Celso Ciampi

Celso Ciampi

n. 1971 BR BR

Mineiro de Juiz de Fora. Poeta, autor do livro "Minhas Faces", escrevo sobre o amor, a vida e de tudo um pouco. Membro convidado da Academia de Letras da Manchester Mineira. Participo do projeto "POESIA NA ESCOLA", fui selecionado para compor a antologia "POESIA BR!", em um concurso nacional.

n. 1971-12-16, Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil

Perfil
108 394 Visualizações

CORAÇÃO VAZIO

No momento está vago
O meu pobre coração.
Não está ocupado,
Sem nenhuma paixão.

Mas está bom assim,
Precisa fazer uma faxina,
Limpar as dores que ficaram,
Para procurar gente fina.

Agora nem adianta,
Que ninguém vai entrar,
Ele está concentrado,
Em se aprumar.

Ainda bate com tristeza,
Pois está cheio de entulho.
Eu te peço por fineza,
Não vem atrapalhar.

O tempo que ele precisa,
Está correndo bem,
Não queira que se apresse,
Tenha calma você também!

Ele precisa de reforma,
De uma nova pintura,
Daqui a pouco estará em forma,
Pronto, mas não para aventura.
Ler poema completo

Poemas

988

SABE DE NADA

Você não sabe de nada
Sobre as dores que carrego,
São tantas feridas abertas,
A carne toda cortada.

Vive em seu mundinho tosco,
Postando fotos na internet,
Todas elas falsas,
Mas causam tremendo alvoroço.

E eu aqui sofrendo,
Metido em minhas confusões,
Num dia estou tremendo,
No outro tenho convulsões.

A vida não é sobre você,
Há mais gente nesse mundo,
O seu umbigo vai envelhecer,
Ficará feio e escuro.

Eu não quero mais seu amor,
Isso mesmo, cansei de ser otário!
Nunca fui um conquistador,
Mas viro um, mesmo ordinário.

Vais querer os meus beijos,
Negá-los-ei o quanto puder,
Pode vir com gracejos,
Jamais será minha mulher!

E aqui no meu quarto,
Solitário e indefeso,
De seus insultos me farto,
E o intestino está preso.

47

QUE COISA!

Passa o tempo e eu não passo,
Continuo agarrado,
Preso com correntes
Em algum lugar do passado.

Nada que eu faça adianta,
Parece que sou invisível,
Talvez eu seja uma anta,
Ou outro animal sofrível.

E o tempo corre feito louco,
Todo mundo vai com ele,
Eu fico aqui no meu lugar,
Mesmo quando eu remo.

É sina, ou olho grande,
Pode ser um pacote,
Quanto mais eu tento,
Menos eu progrido.

Vida louca essa minha,
Já não sei mais o que fazer,
Acho que não farei nada,
Daí alguma coisa vai acontecer...

57

MEDO?

É que de repente aconteceu,
Tenho medo do futuro,
Tenho medo até de agora,
Medo de mim, de não dar conta.

Tento me distrair,
Sair pela rua andando,
Fugir desse medo estranho,
Que está me derrubando.

Sonhos? Não, pesadelos,
Troco a noite pelo dia,
Os dias passam lentos,
Como que me torturando.

Olho e não vejo,
Sinto falta de alguma coisa,
Mas de quê?
Talvez da minha força, ou de mim.

O chão está perto,
Um buraco vai se abrir,
Tento me desviar,
Mas algo está a me atrair.

Quem eu amo já me deixou,
Quem diz me amar desacreditou,
Quem mesmo eu sou?
Quem tudo desgraçou.

Os passos são para trás,
O futuro me causa dor,
A mente nada faz,
Pensamento de terror.

Estou sendo moído
Num grande triturador,
Sinto-me em pedaços,
Sem cheiro e sem cor...

40

MEU CANTO

Canto a vida que eu levo,
Pois dela nada levarei,
Não tenho medo da morte,
Eu nunca a desafiei.

Vivo todo dia mais um pouco,
Com intensidade,
Realizo os sonhos mais loucos,
Ganho vitalidade.

Quero ser imortal
No tempo que eu tiver,
Depois virá a morte,
Daí seja o que Deus quiser.

Amo as pessoas,
Mesmo as que me odeiam,
Nesse caso o problema é delas,
Eu permaneço numa boa.

Canto a vida que me leva,
Pelos cantos do mundo,
Onde sou feliz permanente,
E não me encanto pelos absurdos.

Sou, apenas.
Um pedaço de carne ambulante,
Um corpo entre tantos,
Pesando e pisando a sagrada Terra.

