Lista de Poemas

O Refúgio do Amor

O lar não é só onde fomos criados,

É também no amor que se encontra.

Ele cria uma mansão aconchegante,

É fuga do caos do mundo.

 

O amor é abrigo de porta aberta,

Segurança diante dos ventos da incerteza,

Mundo de quentes experiências,

Alegria que vence a amargura, faz do eu um nós.

 

Hoje, amanhã, ontem, há turbulências, infernos,

Discussões, frustrações, inseguranças.

Mas nessa casa se luta, vive, compartilha,

E lá toda ferrugem vira brilho.

O amor sempre recomeça, faz o necessário

Para o bem, morada sólida, laço indissolúvel.

 

Lar, doce lar de vivência a dois,

De feriados no êxtase do prazer

E descanso, o casal desligado do mundo.

Uma vida inteira de companheirismo.

Abrigo raro atualmente,

Mas moradia fundamental

Para encontrar a amiga, confidente, 

Companheira, que nutre amor sem igual.


 

169

O Viajante e a Estrada Quase Infinita

Dirijo na estrada e dificultam minha chegada,

Impondo destinos, pontos novos,

Rotas que são grilhões que me impedem.

Valores religiosos limitam auroras,

Valores moralistas, dúbias verdades,

Se tornam neblina na frente do veículo.

 

Mas sigo persistente, olho a estrada,

Dirijo rumo a novos horizontes sem recuar.

Os dias terminam com incômodos,

Mas como águia astuta, nada me para.

Neste volante, nada me detém,

Viverei em alta intensidade.

 

Expugnarei demônios, rumo à nova aurora,

Me rebelo contra o imposto.

Percorri longa estrada, obstáculos,

Placas errantes, paradas dúbias,

Mas permaneço firme em minha direção.

 

Desejo ver todas as coisas do mundo,

Sabores que adoçam as cidades,

Lugaras que encham os olhos,

Falas fora do caminho habitual,

Soturnos dias transformados em iluminados.

Sou lobo uivante, longe da alcateia,

Em busca de novas praias e vales,

Viajante a explorar novas realidades,

Na estrada quase infinita, sigo todas as manhãs.

144

A Vida Ainda Vale a Pena

Como afirmava Gullar: como dois e dois são quatro, sei que a vida vale a pena, 
Embora o pão seja caro e a liberdade pequena. 
Resisto aos picos do sofrimento, busco a luz que acena na acinzentada realidade. 
Em cada falso sorriso, em cada lágrima, a certeza de prosseguir permanece.
Carrego no peito as vontades e ações que o tempo não enfraquece, 
Mesmo quando as horas se arrastam em tédio e o fardo da realidade pesa. 
Há um brilho constante, uma força que não se esquece, 
Pois no agir e pensar, a mente jamais fenece.
Os dias são duros, os caminhos incertos, 
Mas sei que nas trilhas árduas, há beleza, 
No amor que plantamos, no desejo desperto.
Na dança muda e indiferente das galáxias, 
Eu, minusculo e sem valor grão de areia no universo,
Encontro fortaleza. 
Sigo em frente, com o coração aberto, 
Sabendo que, apesar de tudo, a vida ainda vale a pena.

125

Insônia e Realidade no Deserto

Não durmo nas madrugadas ao dirigir meu carro quebrado

E acometido por uma insônia sem fim,

Mas sou eu mesmo o motorista,

Que decide por úteis ou estranhos caminhos.

Sou o errante navegante pelo deserto.

Sou eu quem traça as rotas na imensidão árida,

E transforma em força a falha do mapa em mãos.

 

Afundo o pé no acelerador, às vezes freio,

Me forço a dirigir até os mais distantes oásis,

Muitas vezes chegando em infernos travestidos de paraísos.

Mas sou a poeira do deserto, resistindo a longa estrada.

Sou eu que luta pelo paraíso terral,

Alcançável apenas nas dunas brancas de Ednardo.

