EDEN SANTOS OLIVEIRA

EDEN SANTOS OLIVEIRA

n. 1976 BR BR

n. 1976-01-10, Santos, SP

Perfil
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ALGO

É algo que me anestesia e sinto
Igual à dor sem causa, efeito e nome.
E, para que de mim também me tome,
É reles, impalpável e indistinto. 

É nunca me perder no labirinto 
No qual eu acho o que me consome.
E empanturrado duma sede e fome 
É não estar sedento nem faminto.  

Crepúsculo não foi, nem noite e dia.
É coisa que não é bem quente e fria
Porém, tampouco pode ser tão morna. 

Quanto mais com a morte é confundida,
Tanto mais se parece com a vida,
Procura sê-la mas jamais se torna. 

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/12/2022)
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Poemas

73

Sonnet 061

I was once hired in order to be born.
I have retired from youth and come of age.
I have just been dismissed from life with scorn.
I have just quit without a living wage.
While labouring to rest and living on
I drudge away at pleasure, joy and fun
And toil at my short lifespan till I'm gone
And slave at freedom though all work is done.
It's not worth shirking this unpleasant task
Of living rough because I cannot rob
My conscience of all honesty and ask 
My heart if I can lie down on the job.
Although I earn my living death each day
Life never works and dying will not pay.

(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in 09/09/2002)
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270 - VELHA FOTO

Esqueço que a tarefa mais ingrata
É não lembrar um tempo tão remoto
Com péssimos eventos que encaixoto
Para que não os ache e não me abata.

Então, espreito a fétida barata
Roendo a borda duma velha foto,
Em cujo verso amarelado noto
Dedicatória, assinatura e data:

E diz: "Dedico a quem não tem memória
Que vês se te olhas num espelho fosco."
Foi assinado: "Imagem provisória."

Datado: "Dia vão que não existe:
Apenas o presente está conosco.
Que o teu passado não te deixe triste!"

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 20/07/2020)
152

269 - ÉRAMOS COMO SE...

Éramos como se nunca soubéssemos
Que nos tornamos a soma dos músculos,
Ossos e as peles de seres minúsculos:
Zeros à esquerda com outros de acréscimos.

Éramos como se nunca estivéssemos
Lendo o refrão com letreiros maiúsculos
Presos nas testas, durante os crepúsculos:
"Sempre corremos em círculos péssimos!"

Éramos como se nunca nos víssemos:
Em impressões e conceitos baixíssimos,
Máscaras caras e esplêndidas túnicas.

Éramos como se nunca nem fôssemos
Réplicas frágeis, sentindo-nos próximos
Aos que acreditam que somos as únicas.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 17/07/2020)
134

267 - OS BERROS MEUS

Depois de repentino sobressalto
Cá nesta cama vã em que me deito
Há noites em que nutro no meu peito
Uma vontade de berrar tão alto!

É uma angústia vil com que me exalto
Que não me deixa mais dormir direito
E que me faz querer sair do leito
E então correr descalço pelo asfalto!

Já não me escuto: os berros meus vieram
Ao coração e os ecos reverberam
Ainda na cabeça inútil, oca!

Enquanto escrevo e penso, sou quem berra
Mais alto que oprimidos numa guerra
Com todos os silêncios desta boca.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 10/07/2020)
149

266 - OCEANOS E MONTANHA

Pobre menino que fui, se soubéssemos
Que te afogavas em mim, se salvássemos
Náufragos que nos tornei, se afundássemos
Sonho à deriva sentindo-nos péssimos...

Homem que ainda serei com acréscimos
Destas lembranças, se a mente alcançássemos
E se, com ímpeto e frêmito máximos,
Outra escalada ao passado fizéssemos...

Venha sem âncora a súbita síndrome
Como se eu fosse oceanos e singre-me:
Faço-me logo profundo; melindro-me.

Venha sem cólera, escale-me incólume
Como se eu fosse a montanha mais íngreme:
Torno-me sólido e gélido; isolo-me.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 09/07/2020)
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265 - VEM, VIDA

Vem, Vida, contra mim se não me humilho
E humilha-me batendo nesta cara
E nela esfrega bem verdade clara:
Que só te fui bastardo, nunca filho!

Enxota-me descalço e maltrapilho,
Castiga-me depois com fina vara
E joga sal na chaga que não sara:
Que dó jamais te sirva de empecilho!

