COMO JÓ
Desta forca apertam mais o nó:
Sou o escravo de faraó.
E colocam já sem dó
Sobre mim a mó!
Deus, aqui, Ó!
Como Jó
Sou só
Pó.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 15/02/2019)
240 - INCOMENSURÁVEL
Que com tamanho amor eu nunca queira
Que nas devidas proporções se abrande.
Mas que das suas dimensões demande
Medida mais precisa: a vida inteira.
Que eu nunca o meça mais de tal maneira:
Com alto e baixo, com pequeno e grande,
Porque não se reduz e não se expande,
E nem se exibe tanto, nem se esgueira.
Se a manifestação do amor que sinto
Todo incomensurável, indistinto,
Até agora não te persuade,
Espera então, amada esposa minha:
Pergunta-me de que tamanho o tinha
Apenas no final da eternidade.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 12/02/2019)
239 - EXISTÊNCIA ATUAL
Nasci do pó, cresci tão só: da fera
Fugi a pé, venci na fé, eu, moço.
Peguei na pá, cavei por lá o fosso.
Sumir daqui, surgir ali, quem dera!
Segui a luz e quem conduz não era.
Fazer jejum: prazer nenhum, nem osso.
Ao sol pior, verti suor insosso.
Sonhei manhã, velei no afã da espera.
Eu fui refém, prendi a quem me agrida.
Por dois sangrei, depois fechei o corte.
Penei amor, amei expor ferida.
Também eu sou: só quem ficou mais forte.
Olhei pra trás, achei fugaz a vida:
Viver assim, morrer enfim, é morte.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/02/2019)
238 - TEU CAMINHO BOM
Ó Deus, de sol a sol de longe vim
Descalço pelo teu caminho bom.
Cheguei sem companhia e sempre com
A sombra do passado sobre mim.
Que a caminhada nunca tenha fim,
No solo caminhar me seja o dom.
Ali calejo cada pé marrom
Coberto pelo pó que o suja assim.
A vida vai à vala tão comum
Das terras que me tragam amanhã
Pois já me desejavam em jejum.
Depois da chuva e vento achei no afã
Destinação, porém, em chão nenhum
Jamais deixei qualquer pegada vã.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 03/02/2019)
237 - FELIZ
Feliz serei enfim, refém plebeu?
Expus amor leal até aqui?
Desfiz prazer fatal? Por que vivi?
Paixão achou pudor? Suor correu?
Reluz manhã, produz azul, ardeu?
Razão virá melhor? Alguém sorri?
Eu sou fiel? Mulher, cheguei aí?
Aí cheguei: Mulher fiel, sou eu!
Sorri. Alguém melhor virá. Razão
Ardeu. Azul produz manhã, reluz.
Correu suor: pudor achou paixão.
Vivi porque fatal prazer desfiz.
Aqui, até leal amor expus.
Plebeu refém, enfim serei feliz!
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Soneto e palíndromo escrito para a minha esposa INGRID ROSA em 01/02/2019)