Cris Campos

Cris Campos

❝Para entender nós temos dois caminhos:o da sensibilidade que é o entendimento do corpo; e o da inteligência que é o entendimento do espírito. Eu escrevo com o corpo. Poesia não é para compreender, mas para incorporar. Entender é parede; procure ser árvore. ❞ Manoel de Barros

n. , Brasília

Perfil
33 645 Visualizações

há de ser...


há de ser profundamente acolhido o riso
imerso outrora no abandono

há de ser que o tempo líquido
escorrido sobre fissuras
repare as desordens inscritas
a ferro e fogo na malha da realidade

tão intenso quanto inexplicável será
o sol que nasce e não aquece
o lugar das coisas que não mais existem 

tão bonito quanto triste será
o voo alçado no espelho
o bolso pesado de dores.
Ler poema completo

Poemas

13

há de ser...


há de ser profundamente acolhido o riso
imerso outrora no abandono

há de ser que o tempo líquido
escorrido sobre fissuras
repare as desordens inscritas
a ferro e fogo na malha da realidade

tão intenso quanto inexplicável será
o sol que nasce e não aquece
o lugar das coisas que não mais existem 

tão bonito quanto triste será
o voo alçado no espelho
o bolso pesado de dores.
996

similitudes...

visto daqui
o mundo não
parece tão longe

nas linhas do mapa
as linhas da cidade

nas linhas da cidade
as linhas do poema

nas linhas do poema
o próprio poema erguido

o mapa 
mais que o poema
estreita

o poema
mais que o mapa
dilacera.
892

lágrimas...

zarparam
dos mares
de dentro

-à primeira vista
normais e serenos-

duas lágrimas
salobras, em favor
dos oceanos.
1 757

ritual...

como água em planta

pra não morrer

cumpro ritos

choro
uma vez por dia.
1 724

insensatez...

sem qualquer sensatez
meus dedos arremessam
sobre as fragas do poema

a pedra bruta
da minha natureza

de longe se vê
espatifadas e já sem vida
extensas confissões.
1 744

perto...

não falta muito

logo ali adiante
saberemos o peso
desse voo-pássaro
sobre o que não há

tomaremos dos pés
o chão
dos olhos escuros da noite
as estrelas

bastaremos.
1 736

sombra...

porque pende
da flor
uma pétala

passo meus dedos
em tua sombra
sempre que te sinto
rés a mim.
1 699

travessia...

não dei pela falta
do chão e do ar
quando atravessei
a dureza da pedra

nem pela tênue diferença
das coisas semelhantes
quando comparadas

só soube do calor do sol
ao reinventar o corpo
na maciez da palavra.
1 671

nada...

não há indícios
de corpos
quando a lua
cheia mingua

nem registro
de sobreviventes
ao corte dos uivos

entre concretos aparentes
nem luas nem lobos.
1 728

seca...

chove poeira
sobre os ipês
e sebipiras

fícus,
sem nada
a dizer.
1 740

Comentários (1)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
CORASSIS

Gostei do seu jeito de poetizar Parabéns