Vem, põe-me, sim, no meu lugar escuro
Mas deixa-me levar-te enfim pois isto
É mais do que mereço atrás do muro.

Que Deus me queira ouvir e ver de cima
E então saber quem sou enquanto existo
E, assim, com humildade me redima.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 06/07/2020)
139

DO ÚTERO AO TÚMULO

Júbilos, êxtase juntam-se aos úteros.
Náufragos ouvem-se inéditos, únicos.
Fórcipe tétrico fere-me as têmporas.
Lépidos âmagos, límpidos hálitos.

Vítima, oponho-me à víbora pérfida.
Mácula acusa-me e mostra-se cúmplice.
Faltam-me os álibis, forjam-se os hábitos.
Zeram-se as dádivas, êxitos, débitos?

Décadas movem-se às dúvidas máximas,
Século zanga-se em sórdidas épocas.
Foram-se as vésperas fúlgidas, vívidas.
Finam-se os mártires, furta-se o mérito.

Pássaros calam-se: espera-se o cântico.
Secam-se as últimas sólidas árvores.
Murcham-se pétalas; mancham-se espíritos.
Fende-se, abala-se efêmero bólide.

Tépidas lágrimas tornam-se lâmpadas
Turva-se a pálpebra túmida e púrpura.
Formam-se o séquito fúnebre e súplicas.
Súdito e príncipe sentem-se próximos.

Máquinas roubam-lhe os músculos rígidos.
Findam-se e somem-se fôlego e cérebro.
Parte-se a mórbida, pútrida, amálgama!
Coube-lhe o número incômodo, anônimo.

Fecha-se invólucro: féretro válido.
Cava-se o túmulo: cárcere estúpido.
Lavra-se o mármore: lápide mísera.
Célebre epígrafe: "Súbito e péssimo".

Lanço-me ao círculo ilógico, insólito:
Levo-me trôpego, lânguido, trêmulo;
Trago-me atônito ao trágico término;
Julgo-me pálido, gélido, apático.

Varam-me as úlceras vísceras ácidas:
Ferve-se e verte-se o fétido vômito.
Dando-me a lástima idêntica às lâminas,
Vencem-me frêmito e vórtice frígidos.

Dizem-me: "Tira-me a dívida altíssima:
Vínhamos úmidos, víscidos, ótimos;
Tínhamos ânimo, estímulos, ímpetos;
Púnhamos máscaras públicas, médicas!"

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 30/06/2020)
218

264 - A TESTEMUNHA

Oh, Jeová, tu vês a testemunha,
O modo como os inimigos agem
E como já se aflige e se acabrunha
Pois ela não espera que te ultrajem!

Teu povo teve de agarrar à unha
A integridade e, cheio de coragem,
Enquanto à vil perseguição se expunha,
Jamais cedia ao mal cruel, selvagem.

Tem sido sim diante até da morte,
E de opressão e oposição ferrenhas,
Inabalável com a fé mais forte.

Oh, Jeová, meu Deus, eu só te rogo
Que com Miguel e os santos intervenhas
Em seu favor no Armagedom e logo!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 22/06/2020)
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263 - PÁSSAROS PÚRPURA

Porta-se espírito apático após
Dúvidas, dívidas, décadas más.
Tímidos tínhamos típica paz,
Cântico cálido e cândida voz.

Pássaros púrpura partem-se sós.
Éramos míseros mártires mas
Vívidos vínhamos: vórtice traz
Súbita súplica e some-se em nós.

Falta-me o fôlego e foge-me a luz.
Lânguido lembro-me: a lâmpada à mão 
Leva-me às lágrimas, lástima expus.

Trôpego e trêmulo trago-te aqui.
Pálidas pálpebras pétalas são.
Prímula próxima, prendo-me a ti.

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 20/06/2020 para a minha esposa Ingrid Oliveira)
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262 - DOR ESPERADA

É dor que se espera até mais severa
Que aquela que gera o mal do presente.
Mas ó quem me dera opor-me a tal fera
Que só dilacera aquele que a sente!

Sou eu quem libera alguém que não era
Mas já me encarcera justo na mente.
De forma sincera faço da espera
O que degenera a paz permanente.

No espelho que odeio, pérfido, opaco,
Olhando-me alheio, vejo-me cheio
De chagas ao seio quando me ataco.

De angústia e receio não me contorça:
O Deus em quem creio sempre por meio
Das súplicas veio dando-me força!

(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em 18/06/2020)
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