Lista de Poemas
231 - EU INCOMUM
Que eu, incomum, sem medo algum da morte,
Lembre o meu dom: ver lado bom da vida;
Mostre o meu bem: amar a quem me agrida;
Morra amanhã: com mente sã e forte;
Traga feliz a cicatriz do corte;
Pleno de luz: em peitos nus incida;
Caia na paz: porque não faz ferida;
Sangre talvez: que ser cortês me importe.
Cinzas e pó: sou sempre só um homem.
Lágrimas há na lida má, tão fria.
Sombras que vi, que são daqui, não somem.
Mas apesar de porto e mar, compensam
Noites que houver, dum mal qualquer, e o dia
Nasça melhor ao meu redor: é benção.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 17/01/2019)
Lembre o meu dom: ver lado bom da vida;
Mostre o meu bem: amar a quem me agrida;
Morra amanhã: com mente sã e forte;
Traga feliz a cicatriz do corte;
Pleno de luz: em peitos nus incida;
Caia na paz: porque não faz ferida;
Sangre talvez: que ser cortês me importe.
Cinzas e pó: sou sempre só um homem.
Lágrimas há na lida má, tão fria.
Sombras que vi, que são daqui, não somem.
Mas apesar de porto e mar, compensam
Noites que houver, dum mal qualquer, e o dia
Nasça melhor ao meu redor: é benção.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 17/01/2019)
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SONNET 093
Oh, Sheila's sheen of sheer silk sheets outshone
Sunshines with shock that shivered, shuddered, shook
The shale mounts showed the shoulders she'll cry on.
At shingly shores she'll shoot her shining look.
To ships that sheered off shoals of shame she'll shout.
Her shimmer shifts their shapes: if shards were she
She'd shatter shackles she'd worn, shambling out
And share the sharp sword, sheath and shield with me.
On shells where she's lived shellac she can shed.
From showers shelter she'll take, shorn like sheep
And shun her shuttered shack and shabby bed.
My sugar shuts her shy eyes shamming sleep.
I'm sure that shortly should stars shine like Sheila
No show of shade and shadows shall conceal her!
(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 12/10/2003.)
Sunshines with shock that shivered, shuddered, shook
The shale mounts showed the shoulders she'll cry on.
At shingly shores she'll shoot her shining look.
To ships that sheered off shoals of shame she'll shout.
Her shimmer shifts their shapes: if shards were she
She'd shatter shackles she'd worn, shambling out
And share the sharp sword, sheath and shield with me.
On shells where she's lived shellac she can shed.
From showers shelter she'll take, shorn like sheep
And shun her shuttered shack and shabby bed.
My sugar shuts her shy eyes shamming sleep.
I'm sure that shortly should stars shine like Sheila
No show of shade and shadows shall conceal her!
(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 12/10/2003.)
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234 - SEPARAÇÃO
Mulher, não deves mais fazer as malas,
Tão pouco queres mais tocar no assunto.
Não me respondes quando te pergunto:
"Aonde vais? Por quê?" mas só te calas.
Porém, enfim é tudo o que me falas:
"Mas só por cima deste meu defunto!"
Se te sugiro: "Não me levas junto?
Em mim há coisas tuas: vais deixá-las?"
Oh, diz-me adeus e dá-me dois acenos!
Se quiseres voltar serás bem vinda
Com teus pertences grandes e pequenos.
Além da vã saudade, esposa linda,
Deixa-me a simples esperança ao menos.
Leva o meu coração: é teu ainda.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 20/01/2019. Inspirado nas tristes estórias de casais que se separaram.)
Tão pouco queres mais tocar no assunto.
Não me respondes quando te pergunto:
"Aonde vais? Por quê?" mas só te calas.
Porém, enfim é tudo o que me falas:
"Mas só por cima deste meu defunto!"
Se te sugiro: "Não me levas junto?
Em mim há coisas tuas: vais deixá-las?"
Oh, diz-me adeus e dá-me dois acenos!
Se quiseres voltar serás bem vinda
Com teus pertences grandes e pequenos.
Além da vã saudade, esposa linda,
Deixa-me a simples esperança ao menos.
Leva o meu coração: é teu ainda.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 20/01/2019. Inspirado nas tristes estórias de casais que se separaram.)
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228 - SEMPRE
Nem sempre te amo como tu mereces
Ser sempre amada e sempre da maneira
Mais terna e sempre para a vida inteira
E para que tu sempre me quisesses.
Nem sempre te amo para que comeces
A te sentires sempre a companheira
Querida sempre e para que te queira
Como te peço sempre a Deus nas preces.
