Elian (Nane)

Elian (Nane)

n. 1959 -- --

n. 1959-09-09, Rio de Janeiro

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A MORTE DE UM SONHO


Meu sonho adormeceu
No seu silêncio devastador
E entorpecido liberou
A realidade que me compete
Pede coragem a vida
E outros sonhos vislumbram
Enquanto no limiar da loucura
Descansa o principal
Pedem passagem os novos
Para alimentar a vida
Enquanto adormecido o fatal
Não liquida com a mesma
É briga de foice
Da ilusão com a realidade
E não só adormecer
Um é preciso morrer
Ou o sonho mata a vida
Ou a vida mata o sonho
Deixá-lo apenas adormecido
É transformá-lo em pesadelo
E sonho que não pode ser sonhado
Pede adaga afilada
Cravada com força nas entranhas
Enquanto entorpecido
(Nane-31/03/2015)

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Poemas

193

MEU ACONCHEGO




É no seu corpo que eu viajo
E me perco nos seus braços
Onde me sinto segura
Dominante e dominada
Sou mulher, sou menina
Eterna apaixonada
É no seu corpo que me realizo
Extasiada de prazer
E adormeço enternecida
Por seus braços protegida
E no carinho das suas mãos
Desperto em meio a emoção
De te ter ao lado meu
De me sentir inteira sua
É no seu corpo que eu me revigoro
E me torno sua amante
No clímax de um encaixe perfeito
Que me prende no seu peito
Onde escuto descompassado seu coração
Pulsar como numa explosão
De amor...de puro prazer
É no seu corpo que tremo
Me avolumo e me acho
Me completo e me desfaço
E só termino quando durmo
No abraço dos seus braços

(Nane- 10/05/2011)

382

QUE TEUS OLHOS POSSAM VER


Olha teus olhos a pureza
Despida da maldade

Qual a veste da tua alma

Senão teu nu exposto

Fez Deus a criatura

Sem nada a acobertar

Olha teus olhos a pureza

Despida da hipocrisia

O nu é tua essência

Gritando liberdade

Vomita tua perfídia

Expõe tuas vergonhas

Olha teus olhos a pureza

Do teu próprio ser

Quem sabe se depois de te conhecer

Entenderás o que é ser nu

Dispa-te da ignorância

Inunda-te da arte

Olha teus olhos a pureza

Do nu na beleza da poesia...

(Nane-24/04/2015)

366

MULHER DE CARGA


Mulher culpada
Da culpa de ter
A marca na alma
De ser mulher
Carrega seu fardo
No corpo nu
Em plenas avenidas
Do país que te oprime
Mulher de cargas
Pesadas e à mostras
Para quem tem olhos
De ver e entender
Mulher coragem
De expor seu corpo
Aos olhares curiosos
Que quase sempre não veem
Mulher bonita
Em todas as suas formas
De alma livre
No corpo atada
Mulher de carga
Altamente explícita
Na força explosiva
Da sua ARTE
(Nane- 11/05/2015)
*Foto de: Bárbara Avelino

358

O PALHACINHO FREDERICO


Era uma vez um menino
Que adorava os palhaços
Lá da televisão
Tinha tanto medo o menino
Dos palhaços de verdade
Que preferia observá-los
De longe...bem de longe
Pensava mesmo que eles tinham
Aquelas caras pintadas
Dia e noite, noite e dia
Mas ainda assim gostava deles...
Veio o dia então
Que o menino percebeu
Que o palhaço era homem
E medo não precisava ter
Palhaço agora, ele queria ser...
A vó, que palhaça também era
Pintou sua carinha
E o menino no espelho
Se viu como um lindo palhacinho!
Tão feliz ele ficou
Que não quis tirar a máscara
Os flashs pipocaram
E para todos ele posou
Com um sorriso de felicidade
Do palhaço Frederico...
Adormeceu o palhacinho
E sonhou com as palhaçadas
Acordou de cara limpa
Contando pra todo mundo
Que fora palhaço por um dia
E que isso, por certo virou poesia.

(Nane/11/05/2015)

366

FELIZ DIA DAS MÃES


É o dia hoje
Amanhã não mais
O mundo me toma
E eu me jogo de cabeça nele
A merda toda
É ver meu filho
Fazendo o mesmo
E me deixando de lado
Choram os filhos
Que já não têm mães
Presentes olhados
Nos shoppings não comprados
Choram as mães
Que não ganham presentes
Por não terem os filhos
Presentes partidos
Hoje é o dia
Das mães comerciais
Em doze vezes facilitadas
As prestações creditadas
Filho de meu ventre
Filho de minha alma
Se sou mãe de um dia
Não sou mãe sua
No dia das mães
Sou filha fundida
No ser e no estar
Do antes e o depois
E se bem isso faz
Que seja feliz
Esse dia infeliz
De um só dia
(Nane-09/05/2015)

