Lista de Poemas

Um Brinde à Prisão do Verme Bolsonaro

Eu gostaria que Bolsonaro tivesse o mesmo fim que outros líderes 
Autoritários, mas por enquanto aceito a sua amena prisão. 
Não me comove o pranto e sofrimento de verme fascista.
E muito menos sou solidário com os carrascos do povo.

Desejo e falo em voz altiva: todo o peso da lei, sem dó,
Sem piedade sobre as costas desse sub-humano,
Que comparou quilombolas a gado, que inferiorizou mulheres.
Político tacanho que homenageou torturadores da ditadura militar
Como se fossem heróis, que formou milícias digitais para falsear
A realidade e atacar minorias.

Todo o peso do martelo dos togados sobre quem tentou
Um golpe de Estado, incentivou acéfalos a depredação 
Do patrimônio público. Muita dor desejo para o genocida,
O qual negou, atrasou vacinas com gestos podres
Que permitiu a morte de mais de 200 mil corpos
Na pandemia de coronavírus. Isso é barbárie inaceitável!

Ao machão que agora treme como criança diante
Da lei, que praticou sigilos obscenos no Estado,
Que vomitou preconceitos contra gays,
Que falou em metralhar pessoas de esquerda como eu,
Maltratou índios, professores, que destruiu a educação,
As políticas públicas, a floresta amazônica... 
Por todo esse show de animalismos e desumanidades, 
Quero a fúria e o peso mor da justiça:
Prisão pesada para o déspota.
Um brinde de cerveja, vinho ou cachaça em 
Celebração da prisão do verme Bolsonaro.

Dennis de Oliveira Santos 

78

A Metamorfose do Útil ao Inútil

Em uma manhã qualquer, após sonhos intranquilos,
Acordei transformado, não em barata, 
Mas em desempregado, em peça descartada,
Me demitiram sem nada antes avisar. 
Eu era o Gregor real, inseto esmagável,
Engrenagem que atuava há anos no mesmo lugar.
E agora era simplesmente abandonada. 
Fiquei apavorado, ouvindo Nirvana em intensa 
Tristeza, mas meses depois tudo se arrumou. 
A humanidade pisa em vidas com as botas da produtividade.
Vivemos no ambiente onde tudo se monetiza, é calculado.
E a qualquer momento, sem drama, sem aviso, viramos estatística
Ao não "atendermos mais ao perfil da empresa". 
Mundo kafkiano, de burocracias frias, cheio de caoticidade,
Não encaixo e nem desejo o ajuste perfeito a essa máquina. 

97

A Democracia de Fachada e o Tal Estado Democrático de Direito

A democracia é letra morta e fictícia na Carta Magna.
É tinta esquecida no papel, ruína liberal.
Na rua, diante do alto preço do pão,
Seus códigos de leis impõem controle
Para manter as neo-senzalas sob o 
Novo odor de plenos direitos. 
No tal Estado democrático de Direito,
Aquela história com ar de seriedade
Montada pelos iluministas,
O coronel (com outra roupagem) ainda ordena,
O doutor de anel dourado é privilegiado.
E nos camburões o chicote (hoje cassetetes) 
Latejam os lombos dos pretos e favelados,
Agora disfarçado sob o manto do Direito,
Mas a ferida humilhante é a mesma. 
Pretos, gays, mulheres, comedores de marmita,
Tentam falar, mas não são ouvidos pelo poder,
Tentam protestar, mas silenciados pela mídia.
Democracia? Balcão burguês de negócios. 
Na realidade, a favela ainda grita, destituída de poder. 

130

A Gênese do Luto

Antes de qualquer coisa, do contentamento,

O sofrimento ronda o espírito.

É um chão batente, pesado, cheio de surpresas,

Jorrando sangue nas certezas,

Esperando o tropeço em inesperados momentos.

 

A alegria, algo quase impalpável nesse

Ambiente, chega sempre depois que precisamos.

Quando as conversas noturnas viraram silêncio,

Os rostos, antes alegres, agora habitam retratos e a fria sepultura.