Nem sempre te amo tanto, reconheço.
Sempre te digo o que te disse acima.
Sempre o direi com gratidão e apreço.
Mas sempre o meu amor se legitima.
Nem sempre há um igual nem um avesso:
Como a palavra sempre, não tem rima.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 10/01/2019.)
Ser sempre amada e sempre da maneira
Mais terna e sempre para a vida inteira
E para que tu sempre me quisesses.
Nem sempre te amo para que comeces
A te sentires sempre a companheira
Querida sempre e para que te queira
Como te peço sempre a Deus nas preces.
Nem sempre te amo tanto, reconheço.
Sempre te digo o que te disse acima.
Sempre o direi com gratidão e apreço.
Mas sempre o meu amor se legitima.
Nem sempre há um igual nem um avesso:
Como a palavra sempre, não tem rima.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 10/01/2019.)
163
SONNET 109
She's better than all women while not mine.
Her thoughts are purer while invoiced, alone.
Her words are wiser while I'm drunk on wine.
Her virtues far more precious while unknown.
Her skin feels softer while untouched behind.
Her lips are sweeter while not tasted yet.
Her eyes are brighter while my love is blind.
Her beauty greater while skin-deep it's set.
I shun her not because, sent from above
She was not, (far more pleasant), but because,
While I love her, she's not the one I love
And her love is not love and never was.
So I regard her love both won and lost
Instead of seeking for it to my cost.
(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 07/12/2004.)
Her thoughts are purer while invoiced, alone.
Her words are wiser while I'm drunk on wine.
Her virtues far more precious while unknown.
Her skin feels softer while untouched behind.
Her lips are sweeter while not tasted yet.
Her eyes are brighter while my love is blind.
Her beauty greater while skin-deep it's set.
I shun her not because, sent from above
She was not, (far more pleasant), but because,
While I love her, she's not the one I love
And her love is not love and never was.
So I regard her love both won and lost
Instead of seeking for it to my cost.
(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 07/12/2004.)
288
SONNET 110
All creatures crow in cribs and croon and croak.
Joints crackled, crotches creaked, skin crinkled, creased.
When crass hope crumpled, cranks' bones crumbled, broke.
Decreased, teeth crushed and crunched a crust at least.
Like crocks and crystals cronies crash and crack,
Like crickets, crest no crag, walk crabwise, crane.
A crabbed sick crone on crutches cricks her back
By critics crippled, cramped by chronic pain.
By cruel time creaked off crude life's crumbs she craves.
Death crops up crazed with crimes: folks cringe and crouch,
From cradles cross a crimson creek to graves,
Wear crapes, not crowns, and cry on Christ's warm couch.
Decrepit crowds' age crammed with craft just crawls
Across the craters, creeps up crannied walls.
(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 09/12/2004.)
Joints crackled, crotches creaked, skin crinkled, creased.
When crass hope crumpled, cranks' bones crumbled, broke.
Decreased, teeth crushed and crunched a crust at least.
Like crocks and crystals cronies crash and crack,
Like crickets, crest no crag, walk crabwise, crane.
A crabbed sick crone on crutches cricks her back
By critics crippled, cramped by chronic pain.
By cruel time creaked off crude life's crumbs she craves.
Death crops up crazed with crimes: folks cringe and crouch,
From cradles cross a crimson creek to graves,
Wear crapes, not crowns, and cry on Christ's warm couch.
Decrepit crowds' age crammed with craft just crawls
Across the craters, creeps up crannied walls.
(Author: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Written in: 09/12/2004.)
200
227 - AGRESSORA
Vem, agressora, bate nos poetas.
Que as suas almas sejam agredidas.
Sabemos bem que, mesmo que os agridas
Com ferro e fogo, não os interpretas.
As agressões que tu lhes acarretas
Não lhes darão lesões, vergões, feridas.
Tão agressiva nunca os intimidas
Com agonias nas certeiras setas.
Vida agressora, com navalha fria,
Não vês o sangue deles quando os feres:
Não sangram, mas segregam poesia.
Depois de tantos versos, se quiseres
Que morram, algo sempre os mataria:
O amor vivificante das mulheres.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 07/01/2019)
Que as suas almas sejam agredidas.
Sabemos bem que, mesmo que os agridas
Com ferro e fogo, não os interpretas.
As agressões que tu lhes acarretas
Não lhes darão lesões, vergões, feridas.
Tão agressiva nunca os intimidas
Com agonias nas certeiras setas.
