Lista de Poemas

ESQUECER

Esquecer é um sofrer diário,
É chorar sem vontade.
Uma dor que não termina.
É lembrar todo dia
Que devo te esquecer.
E assim vou lembrando,
Atormentado pelo tempo,
Esse diabo sem sentimento,
Que por mais que eu tente,
Te limpar da minha mente
É um longo sofrimento.
1 161

VOCÊ

Do fogo que me consome,
Você é o combustível.
O seu corpo me queima
Como queima um pau seco.

Me torno brasa quente,
Entregando-me aos seus encantos.
Seus cabelos me sufocam,
Quase perco o sentido.

Nas suas curvas derrapo,
Perco a direção, que já não tinha.
Caio em meio ao mato,
Que com meu calor incendeia.

Sua boca, forno em brasa,
Queima tudo onde toca.
Seu beijo lança chamas
Que derretem meu coração.

Você é tudo isso
E muito mais.
Um fogo ardente
Onde quero me queimar.
1 257

A QUEM ME QUER MAL

A todos que me querem mal,
Digo apenas que sou blindado
Por Deus, meu pai amado.
Ele faz de mim da terra o sal.

Se quer me ofender,
Digo que perde seu tempo,
Se tem mal na sua vida, só lamento,
Quero para você a paz no viver.

Desejo a ti, ó pessoa ruim,
Que, além do mais, seja feliz,
Viva numa boa e esqueça de mim.
Procure lá no fundo sua raiz.

Vai de retro, coisa do inferno,
Aqui não tem o que fazer.
Meu Pai me estende sua mão forte,
Protegendo-me de seu malquerer.
707

DIRETO NO PEITO

Quando senti a lâmina fria
Cravada em meu peito,
Entendi que tudo estava acabado,
Ali, abatido, vi a vida indo embora.

E a vida me dava adeus
Com um sorrisso feliz.
Já ia longe andando,
Quase sumia na bruma.

Vi que a morte se achegava,
Linda, com um sorriso triste.
Já estava segurando minha mão
Friamente me puxava.

Foi então que gritei pela vida,
Ela olhou para trás e não voltou.
Gritei novamente, mais forte,
Então ela parou. Pedi que voltasse.

A morte fazia parede bem na minha frente,
Não queria que a vida me visse.
Mas então eu chutei a morte
E a vida me viu ali caído.

Piedosamente ela começou a voltar,
Encontrando-se com a morte,
Mandou-a embora, ela foi.
Nesse instante a vida me encontrou.

Nesse encontro alegre
A vida me deu a mão,
E num movimento forte
Entrou em meu coração.
514

POÇO PROFUNDO

De um poço tão profundo
Você tirou a minha vida.
Ela estava tão no fundo,
Quase toda exaurida.

A água cobria já a boca,
Sufocava os meus gritos.
Na lama eu afundava,
Já nem me mexia.
Resignado, eu morria.

Eu lutei com toda força,
Para disso me livrar,
Mas quanto mais lutava
Mais conseguia afundar.

Foi então que você,
Com toda delicadeza,
Me estendeu a sua mão,
Nesse instante, com certeza,
Bateu novamente meu coração.
Seu amor me salvou da profundeza,
Numa escada firme feita de muita paixão.
1 155

PREFIRO MORRER TE AMANDO

Se for para morrer,
Prefiro morrer te amando,
Pois sem seu amor
Já sou morto.
228

ESPAÇO

Quando tento te entender,
Vai tudo para o espaço,
Já não sei o que faço
Para não enlouquecer.

De manhã até a tarde,
Eu não vivo um minuto.
Já em toda noite escura
Eu morro te chamando.

Meu espaço é pequeno,
Cabe eu e você,
Só que agora está grande,
Sobrou a mim abandonado.

Nesse grande sofrimento,
Muita lágrima rolou.
O nosso belo juramento
De tão fino se quebrou.

E agora fico aqui,
No vácuo de minha vida,
Em queda constante
Sem controle e combustível.
1 215

DE QUANDO EU ERA MOÇO

Quando eu era moço
A vida era mais fácil,
Engolia dela até o caroço.
Hoje, sabe-se lá...

Nesse tempo de energia,
Muita dela desprendia
Infernizando a vizinhança,
Com muita galhardia.

Roubava carambola,
Só por roubar mesmo,
Pois se pedisse a dona dava,
Era aventura pular o muro
E pilhar a fruta.

Quanta coisa eu vivi
No quintal da minha avó,
Do primeiro beijo, ainda lembro,
Foi no corredor,
Brincando de pique esconde.

A vida passava ao largo,
Não havia preocupação.
Só em fazer bonito na escola,
Isso era difícil...
O boletim era só um vermelhão.

Nesse tempo tudo era festa,
Matava aula para viajar de trem,
Pequena viagem
De Juiz de Fora a Matias Barbosa,
Esse trem era o Xangai.

Quanta história ainda a contar
Desse tempo de criança,
Tantas travessuras eu já fiz.
Posso dizer com certeza
Que fui um menino feliz.
1 207

EMBRIAGADO

Embriaguei-me de ternura.
Poderia embriagar-me de qualquer outra bebida,
Mas a ternura embriaga docemente,
Me faz leve e alivia meu pesar,
Sem ressaca e nem dor de cabeça.
É embriaguez que vem da alma
E inunda o coração, que bate forte e feliz.

Embriaguei-me de muita vida,
Da vida boa que se vive sem ressaltos,
De amor a vida, mesmo que ela seja sofrida,
Mas é a vida. E ela embriaga quem a aproveita.
Não tem dor que não se cure quando
A vida é bebida com exagero.
Viver, viver, viver, só isso importa,
Então abra a porta e deixe entrar mais vida.

Embriaguei-me de amor,
De todo amor que eu sinto,
Por você e por todo mundo,
Eu amo, porque amar me faz feliz.
Até o amor não correspondido,
Eu amo, sem vergonha da rejeição.
Embriagado desse amor tão puro
Sou mais forte e aguento o tranco.
Encaro a vida de peito aberto,
Muito melhor do que encarar a morte.
1 101

CHUVA QUE CHOVE

Chuva que chove sem parar,
Que alaga a terra,
Derruba o morro
E faz o homem chorar.

Chuva que traz a vida,
Mas também a morte,
Maltrata a gente já sofrida,
Destruindo sua sorte.

Chuva tão necessária
E às vezes violenta,
Faz as plantas mais verdes,
Ou destrói toda roça.

Chuva que chove bem quietinha,
Molha meu amor todinho,
Olho pela frestinha
E rezo pelo meu benzinho.
Peço que esteja protegida
Para receber meus beijinhos.

Chuva que chove sem dó,
Já ficou chata e descabida.
Que lhe venha o sol forte
E acabe com sua festa pervertida.
1 132

Comentários (2)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.
celso ciampi

Obrigado!!

ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli

Perfeito. parabéns. poeta . muito digno de se ler tal texto poético.