ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

165

EU NUNCA TIVE NADA DE ESPECIAL

Nesta vida eu nunca tive nada de especial
Ah! Mas creio que até ao fim de tudo terei
Um bom carro que me leve, bom convívio social
Uma bela casa e muitos anos nas costas conquistarei. 

Uma dama que me queira e mais saúde que me importa
Um pequeno sítio com pomar e passaradas na porta
Galinhas no terreiro, porcos no chiqueiro, uma pequena horta.

Meu quintal de janeiro a janeiro, meu cão companheiro
Uma boa montaria, uma vaquinha leiteira, um fogão a lenha
Reunião de família, comida com fartura, abastado celeiro
Um riacho, água que dá a vida, poços, pesca que entretenha
Muita simplicidade, boas amizades, com este sonho verdadeiro.
224

A CADA INSTANTE

A cada instante que um humano ri um outro chora,
A cada instante uma vida longa, outra curta vai embora,
Instantes de eufórica alegria que mergulham na tristeza sem demora,
Os sentimentos de afeto, de carinho, isto pouco colabora.

A cada vitória alcançada numa luta bem travada,
A cada longa caminhada entre uma e outra jornada,
Momentos de reflexão sobre as perdas e os ganhos,
Sobre os sacrifícios em detrimento dos próprios rebanhos.

Um choro sofrido ao que almeja uma atenção mínima,
Os degraus subidos, os graus alcançados aos que rirão,
A cada instante nasce e morre um sonho sem estima,
Em lágrimas de olhos que esperam, mas não sabem se virão.

Ipatinga, 17/12/2018
Erimar Santos.

288

CORAÇÃO GELADO

E eu que fui torcido por fortes mãos,
Quarado em uma pedreira quente,
Secado em varais de solidão,
Dobrado por bocas abertas arrogantes,
Guardado no gélido frio distante.

Que o corpo pela vida foi surrado,
E as marcas nunca hão de desaparecer,
E sem a compaixão dela, melhor morrer,
Se por amor não aquecer este coração gelado.

 

307

PRECISO ENCONTRAR QUEM ME AME

Preciso encontrar um amor que me ama para eu amá-lo
Ele está sempre à minha volta, a  solidão me devora
Eu não posso fraquejar, tenho que saber conquistá-lo.

Será como eu vou a ela chegar? A chamarei pelo nome
Num instante de atenção com o coração na mão
Aproveitarei então para a ela dizer: por amor me consome.

No que eu vou lhe declarar, tenho que atuar e ser convincente
Se ela me escutar, não posso titubear, tenho que ter firmeza
Senão ela retrai e de mim ela se vai desconfiante.

Quero amá-la mais que a mim, completá-la e fazê-la feliz
Pedirei uma chance para mostrá-la para o que eu vim
Quero em meu coração plantá-la como uma robusta raiz.

Quero a ela dar a coroa sem par de um imenso amor
A sentir como a força que move a minha calma
Convencê-la de que eu a posso amar com todo fervor
Honrá-la com todo labor, canção de louvor na alma.
269

FUJAM!

Venham! Venham! Gritam uns,
Se apressem! Saiam! O outro brada.
Mas ninguém obedece, nada acontece.
O que há convosco? Soa a pergunta.
Acaso estais todos loucos?
O que os faz tão seguros? Fujam!
Redarguiram: _quem os fez guias de nós outros?
_Porventura não podemos sofrer o dano? Deixem-nos em paz!
_Um leão sozinho é pouco para conosco.
273

A NOITE

A noite potencializa as mazelas e ofusca os sentidos,
Ainda mais com o álcool dentro dos bêbedos organismos,
E as alucinantes ervas, balas, e doces sugeridos.

A noite silencia os alaridos que se tornam expandidos,
Porque o que se falam ao pé do ouvido, não são gritos,
São gemidos abafados que se ouvem escondidos.

A noite expõe a negrura, excita o medo e a cara limpa esconjura,
O corpo nu, a vadiagem se dissemina, e evidencia na esquina,
A queda do império de um guru que cria fielmente na magistratura.

A noite é morte obscura, dia sem luz, vida fora das estradas,
Visão penumbrada, atrapadas na calada, corre-corres nas escadas,
A noite será longa para o que carrega uma cruz ou tu que dormes,
Mas escuridão curta e sedenta para os vermes multiformes.

Ipatinga, 14/12/2018
Erimar Santos.

3 475

ESFORÇA-TE

O vento leva-te a guerra e te traz a paz,
Vice-versa tanto faz, o importante é,
Seguir adiante e ir atrás do que te satisfaz,
Realizar os teus sonhos que busca por fé.

Querer ver qual é a tua capacidade,
De combater com toda a intensidade,
O que te prende em cadeias virtuais,
O que suga as tuas forças colossais.

Impedindo-te de alcançar as vitórias,
E romper as barreiras em glórias,
Que te darão o reconhecimento real
Do teu total e verdadeiro valor capital.
262

O VINHO É RUBRO FEITO SANGUE

O vinho é rubro feito sangue na veia,
Que a ira bebe ante um sol escaldante,
Inebria e manieta o malfazejo numa teia,
Quando o seu espírito soa arrogante.

O sangue é o vinho da vida do desejo, 
A alma é o indivisível que viaja invisível,
Desligada da matéria em um ensejo,
Se o vinho envenenar um aborrecível.

Numa garrafa cheia de infâmia e paixão,
Duma bebida, Rubra, forte e embriagante,
Por uma mistura que incendeia o coração,
Exala ódio pela má conduta de um amante.
 
 
416

O AMOR A QUEM AMA

Entreter a vida sem alegria com coisas simples do dia a dia, estimular o coração com uma contagiante canção de amor, fazer sentir na pele o toque suave e macio das mãos daquela ou daquele que ama com satisfação.

Ter a certeza de que não haverá a solidão para a tristeza, que a alma estará feliz e segura porque o amor estará ao teu lado, pois se houver algum indício ele será a cura, o amor te guardará em teu seio e não te improperará, te guiará calado.

Não haverá prantos em teus olhos, porque o amor já os enxugou antes, junte os teus molhos de contentamento e jubile grandemente e ame triunfante, abrace fortemente a quem ama e deixe irradiar, aquecer, com esse fogo, viva chama.
283

NÃO HÁ PREÇO QUE PAGUE

Digamos que está tudo bem, que as coisas ainda vão melhorar, que a nossa felicidade vem, basta sabermos esperar, vivamos o cotidiano, tudo que é trivial, nada de excepcional, apenas o que é ordinário, sorriso no rosto, como se tivéssemos um exorbitante salário. Não nos desanimemos, sejamos otimistas, acreditemos não no que vemos, mas sim no que está oculto às vistas, não no que é palpável, e sim no que é intangível, creiamos no invisível. Há tempos e, tempos haverão que a fome abaterá o forte e o pão não será o suficiente, a carne não terá o seu sabor e a gordura não será a causa abundante. O fraco dirá sou forte e levantará e correrá e saltará feito bezerro no cevadouro, e alcançará um prêmio e não o trocará nem o venderá por grande carga de ouro. Os rios não mais irão em direção ao mar, os palácios estarão vazios sem ter quem os possa habitar, as máquinas, as memórias artificiais, a ciência, os sábios desta terra terão que se aniquilar. A vida perdida será a morte para quem a busca ganhar, mas pela perda se ganha a vida e há um preço que tesouro nenhum pode pagar.
249

Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema