Liberdade
Liberdade... Ao me permitires passear no teu mundo No teu território Na tua pele Na tua casa Abri meu coração. Adorei cada momento Cada onda Cada porta que abriste. Prometo nunca te invadir Adoro quem és Quero a liberdade que há em ti Para sempre. (Emílio casanova, "Coisas do Coração" )
setembros
setembros manto solar estende desenrola seus raios espreguiçando seus membros em ruas da cidade joga o claro escuro das janelas das portas num esconde esconde de amanhecer como convite ao acordar adormecer enleiam-se braços trocam-se corpos numa simbiose formal de encontro sem chama num ato de despedida da cama maria reticente bem acordada de insónias visitada aguarda não por amor por nada baila na cabeça madrugadas de incertezas criança, livros, escola roupa vai e vem estelar que certezas iluminam suas alvoradas pão carne batatas feijão casa gás luz que cava a insónia para lá da televisão que tudo se reduz sentir a vida em contramão saber o josé desempregado anita sem abono salário em redução diário malfadado josé não tenho não amor foi guardado em armários de aflição resta rezar a fátima que me segure o patrão Emílio Casanova, in "ninguém compra"
Sonho
Sonho... Da paixão, dos afetos, dos teus sorrisos, construo um sonho. Caminho no tempo de horizontes, vividos, limados, escurecidos, de enlouquecidos fantasmas que subjugaram o consciente, adormecendo sentimentos, calcando emoções de percursos tortuosos, foragidos da sedução da vida. Sonho o caminho das tuas mãos, a maciez do teu peito, a rigidez dos teus mamilos sobre o meu rosto. Solto os diabos enraivecidos, os fantasmas carcomidos, ateio fogo à floresta e voo na brancura alva do teu ventre, passado, futuro e presente. Emílio Casanova, "Coisas do Coração"
Foste
Foste Partiste na altivez Porte armado Olhar certeiro Anti fagueiro Contra a paz domingueira Deixei-te voar Nesse teu ar seguro De certeza das causas vencidas Entreabri conventual portão Dum amoroso casulo Coração cansado de heroínas Cobertas de vento De espuma Seguras de recantos Ressabiados Amores passados Emílio Casanova, Coisas do Coração
Oásis
Oásis... Nas curvas do teu corpo Dunas de praia deserta Busco eterno oásis secreto. Entro em ondas de maré cheia Espumas de mar salgado Árvore de amor maduro Fruto ancestral proibido Perpétuo jardim de sonhos Onde me enredas na tua teia. Paraíso de orgias dádivas Entregas nunca acabadas Porque me levas em teus orgasmos Me tornas escravo desse jardim Me prendes ao eterno fim. Emílio Casanova, "Coisas do Coração".
Limites
O céu não tem limites Não tem esquinas Nem retas Só curvas Dizem os poetas (Emílio Casanova, "Coisas da Mente")
Amar
Amar Morre-se lentamente por não amar Vive-se eternamente na esperança duma paixão Ardentemente se espera pela primavera Procura-se entusiasmadamente um amor de verão E porque não porque não Um amor de inverno sem canseira Onde os corpos se unem numa construção Inigualável doce entrega de maneira Que o amor renasça na primavera Frutifique no verão Transforme a vida acenda a paixão Emílio Casanova Coisas do Coração
A Festa do Silêncio
A Festa do silêncio Sinto os sons que me rodeiam Na alvura dos silêncios das nuvens Na espuma líquida do mar Procuro vales do silêncio Onde o sol costuma mergulhar. A música do pensamento Vem em festa o silêncio festejar No ar espreguiço meus braços Agarro os sons do momento Na esperança de os ver dançar. Sobem folhas rodopiam folhas Crianças silenciam jogos de agarrar Flores calam fundo amores Reina o silêncio na hora Beijos silenciam dores. Calai-vos, chegou o silêncio Da bela aurora. Emílio Casanova, "Ninguém Compra"
Curvas
Meu amor, no amor não há retas nem curvas, as curvas ficam retas as retas ficam curvas. Emílio Casanova,"Coisas do Coração"
Poema
Seres Poema e não Poeta Belo desafio esse Viveres como poesia Desde o dia em que nasceste. Seres luar e raio de sol Batida de asas de beija-flor Sorriso de mãe com amor. Seres flecha de cupido É bem melhor Que escrever poemas de improviso. Seres seiva de caule florido Olhar de criança embevecida Amor de casal apaixonado Sangue de toiro enraivecido É bem melhor Que palavras sem sentido E poema metricamente ordenado. Para onde vais tu caminhante Se és caminho passageira viajante Se és Nuvem deslizando no horizonte Da Natureza pertencente Voa poesia voa docemente Para os braços do poema amante. Emilio Casanova, "Coisas do Coração"