Lista de Poemas

Vidros

O dia ia bem. O problema todo mesmo era à noite ou então quando eu passava pela as Escadas. Em casa tinha feito já todos os meus afazeres que incluíam desde estudar a limpar o teto e quando deram 17 horas, resolvi ligar para minha namorada e marquei para passarmos a noite juntos ou ficarmos em casa ate minha mãe chegar. Minha mãe é viúva e eu sou o único filho de um casamento que duraram 30 anos....

Depois que papai morreu mamãe decidiu mudar de casa, então, passamos a morar neste sobradinho, indicado por um homem que estava no velório de papai.Dizia ele que a casa era boa, que tinha 3 quartos muito bem arejados, sala toda na cerâmica, banheiro com boxe... Etc. e depois de colocar a casa num patamar bem maior do que ela realmente estava e baixar o valor da venda em 7 mil reais, falou que ficava encima de um ponto de comercio. Na hora minha mãe mal deu importância de qual ponto de comercio era... O que mamãe gostou muito foi que tinha três quartos e dava para guardar as coisas de papai em um deles.

Mary chegou às 19 horas e Mamãe chegou às 20h30min. Como de costume, mamãe e Mary trocaram longos abraços, depois Mamãe a chamou de a nora que pediu a Deus, e ela retribuiu com um carinhoso beijo nas mãos de mamãe. Ficamos em casa ate às 21 horas... Mary me pediu para continuarmos o passeio do dia passado. Então, demos tchau à mamãe e saímos.

Descendo a escada que ligava minha casa ao andar de baixo, o térreo, não comentei com Mary que pela malíssima vez tinha alguém me encarando de dentro do ponto do comercio... O passeio foi ótimo como sempre: beijamos-nos muitos, tomamos sorvete na mesma casquinha..., e trocamos interpretações sobre musicas e poesias. Depois como era de costume, levei-a em casa e fui dormi feliz.

Subindo a escada notei que de novo alguém me olhava... Pensei ser coisa da minha imaginação, devido ao que se vendia ali, e de novo não comentei nada com Mary e nem com mamãe.

Certe vez perguntei ao dono deste comercio, por que ele não trocava aquele vidro fumê por paredes. Dentre outras coisas ele acrescentou que por condições financeiras... E também deixou bem claro que o vidro fumê dava certo ar de luxo ao ambiente, e que também os clientes e seu avo acham linda aquela cruz vermelha em contraste com o preto do vidro. Falando nesses vidros... Tem uma coisa interessante sobre eles: que quem estava lá dentro não via nada do que se passava por trás do deles. Como não viram mesmo quando, eu e Mary nos beijamos pele primeira vez na escada de casa de frete a eles.

Essa é a parte que eu mais gosto desses vidros, o que eu faço do lado de cá das escadas de casa ninguém ver, por outro lado posso ver tudo que se passa lá dentro do comercio - Às vezes não muito mitidamente estranhamente, mas passo! Seu Francisco, o dono do comercio, é que às vezes não gostava nada disso. Inclusive porque ele tinha um romance as escondidas com Lúcia, sua secretaria.

Falei com Mary que o nosso primeiro beijo tinha sido na "vista" de três clientes, seu Francisco e sua secretaria. Ela ficou com raiva e um pouco sem graça, mas depois sorriu.

Esse certo privilégio de ver e fazer as coisas, sem que ninguém soubesse, por causa daquele vidro me deixou noites inteiras sem dormir.


O dia era domingo. Mamãe chegara às 6 horas da manhã, como ela tinha perdido suas chaves me pediu para ir abrir o portão... Subindo as escadas com minha mãe eu reparei bem para os vidros, mas não notei nada de especial. Salvo meu gato Stiff, um angorá puro, de dois anos, que estava deitado na metade das escadas. Mas ao descer sozinho a escada não encarei os vidros e mesmo assim não percebi nada de suspeito... A manhã prosseguiu normal.

