Lista de Poemas

Virá o fim

Virá a morte e terá os meus olhos
Esta morteque me acompanha
De manha á noite, insone
Surda, como um velho remorso
Ou um vicio absurdo


Os teus olhos serão uma palavra vã
Um grito mudo, um silencio


Assim os vejo todas sa manhas
Quando sobre ti te inclinas ao espelho


Pois cara esperança saberemos também nós
Que és a minha vida, e és o meu vazio.


Para todos a morte tem um olhar
Virá a morte e terá os meus olhos
Será como deixar um vicio
Como ver no espelho
O regresso de um rosto morto
Como ouvir lábios de pedra cerrados
Descerei ao inferno mudo.
432

Cúmplices da Lua

Perdidos no tempo, a esquecer as horas
Abraçados ao sentimento, na felicidade singular
De um só sentimento, de uma só vontade de amar
Tornamo-nos assim cumplices da Lua, das noites sem demoras


Porque amar é lindo, os dois seres abraçados
Partilhando carinho,nas noites de verão ao som do luar
Oferecendo ternura, vendo a paixão mostrando como amar
Mostrando os puros sentimentos,os dois seres enfeitiçados


Olha-se então pois nos olhos, que são o espelho da alma
Através deles chega-se ao coração,esse unico dono e senhor da mente
Transmite-se calor, o fogo da alma o carinho e paixão
Nessas noites de luar mágico, como que anjos abençoados
Dizem-se palavras de amor, marcam-se corações, dá-se a calma
Unem-se as mentes,juntam-se os corações e isolam-se do mundo
Chegam os sorrisos,vem a felicidade que se mostra facilmente
Aumentam as batidas,aumenta o sangue nos corpos, acelera-se o coração
Abraçam-se com força unidos, só eles no terra assim isolados
Amam-se sem mais ninguem, neste sentimento sem fim, sem fundo


Não há pois lugar imune aos cumplices da lua, aos amantes do sentimento
Que se adoram no luar, que se tocam com loucura e desejo
Deixam as mãos percorrer os corpos, provocar as delicias em sinal de atracção
Aumenta o calor das noites de verão ardente já escaldantes
Invadem-se os corpos em procura daquele momento
Usam-se as mãos, a lingua e o corpo, tudo vale por um beijo
Respira-se o ar quente, sentem-se os prazeres e liberta-se o calor da sensação
Unem-se nos prazeres carnais, nas luxurias ritmadas e ardentes dos amantes


Assim pois então eles passam as melhores noites da vida
Nos braços de quem se ama, olhando nos olhos a felicidade agora encontrada
Que só vai tornar mais dificil a hora final, o momento da despedida
Pois regressam os cumplices ao seu mundo, mas as mentes continuam iluminadas
Onde sabem eles que o amanha vai ser feliz, porque a alma já está vivida
Porque o amanha não foi escrito quer-se para sempre a paz alçancada
Porque o amanha não foi vivido, quer-se duas almas para sempre apaixonadas
487

Para sempre

Vi-te pela primeira vez no més da primavera
Foi como que um raio de sol que me iluminou a saida
Como que um acordar de um inverno gelado
Algo tão puro, tão lindo, tão doce, cheia de vida
Não sabia o que dizer, estava enfeitiçado
Parado e perdido eu não sabia quem era



Os teus olhos enfeitiçaram-me, sai do meu ser
Que encanto, que ternura, beleza esta enfeitiçante
Roubaste-me a alma, possuiste o meu pensamento
Levaste-me aos céus, fui deus num momento, quando te vi como mulher
Parei, gelei, pensei, será este o rosto da minha amante
Tanta emoção, espanto e encanto nesse unico momento



Veio a felicidade, subi aos ceus, fui um dos deuses, um abençoado
Levaste-me a loucura, deste-me ternura, era eu teu escravo aprisionado
Suspirava, ansiava por cada momento contigo, só assim era feliz
Perdia-me nos teus olhos, afogava-me nos teus lábios, vivia para te amar
Brincava com os teus cabelos, explorava o teu corpo, esse objecto de encanto
Não és mulher, és uma princesa, não és comum, és unica, foi assim que deus quis
Teu sorriso meu alimento, tua alma minha felicidade, estaria acordado ou estaria a sonhar
Nunca tal tinha acontecido, já fui vivo e feliz mas nunca assim tanto



Por mulheres como tu na antiga historia os homens lutaram guerras e ergueram monumentos
Atravessaram desertos, rios, mares e montanhas, conquistaram paises e não foram vencidos
Vale a pena pois vale, por ti, só por ti, atravesar meio mundo, caminhar sobre as chamas ardentes
Chamas de uma paixão ardente, deste fogo que arde sem se ver, de um calor que nos manteve unidos
De uma distancia que nos separou, de uma luz que se apagou, de dois corações que já foram quentes
De dois corpos que noutra hora existiam juntos, de um só amor que era dois sentimentos