E aqui, sentado nessa cadeira,
Escrevendo esse poema,
Revelo minha alma,
Tão castigada de dar pena.

50

QUE RAIVA!

Ah, que raiva tenho de mim!
Eu devia ter te dado um soco,
Bem no meio desse nariz!
Não me arrependeria nem um pouco...

Resolvi ser cordial
E você continuou,
Percebeu que me fazia mal,
Então não perdoou.

Arrependimento que me mata,
Um soco só um nessa fuça,
Aplacaria com louvor a minha raiva,
Mas não quis bagunça.

Mas não pensa que esqueci,
O que é seu está guardado,
Não brinca comigo de novo,
Que o soco será arretado!

64

O TÚNEL ESCURO

Sim, há um fim do túnel,
Eu ainda não o vejo, 
Mas está pela frente,
Pode estar perto ou longe,
Disso sou consciente.

Meu desejo é sair
Dessa escuridão total,
Escuto os sons do movimento,
Às vezes me sinto muito mal.

Não posso acelerar,
Pois não vejo os perigos,
Tenho que moderar,
Parece mesmo um castigo.

Tantos erros cometi,
É preciso que sejam pagos.
Tanta gente magoei,
Fiz muitos estragos.

Nem da minha vida cuidei,
Deixei que ela corresse solta.
Tantos caminhos eu peguei,
Acabei andando a louca.

E o túnel assim se fez,
Ele já está me enlouquecendo,
Há muito sem luz,
Acabei me escurecendo.

Perdi o meu caminho,
Não tenho referência,
Ando bem devagarinho,
Cheio de culpa pela imprudência.

Carrego em mim feridas abertas,
E outras que ainda provoco,
Das atitudes incertas,
Eu aos poucos me toco.

Agora espero o meu fim,
Sentado passivamente,
Talvez seja melhor assim,
Um alívio para muita gente... 

43

COM TUDO

Vou com tudo pela vida,
Não conheço meus limites,
Se houverem não me atrapalham,
Pode ser que não os tenha.

O futuro me espera,
Ele está logo na frente,
A cada passo que eu dou,
Chego mais perto do horizonte.

Mas o horizonte é infinito,
Então preciso ir além,
Nada ganho no grito,
É perda de tempo, meu bem!

Calma, esse é o meu mantra,
O que me pertence está guardado,
Basta apenas eu encontrar,
Então procuro com cuidado.

Fico longe dos incautos,
E também dos pessimistas,
Tenho foco no destino,
Nunca o perco de vista.

E sigo em frente, com tudo,
Acelerando nas retas,
Reduzindo nas curvas,
Portanto, fazendo a coisa certa.

37

UMA LUTA INGRATA

Mas que luta ingrata
A que tenho que lutar,
Um amor que me mata
Bem devagar.

Eu não posso declarar,
Sentimento tão belo,
Então fico a definhar,
Num choro surdo e sincero.

Apenas vivo, acordo, como,
Depois deito novamente,
Sou uma sombra,
Que some de repente.

Dói uma dor desmesurada,
Sinto que é o meu fim,
A vida, despudorada,
Se delicia me vendo assim.

Luto com alguma força,
Que busco no vazio,
Por mais que o tempo me torça,
Nesse amor louco eu confio.

Cavo minha cova lentamente,
Não tenho pressa nenhuma,
Um dia, minha gente,
Ela será uma banheira de espuma.

36

NO FIM, O FINAL

Acabei, não quero mais!
Não ouço o que diz,
Fala mentiras demais,
Culpa-me pelo que não fiz.

Se me deixas é um favor,
Fico bem, pode crer,
Falo isso no calor,
Da discussão que resolvemos ter.

Não sinto muito, aliás, nada,
Torço até que seja feliz,
Sendo desprezada,
Sofrendo na sua raiz,
Desenterrada.

94

ATÉ NUNCA MAIS!

Se não voltar é favor,
Pode ir para bem longe,
De minha parte há pavor
Só de pensar em seu retorno.

Digo com muita convicção,
Até nunca mais!
Sem dor alguma no coração,
Esse amor morreu lá atrás.

Segue o seu caminho,
Deixa limpo o meu,
Prefiro ficar sozinho,
Leve tudo o que é seu!

De meus olhos não verá lágrimas,
Nem uma simples gotinha,
Eles estão brilhando felizes,
Por me livrar do que eu não tinha.

Encontre outro amor,
Mas tomara que você sofra,
Para isso sou um torcedor,
Só não quero que você morra.

Terá vida longa e infeliz,
Será pisada com força
A humilhação que eu sofri,
Lhe cairá em cima com força.

68

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.