Mary tocou a campanhinha de casa às 14 horas. Desci as escadas numa alegria tão grande que não pensei em nada e quase pisei em Stiff, que ainda estava lá dormindo. Abrir o portão para Mary entrar e tive a impressão de esta vendo um anjo: Mary estava tão linda, vestia uma camisa do Helloween, do álbum Pink Bubbles Go Ape, e cantava o refrão de your turn, nossa balada preferida e para completar o seu visual usava um saia bem a lá cigana, de cor preta, e calçava uma linda sandália preta bem rasteirinha que a deixava do meu tamanho... Seu cabelo estava solto e dançava bem abaixo dos ombros, como ondas no mar. ela subiu na frente e eu fiquei roubando da rua o agradável perfume que ela deixou no ar. 5 minutos se passaram ate que ela me chamou eu subir... Subindo as escadas ouvi uma espécie de arranhão de vidro, olhei para trás, decidir encarar bem para eles, mas só vi Stiff, que balançava docemente o rabo.

Mais tarde Mamãe saiu, mas chegou logo e eu não quis ir abrir o portão, Mary também não. Então ficamos num lenga-lenga de quem vai quem não mais ou menos 5 min. o que resultou em um beijo e uma disputa de par ou impar... Como sempre deixe que ela ganhar. E fui abrir o portão para mamãe, que estava lá em baixo mais que estressada por causa da nossa demora.

Desci as escadas com muita pressa e medo, mas dessa vez pisei em Stiff, que estava meio agitado, correndo de um lodo para o outro. Abrir o portão. Mamãe entrou e esperou que eu subisse as escadas na frente dela só para me dar uma mãozada de leve no pescoço e me chamar de lerdo.... Subimos os dois abraçados. Eu aproveitei a segurança dos braços de minha mãe para olhar mais que seriamente para os vidros e de novo não aconteceu nada...

Por mais que eu tivesse a impressão e muito medo "daquele alguma coisa me encarado pelo o vidro da funerária'', a pior parte da noite foi quando Mary falou que já estava indo... Flutuamos escadas a baixo... lá ao nos despedimos Mary fez a mesma pergunte que mamãe: "o que Stiff tinha?" Eu falei que ele não tinha nada e que devia ser coisa de gato mesmo..

Stiff tinha passado praticamente o dia toda na escada só entrado em casa toda arrepiado depois de um estranho barulho vindo do lado da casa de sue Francisco. Eu também tinha escudado o estranho barulho quando subia, mas não tive coragem de ir ver o que era. Das escadas foi direto ao quarto de mamãe, pedir para dormir com ela. Ela perguntou o que era, se eu estava com medo, eu falei que não. Depois muito grossa e cansada falou, você já esta muito grande, e que fosse dormir no meu quarto. Sem graça e com muito medo deixei as chaves do portão com ela e fui dormi no meu quarto.

Lá a noite foi longa...! Rolei de um lado para o outra da cama, liguei a luz do quarto, fiz do cobertor meu esconderijo secreto, escancarei a porta do quarto, coloquei um pano preto na janela e mesmo assim não conseguir dormir.

No dia seguinte perguntei a seu Francisco se a funerário tinha sido roubada, ou, se ele tinha deixado algum gato ou cachorro lá dentro. Ele disse que não, que lá dentro só tinha caixões vazios e com cheirinho de novo. Depois ainda fez uma gracinha sem graça: Perguntou por que eu não olhei pelo o vidro, já que eu tinha o costume de olhar pelo vidro quando e o que não devia. Fez essa gracinha e me deu dois puxões suaves de orelha e entrou na funerária.

Certo dia, Depois de ouvir seu Francisco contar a historia de um defunto que morava na em uma funerária, confessei a ele a 'certa impressão' que tinha quando subia as escadas de casa. Agora você me paga, danado! E mexeu as mãos como se amassasse uma espécie de massa... No mesmo dia depois da minha breve confissão, seu Francisco, fez uma nova arrumação na funerária, colocando do lado do vidro 3 caixões pretos em ordem crescente, todos muito bem floridos com velas ao redor, me dando a triste cena de só enxergar caixão deste o primeiro ao último degrau de escada. No outro dia eu ainda elogiei a acomodação dos caixões daquele jeito, seu Francisco fez ar de inocente, mas sorriu sinistramente com as sobrancelhas e certamente aproveitou o ensejo para contar mais uma parte daquele historia do tal defunto. Dizia ele que era uma sexta feira 13, e que o cortejo do tal defunto seguia sem um pé de gente. Depois de falar isso, fez uma cara mais sinistra e acrescentou: "provavelmente só as almas solitárias acompanhavam aquele solitário cortejo'', depois sorriu para mim e continuou falando que possivelmente o defunto chorava dentro do caixão.