 

O luto, esmagador da vida, desmancha o ânimo.

Tudo desertifica e os firmamentos põe fora do lugar.

Tritura os nervos, desfia os neurônios.

Ele intensifica as lembranças:

Onde havia mesas e almoços afetuosos,

Agora, a sala é só chão, silenciosa.

 

Mesmo com toda sua miséria,

É preciso sentir, mesmo sem firmamento,

Mesmo sem os antigos rostos,

Sem os passados abrigos.

Sentir o que restou, o regaço sem consolo.

A dor em profundidade onde antes

Era antiga moradora do amor.

 

Aceitar não como rendição, ela habita em mim

E pode me mover a novos horizontes, outros rumos.

Não adianta perguntar sobre os acontecidos.

É hora de agir, mesmo cambaleando.

Transformar o luto, o nada murcho de alegrias,

Em nova substância. Fazer da ruína passo.

 

Chorar, lamentar, ficar em insônia, ruir.

Mas não morar na dor, não erguer eterna casa.

O luto deseja prolongar porque a mente não

Entende separações definitivas.

 

Mas a realidade nos obriga a adaptação.

A falta ganha forma e começamos a viver

O que resta, vivendo o que nunca mais será.

O luto é o preço ingrato por dar e receber amor.

Mas o amor, em memórias, não se desfaz.

Ele só muda de lugar, mora agora no impalpável.

129

A Glória Ordinária de um Fim de Domingo

Fria noite e o mundo grita lá fora,

Em várias festas e repetitivos trânsitos.

Mas aqui, na sala pouco iluminada,

Nenhuma ação além do constante silêncio.

Coberta antiga no corpo, leite gelado na boca.

Na tela, Cidade de Deus retoma memórias.

Nada de aparente glória barulhenta das avenidas.

Ela é esse gosto simples de leite no frio.

Era isso que precisava no fim do domingo:

Nenhuma aglomeração, nem ambições,

Só o prazer calmo, a gerar delícias no escuro.

Sem paixões perturbadoras, sem misticismo,

Apenas o tecido, um filme e o leite para

Manter o corpo sem fome, o espírito sem tempestade.

A felicidade moldada em coisas miúdas.

66

A Áspera Gramática da Angústia

Na pesada fratura entre o que

O homem deseja e o mundo, indiferente,

Oferece como campo insosso de realidade,

Não se escapa da incompletude, do sofrimento.

A angústia aprende-se a conviver com o tempo,

A soletrar sua linguagem, o idioma áspero

Da existência, a gramática dos confrontos

Das ações, o dicionário da vertigem das escolhas.

 

É preciso, então — com inteira lucidez,

Sem respostas fáceis, atalhos, promessas

Divinas, sem os remendos frágeis da ilusão,

Aceitar essa sentença e, com próprias escolhas, superar, adaptar.

Sentir plenamente, em todo o seu curso,

A dor das perdas, do luto, da tristeza.

Tudo o que se tenta abafar, esconder, depois reclama presença.

 

Nada de um ideal pueril de felicidade,

Que nos quer poupar da indiferença do cosmos,

Que esconde o ferro quente que marca a ruína.

Somos toda hora levados ao abismo,

Feitos de estilhaços, de nadas, de ausências,

De peças de difícil ajuste.

 

E o homem, aprendiz nos desejos

Irrealizados, vai, rumo ao próximo dia,

Montando a contingência,

Tentando remontar a realidade,

Errando, se enganando, tentando,

Como errante aluno, na difícil arte

De permanecer no mundo, obter delícias,

Mesmo quando tudo falta.

77

O Desejo é uma Afirmação da Natureza

O sabor intenso de teus lábios agora
Habitam os meus, é afirmação da natureza.
É um gosto intenso, doçura que revisito,
Se expande em potência e faz o corpo alegrar.
É um perfume que invade os poros,
Atos fundidos em êxtase, néctar de um gozo único.
Por isso, desejo, beija-me, não hesite!
Beija-me num louco devorar de corpos,
Beija-me no enlaçar dos lábios,
Beija-me no mar de tua língua úmida,
Beija-me com o mel de tua saliva,
Beija-me no ardor de um pensamento,
Beija-me numa noite pura de sensações. 