Vida agressora, com navalha fria,
Não vês o sangue deles quando os feres:
Não sangram, mas segregam poesia.
Depois de tantos versos, se quiseres
Que morram, algo sempre os mataria:
O amor vivificante das mulheres.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 07/01/2019)
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226 - INTÉRPRETES
Há gente como intérprete do escrito,
Da fala e da intenção, que averigua
Minúcias de qualquer palavra crua
Em toda e cada frase que recito.
Quando interpreta tudo o que foi dito
Crê que será prerrogativa sua
Julgar a mente para que atribua
Pior motivação ao que repito.
E, às interpretações tal gente presa
Não faz perguntas, nunca quer respostas
E nem me dá direito à vã defesa.
Assim, jamais me indagará: "Tu gostas
De que a reputação não saia ilesa
Do julgamento feito pelas costas?"
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 07/01/2019)
Da fala e da intenção, que averigua
Minúcias de qualquer palavra crua
Em toda e cada frase que recito.
Quando interpreta tudo o que foi dito
Crê que será prerrogativa sua
Julgar a mente para que atribua
Pior motivação ao que repito.
E, às interpretações tal gente presa
Não faz perguntas, nunca quer respostas
E nem me dá direito à vã defesa.
Assim, jamais me indagará: "Tu gostas
De que a reputação não saia ilesa
Do julgamento feito pelas costas?"
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Escrito em: 07/01/2019)
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225 - DENTE NA ENGRENAGEM
Sou um pequeno dente na engrenagem
Das relações humanas; sou a rosca
Que com palavra espanas, Língua tosca!
Danificou-me a mente o som selvagem.
É mecanicamente que reagem
As emoções que danas; é na mosca
Que acertas peças planas, Vista fosca,
Do mecanismo quente da linguagem.
E tudo o que for dito me atarraxa:
Motor sou de explosão aonde for.
Produz faísca o grito que me racha.
Com paz o que se diz me vai compor:
Para evitar o atrito não há graxa
Se a máquina motriz não for o amor.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Soneto escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 01/01/2019.)
Das relações humanas; sou a rosca
Que com palavra espanas, Língua tosca!
Danificou-me a mente o som selvagem.
É mecanicamente que reagem
As emoções que danas; é na mosca
Que acertas peças planas, Vista fosca,
Do mecanismo quente da linguagem.
E tudo o que for dito me atarraxa:
Motor sou de explosão aonde for.
Produz faísca o grito que me racha.
Com paz o que se diz me vai compor:
Para evitar o atrito não há graxa
Se a máquina motriz não for o amor.
(Autor: EDEN SANTOS OLIVEIRA. Soneto escrito para a minha esposa INGRID ROSA em: 01/01/2019.)
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LES VINS
Avec ferveur, l'envie avance vers les vins
Nouveaux ou vieux qui vont à vos cerveaux et veines.
Servez rivaux pervers pourvu qu'ils vous conviennent.
Trouvez saveurs, buveurs baveux, bavards, bovins.
Un verre avant l'aveu: ravis buvez-en vingt!
La veille avait prouvé que votre vie est vaine.
La vague vainc pouvoirs. Chevaux sauvages viennent.
Vivez, cheveux au vent, bravant l'avis divin.
Du vol revêt le vœu que vaut la veule voix.
Suivez divers sauveurs aveugles, vils, grivois.
Pavez la vaste voie à vos mauvais convois.
Dans votre ventre un vers: levain du vice avide,
Se vautre, vous avale et vite vous dévide.
Au vain réveil gavé d'hiver, d'envers, de vides.
(Auteur: Eden Santos Oliveira. Écrit: 15/06/2017)
Nouveaux ou vieux qui vont à vos cerveaux et veines.
Servez rivaux pervers pourvu qu'ils vous conviennent.
Trouvez saveurs, buveurs baveux, bavards, bovins.
Un verre avant l'aveu: ravis buvez-en vingt!
La veille avait prouvé que votre vie est vaine.
La vague vainc pouvoirs. Chevaux sauvages viennent.
Vivez, cheveux au vent, bravant l'avis divin.
Du vol revêt le vœu que vaut la veule voix.
Suivez divers sauveurs aveugles, vils, grivois.
Pavez la vaste voie à vos mauvais convois.
Dans votre ventre un vers: levain du vice avide,
Se vautre, vous avale et vite vous dévide.
Au vain réveil gavé d'hiver, d'envers, de vides.
(Auteur: Eden Santos Oliveira. Écrit: 15/06/2017)
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