 

Na estada quase sem fim, a realidade é neutra,

A natureza em sua aridez nada mostra se é bom ou mal,

É indiferente, sem valores intrínsecos.

E correndo, percorrendo estradas, visitando paradas,

Os valores surgem das relações que estabeleço,

Amigos, afazeres, estranhos, idiotas.

Nas estradas poeirentas, entre ruínas e oásis,

Crio significado no vazio de um grande cenário,

Moldo a rodovia e suas curvas com minhas interações.

125

A Pedagogia do Erro

Em meu vasto ser me engano, as palavras florescem em fogo e cometo erros. 
Digo pesadas ofensas como rios que correm livres de limites.
E com a intensidade do coração que pulsa, tomo erradas decisões. 
Às vezes levado por forças que movem montanhas dentro de mim, 
Deslizo na desarmonia do nervosismo, na dança e vento da pressa, 
Floresce em mim as carências da racionalidade e prudência.

E eu me engano, uma, duas, mil vezes, cometo falhas repetidas, 
Situações que podem ser corrigidas, fatos que merecem reparação.
Mas erro e nesse pedregulho me encontro. 
Na falha, na navalha do arrependimento, encontro um traço da grandeza, 
Pois cada passo em falso me refaz.
E sinto na derrota uma nova fortaleza, rocha que construo refúgio.

Equivocar, errar é o caminho para além. 
Em cada erro há uma chama a brilhar, sou feito de fragmentos e de quedas, 
Caminho pelos tortuosos vales, na dor do engano, a vida também se revela.
Aceito o desafio do errante caminho e vejo nele a redenção. 
Errei, mas sou o que tracei meus passos, nele me ilumino.

Eis-me aqui, forjado em incessante fogo, moldado nas brasas dos equívocos. 
Ser efervescente em refazer caminhos, pois os erros elevam a grandiosidade.
Os erros nos transforma - a mim e a todos - em engrenagens transcendentais, 
Intimas do fracasso, parte fundamental de tatear e conhecer o mundo.

118

Cervejas, Jack Daniels e Rock N' Roll Em Um Sábado

Eu tenho minhas armas de descanso nas mãos
Com destino ao relaxar no sábado pela manhã:
Cervejas e Jack Daniels na mesa. 
A semana se desfaz em ombros fatigados, 
Solos do Lynyrd Skynyrd dão prazer aos ouvidos, 
O rock alivia os dias mais pesados.
O copo firme na mão, cada gole é trégua, 
Um suspiro para recarregar as baterias da vida. 
Na guitarra, na letra sobre liberdade do vôo do pássaro, 
Sobre as histórias de um homem simples,
A melodia dissolve os incômodos
E o cansaço se esvai, no som suavizado.
A mente vaga em notas, desejos e lembranças.
Esqueço o relógio, a pressa, os afazeres, 
Apenas descanso, goles e solitude.
O descanso é mais que mero alívio, é caminho à felicidade, ao bem-estar.
Nas horas de lazer, cultivar as virtudes.
No ócio criativo, longe dos aborrecimentos do trabalho,
A mente encontra o espaço para relevar outras qualidades.
Enquanto brindo e ouço os acordes, desenvolvo faculdades mais elevadas.
Em cada pausa, em cada silêncio, contemplo a vida serena e realizada em prazeres.

201

Lembra o Que Já Possui

Lembra o que já possui, o que agora tem,

Já foi sonho, já foi desejo, já foi guardado no fundo do peito.

Os problemas familiares que perturbam,

Mas são vencidos em batalhas diárias.

 

Lembra o que já possui, o que agora tem,

Já foi miragem, astro inalcançável.

Aquela casa que antes era um desejo,

Agora faz parte de teus dias.

 

Lembra o que já possui, o que agora tem,

É fruto da espera, resultado da persistência.

As inseguranças do trabalho que depois de

Muitas dificuldades foram suportadas.