65

O Sorriso

Ao despontar das memórias no crânio alvoroçado, 
A imagem de um sorriso perturba o silêncio sentido.
Na profundeza das lembranças, brancos dentes dançam, 
Uma visão trazendo sabores de um passado prolongado.

O sorriso, apaziguador, levava-me ao leve peso 
Das nuvens. Era o céu, o mar, 
O imaginário lúdico da criança.
Nada nele se disfarçava, sem ironias ou segundas intenções, 
Sempre que abria, revelava paisagem de bonança.

O tempo passou, as ruínas agora expostas, 
Mas a imagem? Os olhos da mente sempre 
Enxergam aquele sorriso renovado.
Novos tempos vieram, mas esses instantes 
Gravaram-se no oceano de saudades.
 

58

Fast Food Apocalipse Social

Servem McDonald's no café da manhã, classe média nutrida.
Consomem o futuro em estômagos podres de propaganda,
Enquanto as plantações vomitam vegetais de ácido.
Os crânios alheios são um parque para divertimento de
Algoritmos, enquanto o tal amor está sacralizado nas 
Tetas de silicone... Fuga de genuínos sentimentos?
Enquanto presidentes bebem suco de sangue 
Das crianças da Palestina, o real se tornou
Holograma, preso nas selfies de redes sociais.
Jogam cartas de DNA para tentar enganar a morte,
Enquanto a fome gera falecimentos em slow motion.
Os hambúrgueres de sonhos esmagados custam 
Algumas tristezas, o milkshake de serotonina está
Na salada de psicotrópicos na farmácia mais próxima.
Os algoritmos mastigam os gostos pessoais,
Influencers idiotizam os hábitos para na aba
Do rolamento infinito de feeds e imagens,
Oferecer verdades e likes em sentimentos recicláveis.
Ânimos quebrados sob o sol narcísico,
Crianças dançam na chuva ácida da depressão.
Muitos se acham inadaptáveis répteis em seus quintais 
De doenças mentais - tiram a própria vida.
Dando um passeio pelo planeta que gira, 
Certo ou ao contrário, hoje, um robô de 
Ia, questiona: você está feliz agora? 
Na dúvida, o próprio formata a resposta
Para o triste e perdido ser humano.

91

A Dignidade do Justo em Terra de Lama

Abalados estão os fundamentos valorativos

Desta podre terra, tudo sem leme moral.

A dignidade é artigo decorativo na publicidade.

Os que vencem, que dominam tudo?

Os crápulas engordando vantagens.

Os que estão com a boca suja de petróleo,

Com os dentes amarelos nos big techs.

Os que lucram com a dor ao tercerizarem

O trabalho alheio, brincam de cortar direitos.

 

Vencem os que diminuem os salários mínimos,

As empresas multinacionais trituram pessoas,

Máquina que gira em nome do capital.

Perdura o sistema, com seus decretos

Carcomidos do Estado democrático de Direito.

O neo fascismo veste terno slim, uma falsa

Nova roupagem que conquista o povo.

O judiciário pune quem tem cor e bairro específicos.

 

E o tal divino, as instituições da cristandade?

Úteis ferramentas para domar vontades,

Controlar corpos, silenciar liberdades

Em nome de uma tosca moralidade

E de espúrios interesses políticos.

 

Mas, apesar de tudo, do mundo maltrapilho,

É preciso continuar. Continuar a ser bom.

Porque a bondade é um pouco que nos resta.

Hoje, o canalha é que domina,

Mas o justo é que consegue dormir em paz.

Ter bom caráter quando abusam da nossa cara.

Continuar por respeito próprio, por decência.

Continuar apesar da lama do mundo

lá fora.

62

Comentários (0)

ShareOn Facebook WhatsApp X
Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments

Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.

Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.

Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.

Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.

Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.