E se eu não souber mesmo nada sobre mim,
vou recolhendo os pedaços dos mundos de cada caminho.
Vou criando minhas vozes, meus olhares, meus passos.
Sussurrando para a vida nunca me deixar esquecer de viver.
Viva, sem diferença no ser e no não ser, dicotomia maldita das vidas amortecidas. Sem querer viver mais assim, tão doído, Peço: Entidade que me guada a existência, petrificada dentro do coração que me judia, sangue invenenado, Deixa eu ficar, dormido em mim. Me priva do mundo que não me conheço, que não me conhece. Me deixa, em qualquer sonho mais vivo, mais algo, mais que esse não sei o que morto, que acidifica a vida e a condena em potência infinita.
Viva, sem diferença no ser e no não ser, dicotomia maldita das vidas amortecidas. Sem querer viver mais assim, tão doído, Peço: Entidade que me guada a existência, petrificada dentro do coração que me judia, sangue invenenado, Deixa eu ficar, dormido em mim. Me priva do mundo que não me conheço, que não me conhece. Me deixa, em qualquer sonho mais vivo, mais algo, mais que esse não sei o que morto, que acidifica a vida e a condena em potência infinita.
558
Distâncias perdidas dentro de mim
São essas distâncias... Essas distâncias secretas em suas origens, nas quais meus olhos sempre se perdem... Essas distâncias que guardam tudo, tudo o que acredito, mas não necessiariamente entendo. São nessas distâncias em que me guardo, em que paro de viver na respiração...
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Poema de um amante bobo (é bobo o amante ou o poema)
Mas como explicar para ele, Suplicando em lágrimas, Risos trágicos desesperados, Em seco. Preciso que me ame. Poderia me amar, por gentileza? Sabe, eu preciso que você me ame, Porque parece que sabe dessas coisas. Desse não sei o que, amor? Amar assim do jeito torto que sou, podia? Sem tentar consertar, Segurar delicado o coração, Amar direito. Enfiar a mão pelo encontro do olhar, Puxar a alma para fora, Coloca-la no lugar? Mas depois não ir embora, Não abandonar. Contar lugar onde encontrou a alma, Caso aconteça de ela me perder, Se perder naqueles lugares secretos Dentro de mim. Aí, não esqueça, Me amar tem o risco de ter cuidar, Para eu não descuidar de mim, Me guiar toda torta, Acreditando em rumos errados, Emaranhando em distânicas Sem sensos de volta. Mas você poderia me amar então, Assim? Sabendo que tão pouco sei de amor.
528
Corro
Do que corro? Quando busco alguma coisa... Quando ando tão depressa, Quando respiro tão pezado, Quando sofro tão compulsivamente, Imcompreensívelmente.... Do que corro? Quando arfante, Passo pela vida tonta, Quebradiça, impossível de se realizar. Do que corro? Quando deixo de saborear, Quando nem mesmo experimento, Quando morro tantas vezes, Em cada segundo. Do que corro? Quando busco desesperadamente, O amanhã, Quando obcecadamente, Corro. Correndo assim, em direção a algo, Na necessidade desconhecida de algo, De encontro a algo....
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Monólogo de encontro às almas disfarçadas libertadas pelo incenso
Monólogo de encontro às almas disfarçadas do incenso Ela acorda nas segunda sem a perspectiva de início de semana, então permanece com a existência entre os cobertores e reza para qualquer divindade possível faze-la voltar a sonhar, qualquer sonho, em qualquer vida. Mas algo da humanidade a faz praticar a vida de pé. Ela refugia-se em fantasias para suportar os dias que tem apenas a si como companhia. Foi sempre muito difícil viver ao seu lado, ela nunca fora muito simpatizada consigo própria.
E é entre as segundas e as sextas que ela debruça sua chance na névoa cigana do incenso, a ordem espiritual contida na fragrância e o movimento fluido do espirito enevoado à fazem esquecer de si mesma e do precoce sacrificado destino. Mas por que tão doído, sempre se pergunta. A resposta sempre vem de dentro e em tom de desgraça. A praga amaldiçoada é a vida para aqueles que não compreendem o que são.
