ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

23

CRACK DEPENDÊNCIA

Darias à tua vida tamanha estupidez? Seria insensato com tanta altivez? Sairia dos trilhos por inconsequência? Morreria mais cedo em tanta demência? Perderia o sono por abstinência?
Provaria do mal que te leva à falência?

Ele acontece e diz que não fez nada, jura de pés juntos centenas de vezes, não importa as consequências, satisfaz suas demências. Noites e mais noites no abandono, somente te afirma: parei foi este ano.

O que ainda esperar? Anda tateando nas paredes, esse é o teu fim, a droga que te influencia de ti não se aparta, te fere, enche-te de chagas, sangrando-te quase te mata.

Mas é o que a tua fraca carne mais almeja, o que a tua alma negra mais peleja, o que os teus olhos turvos contemplam com nitidez, quando está em ti desperta altivez, perde a lucidez.

Faz-te revolver na imundícia, com os loucos segue no caminho, pés descalços pisa em espinhos, mas quer voltar, quer sair, dá-me a tua mão não deixo-te partir.

Acendo a luz em teus olhos, livro-te do inferno que te chama, no teu corpo, no esqueleto, pele e ossos na lama, ela levou, ela sugou a tua carne, tua dignidade, mas no espírito a esperança ainda clama.
511

INCÓGNITA

Olho pra você e não consigo entender quem sou eu, onde estou, para aonde vou, o que aconteceu, o por quê. Pessoa intrigante, desafiante não obstante difícil de ler, palavras cruzadas, emaranhadas nas bocas caladas nada a dizer.

Nada provado, quase tudo ocultado com receio apegado, de olhos bem fechados ainda consigo ver, sentir com o coração na palma da mão os caminhos em vão, vazios a percorrer.

Neles não há delícias feito as primícias nos dias das primeiras carícias, são acinzentados e desfigurados, sepulcros caiados cheios de malícias.

Estão todos doentes sem médicos e medicamentos, morrerão na mediocridade e nos desalentos, na negrura do medo talvez tarde ou bem cedo em tudo haja sentido para tanto segredo.

Mesmo com o coração esmiuçado, sangrando e chorando, assim sigo andando num dilema sem fim, porque a razão fala mais alto que a emoção dentro de mim.

Leva-me então à esperança de sobreviver como num dia de matança quando os covardes submetem seus criados ao mais duro castigo para depois atravessá-los com uma lança.

Cresce a ânsia de ter tudo revelado não sabendo se o preço é alto ou apenas uns trocados, apenas digo que os valores já foram dados.

Obstinado coração altivo em questão de permanecer na dureza surreal dos acontecimentos, que estão a transtornar a vida e os sentimentos de um amor injustiçado que segue lado a lado a essa incógnita de ventos.
399

QUERO IR

Quero ir, quero partir para um lugar dantes ido por alguém, quero chegar lá e me abraçar e me sentir tão bem em meus próprios braços, em meus abraços ir além.

Quero ir distante, muito adiante do pensamento humano, quero chegar lá e diligenciar meu próprio plano de ser humano para me amar e me cuidar sem necessitar temer o engano.

Quero ir e jamais voltar de lá, ir sem levar ninguém, quero ficar para viver e morrer só como do pó viemos e voltaremos ao pó sem ter olhos que vejam e venham sentir dó de um homem que buscou para si o dom de ficar só.
409

UM AMOR DE VERDADE

Eu somente quero um amor de verdade, que me faça feliz de verdade, para o resto da vida na intimidade, respeito e fidelidade, honradez na maior capacidade.

Nos olhos a luz que ilumine o meu ser, nas mãos a força para me suster, nos lábios o sorriso de uma mulher que me acolha por querer.

Exacerbado coração de blandícias, que aplaque em dias de torpes negruras as adagas que minam carícias.

Adjutora, meiga, dócil e compassiva, clarividente, meu ente, minha comitiva. Aonde quer que eu vá, lá esteja ela, altiva, firme e a mais bela, senhora do meu coração com sabedoria singela.

Nos portos e aportos em seus braços, cativos beijos selam nossos laços com fraternos abraços. O que posso eu te dar por tanto bem que me fará? Dar-te-ei a minha vida, vida minha será.
1 631

NA TÁBUA DO MEU CORAÇÃO

Filho meu, lança mão dum cinzel e entalhe na tábua do meu coração sem dor o poder do amor. Quero viver para amar sem fingimentos, sem tormentos, sem mentiras a perscrutar.

Na luz dos olhos meus minha querida haja vida, puro desejar de vida doando vida, na essência do cheiro suave que embriaga dois corações, duas almas enobrecidas pela razão de amar.

Afague a paz que há em mim em abundância, deleite, sou teu manto, não haverá pranto e nem se apagará o encanto que feliz te faz, quero amar-te, doar-te, e sustentar-te em tudo que for capaz.

Imperfeito do meu jeito, mas fiel e verdadeiro, estará cheio o meu celeiro de Divina gratidão por ti. Quero honrar-te e ser honrado e que esteja ao meu lado, que vivas por mim e eu por ti.
1 713

TALVEZ UM DIA FALEMOS DE AMOR

Talvez um dia falemos de amor, um dia numa dor, dor suave e tensa, imensa dor, onde? Na carne consciência com fervor, sol que queima feito fogo abrasador, ah! Meu amor sofrer assim tem seu sabor, na tenaz sou brasa viva, aquém-calor, tua nudez hipnótica faz laborar beijo sôfrego avassalador, sou vencedor atado em teu umbigo acolhedor, percorro curto espaço, desabrocha virgem flor, ali morro, morro no cume, enterrado vivo adorador, sem culpa, astuto desbravador, haja vida, mas mate-me com sorte favorecida, contudo não me julgue por favor. Dê-me aos céus, não aos léus, embriagado de torpor. Morreria mil vezes nela pela vida que a dou na intensa dor, sem a morte pois o véu da sorte em seu esplendor mata todo forte. 

Erimar Lopes.
1 633

REINO HIPÓCRITA

Os teus escritos e manifestos têm  a essência do cheiro da ruína ó rei, a essência imaculada da miséria instaurada. Tu és um rei dum reino vazio e opaco, teus súditos são os cristais sujos, teus asseclas os recipientes cheios de bebidas fortes. Quando discursas o teu povo te faz aclamado: - Oh, portentoso rei, como governas bem e nos tens feito fecundos e prósperos! Vida abundante ao rei! Não obstante tua rainha são sete concubinas, teus herdeiros os plebeus sectários, a tua herança uma lâmina num pêndulo, a tua sentença é tua crença nas mãos da horda de Nobres salafrários.
1 689

JANELA DA VIDA

Olhei pela janela da vida e vi algo obscuro, mas antes que ficasse nítido o que seria fechei-a depressa, tive medo de que fossem revelados os teus segredos aos meus límpidos olhos. Eles me tiram a paz, fazem doer a minha alma e corroem os meus sentidos, são como os bramidos do leão e dos seus filhotes quando têm fome e a leoa se põe a caçar depois de longos dias de abstinência. Agora olhe por ela você, o que vês? Porventura dias abreviados por causa dos clamores justos ou dissipação dos tempos em virtude das loucuras? Quer vivas ou morras separada estás sem herança, tal qual a serpente que vive sorvendo o pó, mas mesmo rastejante ainda foi reputada como prudente. Se tem olhos turvos não verás detalhes, escancarem-se, abram-se largamente os caixilhos e deixem que vislumbrem os incautos.







1 649

UM SONO PROFUNDO

Quisera eu dormir um sono profundo, mas não o sono da morte, este aínda é muito forte, entretanto um sono profundo paralelo a este universo do mundo.

Um sono fora dos vivos, mas não junto aos mortos, fora das bocas cheias de dentes com os sorrisos falsos, das mãos que acariciam e armam laços.

Longe dos olhares e discursos altivos coisas típicas dos vivos, pois aos mortos não resta altivez, tampouco nas coisas concernentes aos vivos acurada lucidez.

Um sono profundo fora da aluvião das gentes que estão crentes na bondade dos povos, que cessarão com a fome e surgirão na terra como renovos.

Melhor dormir profundamente e não acordar, se o Sol te molestaria teve muita sorte, de não haver nascido e aberto os olhos para não contemplar o sono da morte.









1 512

SERÁ ELA?

Será ela a dona do meu coração que veio para ficar eternizada em mim, com perfumes das flores, me enchendo de amores no lençol de seda vermelho-carmesim?

Ela sabe tudo sobre mim, me cerca e me prende, me surpreende e sempre se rende aos meus anseios, mas me domina e não me recrimina por todos os meios.

Teus seios são meu aconchego, teus lábios meu doce recanto, teu corpo meu labirinto, teus braços meu regaço, teus olhos meu infinito encanto.

Tua cútis leve e suave como brisa de primavera, tua voz um som agradável como notas de uma linda canção na alma, teu sorriso de criança me acalenta e me acalma.

Que venha todo o amor sobre mim da mais pura, santa, e bela senhora da minha vida, dona do meu querer, numa só comunhão, a esposa mais querida.

Ipatinga, 22/08/2018
Erimar Lopes.
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Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema