Lista de Poemas

Na Hora Mais Escura

De repente, no azul da vida, vem o cinza,
Uma cor sem paixão descolore os céus. 
Preso como marionete a um absurdo palco,
Tento resistir à hora mais escura.

A monotonia do cinza causa desmoronamos,
O monótono cotidiano faz a cabeça pesar toneladas. 
Fora disso há a circunferência do pavor lá fora:
Genocídios, corpos caquéticos de fome, 
Ditaduras, mandonismos sem fim, alienações.

Na minha hora mais escura é 
Vital lembrar os bons momentos, 
Os que vivi e os que estou construindo. 
Mesmo com o pânico batendo na porta, 
Me procurando nas calçadas,
É necessário se agarrar aos bons momentos.

Então, nos dias mais cinzas, 
Crio meu próprio sentido diante
Da vastidão de pérolas e porcos mundo afora.
Independente dos tesouros talhados pela sociedade,
É em mim que vou me definir.

Construo meu próprio lar, meus alicerces,
Atribuo meus próprios valores, 
Os vivo da melhor forma ao saber
Que o vasto universo não é consciente,
E que sou temporária partícula a respirar
No canto de alguma galáxia.

O que importa é o que sinto,
O que faço a cada instante,
O que faz dar sentido à vida.
Fazer valer os momentos
Em situações que eu vivencio. 
 

120

Contra as Lógicas Previsíveis

Não sou gado humano de corte, não perpetuo lógicas previsíveis.
Nascer, trabalhar, ser explorado, pagar contas
Sobreviver, girar o ânimo na órbita do consumir,
A lógica do dinheiro aprisiona e tudo deteriora.
A vida está além das necessidades econômicas,
Do imediatismo de acumular posses,
É preciso encontrar contentamento em algo mais,
Ao lado de alguém, em afazeres que preencham
O espírito, coisas que não são monetizadas.
Projetar uma existência autêntica no crânio teimoso.
Descendo das encostas do cotidiano maçante,
Da reprodução de padrões nulos, mecânicos,
Semear algo diferente, expandir o horizonte,
Beber das fontes das paixões.
Alimentar a mente contra o corpo vago,
Enfrentar fraquezas e restos do espírito em conflito.
Sentado à soleira do incerto, está aberto as possibilidades,
Cantar a existência em versos, sem rimas,
Resistindo à morte e os vícios do cotidiano.

212

Tiros e Desejos no Velho Oeste

Tiros ressoam no couro da bota,
Minha cabeça, com um zumbido incessante,
Inimigos se aproximam, ameaçam,
Querem minha cabeça exposta ao xerife.

Desejo conhecer e conquistar o mundo inteiro,
O velho oeste já não me basta.
Diziam-me para acostumar com esta vida,
Com a monotonia do cidadão comum,
Seguir o caminho certo, uma passiva ovelha humana.

Mas tenho meu revólver de seis balas,
Ressurgindo do fundo do poço,
Com minha velha arma e cartas do baralho,
Quero jogar, experimentar todas as apostas do mundo.
Ganhar algumas, perder outras, aceito tudo.
Apostando, arriscando pelo prêmio mais desejado.

Nada farei pela metade.
A luta pela vida nem sempre é justa,
Mas tenho plena força e vontade
De conseguir algo nela.
Mesmo que a rocha absurda, chamada realidade, 
Não me obedeça, persistirei contra ela, 
Buscando meu contentamento.

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Na Hora Mais Escura

De repente, no azul da vida, vem o cinza,
Uma cor sem paixão descolore os céus. 
Preso como marionete a um absurdo palco,
Tento resistir à hora mais escura.

A monotonia do cinza causa desmoronamos,
O monótono cotidiano faz a cabeça pesar toneladas. 
Fora disso há a circunferência do pavor lá fora:
Genocídios, corpos caquéticos de fome, 
Ditaduras, mandonismos sem fim, alienações.

Na minha hora mais escura é 
Vital lembrar os bons momentos, 
Os que vivi e os que estou construindo. 
Mesmo com o pânico batendo na porta, 
Me procurando nas calçadas,
É necessário se agarrar aos bons momentos.

Então, nos dias mais cinzas, 
Crio meu próprio sentido diante
Da vastidão de pérolas e porcos mundo afora.
Independente dos tesouros talhados pela sociedade,
É em mim que vou me definir.

Construo meu próprio lar, meus alicerces,
Atribuo meus próprios valores, 
Os vivo da melhor forma ao saber
Que o vasto universo não é consciente,
E que sou temporária partícula a respirar
No canto de alguma galáxia.

O que importa é o que sinto,
O que faço a cada instante,
O que faz dar sentido à vida.
Fazer valer os momentos
Em situações que eu vivencio. 
 

219

A Função da Poesia

Para que serve a poesia? 
Seus versos não curam enfermos, 
Suas rimas não geram dinheiro, 
Suas mensagens não produzem alimentos. 
No mundo pragmático ela não tem serventia.