E ela não compreende, e por essa razão, passa a vida encolhida nas obscuridades dos mundos que criava, na tentativa de esquecer de si, desviar-se o caminho da dor que a si mesma deposita. E como uma ostra que lima beleza transcendental sob a perspectiva da fuga contra invasores audaciosos, sua pérola é quando encontra pelo caminho existências desconhecidas pelo homem.
Coisas que só ela percebia, mas que estavam tão belas no mundo, como poderiam eles não perceber? E como não percembem eles, a melancolia de maré do acordéon engolido pelos seus olhos, todas as vezes que lhe perguntam como está e ela sabe que não querem mesmo saber.
Não. Eles não estão é prontos. Apesar da crônica amaldiçoada , ela tem vícios que só coisa de espírito de outros mundos. Mas dói, sempre dói. Mas por que tem que ser assim tão doído? A vida e seu teor sarcático e embebecido de misérias auto explicativas, felicidades desamparadas e tristezas desesperadas. Ela sabia das coisas, mas era triste. Era, porque morreu. E ainda morre, todos os dias.
488
Cada passo, só vida.
Onde está minha poesia? As palavras, aquele não sei o que, inspiração? Terá um alguém, algo, entidade, capaz de me fazer compreendida, povoar o mundo melhor do que faço, sabendo cada passo, sem precisar morrer para viver cada dia? Cansada demais de não me saber, não me entender na vida, Cavo cova para enterrar o que já em mim muito já está morto. Chance? Judiar menos, mais amiga, acreditar em algo. A nova de mim, encontrarei pelos caminhos, farei de pedaços menos desbotados, sem tantas necessidades doloridas. No convento da mata me anuncia, aquilo que me falta, que me justifica ainda viva. Que eu me dê tudo de mim, que eu seja tudo o que eu tenho, que não seja pergunta, nem procura de responta, que seja e simplismente seja, sem hematoma, sem agnonia, Só vida.
555
Só ele
é mal, não cuida, não zela nem não ama. Permanece espectador, deixa amar, sofrer. Ele mesmo, não ama. Ele à encontrou semi enterrada, declarou descobridor, largou, não salvou. Não contou onde ela estava, onde está. Guardou segredo, é maldoso ? Deixou que ela ficasse sem se descobrir, sem se saber, sem se amar, se conhecer. Um dia algum outro a achar, contar o lugar exato, até mapa, rota, o caminho. Podia?
558
Pirilampos
Se o vaga-lume é isso, pois vaga, pois lume, o que eu seria se, se eu nada, se eu.... Declamo frente a luz de qualquer chama abandonada, meu próprio destino. Poesia em que um alguém aqui dentro de mim relata a vida de uma pessoa morta. Meu episédio, minha poesia é declarar a minha vida todas as vezes que eu morro.
346
viajante do absurdo
Viajante do absurdo, pede alforria para o mundo. Autofagia em senso desesperado, fagocitou seu coração, na esperança de algo novo dentro de si. Silencia a maldição monocromática, se afogando em vícios inventados. A criação, último ato desesperado, ir por um caminho cego em busca de cores. Nesse jogo de perdas e sonhos, incorpora sua própria melancolia, força a face dolorida de fingida em alegria, para não ter que desabotoar suas vergonhas e cuspir sua tristeza para um mundo ocupado com outros absurdos.
347
Deixar de ser dura
Se reconhecer apenas na tristeza, balbuciar palavras chorosas, quando o que queria mesmo era riso. Sofrer por costume, por não saber mais coisa nenhuma. Gostar de experimentar os dentes em riso, fingir felicidade momentânea. Esperar que ela seja tornada real, mas não torna, não dura. Será que um dia, a alma esquece de ser triste, deixar de ser dura? Podia viver sem ser obrigação dolorosa, sentença, condenação, Seria?