Meu corpo todo se arrepiou de medo e não sei como eu vi que seu Francisco morria de sorria por dentro, embora estivesse com a cara mais seria do mundo.então, Ouvi um curte silencio. Seu Francisco pareceu ter esperado meu espírito voltar ao corpo. Feito isso, como se me arrebata-se para se, continuou: _ meu avo diz ter visto a alma do defunto cair do caixão, depois que o carro funéreo passou bruscamente no buraco, e correr para a tal funerária.

Mais uma vez o silencio pairou no ar. Seu Francisco em sua bissimétrica era um lado maldade e a outra alegria. Ah, Crianças! Elas crescem, mas nunca perdem o medo e esse adolescentezinho agora vai ver como bom espiar a vida alheia. Eu logo me desprendi daquela historia a toa que seu Frâncico me contara, mas como explicar aquele alguém me encarando? Tinha alguém lá. Eu sei que tinha! Eu já era bem crescido para ter certos tipos de medo, mas ainda assim meu medo era solto... (continua)
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Pobre Alma

Entrego minha arma! Diga aos meus adversários que eu não quero mais lutar, fale também que eu estou naquela esquina que eles marcaram a emboscada. Se puder fale ainda com a morte que agora tanto faz... - não! Diga que agora eu não quero mais fingir,por isso, é necessário que eu morra!
Mas Peça os meus inimigos que não mais se importem comigo - não é necessário nem o desperdício de munição! Porém, Peça presa, pois eu tenho presa! E fale que estou com o peito aberto e de fendas nos olhos.
Diga que a tristeza lhe abriu um buraco, e que toda a felicidade não pode ter completar.

- Vai minha alma: diga isto aos meus adversários...

Fale que eu desisto! Desisto porque essa batalha não é minha, Porque eu nem sair de casa, mas todos aqueles corpos ao chão sou eu - e eu não morro não e nem nunca. Por isso, diga que não e justo! Que assim é covardia... Mostre que é covardia! Não e justo que todos os corpos ao chão sejam eu... - Vai amada alma diga, depois de tua volta ao mundo, que não que não que não quero mais lutar!
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Vida Contemporânea

Estou neste barco a quarente e quatro anos - eu!, essa alguma coisa precária entre ser humano e algo precário -, e duas imagens me chamam a atenção. Mas não possa fechar os olhos e enxerga-las, pois não enxergo o furo no barco e sem querer acabo desistido da viagem. Também nem posso toca-las, pois dormiria sem já mais poder sonhar com elas. E isso de modo algum pode acontecer mesmo, porque estou vivendo verdadeiramente um pesadelo de sonhos repetidos - caso lhes sirvam de explicação vivo a realidade do meus 22 anos de via em morte! - quantos corações selvagens, mas belos e salvadores, me deram as mãos, uns ate suplicaram para voar com minhas asas e pelo menos houve duas estrelas neste céu de rostos lindos que brilharam para mim durante todo a dia! Mas o furo - gente! - não me deixa tirar a mão de cima dele, e há também um peso de séculos de chumbo sobre mim.

Desnutro-me a cada lágrima que, como um veneno me alimenta, me misturo igual a cinza ao chão sem fogo e sem parentes a cada e adeus e não há deserto em mim sem uma flor morta ou derrubada.
Escandalosamente navego o silencio desta viagem neste barco que misteriosamente grita quando ver gente e se faz gentil. E olha e toca tudo com meus olhos sedentos de verdade, mas o utopia desses movimentos faz a mão que estar tapando o fuoro no barco, chorar o próprio mar que navega.

A visto sempre uma ou mais imagem que fortalece o que pulsa dentro do corpo, e depois sempre as perco porque covardemente cheguei-as ser um cais distante e não acreditei que meu barco pudesse alcança-las. Por medo de morrer afogado não aprendi a nadar e não posso tirar as mãos do furo para liberta-me.