Mas ela nos une em símbolos e desejos, 
Oferece sentidos aos dúbios humanos. 
Comemos, dormimos, crescemos, 
Procriamos, sobrevivemos dia após dia.
Mas a poesia nos eleva além
Da dimensão usual do viver.

Ela é o coração que pulsa,
O olhar que se perde no horizonte.
Nos faz chorar, rir, refletir, 
Nos faz humanos em toda nossa complexidade.
A poesia não precisa de razão prática
Para existir ou ser importante.
Ela nos define como seres que sentem.

215

Além das Vitrines Virtuais

Na era das vitrines virtuais,
Onde o consumo reina absolutamente, Propagandas sussurram, insistentes,
Que a felicidade está no comprar afoitamente.
Mas é necessário olhar além das sombras,
Das imagens idealizadas nas redes sociais.
Olhar para além do próprio umbigo,
Viver para si e os outros que são próximos.
Não é no acúmulo de bens materiais,
Nem na busca incessante por mais,
Que encontramos a plenitude do ser.
É nas pequenas coisas, nos gestos singelos,
Que a felicidade se revela, sem exageros.

235

Quinta Feira Blues

Acordei cedo com o lamento do blues,
A mente encharcada de preocupações,
Como uma desgastada gaita empoeirada
No bar, tocando agudas notas de incertezas
A embalar uma constante melancolia.

Uma doença me abraça como um falso amigo,
Alterando meus órgãos, minando a vitalidade.
Os anos passam como um rápido trem,
Levando embora pedaços importantes de mim.
Como dizia Howlin' Wolf, agora digo sobre minha doença:
Eu fiz o meu feitiço, mas simplesmente não funciona em você.

A estrada da vida é uma trilha tortuosa,
Com curvas sinistras e atalhos sombrios,
Mas mesmo cansado, arrasto meus pés,
Pois a brevidade é a única certeza.

Como lutador de boxe, levo socos e vou adiante.
E entre altas e baixas do diabete,
Sigo o caminho do gozo com moderação,
Do corpo sadio, da vida simples, sem excessos.
Vivo prazeres essenciais, evito ostentação,
Saboreio as boas companhias
Na delícia da linha do tempo
Que me é permitida.

167

Suportando o Cotidiano

No meio da rotina,
Entre o café da manhã
E a reunião do trabalho,
Recrio alegrias
Para aguentar o cotidiano,
Uma faísca que faz vibrar,
Que conecta aos sentidos
E faz ir adiante.
Todo dia esquento
Os acinzentados dias
Com a intensidade das emoções
E ignoro as baixas da vida
No subsolo das memórias.
Em todas as manhãs
Renovo meu compromisso
De me manter de pé
Nas entrelinhas da rotina,
Transformando o ordinário
Em algo palatável aos olhos
E tentando viver bem, da melhor
Forma possível no insano mundo.
Longe está de minhas mãos
O descanso da foice fatal.
Ignoro essa final sentença
Enquanto devoro o banquete
Possível que a realidade me oferece.

171

Contentamento

A vida é contínuo vale de percalços,

Dores de cabeça, problemas,

Conflitos, crises.

Não há solução definitiva, final

Para este caminho de espinhos.

Diante dessa colcha de perene incômodo,

O ideal de contentamento completo é

Falsa historieta a enganar adultos infantis.

Não há perfeição, o contentamento

Se dá na dialética do que se deseja

E o que a realidade oferece.

O que sobra dessa operação

É o que incendeia o coração.

Os abismos diminuem seus tamanhos,

Os males cessam,

As feridas cicatrizam,

Os buracos acabam...

E os labirintos cruéis da vida

Não dissolvem por completo

O sentimento que faz o homem ir adiante.

226

Reflexões Desencadeadas Pela Detioração da Saúde de Meu Pai

Para onde vamos após à morte?
A pergunta ecoa, insistente, no ar,
Os teístas com seus alentos
Tem mecânicas e prontas respostas.
Na realidade, vivendo com os pés
No sujo e concreto chão,
O abismo final será no cemitério mais próximo.
Lá, entre lápides e silêncio,
O corpo descansará,
A terra acolherá meus restos
E a memória será esquecida como fumaça.
No solo frio haverá a paz definitiva que
Nunca houve em vida (apenas lá ela existe).

Mas por que carregar tal peso?
Empreender tempo e atenção
Com a última morada?
As entranhas ainda pulsam,
Resistem em meio às doenças
Que enfraquecem o corpo.
A mente reinventa-se diante
Das enfermidades que avolumam
Com o passar da idade.

E mesmo com os ataques covardes
Sobre meu corpo e de meus entes queridos,
Tentar viver sem remorsos, sem lamentos,
Fazer o pulso vibrar, ir adiante apesar das
Limitações impostas pela cruel natureza.
Pois o tempo escorre entre os dedos
E a foice fatal nos lembra a finitude.

Antes da última morada,
À sete palmos abaixo da terra fria,
Aproveitar o absurdo, mas divertido passatempo
Existencial... Respirar, rir, amar, sonhar,
Cuidar dos próximos e simplesmente viver,
Antes que o oponente implacável nos abrace.

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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.

Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.

Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.

Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.

Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.