conta_gia

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Tenho poemas guardados, sentem-se sozinhos. Serão eles ou eu? Não sei dizer mas descubro-me a escrever. insta: @sara.santos4 tt: @run_b4ucme

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Querer ser mulher

Fazes-me crer que não sou quase nada.
Mal sirvo para ser mulher, mãe ou namorada
Saí para ir às compras, entro em casa, assustada.
Na pior das hipóteses, esta noite sou violada.

Fazes-me crer que não sou quase nada.
Só me queria divertir, quando me abordaste à entrada.
“a p*ça serve para tudo” e eu não sirvo para nada.
Ninguém vai acreditar, acho que vou ficar calada.

Fazes-me querer acabar com a minha vida.
Não posso sequer sair à rua bem vestida.
Roubaste-me a voz e deixaste-me perdida,
Até quero fugir mas não encontro uma saída.

Fazes-me crer que não quero acordar
Num mundo onde a mulher não é livre de andar
Vestida como quer, com confiança no olhar
Sem nada a temer, sem traumas p’ra recordar.

Fazes-me crer que isto não é um problema.
Todas as queixas fazem parte de algum esquema.
Machismo, opressão, esturpo. É um dilema.
Quando saio à rua diz-me algo que eu não tema.

A verdade é que a mulher ainda sofre com o machismo.
Vivemos num mundo onde reina o patriarquismo.
Juntemos as vozes, quero provocar um sismo
Não vou viver, nem mais um dia, à beira deste abismo.
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Poemas

12

Dualidade Humana

 

Ouve.

A batida perdida, a semente esquecida, o vibrar intenso de não saber onde pertenço. A corrida, o alento, faz sol de céu cinzento. Deixo que flua… esta verdade, nua e crua, se algum dia fosse tua e se algum dia fosse nossa, a realidade onde o sonho fizesse menos moça.

Fecho os olhos e viajo, eu sei que aqui não me encaixo. Um tempo relativo, um viver aparente, não sabe fazer-se gente. Se fico triste, sou contente. É assim que funciona, a dualidade humana, não sabe o que é nem sabe como se chama.

O que é o tempo? Voas nele, procuras o teu sustento. E depois? Morres.

Ficaram as marcas de corações pobres e o desgosto de momentos menos nobres.

Não sabe dar valor, não sabe viver se não for com rancor. De que serve? Guardar num quadrado algo que te enerve?
Deixa-te, solta-te, envolve-te. Não queiras viver dentro do mesmo molde. Voa, rompe esse tolde que tens sobre ti, que te aperta as veias. Conhece o teu espírito, de todas as maneiras.


Vive.



        ~ Sara Filipa Quintaneiro dos Santos
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Correria

Foste e não voltaste,
Quiseste sair do sonho e dele acordaste.
Pergunto-me se também vagueias,
Se pensas em mim e anseias
Por um minuto a sós,
Por um momento “só nós”.
E pergunto-me o que diria,
Se te encontrasse, um dia
E que diferença faria
Falar-te do teu sorriso
Era lembrar-me e perder o juízo.
 

E o que me dirias tu…
Que sempre deixaste que te visse
De alma nua, transparente,
Com um olhar mais que quente.
E será que ainda me sentes?
Será que és feliz enquanto mentes?
(e se não)
Procura-me e encontra-me agora,
Chega e salva-me antes da hora.
 

Corro por um caminho inclinado,
Dou o passo e desço para todo o lado,
Sigo e já não sei parar.
Procura-me, por favor,
Quero levar-te para descansar.


            ~ Sara Filipa Quintameiro dos Santos
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