Chuuuuu... ruuu e ruuuu ... - o vento cá dentro!

Plic e plic ... - a lágrima aqui dentro


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Só no Largo Mundo

O telefone que não tenho não quer toca ;e mesmo se o tivesse
seria provável que também nem tocaria. Nenhuma menagem, do que quer seja, no e-mail - imagine cartas -, mas também elas, essas
não chegaram e tão pouco chegarão . Na rua onde moro, nenhum ascenso de mão(cabeça ou até de desprezo) novo, ate mesmo o ultimo já nem me lembro mais quando foi. Apesar disso tudo, todos os dia carregaria meu telefone e colocaria créditos; acesso diariamente o correio virtual e a caixa de correios real e fico alguns instantes enfrente a porta de casa - Em vão tudo isso! Embora já esperava isso, ate mesmo de ente mão.

Luz no meu quarto apagada, cabeça no travesseiro duro: ''estou só no largo mundo.'' Essa frase não é minha, não obstante,quisera eu ter a ''inventado'' hoje pela premeria vez.

A rua onde moro é larga e muito clara e passam muitas pessoas e passam muitos carros também. Ainda que ( misteriosamente) a luz e as muitas pessoas quem passam e também os muitos carros que nela passam, não passem de fronte a minha casa; e o asfalto acabou a alguns metros antes dela. alem disso, minha casa fica na entrada de uma viela e o fundo do meu quintal dá em um beco sem saída. Mas há vida na minha vida e ela não está aprisionada e tenho boa saúde e acredito no amor. Não sou dinâmico e nem digital, mas sou analógico e também carinhoso. Não frequento o extremo de certas coisas ou atitudes, embora não seja conta a elas, mas penso que é melhor ser neutro do que ter pavio curto, além do que acredito que o meio terno leve sempre ao melhor caminho. Não sou vulgar, porém sou fácil, por outro lado, nunca 'catei papel na ventania', mas também espero sempre por alguém. Tenho pena do mundo, das pessoas e também de mim e tenho medo do escuro. Ainda mais a noite e quando sempre estou só - alias, nunca deixo a luz do meu quarto apagada. A luz que nele se apaga , sobre tudo, é a de gente: brilho nos olhos, abraço apertado, toalhas molhas pelo o chão, pergunta e resposta: um ser frente ao outro!

Estou só no largo mundo e ao mesmo tempo acompanhado - a solidão é culpa minha ... Estou lúcido e alheio a isso tudo: a mim, do que quis e fiz, do quis, mas não fiz e do que poderia ter sido no conjunto da obra.
Sou triste porque ainda não me liberei por completo e também porque o chão aqui é muito duro e nem mesmo o sol aquece aquele certo frio; e feliz porque estou vivo e sobrevivo, a cada dia, a própria tragédia que sou!
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Com Versos


Solidão diluída em musica. Tempo diluído em dor. Distância como ponte para juízo diluído-o em ausência. E essa erupção de vida sem instante gravado em álbum de fotografia, mas que se repeti nula, salvo o próprio repetir, como se eu fosse um vulcão e tivesse tempo para adormecer.
E desejos construindo preces em mim e altares em mim e túmulos em mim!
A certeza que eu sou um Guerreiro de Espada, o que ascende a luz no escuro, mas um Poeta sem Poesia um Homem sem Historia.
A angustia do coração que só pensa e chora, as pessoas que passam por mim e eu que nunca vou a lugar algum, e os carros que buzinam e as crianças que gritam alto na rua e eu que só grito refletido no espelho, cotidiano da voz a mão... - Preciso ,com versos, calar este silêncio!
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Se Eu fosse


Eu seria tanto se eu fosse o que poderia ter sido!
porém pensar assim é como caminhar na areia e não deixar passos:
''O que não foi (nunca será nada ) não é nada'', e pensar não é ser - É querer!
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Comentários (2)

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danilo

Obrigado

Gostei de passar por aqui e conhecer um pouco do seu trabalho. Hoje tem tanta gente boa escrevendo por aí que é quase impossível dar conta de tudo!

Escrevo para saber que um dia sofrir, mas que  também  foi um Cezar,  um Cezar para mim mesmo. Por isso, não publico nada, guardo aqui estas notas e ponto.