EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

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281 - ENTRELAÇADOS

Entrelaçados sempre fomos nós
Do tríplice cordão que enfim se fez.
Enquanto nos tornarmos um tu crês
No vínculo do olhar, das mãos, da voz.

O que te liga a mim se faz veloz
E firme, sem tensão ou rigidez.
Nas pontas soltas que amarramos vês
Que amor não ata nem desata a sós.

Nós cegos não seremos dos cordéis
Mas com a corda toda e tão fiéis
Eu não me parto e tu não te retrais.

Jamais estamos por um fio os dois
E nos apertos não rompemos pois
A quem nos une somos tão leais.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 16/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
157

280 - SONO E SONHO

É sono bom embora não aviste
Mais luzes nem me passe fogo pelo
Tristonho coração que atrai o gelo:
Mas se dormir tristeza não existe.

É sonho bom até que acorde triste,
Em pleno dia viva o pesadelo,
Na noite fria logo possa tê-lo
E o sol nascente já me reconquiste.

É sono bom enquanto não me deito
Naquele mesmo canto e me levanto
Ao ter nos olhos pranto e dor no peito.

É sonho bom que aceito sob o manto
Do anoitecer e espreito do meu leito
De amor leal dum jeito puro e santo.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 13/08/2020 para a minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
125

279 - ALEGRIA

Irmãos, pulemos logo de alegria!
Perseguição em tempos tão extremos
É prova de que temos e teremos
A aprovação do Pai que aqui nos guia.

Sozinhos numa cela escura e fria,
Que com integridade suportemos
Tribulações e insultos mais blasfemos,
Com privações, tortura e zombaria.

Irmãos, por mais que o mundo nos oprima
Às mãos do rei do sul e rei do norte,
A nossa exultação já vem de cima:

Gritemos sim de júbilo e bem forte
Louvando a Deus com cântico que anima
Os corações leais até a morte!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 11/08/2020)
155

278 - UM DIA

Um dia vamos acordar melhor
E não vai ser uma manhã qualquer:
Sabemos bem que, quando a luz vier,
Não vai brilhar apenas ao redor.

Um dia vamos ter um sol maior
Para aquecer um homem e a mulher;
Sabemos logo que o calor que houver
Não vai estar apenas no suor.

Um dia temos de dormir com fé
E enfim sonhar tranquilamente até
Não sermos mais punhado vão de pó.

Um dia temos de nos pôr de pé
E vamos ver tornar-se o que não é
E não vai mais durar um dia só.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 9/8/2020)
172

277 - REAÇÕES

Das pedras com que me apedrejam tanto
Fiz pontes entre amor e o ódio cego;
Com cusparadas que me lançam rego
Total perdão que neste peito planto;

Por me açoitar a crítica garanto
Jamais massagear selvagem ego;
Desprezo mais abrasador emprego
Em me secar da humilhação o pranto;

Mordaça que me cala seja o manto
Com que me envolve o pensamento santo
Que no silêncio meu melhor exponho;

E a venda que me impede, por enquanto,
De ver o sol nascer se me levanto,
Máscara seja de dormir com sonho.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 07/08/2020)
165

276 - INTEMPÉRIES E RECANTOS EM MIM

Eu tenho tempestades nas entranhas;
Nos pés, campinas e tufão nas pernas;
Nos braços, covas brandas onde hibernas;
No fôlego, o bom vento que acompanhas;

Nos olhos, o oceano em que te banhas;
Na mente, as profundezas mais internas;
No coração, vulcões, tremor, cavernas;
Nas costas, a cadeia de montanhas;

Terei as intempéries que interagem
Com tais recantos onde se revela
A minha natureza não selvagem.

Com aquarela amor tornou-se a tela
Em que pintavas íntima paisagem
Que só foi bela quando estavas nela.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 06/08/2020 para minha esposa Ingrid da Rosa Rodrigues Oliveira)
148

274 - O OLEIRO

Lava-se a lua no límpido lago:
Lembro relatos do Livro que leio.
Livre de lástima, luto e receio,
Logo o valor dos relógios é vago.

Longe do lodo nas lápides trago
Lenço de linho de lágrimas cheio.
Largo-me a longos soluços e creio:
Levam-me alívio do lânguido afago.

Lá ao relento o silêncio calou-me,
Lança-me além do relâmpago e vou-me
Leve nas lutas e alegre na lida.

Louvam o Oleiro tão lúcido e sábio
Luzes celestes falando sem lábio,
Língua e palavras ao longo da vida.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 31/07/2020)
195

273 - UM NOVO DIA

Está chegando sim um novo dia,
Está surgindo até que o sol desponte!
Está nascendo a fé que, no horizonte,
Está causando o fim da noite fria!

Estou sentindo a paz que não sentia:
Estou se a ordem é que só me apronte;
Estou subindo a pé ao santo monte;
Estou correndo atrás de quem me guia.

Estou pregando e sei do chão que trilho.
Estão sabendo: Rei já é teu filho!
Está salvando e vi que bem governa.

Estou, ó Jeová, dizendo ao povo:
"Está raiando já um dia novo,
Está brilhando aqui a luz eterna!"

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/07/2020)
228

272 - QUEM SEREI? O QUE TEREI?

Eu? Quem serei? Eu não serei ninguém!
Do oposto não há quem me persuada.
O que terei? Eu não terei mais nada
De tudo que me torna e que me tem.

Eu? Quem já sou? Por fim, não sou além
Do que sombra que ao fundo se traslada.
O que já tenho? Tenho todo e cada
Repúdio deste mundo e seu desdém.

Prefiro tê-los sim a ser refém
Dum ávido desejo que me invada
E que me expulse aqui de mim também.

Sim, antes desistir do que me agrada
Do que viver atrás do que não vem,
Do que morrer da coisa desejada.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 27/07/2020)
140

Sonnet 001

While we walk home along this lonely beach,
Ships passing in the night run aground.
The lukewarm sand your feet can hardly reach.
To watch your sorry figure I look 'round.
Though we have taken thousands of steps each
Only few of my footprints I have found
While looking backwards over shoulders... Screech!
Screech out in pain, let out your first clear sound!
I wish that you expressed your thoughts by speech.
When your lips move my echoes do abound.
To me you keep on sticking like a leech.
Would you drift with my body if I drowned?
When the night comes near I will feel alone.
That you might appear I wish that you shone.

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written over 20 years ago)
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