A mulher amada por quem tanto lutou

E tanta coisa vivenciou,

Agora é prazer constante em teus braços.

 

Lembra o que já possui, o que agora tem,

É a absurda vida sorrindo, é o tempo de bonança,

As chagas que foram difíceis de serem vencidas,

Mas agora foram sanadas.

Os problemas existenciais que demoliram

O ânimo e agora têm respostas para eles.

233

Conselhos da Morte

Eu sou a Morte, a única certeza dos mortais,
E venho falar, não com voz de temor,
Mas com a sabedoria dos séculos:
Assuma suas escolhas, não culpe o tal destino,
A vida é feita de decisões.

Cada um molda o caminho que trilha.
É tomar para si a responsabilidade,
De cada ato, de cada passo
E pouco pensar no meu golpe final.

O passado já se foi, o futuro é incerto,
Aproveite cada momento, teu rápido capítulo 
No mundo, sua breve página de prazeres.
Esteja presente para os que ama, para as 
Experiências que as circunstâncias oferecem.

Eu sou a única certeza que têm,
Aceitar isso é valorizar o tempo que resta.
Não viva para agradar aos outros,
Ou seguir papéis impostos pela sociedade.

Seja sincero consigo mesmo,
Faça escolhas baseadas em seus valores,
Em suas convicções mais profundas.
A vida é absurda, cheia de contradições,
Mas é nesse confronto com a realidade
Que se encontra contentamento (mesmo efêmero).

Eu sou a Morte, a única certeza,
E venho lembrar que a vida,
Apesar de tudo, vale a pena a ser trilhada,
Um breve instante de luz,
Que deve ser gozada plenamente.

254

A Beleza na Amargura de Augusto dos Anjos

Sempre releio os soturnos poemas

De um dos meus mestres literários,

Augusto dos Anjos, ícone da nossa literatura,

Que traduz de forma pujante o desencantamento,

A melancolia em relação ao cosmos.

Eu e minhas poesias se identificam com

A consciência em forma de morcego

Que sempre entra sorrateira em meu quarto.

 

Filho do carbono e operário das ruínas humanas,

Na poesia do paraibano, a vida é crua,

A dor é certa, a morte é nua, sem véus de conforto.

Mas há na escuridão uma verdade pura,

Que ensina a ver beleza na amargura.

 

Ler a poesia de Augusto é experiência singular,

Seus versos densos, vocabulário científico,

Desafiam o leitor a refletir sobre a morte,

A existência, a dor, a angústia, a ingratidão,

O acostumar com a lama que a todos espera.

Uma introspecção nas questões fundamentais,

Reflexões sobre o beijo que antecede

O escarro, a mão que apedreja.

 

Versos sobre carnes em decomposição, vermes,

Criam experiência sensorial intensa ao leitor.

Uma poesia carregada de pessimismo,

Que leva a refletir sobre os escombros

Do homem e o sentido de sua vida.

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O Refúgio Diante do Caos Reinante Mundo Afora

É sempre importante afirmar:
A vida acontece aqui e agora, 
Neste fétido mundo, na imunda realidade, 
Há necessidade sobre a vida dar um significado,
Buscar a real felicidade antes das falsas 
Riquezas que são materiais que a muitos iludem.

O contentamento é ter ao lado
Tudo que há no lar, na família, 
Tudo o que se precisa neles é encontrado. 
Real riqueza é ter com quem dividir
Um bom café, boas conversas, almoços 
Dominicais, dias bons e ruins.

Ao amanhecer, levantar do leito depois de um sono castigante,
Saltar no lago límpido onde as moscas da vaidade
Não voam e as margens são feitas de pequenas coisas.
Na simplicidade, na calmaria do lar, 
Se cria um mundo inteiro de descanso, 
De refúgio do caos reinante no mundo lá fora.

 

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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.

Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.

Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.

Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.

Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.