Hoje faz 67 anos do nascimento de Elian (Nane)
Elian (Nane)

Elian (Nane)

n. 1959 -- --

n. 1959-09-09, Rio de Janeiro

Perfil
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SINA DE MÃE


Rasga teu ventre ensanguentado
Cuspindo a semente germinada
Entre amnióticos líquidos
Jorrados de tuas entranhas
Beija a cabeça coroada
Pelos dejetos abençoados
No instante supremo
Do teu grito lacerante
Aconchega em teus braços
Fazendo silenciar
O choro de estranheza
Do despejado de teu ventre
Sirva-lhe ainda quente
O néctar da vida
Da glândula em flor
Desabrochada em teus seios
Cortaram-lhe o cordão
E já não mais está em ti
Paristes teu filho
Mas não o teu destino
Proteja-o sob as tuas asas
Até quando puder
Mas quando aprender a voar
Entregue-o ao Criador
E reze...
(Nane-25/03/2015)

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Poemas

193

AMOR PERFEITO


Quero nosso amor assim
Exposto e esparramado
Gritado livremente
Aos quatro ventos

Quero mostrar ao mundo

O maior dos meus sentimentos
Sem ter que esconder
Teu nome de ninguém

Ah...e me pedes segredo

Não permites fotos
Torna-te invisível
Quimera minha

Foi só brincadeira

Da tua parte
Amor escondido
Desejos incontidos

Num mundo só nosso

Sem nenhum vestígio
Que por causa do meu querer
Desmoronou, acabou

Inventamos demais

Amamos demais
Cobrei demais
E você brincou demais

Não quero mais nada

Que não seja concreto
Firmado e cimentado
Na calmaria segura

(Nane - 17/06/20145)


*Arte de: Luis Videira

466

MUMIFICAÇÃO


Cerraram-se os olhos
Que outrora fascinaram-me
Calou-se a voz
Que palavras de amor
Um dia me falou
Então te olho
Sem conseguir ver
Nenhuma expressão
Frieza total
Sentimentos mumificados
Setenta eram os dias
Que os egípcios levavam
Setenta vezes sete
Vidas encarnadas
Talvez leve eu
A amargura tirânica
Em doses balanceadas
Consumindo e transformando
A alegria de viver
Numa tsuname do Nilo
Mumifiquei meus sentimentos
E desenhei seu rosto
No sarcófago faraônico
Largado e esquecido
Numa pirâmide perdida
Já não há mais sofrimento
Nem mesmo há curiosidade
Só a frieza no semblante eternizado
E a amargura nas palavras ditadas
Pela múmia da desventura
(Nane - 17/06/2015)

*Arte: Lucia Momia Lucia

339

POETA DE LATRINA


Maldita a hora em que me fiz poeta
De esquina
Nas saídas dos bares
Nas madrugadas
Agasalhando no peito
As dores do mundo
Apiedando nas palavras
Da própria insignificância
Por não conseguir sorrir
Das desgraças embriagantes
Num copo interminável de cerveja
Escrevo aos amantes
Palavras adocicadas
Zombando da imbecilidade
De quem nelas acreditam
Sem perceberem que se esvaem
Na mais branda das brisas
Que sopra ao luar
Cúmplice nas enganações
Que todo poeta rabisca
Mais por ego que por convicção
À quem se presta à lê-lo
Então equilibro meus escritos
Entre dores e amores
Sem deixar vazar a verdade
Contida nas entrelinhas
Lidas e não entendidas
Pelos amantes da poesia
Induzidos pelo proxeta
Que lhes escreve sem pudor
Feito um famigerado gigolô
Prostituindo sua vítima
Em troca de seu ego
(Nane-03/07/2015)

477

CORAÇÃO PENSANTE


Dê ao seu coração
Para que ele tenha sobrevida
Um cérebro
Deixe que ele pense
E não haja por impulso
Feito menino mimado
Querendo o que não pode
Dê ao seu coração
A real dimensão
Do que lhe é permitido
E não o deixe decidir
Sem que esteja atrelado
À quem de fato sabe
O que é o certo e errado
Dê ao seu coração
A medida exata da sua liberdade
De escolher a quem amar
Pesando os prós e os contras
Das consequências vindouras
Por decisões tomadas
Sem o equilíbrio necessário
Dê ao seu coração
Se preciso for
A ordem de só amar
Quem também te ama
Para que ele não pereça
E tão pouco refugue
Num pulsar arrítmico
Dê ao seu coração
O diploma de formando
Na faculdade da vida
Que ensina que o amor
Nada mais é do que o costume
De ter alguém ao lado seu
Dê ao seu coração
A verdade, ainda que dolorida
De que o amor é uma ilusão
Momentos de paixão
E só o que conta é a verdade
Da paz criada na sinceridade
De um amor totalmente programado
(Nane-18/06/2015)

