ERIMAR LOPES

ERIMAR LOPES

n. 1971 BR BR

Mil Santas palavras constroem. Ainda há tempo.

n. 1971-05-10, Frei Inocêncio-MG

Perfil
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O SÁBIO HOMEM E O GRANDE RIO

O grande rio corre tenso
Águas ligeiras em seu leito
O sábio homem segue manso
Com sabedoria em seu peito.

O sábio homem também ensina
Como andar bem equilibrado
O grande rio não mostra a sina
De quem é levado em seu reinado.

O grande rio é largo e espaçoso
Tenso, mas suas águas navegáveis
O sábio homem é cauteloso
Adverte quanto a convites favoráveis.

O sábio homem vive e viverá
Vigilante, sóbrio, e prudente 
O grande rio jamais admitirá 
Que as suas águas secarão de repente.

O sábio homem e o grande rio
As influências, descrenças, e incertezas
A mente sã e o desvario
O coração firme e a perdição nas correntezas.

Erimar Lopes.

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Biografia

1971

Poemas

120

QUANDO A FÉ FOR TIRADA DA TERRA SEM PRECEDENTES

Quando gritarem e houverem ouvidos desatentos
Quando mostrarem a recompensa dos impenitentes
Quando o choro for a abundância de desalentos.

Quando faltar o braço invisível que tudo sustenta
Quando as vozes dos sábios não forem mais persistentes
Quando a paz que perece se tornar em tormenta.

Quando os passos tropeçarem em si mesmos
E os abraços sem laços se tornarem resistentes
E as vergonhas se manifestarem a esmos.

Quando a justiça retirar de vez a sua venda
Quando a sua espada alcançar seus oponentes
Não haverão fugas, mas livres estarão os da estreita senda
Quando a fé for tirada da Terra sem precedentes.
68

MAMÃE CUIDE DO TEU MENININHO!

Mamãe, mamãe, cuide do teu menininho!
Não vês que ele é tão frágil
E está sempre ansiando um carinho
Mesmo se demonstrando esperto e ágil?

Não retire dele os teus olhos
Por causa do iminente perigo
Não seja negligente nos trabalhos
Vele por ele como um abrigo.

Mamãe, mamãe, antes que ele cresça!
Dê-lhe bons e grandes exemplos
E de orientar sua boca não emudeça
Para que não se perca em caminhos amplos.

Porque mamãe este menininho não fui eu
Tive muita liberdade sem proteção humana
Corri muitos riscos de quem já morreu
Somente Deus me livrou da temida lâmina.
64

SÊ MEU FILHO, APROVADO NISTO

Sê meu filho, carente de amor
Um poço fundo e imenso
Nunca se encha o seu reservador
Sê desse jeito intenso.

Busque meu filho com diligência
No Altíssimo e nas criaturas
Nos irmãos com carência
Nos filhos sem estruturas.

Sê meu amado, aprovado nisto
Não descanse as tuas mãos
Prove Dele jamais visto
Das criancinhas até aos anciãos.

Sê meu filho, morte e vida
Vida abundante no amor sem igual
Morte que vivifica a alma perdida
Morra e viva como ser celestial.

Sê meu filho, uma casa que acolhe
Cujo interior um coração de amor
Jamais seja o braço que encolhe
Negando a quem pede o seu favor.
52

NADA POSSO FAZER QUANTO AO TEMPO QUE ME ARRASTA

Nada posso fazer quanto ao tempo que me arrasta
Nada posso prever do amanhã
Ainda assim agradeço o que me basta
Estar vivo e saudável tal qual uma maçã
Não queria sofrer o que me desgasta
Mas os dias são maus sem um talismã 
A graça é o que me livra e disfarça
E livre sigo vivendo meu afã
Não posso fugir da solidão que me estilhaça
Na esperança de encontrar minha alma irmã
Em minha boca o beijo é uma mordaça
E sem trapaça minha ansiedade é campeã
Por sonhar romper o silêncio nesta carcaça
Onde o arcabouço vive preso a um divã.
71

NÃO É SOBRE MIM

Não é sobre mim
Mas sobre os lobos devoradores
Não é sobre jardim
Mas aos que pisam sobre as flores
Não sou totalmente cordeiro
Mas também não como a carne
Das ovelhas indefesas
Nem quem faz do falso verdadeiro
Não é sobre a fome
Mas aos que furtam
O que iria para as mesas
Não é sobre o homem
Mas aos que negam o Seu nome
Não é sobre a morte
Mas aos que vivem na matança
Não sobre o mal
Mas aos que se alimentam da vingança
Não sobre a solidão
Mas aos que abandonam por herança
Não é sobre a dívida
Mas aos que cobram na abastança
Não sobre o poder
Mas aos que se corrompem por favores
Não sobretudo
Aos que negam tudo sobre amores.

 Erimar Lopes

2 997

DONDE VIRÁ MINHA ALMA PERMANENTE?

É o mundo largo e populoso
Cheio de viventes a bilhões
É o meu mundo silencioso
Um universo de desilusões.

