem desmaio.

Uma coisa é muito certa:
Posso até não ir muito longe,
Mas já fui além de um ponto,
Venci gente metida a esperta.

32

O TÚNEL ESCURO

Sim, há um fim do túnel,
Eu ainda não o vejo, 
Mas está pela frente,
Pode estar perto ou longe,
Disso sou consciente.

Meu desejo é sair
Dessa escuridão total,
Escuto os sons do movimento,
Às vezes me sinto muito mal.

Não posso acelerar,
Pois não vejo os perigos,
Tenho que moderar,
Parece mesmo um castigo.

Tantos erros cometi,
É preciso que sejam pagos.
Tanta gente magoei,
Fiz muitos estragos.

Nem da minha vida cuidei,
Deixei que ela corresse solta.
Tantos caminhos eu peguei,
Acabei andando a louca.

E o túnel assim se fez,
Ele já está me enlouquecendo,
Há muito sem luz,
Acabei me escurecendo.

Perdi o meu caminho,
Não tenho referência,
Ando bem devagarinho,
Cheio de culpa pela imprudência.

Carrego em mim feridas abertas,
E outras que ainda provoco,
Das atitudes incertas,
Eu aos poucos me toco.

Agora espero o meu fim,
Sentado passivamente,
Talvez seja melhor assim,
Um alívio para muita gente... 

46

SERÁ LOUCURA?

Posso estar louco,
Isso não sei,
Se não estou é por pouco,
É porque sempre te amei.

Você vive na minha cabeça,
Por mais que eu faça
É impossível que te esqueça,
Ás vezes acho até graça.

Tem vez que me desespero,
Acho que estou em desgraça
De tanto que te quero,
Daí vem a vida e me escorraça.

Por que tem que ser assim?
Podia ser diferente,
O amor não só pegar em mim
Mas em você, eu ficaria contente.

Penso em você, em nós, na vida a dois,
Queria me livrar desse pensamento,
Ter alguém de verdade depois,
A quem eu proponha casamento.

Mas você é real aqui,
Sinto até o seu cheiro bom,
Na verdade eu já te vi,
Eu estava viajandão.

Sofro, mas o que fazer?
Isso eu não sei,
Já pensei em morrer,
Esse pensamento dispensei...

46

MEDO?

É que de repente aconteceu,
Tenho medo do futuro,
Tenho medo até de agora,
Medo de mim, de não dar conta.

Tento me distrair,
Sair pela rua andando,
Fugir desse medo estranho,
Que está me derrubando.

Sonhos? Não, pesadelos,
Troco a noite pelo dia,
Os dias passam lentos,
Como que me torturando.

Olho e não vejo,
Sinto falta de alguma coisa,
Mas de quê?
Talvez da minha força, ou de mim.

O chão está perto,
Um buraco vai se abrir,
Tento me desviar,
Mas algo está a me atrair.

Quem eu amo já me deixou,
Quem diz me amar desacreditou,
Quem mesmo eu sou?
Quem tudo desgraçou.

Os passos são para trás,
O futuro me causa dor,
A mente nada faz,
Pensamento de terror.

Estou sendo moído
Num grande triturador,
Sinto-me em pedaços,
Sem cheiro e sem cor...

44

NO FIM, O FINAL

Acabei, não quero mais!
Não ouço o que diz,
Fala mentiras demais,
Culpa-me pelo que não fiz.

Se me deixas é um favor,
Fico bem, pode crer,
Falo isso no calor,
Da discussão que resolvemos ter.

Não sinto muito, aliás, nada,
Torço até que seja feliz,
Sendo desprezada,
Sofrendo na sua raiz,
Desenterrada.

99

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.