O nosso fogo um dia apagou-se, como que num vento gelado, inverno maldito que me tirou o meu amor
Fiquei sozinho num canto, perguntando-me porqué, pensando nas hipoteses, procurando a solução
Noutro mundo, noutro universo ainda és minha, ocupas a minha mente, nos meus sonhos nos meus pensamentos
Basta fechar os olhos e voltas para mim, sonho ou delirio não sei, será que ainda bate o meu coração
Sonho o impossivel, procuro o que não existe, quero um dia voltar a fazer parte dos teus sentimentos
Todo o homem procura o impossivel, eu procuro a felicidade, se isso é possivel não existe dor



Olho para o futuro como que de uma praia deserta, num por do sol de fim de verão
Não vejo forma de quebrar a distancia nem de apagar os sentimentos
Não tenho como não querer de volta o teu amor, os teus carinhos, os nossos bons momentos
Pois então procuro-te a ti como um anjo procura o céu, como quem pede a tua atenção
Se um dia o mundo permitir, quem sabe serás minha, voltarei a subir aos ceus ao reino da felicidade
Moverei montanhas, atravessarei oceanos, enfrentarei demonios para te ter junto de mim
Não importa o tempo nem o lugar, nada na minha mente é impossivel, quero a tua mão, a tua simplicidade
Desejo-te, procuro-te a cada dia que passa, quero um dia voltar a amar-te assim.
472

Memorias

Memorias dos tempos vividos
Memorias dos beijos sentidos
Memorias dos dias de felicidade
Memorias, que recordarei com saudade


Da mágica noite de luar
A manha de chuva, de inverno
Da praia encantada depois do jantar
Do amor que era eterno


Da felicidade de criança maravilhada
Ao prazer dos amantes incansáveis
Passando pelos carinhos trocados
São momentos jamais alcancáveis
São dias de história encantada
Foram meses, dias e horas encantados


Recordo então com tristeza
Aquele amor que era vivo, era certeza
Que não soube aproveitar
Que perdi, e nunca mais vai voltar
Que me aquecia a alma
Me transmitia, paz, saude, e calma


Errei pois então, que tolo que sou
Errei pois então que infeliz estou
Amei, amo e amarei com todas as forças do meu ser
Desejei, desejo, e desejarei, todos aqueles momentos de prazer


Mas o inverno é assim, de tempo gelado
É frio, sozinho e assustador
Mas nada vai apagar-te a dor
Nem colocar-te o sorriso, por mim plantado
459

O meu caminho

Vi e encontrei afinal o meu caminho
Mas procuro louco e desvairado um lar e uma terra
Como as aves que vão de ninho em ninho
Como a espera do soldado sem saber se há paz ou guerra


A minha alma mais densa do que o vinho
Beijo de fogo que o desejo encerra
Tem o tom pálido de um lençol de linho
E a resistencia heróica de uma serra


Adoro o Sol pois então, em rituais pagãos
E dou graças ao dom da claridade
Que trás luz e alegria a todo o universo


Trago as lembranças de um luar escondido nas minhas mãos
E esta onda de felicidade que me invade
E a paixão que me vai na alma feita num verso.
477

O teu nome

Nos meus cadernos de escola
Na minha secretária e nas arvores
Até na areia e na neve se pudesse
Escrevo o teu nome...


Em todas as folhas lidas
Nas folhas todas em branco
Pedra, sangue, papel e cinza
Escrevo o teu nome...


Nas imagens que valem mais que ouro
E nas armas dos guerreiros do amor
Nas coroas de princesas
Escrevo o teu nome...


Nos jardins e nas praias
Nos ninhos de amor e nas noites
No eco da minha infancia
Escrevo o teu nome...

Nas maravilhas e saudades das noites
No pão branco das manhas
Nas estações entrelaçadas
Escrevo o teu nome...


Nos meus farrapos de azul
No charco de de sol que tive
Na noite de lua viva perto do mar
Escrevo o teu nome...


No batejar das manhãs
No oceano sem navios
E na montanha mais alta
Escrevo o teu nome... Carla


Na espuma fina das nuvens
No suor do meu rosto
Na chuva fria desgraçada
Escrevo o teu nome...


Nas estrelas mais cintilantes
No paleta de todas as cores
Na verdade absoluta do que é fisico
Escrevo o teu nome...


Nos caminhos mostrados
Nos prazeres descobertos
Nas caricias que lembro
Escrevo o teu nome...


Numa vela que se acende
Numa vela que se apaga
Nas minhas casas bem juntas
Escrevo o teu nome...


No fruto do amor cortado em dois
Do meu espelho e do meu quarto
Na minha cama de aconchego vazia
Escrevo o teu nome...


No meu cão guloso e terno
Nas suas orelhas peludas
Na sua pata desastrada
Escrevo o teu nome...


No trampolim para os sonhos
Nos objectos familiares
Na onda do mar que vejo
Escrevo o teu nome...


Na carne que tenho massacrada
Na frente dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome...


Na vidraça das surpresas da vida
Nos lábios todos fechados
Muito acima do silencio eterno
Escrevo o teu nome...