426

EFÊMERA EXISTÊNCIA


E essa estranha sensação
De que você é só uma lembrança
Uma miragem, imaginação
E na realidade, nunca existiu
É tão grande a saudade
Que parece mais o oásis
Em meio ao deserto escaldante
Intocável, impossível
O som da tua voz
Ainda tão intacta em meus ouvidos
Talvez nada mais seja
Do que o vento sibilando
E toda a nossa história
Gravada no passado
Já parece o conto de um livro
Fechado e terminado
O toque das tuas mãos
Já não sentidas pelas minhas
Restando só um calor perdido
E tão pouco aproveitado
A vida é tão sem sentido
Que só o que conta é o próprio sentido
Que a gente quase nunca percebe
O tempo certo de sentir
Então chega o grand finale
E o concreto se desfaz
Subjetivamente fazendo desabrochar
O efêmero (in)existente
(Nane-03/06/2015)

374

APENAS UM LEGADO


Queria te deixar
De legado o meu amor
Que se mal me fez
Me mostrou o paraíso
Tal qual o príncipe hebreu
Não me foi dado o direito
Da terra que emana mel
Por todos os meus defeitos
Mas ainda assim
Queria te deixar
De legado o meu amor
Que é eterno e sem fim
Só uma coisa, mais que o meu amor
Eu queria te deixar
A certeza do desejo
Da felicidade plena
Meus olhos já não veem
Mas o coração ainda sente
E se eu soubesse rezar
Pediria para Deus te abençoar
Queria te deixar
De legado o meu amor
E agradecer o infinito
Nos momentos em que tive
Um pouquinho do teu amor


(Nane-08/06/2015)

397

SEGREDO SEPULTADO



Quem é você
Que arrebata meus sonhos
Ditando meus desejos
Jogando fora a adrenalina
Sangrando as glândulas surreais
Quem é você
Aflorando meu drama
Tragicômico e desmedido
Num palco sem plateia
De uma peça shakespeariana
Quem é você
Que num silêncio devastador
Estoura meus tímpanos sem pudor
Com palavras em flechas certeiras
No mortal ato do desengano
Quem é você
Que exerce esse poder maligno
Mesmo sem saber
Enterrando fantasias e aspirações
Sem ao menos sentir culpa
Quem é você
Que insiste em não perceber
O vazio do meu mundo
Sem cores nem anseios
Pela falta de você
Quem é você
Que escarna meu cadáver
Sob os devidos sete palmos
Num sorriso de alívio
Pelo segredo sepultado

(Nane-16/06/205)
*Arte de: Áurea Seganfredo

352

PLATÔNICA DEMÊNCIA


Na loucura dos meus dias
Insisto em te procurar
Nas molduras do infinito
Linear do céu com o mar
O horizonte me oferece
Teu rosto no crepúsculo
Enquanto a alvorada
Traz tua voz no canto da passarada
Demência ou paixão
Loucura ou razão
Pouco importa
É só o meu jeito de ter você
Na noite e no dia
Em tempo integral
O pensamento é meu
E nele mando eu
Você tão distante
Ainda mora em mim
Mesmo não querendo
É teu meu coração
Platonicamente eu digo
Que poeta nunca fui
Mas o amor, esse demente
Me fez enlouquecer...e te escrever
Que importa o toque
Se teu cheiro está em mim
Que importa se não me amas
Se o meu amor esta em ti
(Nane-22/05/2015)

295

VINGANÇA ARTICULADA




Que pretensão a minha
Acreditar no amor
Fruto de uma mentira
Semente de uma verdade
Que ingenuidade a minha
Não perceber que a vingança
Se camuflou de sentimento
E mais do que a mentira, enganou
Que fragilidade a minha
Ao me deixar envolver
No visgo pernicioso
Que sufoca e faz doer
Que tristeza a minha
Não conseguir me desvencilhar
Não deixar de amar
Quem de mim só quis zombar
Que loucura a minha
Desse jeito me entregar
E ver passar a vida
Sem conseguir nada mudar
Que vingança a sua
Pensada, pausada e articulada
Com toda a maestria
De um mestre vingador
Que triunfo o seu
Que no mais vil dos sentimentos
Conseguiu matar em mim
A vontade de viver
(Nane-25/05/2015)
*ARTE DE: ISABEL PADRÃO
TÍTULO; A VINGANÇA SERVE-SE FRIA - 2011

365

A DANÇA DAS PALAVRAS


Dançam na mente as palavras
Que fogem e se recusam enfileirar
Na poesia que eu queria escrever
E ao mundo, mostrar
Divertem-se comigo as palavras
Que mostram-me a poesia
Mas deixam claro que são delas (palavras)
A supremacia da autoria
Aí bate o cansaço
E me irrito na impotência
De não saber traduzir
A beleza da poesia escondida
Dançam a dança lírica
Enquanto eu apenas vivo
A poesia oculta
Em mim segredada
Isso faz do poeta
Refém de si mesmo
E das palavras, potentado
Do meu mundo não revelado
(Nane - 30/05/2015)

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joaoeuzebio

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO