Emílio

Emílio

n. 1944 PT PT

n. 1944-06-25, Loulé

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Liberdade

Liberdade...

Ao me permitires passear no teu mundo

No teu território

Na tua pele

Na tua casa

Abri meu coração.



Adorei cada momento

Cada onda

Cada porta que abriste.



Prometo nunca te invadir

Adoro quem és

Quero a liberdade que há em ti

Para sempre.

(Emílio casanova, "Coisas do Coração" )

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Poemas

43

Poesia II



Janela entreaberta no instante ,

flash do momento ,

rompe de improviso

flui absorvente

ocupa o pensamento.

Perene e viva

joga na essência das palavras

poder das emoções,

dos sentimentos dos ódios

das mágoas,

dos amores das desilusões.

Atravessa tempos

continentes gerações

num mundo sem servidões

sem tropas armas canhões.

Constrói uma teia,

avessa a multidões

abraça o sonho a magia

a imaginação e toca-nos docemente

na vida de cada dia.

Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
601

De mim





Tive uma avó como toda a gente,

uma bisavó como ninguém

tinha saias até ao chão,

cheirava rapé,

nasceu no século desanove

e não tinha vintém.

Ensinou-me a acreditar

que deus não existe,

os santos também não,

que o diabo atenta,

e que fátima só

acredita o cristão.

Pediu-me pra
não roubar,

pra não matar,

pra não maldizer,

e nunca humanos, animais e plantas

desconsiderar.

Abriu-me portas de catedrais

palácios de conviver,

deu-me asas de longo alcance,

visão de pássaros urbanos,

iluminou-me os vales do saber,

contando-me histórias

de quem não sabia ler.

Amou-me como minha mãe,

despediu-se como se voltasse,

encontro-a vezes e vezes

nas retas da decisão,

Maria foi seu nome,

vai e vem nas vagas do tempo

nas curvas do coração.

Emílio Casanova, in "ninguém compra".
513

De mim III



tive um "Zé" como vô

pequeno magro e teimoso

tinha um olho castanho outro esverdeado

nutria amor pela república

era laico por fervor

anticristo sem temor

e odiava salazar ditador,

fazia sapatos

plantava couves cenouras e batatas

andou pelas linhas da

ferrovia,

enviuvou d'uma viúva

com quem se juntou

que lhe dizia...Zé faz isto...

faz aquilo...Zé não fazia...

fez-lhe três filhos uma vez

como quem diz...aqui tens...

morreu feliz aos noventa e seis

apertando-me a mão

como quem pede perdão

por males que não fez...

Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
449

ilusão

trago em minha mão
na palma gravado
curvas lidas
por sinasde incompreensão
sulcos de solidão

trago no meu rosto
rugas de cansaço
que inundam meus olhos
buscando no seu traço
leitos de rios navegados
cúmplices de prazeres
na memória do tempo

trago na minha boca
o sabor amargo doce
dos teus lábios
feridos de solidão
marcados de ilusão
em ilusão

Emílio Casanova, in "Coisas do Coração"
468

amor amor amor

amor amor amor
de que tu és feito?
brigas zangas amuas
tão imperfeito amor..
esqueces voltas perdoas
tão perfeito...só tu amor
que sabor teria a vida
sem ti...AMOR
Emílio Casanova. in "Coisas do Coração"
548

Tudo

Tudo trago no meu peito

Todas as pessoas que conheci

Todas as ambições que sonhei

Todos os erros que cometi

Todas as paixões que adorei

Todos os lugares por onde passei

Todos os portos onde desembarquei

Todas as ilusões que alimentei

Todas e todos estão sempre em mim

Bem dentro do coração

Tão cheio que está sempre aberto



Emílio Casanova, in " Coisas do Coração"
491

Solidão

Solidão

Reencontramo-nos no amanhecer

Desespero agitado no breu noturno

Gravado veneno do consciente profundo

Culpas que carrego em desalinho

Desamantes adiados desordeiros

Amargo caminho sem futuro destino

Oceano de solidão

Campo infértil de perdão

Emílio Casanova, Coisas do Coração
421

sem título

Sufocas-me com teus sentidos

absorventes

vigilantes desconfiados incrédulos

caminhas no sentido da contramão

interiorizaste nos propósitos a postura

inflexível dono patrão.

Coloca os inversos na tua mente

percorre-te pelo teu consciente

passado o labirinto terás a coragem

assumir os erros passados

passar adiante confiante.

Não te percas no ciúme

na posse

no só para mim.

Terás eternos amores

se acolheres a dádiva do perdão

liberdade dos sentimentos

frontalidade da verdade,

se não enganares teu coração.


Emílio Casanova
480

amei-te uma noite

amei-te uma noite...
quando a janela se abriu estilhaçando
silêncios monotonias e pausas...
corri apressadamente com inimigo
vento na mente,
a calma da aurora queria silenciosamente
sossegar a agitada noite dos amantes,
deixei-te enleada na alvura de lençóis
amarrotados pelo esforço caloroso
da noite comungada nos nossos corpos
vivos de alegres amorosos,
fechada a janela como quem guarda
um segredo ...
voltei a ti voltei a mim
na procura do silêncio descansado
do amor partilhado,
reencontrei-te na encruzulhada de uma paz
de repouso, e de ãnsia de uma nova refrega.... entregámo-nos como se o dia fosse acabar,
nem os vidros estilhaçados da janela
que o vento matinal primaveril,
quebrou união poderosa de dois corpos em extâse
Emílio Casanova, in "Maria
470

Mulher

Mulher...

Jovem mulher "gazela"

Transportas na pele

Um suave doce odor

Quisera eu sonhar, pura donzela

Viver o grande amor.



Jovem mulher "felina"

Carregas em ti

Nas formas do teu corpo

Beleza

Duma sempre menina.



Jovem mulher "poeta"

Ensina-me a forma

A alma da letra

Lê para mim

Versos de encantar

Embala-me nos teus sonhos.



Jovem mulher "sereia"

Ninfa da minha ambição

Diz-me

Quem te penteia

Neptuno ou o dono

Do teu coração.



Jovem mulher "feiticeira"

Encanta-me

Enfeitiça-me com mistérios

De alquimia

Prende-me nas teias

Da tua magia

Afasta-me da solidão

Presenteia-me amor

Escreve-me poesia

Oferece-me paixão.



Emílio Casanova, "Coisas do Coração"

458

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