Nos refugios de amor usados
Nos meus sonhos desperdiçados
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome...


Na auséncia sem desejos
Na nudez da solidão
Nos degraus da morte
Escrevo o teu nome...

NA saude enfraquecida
Aos riscos corridos
No esperar de saudade
Escrevo o teu nome...


Por poder de um nome
Recomeço a minha vida
Nasci para conhecer-te, amar-te
Dar-te um nome...
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Nos Teus Olhos

Olho-te de longe, pareces distante nos teus pensamentos
Vejo-te assim séria, perdida, concentrada em ti
Vejo nos teus olhos, a tua alma, os teus sentimentos
Olho-te de perto, nesses olhos brilhantes que vi


Fico sem reacção, como que cego por essa luz brilhante
Luz dos teus olhos, da tua alma, que me cega assim
Para o tempo, para o universo aqui neste instante
Para te ter, nos meus braços junto a mim


Se o tempo dura-se eternamente, apenas um segundo queria
Para te olhar nos teus olhos, ver essa força de viver
Esse brilho, que me aquece o coração, alimenta o meu ser
Se pude-se nos teus olhos ficar, eternamente, nada mais queria


Não sei se é magia, ou sedução, não entendo este poder
Que dos teus olhos sai, para me tirar de mim, me enlouquecer
Só sei que te sinto, em mim, na minha alma, na minha mente
Só sei que se pude-se serias minha, juntos eternamente


E assim olho-te nos olhos, para me alimentar
Que esta alma dorida, aprendeu a amar
Que deste ser sai paixão por ti é verdade
Que desta paixão, só quanto te ter vou ter liberdade
Se esse dia chegar, rebento de emoção
Se um dia puder ter um lugar no teu coração
445

Inferno

Vivo no inferno, porque larguei o céu encantado
Estou no inferno, porque não valorizei um anjo alado
Vou estar no inferno, porque não soube amar
Vou ficar aqui para sempre, porque ao amor, não soube valorizar

É frio e escuro, ao contrário do que dizem, é como a solidão
Não nos aquece, pelo contrário, o frio gela-nos o coração
Bate fraquinho, sem forças, sem sangue para correr
Bate devagarinho, pensando em quem me deu que viver

A dor não tem solução, o frio não tem fim
As lagrimás não param de cair, até ardem a cair assim
Falta-me o ar, falta-me a força de viver
Falta-me o amor, que deitei a perder

Mas eu mereço estar aqui, pelo que fiz ao anjo maravilhoso
Cumprir a pena eternamente, neste inferno gelado
Sofrer o que fiz sofrer, sozinho, no frio deitado
Perder o meu anjo, o meu sol que sempre brilhou radioso

Não sabem os homens pois não, o que é tocar num anjo sem igual
Eu soube e desperdicei, o anjo mais lindo, nesta época de natal
Eu soube e tive, ao menos isso posso dizer
Que no anjo lindo, o meu coração chegou a viver

Viveu mas morreu, porque o matei
Viveu e morreu, porque eu não o amei
Viveu e morreu, porque não o soube amar
Viveu e morreu, porque eu não o soube valorizar
459

Se os céus soubessem

O quanto me fascinas
O quanto esperei por ti
Tudo o que significas para mim

Se os céus soubessem
Que antes de ti era perdido como nem imaginas
Que esperei uma vida inteira por alguém assim
Que me encantei no primeiro instante que te vi

Se os céus soubessem o quanto és viciante
Os poetas tem o ópio maldito
As flores tem a luz saciante
O mar tem a Lua
Eu só queria a ti

Era alimento para a alma
Felicidade concentrada
Perfume de um riso
Em forma de menina endiabrada

Se os céus soubessem
O quanto te quero a a ti
Os rios secavam
As flores fechavam
Os mares gelavam
Os desertos ardiam

Tudo só para te ter para mim
Mas os céus só sabem que o encanto não termina
Que o feitiço não tem fim
Já que o sangue que tenho nas veias, não tem valor sem ti

Os céus só sabem que o tempo é um luxo que não temos
Que sonhamos acordados com instante que tivemos
Que só queria mais tempo, horas, dias, talvez um só segundo
Nos teus braços, minha calma, meu mundo.
471

Por todos

Em nome dos que choram
Dos que sofrem, e fizeram sofrer
Dos que acendem na noite o facho da revolta
E que de noite morrem
Com a esperança nos olhos e arames em volta
Em nome dos que sonham com as palavras
De amor e paz que foram ditas
Em nome dos que rezam em silencio
E falam em silencio
E estendem em silencio as duas mãos aflitas
Em nome dos que pedem em sonhos e segredo
A esmola que os humilha e destroi
E devoram as lagrimas e o medo
Quando a solidão lhes dói
Em nome dos que dormem agora ao relento
Numa cama de chuva com lençois de vento
O sono de miséria, terrivel e profundo
Em nome do amor que esqueceste
Anjo dos céus, que de lá desceste
Volta outra vez ao meu mundo.
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