Lista de Poemas

A Linda Foto de Mussolini

Há uma foto pública que muito me agrada,
É a de Mussolini, de cabeça para baixo,
Morto feito cachorro derrotado na Segunda Guerra Mundial.
Toda vez que a olho, sorrio e uma reflexão
Surge ao lembrar o ocaso de longos
Anos tenebrosos para o mundo.
Os pés para o céu, a cabeça para o chão,
Todo ensanguentado, pendurado em praça pública,
Sumariamente executado por fuzilamento.
A morte do verme fascista é celebração.
O fim desse monstro é (des)mutilar a
A liberdade humana, comemorar o fim da aniquilação.
Praga não deve ter nem o direito de respirar!
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Agradecimento à Vida Antes de Dormir

Obrigado, vida,
Pelo equilíbrio entre a falta e o excesso
Que oferece em meus caminhos:
Me dá o necessário para meu viver.
A gratidão pelo teto, pela cama que agora deito,
Pelo alimento diário que nutre o corpo.
Agradeço por não ser uma sombra isolada na
Vastidão do mundo, tenho excelentes companhias.
O beijo da mulher amada, a atenção da irmã,
As suaves palavras dos pais,
Combustíveis que alimentam os dias
E me permitem permanecer de pé.
Agradeço pelo trabalho que possuo,
Que não é perfeito, mas necessário
Para sustentar as necessidades materiais.
Grato estou por minha saúde, meu bem-estar.
Vida, aqui estou. Antes de dormir,
Com simplicidade, sem pompas,
Apesar das dificuldades vividas,
Reconheço tudo o que tenho
E declaro minha gratidão.
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19 de Abril, Dia dos Povos Indígenas

Me cristianizam e acham que devo abandonar o culto aos entes da natureza.
Me oferecem dinheiro e dizem que devo abandonar a solidariedade entre meus irmãos.
Me enganam com mentiras do Estado de Direito e induzem a abandonar a sabedoria dos ancestrais.
Me roubam as terras que sempre habitei e dizem que devo esperar a morosidade dos governantes para devolverem meu mundo.
Me acalmam perante o assassinato do irmão Galdino e que devo esperar que a justiça seja feita (e que nunca acontece).
Me injetam valores da tal paz para que não me rebele contra o roubo das riquezas cometidas pelo agronegócio.
Me convencem que devo agradecer
As maravilhas da globalização,
Dar graças ao mundo dito civilizado...
Afinal de contas sou ser passivo,
Sub humano a ser alimentado por valores torpes.
O que eu preciso é da humilhação,
Aceitar democraticamente as flechas que me ferem.
Não importam as dores, as lutas do meu povo,
Devo comemorar a tal diversidade dos povos indígenas.
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Viagem Para Aruba

Nada a incomodar?
Não preciso hoje tolerar
As imposições do patrão?
Não respirar o ar composto de fumaça
E cansaço do insano trânsito?
Esquecerei por uns dias o fascismo
Que ronda as ruas do meu país?
É tanta liberdade que as malas
Estão prontas, as passagens nas mãos.
Seguir viagem, tirar os pés do concreto,
Ter a sensação de liberdade,
Descanso em aeroportos e aviões.
Aruba agora não é uma fotografia a ser
Deslumbrada em sites de turismo.
Os pés descalços na fina e quente areia,
O desligamento do cotidiano em oásis caribenho,
Corpo e mente banhados no mar azul
De Eagle Beach, o estado de bem estar pleno!
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Ir Longe

Simplesmente seguir adiante
Sem olhar para trás.
Ser estrada de mão única,
Ser um trem que leve para muito longe,
Estacionar em paradas antes não visitadas.
Fitar o horizonte no mar
Em tardes afora e em incertas velas.
Ir longe em pensamentos, viagens,
Tatear todos os caminhos possíveis,
Se perder em rodovias, em ideias,
Ir longe fisicamente e na imaginação
Em busca de novas razões e sentimentos
Que aqueçam o inconstante coração.
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Entre Náuseas, Um Brinde

Mesmo que a cidade seja um playground para os ricos.
Mesmo diante da enfermidade de familiares.
Mesmo que o país seja um inferno para mãos operárias.
Mesmo que o trabalho te agarre e maltrate.
Mesmo que o salário seja ínfimo perante as despesas.
Mesmo que esteja tossindo mil doenças tropicais,
Queime crânio e espírito em ardente chama:
Brinde a vida, beba em grandes goles tua saúde,
Mesmo diante de infindáveis náuseas.
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Amor em Eros e Philia

Te amo, sentimento em tão pouco tempo
Inexplicável, de forma que parecem anos que
Possuo teus doces lábios passeando em mim.
Te amo, com minhas carnes implorando
Por teu desnudo e alvo corpo... Te devorar
Feito banquete, chupar o que é salgado em ti,
Te engolir, beber tudo e acalmar teu cansaço.
Te amo, da convivência à dois, a intimidade,
Os risos, a confidência e as diversões
Que nos enche de encanto e tudo fortalece.
Te amo, no sentido eros ao ver seios, 
Pernas e nádega expostos ao meu bel-prazer.
Te amo, no sentido philia ao compartilhar a vida,
Valores, choros e desenvolver confiança mútua.
Te amo, pois já se tornou a minha menina,
A mulher que preciso disfarçar meu desejo
Próximo de estranhos, mas não consigo.
Te amo, pois após cuidados e noites passadas
Já não consigo ver minha vida distante da tua.
Te amo, pois estarei sempre de braços abertos,
Ato que te fez encantada, a procurar teu corpo
Em busca de alegria e contentamento pleno.
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Paz Ensurdecedora, Atrocidades Silenciadas

Nesta noite, reina uma paz ensurdecedora.
Não há chefe de Estado liderando matanças.
Não há assassinato de civis.
Não há bebês mortos por falta de oxigênio.
Não há armas yankees vendidas para picotarem
Feito papel mulheres grávidas.
Não há crianças buscando alimentos
Em rações de animais.
Não há faculdades e escolas em escombros.
Não há soldados espancando jovens.
Não há jornais silenciando uma matança
E pintando o responsável de terna vítima.
Não há caminhões de ajuda humanitária
Sendo bombardeados, impedidos de deslocarem.
Não, não, nada disso macula
As movimentadas ruas da Alemanha.
Não, não, não acontece tais selvagerias
No seio da alienada sociedade estadunidense.
Fácil é ignorar a dor do outro
E fazer da nossa ignorante paz um escudo,
Enquanto fechamos os olhos para a barbárie.
Mas na periferia do capitalismo,
Onde os indesejados pelas potências globais choram,
Desenrola o apocalipse das atrocidades.
É apartheid, é genocídio,
É barbárie, é colonialismo,
São as mortais realidades sangradas
Pelo povo de Gaza.
E impostas pelo ilegítimo e truculento
Estado de Israel.
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O Nosso Carnaval

Não quero viver o vendaval dos foliões,
Nem a apatia de um retiro espiritual,
Só o colo da mulher amada
E a calmaria do aconchegante lar.
Longe das lotadas ruas é melhor
Respirar o aroma dos nossos corpos,
Os drinks caseiros que nos refrescam,
As tardes quentes de desejos.

Ser amor, deliciarmos pratos juntos.
Eu e ela rindo de futilidades,
Nos emocionando com cenas de filmes,
Relembrando instantes marcantes.
Todo dia conversar,
Alegrar com tudo que vivemos.
Desfrutarmos, comemorarmos
E juntos ser um só, carnavalizar,
Na simplicidade a dois saborear
As experiências mais incríveis.
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O Acabrunhado Corpo Coletivo

Está morrendo novamente, com o mesmo enredo de outros carnavais,
Quem já faleceu diversas vezes décadas atrás.
Um corpo exaurido de provar o veneno de ditadores.
E que no travesseiro da democracia continua a ter
Sua dignidade torturada por espúrios parlamentares.

Os membros desse corpo estão condenados a carregarem
Os despojos de um golpe travestido de soberania popular...
Arrastarão suas vísceras cansadas de trabalhar,
Enterrarão seus olhos em hegemônica pobreza.

E sobre o deserto de tanta torpeza permanece estático
O dono desse corpo - o povo, corpo coletivo passivo,
Acabrunhado, inerte, com seus membros todos dessincronizados diante
Das incessantes torturas que sacrificam a sua já calejada epiderme.
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Meu nome é Dennis de Oliveira Santos. Nasci no ano de 1985, numa pacata cidade do interior goiano chamada Ceres. Sou oriundo de uma família humilde e um dos dois filhos que muito ama seus pais. De lá pra cá fiz muitas andanças pelo mundo através de viagens e mudanças de lares ao morar em várias localidades.

Na adolescência tive um intenso contato com obras clássicas da filosofia e literatura de forma autodidata. Escritores e pensadores foram importantes na formação de minha cosmovisão, além dos valiosos ensinamentos e valores cultivados pelos pais e avós. Desde essa época aos dias atuais o meu olhar sobre o mundo é moldado principalmente por perspectivas filosóficas, como o existencialismo e o materialismo. Já na fase adulta segui os estudos universitários me graduando nas áreas de Sociologia e Pedagogia. Hoje sou educador e pesquisador. Minha atuação abrange os campos de pesquisa, ensino e projetos sociais. Além de publicar artigos científicos na área da sociologia.

Do existencialismo ficou na mente a ideia da busca da liberdade, a responsabilidade pessoal e a busca incessante por significado na existência humana. E extraído do materialismo filosófico, a perspectiva de que a compreensão da realidade se dá na matéria e nas leis naturais, buscando explicar fenômenos e experiências humanas através de bases físicas e tangíveis. Politicamente, me situo à esquerda, com inclinações marxistas, buscando constantemente a justiça social e a crítica do sistema capitalista. Tento contribuir para a realização desses ideais através do ensino, pesquisa e engajamento em movimentos sociais.

Sou um sujeito de poucas amizades, com prazeres simples, que valoriza muito a companhia da família, um amador na arte da enologia, ávido por viagens, e, nos raros momentos de inspiração, arrisco a escrita literária. Sou, em prática, um realista com uma pitada de pessimismo, um materialista que vê o mundo através das lentes do concreto (sem misticismo). E por ser um amante da literatura, escrevo poesias e crônicas com foco nas questões sociais e filosóficas.

Na minha escrita, mergulho em temáticas para expor as injustiças geradas pela desigualdade social que permeia nosso mundo. Muitos dos meus textos são ressoantes manifestações de insatisfação, narrativas que se levantam contra os fundamentos do poder e desafiam os contornos cruéis do sistema capitalista. Além disso, busco constantemente refletir sobre a existência humana. Ao escrever, tento compreender e expressar o peculiar sentimento de "estar no mundo", abordando inquietações sobre o sentido da vida, dilemas éticos, o impacto da morte e o confronto do ser com sua realidade.