Sou um louco isolado num canto
Pedacinho de mundo sem ninguém
Mesmo alto não se ouve meu pranto
Que preso entre paredes me mantém.

Não vejo além do meu entendimento
Não ser amado como me convém
Se estou só neste triste lamento
Em um grande mundo de além.

Se vou à luta corro iminente perigo
Na disputa por um amor adequado
Se na batalha pode haver fogo amigo
Quando se tem o medo ao seu lado.

Donde virá minha alma permanente?
Se ando como se fosse às claras
Desviando-me do olhar aparente
Confiando nos fundamentos das raras.
450

SOMENTE SEI DE MORRER DE AMOR

Somente sei de morrer de amor não sei, somente morto estarei se não amar morrerei. Se viverei morrendo de amor não sei, se mesmo vivo sem amar estarei vivendo morto. Se amo na solidão ainda vivo esperando compaixão, se o amor ainda vive em mim, não morreu a gratidão. Se a minha esperança é o amor não morrerei em vão. O amor é imensurável, cabe todos nós, a dor que nos causa não nos deixa a sós, a ferida que nos abre cicatriza-se após. A morte não pode aniquilar o amor se vivos amamos, na sepultura perece toda esperança se vivos o amor negligenciamos. Somente sei que de amor viverei, que ele está em mim e se em outro não sei, somente sei que de amor também morrerei, para viver para sempre.
94

HOJE ME É UM DIA ESPECIAL COMO ME FOI ONTEM

Hoje me é um dia especial como me foi ontem. Estou vivo. Apesar das lutas, dissabores, contas para pagar, preocupação com uma ou outra coisa, hoje me é um dia especial como desde o meu nascimento. Sobrevivi à fome, nudez, enfermidades, humilhações, falta de recursos básicos, mas somente tenho a agradecer porque ainda vivo e estou forte. Hoje, assim como se me for dada a esperança do amanhã não me sobrará tempo para murmurações, porque a vida é um dom de Deus. Não importa a tua sorte, não a desperdice, enfrente-a. Porque muitos são vítimas sem terem escolhas, então se você é livre lute e sobreviva. Hoje me é um dia especial, pois olho para trás assistindo o filme do passado e somente sei dar graças se tenho o pão à mesa, a saúde, um lar, onde descansar meu corpo. Não ambicionei coisas grandes, mas me contentei com as humildes, porque o que preenche o vazio na alma do homem não são grandes negócios, eles apenas satisfazem o ego, mas a moderação em tudo é boa. Porque está escrito que tudo é vaidade, que há canseira, enfado, e aflição de espírito naquilo que os homens fazem debaixo do sol.





60

EU AINDA QUERO OS TEUS CARINHOS

Eu ainda quero os teus carinhos, mas muito mais a tua sensatez, espalhaste-me um tapete de espinhos em virtude da tua altivez. Eu a amo e almejo te declarar como nunca antes ouviste de alguém, sou teu esposo, teu par e tua metade mais fiel e sincero como ninguém. Mas deixo você ir, sem ouvir isto de mim, me conservo fiel por acreditar que ainda não é o fim. Prefiro o mar e suas ondas a relâmpagos e trovões, chorar sozinho do que consternar alguém por tristezas e minhas emoções. Sê fiel, mansa, humilde, e cheia de gratidão, busque um espírito pacífico e cheio de reflexão, não aceite mais o vício da ignorância e confusão. Espero um novo início com a tua estrada iluminada, para eu te honrar sem sacrifícios e para te amar numa infinita jornada.
68

NA MULTIDÃO QUANTOS ROSTOS

Na multidão quantos rostos, eu ando e vejo, em ônibus, trens, nas calçadas das ruas, supermercados, bares, lanchonetes, lojas, clubes e etc... . Observo atentamente a cada um que de mim se aproxima, seus traços, seus semblantes, algumas atitudes. Penso do que poderiam aproveitar de mim no que tenho para amar, mas ao mesmo tempo lembro que sou um miserável que não tenho muito a oferecer, que também sou tão carente de amor como muitos deles na multidão. Mas sinto em mim algo tão diferente, principalmente quando estou em um hospital, quando recordo que ali sofrem as almas, não importando a cor, a raça, religião ou classe social. Às vezes tenho o sentimento e desejo que posso fazer algo muito grande pelos que sofrem, de me repartir como um pão que sacia a fome de todos, que tirem todos do sofrimento, mas não sou o meu Deus. Ai me sinto deveras impotente como um homem sem fé, mas sei que em mim há uma verdade, que não há nenhuma maldade, mas uma imensa vontade que sejam livres os meus próximos. Livres das aflições, das ignorantes paixões que acorrentam a alma, livres das multidões que assolam os corações e desalmam, livres da desunião e da solidão que traumatizam, livres das perseguições e das injustiças que desassociam. Sei que o mal é invisível e provoca resultados visíveis na batalha do espírito contra a carne.
64

Comentários (2)

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Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

Lagaz

Belo poema