300

VÍSCERAS MISTURADAS


Exponho as vísceras
No meu desespero
Que grita teu nome
No meu silêncio
Dentro de mim
Se fez tsunami
Sacolejando meus órgãos
Misturados e sem lugar
Esvaindo o sangue
Jorrado em lágrimas
Salgadas e adocicadas
Com cheiro nauseabundo
O pulmão enegrecido
Comprimindo o coração
Perdidos no fog da fumaça
Do cigarro companheiro
Bate nas costas e cabeça
Não sei se cérebro ou coração
Só sinto o pulsar insano
Da saudade do teu corpo
Rasgo com minhas unhas a minha pele
Na esperança de ver aliviar
A pressão dessa dor que me consome
E fugir da tua opressão
O peito já não sangra mais
Na cirurgia da triste poesia
Só não sei o que deve ser extirpado
Pra tirar você de mim
Onde está meu coração
Nessa arritmia dos meus órgãos
Atrás da penumbra dos pulmões
Ou no cérebro ensandecido
Pouco importa isso agora
Sou retalho do que fui
Exposta e a venda na xepa
Dos mortos vivos por amor
(Nane-11/05/2015)
*ARTE: Espuma, latex e acrílica s/ papel de:
Bárbara Avelino

303

DIEGO FREDERICO


E num dia (noite) sete
Num mês de maio
Três anos atrás
Cercado de ansiedades
Dos pais, avós e tios
Chegou o menino...
E sem pedir licença
Invadiu corações
Tomou posse da gente
Assumiu o seu trono
Virou rei menino
Coroado de alegrias
Fez do quintal
O seu reinado
Onde em dia de sol
Brinca sob a chuva
Se sujando na lama
Planta e colhe
Brincando e contando estórias
Nas suas reinações
De menino real
Correndo pelo quintal

Marrento menino
Que anda de skate
E faz manobras radicais
Ralando os joelhos
E roxeando a bundinha
Mas sem nunca desistir
Da manobra completar
Hoje é o teu dia
E eu te deixo de presente
A minha poesia
Para quando você for homem
Morrer de vergonha
Da vó que te escrevia
Meu pequeno parceiro
De jogos e brincadeiras
De vida e da eternidade
Vovó te abraça
E deseja de coração
Toda e a mais completa felicidade
♪♪ Parabéns pra você... ♪♪
(Nane/vovó-07/05/2015)

343

O PEQUENO CONTADOR DE ESTÓRIAS


Hoje me dispus a observar
A esperteza e a malemolência
Do pequeno 'grande' Fred
No seu mundo de imaginação
Deu-me de presente algumas pedras
E me disse para guardá-las
Pois as trouxera de muito longe
Apenas para me ofertar
Sorrindo, as guardei nas mãos
Mas ele não se contentou
Disse que eu as pusesse na gaveta
Que era mais seguro
Assim fingi que fiz
E ele se foi para novas estrepolias
Mais tarde, veio me dizer
Que viu um helicóptero vermelho
Sobrevoando nossa horta
Jogando nela sementes
E que agora vai nascer
Muitas verduras fresquinhas
Vindas do céu para a gente plantar
E comer no jantar
Surpreendi-o falando sozinho
Sentado num cantinho do quintal
Ele então me apresentou
Seu amigo invisível
Nome não tinha
Era apenas o 'amigo'
Que quando se cansou
Despediu-se e saiu
A noite 'acordou'
E a gente precisa ir dormir
Um banho quentinho ele tomou
E começou a cochilar
Antes de adormecer
Me disse bem baixinho
'Vovó, guarda bem o seu presente
Que são pedrinhas de estorinhas'
Ajeitei-o na caminha
E corri lá no quintal
Juntei algumas pedras
E guardei-as na gaveta.
(Nane- 03/05/2015)

328

LOUCURAS






Onde está você?
Senão dentro de mim
Entranhado em minhas vísceras
Exposto no meu corpo
Fazendo parte de mim toda
Me amando, me odiando
Tão lindo e tão meu
Amante e amigo
Louco e desesperado
Querido e idolatrado
Amado e desejado

Me deixa te amar
Sem mais nada te pedir
Amanhã na madrugada
Me afasto, vou embora
Te deixo adormecido
Sem saber se sou real
Se sonho ou pesadelo
Apenas imaginação
De uma louca ilusão...

(Nane-25/05/2011)

396

LAPSOS DE MEMÓRIAS


Olhando um nada tão distante
Procuro por um só ponto
Que me traga de volta
As lembranças de mim.
Um vazio tão cheio
Circunda meu ser
Perdido num nada
Vagando sem esteios
Feito alma penada
Em meio à pessoas
Tão ansiosas como eu
E desconhecidas.
Já fui alguém
Que amou e foi amado
E que agora apagou da memória
Toda a sua história.
A infância perdida
Embora vivida
Guardada em algum lugar
Que não na memória
Ativa em mim.
A mocidade com amigos
Quem sabe, com amantes
Ou mesmo, amores
Também escondida
Num canto qualquer
Da falha memória.
O espelho me diz
Que meu tempo se acaba
Na curva descendente
Do semblante envelhecido
E das mãos enrugadas
Pela maturação presente
E a memória ausente.
Lapsos incandescentes
Feito estrelas cadentes
Passam e deixam rastros
Dizendo ser aquelas pessoas
Quem dizem que são
Na minha vida vazia
E sem raiz nenhuma.
Demência ou loucura
Sumiu meu legado
Ainda em vida...
(Nane-28/04/2015)

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joaoeuzebio

A VIDA INCERTEZAS E A ESPREITA DE NOSSOS DESEJOS BELO POEMAS UM ABRAÇO