Filipe F.

Filipe F.

n. 1980 PT PT

PT: Filipe F. nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 1980. Viveu entre Porto, V.N. Gaia, Arcos de Valdevez, Braga e Ponte da Barca desde 1981 até 2000.

n. 1980-07-21, Porto

Perfil
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De uma nau naufragada

ó valente nau deste oceano perdido
Naufragada num banco-de-areia esculpido,
Teu casco de pinho flutuante arrombado
Te deixou aí abandonada ao passado

E já nem ondas te devolvem ao mar.
ó nau das altas velas correndo no vento
Com a tua proa erguida ao horizonte
Para tão somente um dia naufragar.

Tu, da descoberta do mundo de lés-a-lés,
Ficas aí agora jazendo as tuas cicatrizes
Do ego dos homens e das meretrizes
Que foram amadas no teu largo convés.

ó nau naufragada no silêncio dos tempos
Que jamais voltarás ao mar do horizonte
Restando-te na memória do teu Capitão somente.

Filipe F. 2016

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Poemas

8

Vide Camões


Amor é fogo que arde e se vê,
É instrumento da loucura
E do desejo, cavaleiro sem armadura,
Gladiador em que não se crê.

Amor é condição de vida,
Procura inata, dor destemida, alegoria,
Felicidade, alegria...


Filipe F. 2003 in "De mim para o Mundo: Poesia e Fragmentos"

459

Pequeno Arrependimento


Como te desejo...

Ser dentro de ti...
A pele que acaricio o mais
Que o tempo me dá...
O rosto que admiro o mais
Que um olhar dará...

E sou dentro de ti aquilo que sou,
E saceio meus desejos
Tocando-te simplesmente...
Olhando-te...

Como me envolvo meu amor...

Filipe F. 2006 in "Os Poemas Que Nunca Leste"

593

Poema de 'Homem Morto'



Encontrei-me em labirintos,
Em procuras infrutíferas
Circundando por esferas
Na decadência de alentos...


Silêncios angustiados de incertezas,
Os meus em turbidez mascarada
No meio de fogueiras acesas,
Inconsequência praticada...


Filipe F. 2004 in "Homem Morto"
632

Num Dia


Um dia aberto,
Desnudo, sem hierarquia de sangue.
Sai à praça, concreto
O que se vê, ao longe.

Gente.

Na multidão um indiferente.
Vagabundo, vestido indecente.
Vidros em baixo, descalço
Aberto de mente.

Caminha entre clareiras
Pelos espalhos de chão
Buscando-se do que sobra à multidão,
Rasgadas as nuvens

Abertas em vão.

Filipe F. 2014 in "5 Poemas de Outubro"
475

Sonho de Luar

Nas suas mãos, dedos finos e compridos de pianista.
Em seus braços pálidos envolvido arroxando
Como um corpo apertado lento inflamando
Brotou aquele olhar longo sem hora prevista.

A pestana agitou-se e a pupila se dilatou
No revés daquele instante fértil e inesperado
Quebrou-se aquele relógio de vidro contado
Onde aqueloutro miocárdio livre se delatou.

Que belo foi ver aqueles amantes propícios
Inauditos quanto alegres desconhecidos
Sem promessas, grilhetas ou mesmo vícios

Debaixo daquela ponte de quarto de hotel perdidos
Onde nessa noite se deitaram amenos a sonhar
À luz da Lua que souberam ali desenhar.

Filipe F. 2016

583

Caída do Breu

À Caída do Breu profundo
Restando-se tão só os micropontos de luz
Em viagem pelo infinito espaço interestrelar
De cujas estrelas mortas o último brilho se reproduz

Despenham-se os meteoritos do passado
Das memórias mais vagas os detritos
Do vazio entretanto Buraco Negro criado
Entre o que se expandia e depois se absorveu

Pela esponja de giz que apaga o Universo
Desse conhecimento longínquo e disperso
Onde tão mais restou o rosto que prevalece
Do Big Bang que jamais acontece.


Filipe F. 2016

488

Xeia

E assim se morre, afeto às ilusões
pelas brumas em que nos perdemos,
junto a este rio que corre, cheio
e levando as mágoas até à Foz,
onde afinal tudo começou
e tudo se perdeu, o que havia de nós
apenas vago e dilacerante,
iniciou-se precisamente pelo fim
sem nunca se elevar a montante,
estas águas impróprias, cheias de lixo,
de excreções emocionais que são mágoas,
de voluntarismos sentimentais
com que a alma de um se enganà si própria,
as águas podres onde ébrio se voluntaria,
aquele amor, para em seguida se afogar
na imensa poluição da sociedade
sem glória, sem verdade.
Filipe F. Costa 2016
423

Da Razão de Newton

Há horas em que o temporal rebenta
dentro da mais intrínseca moral,
como que se move o magnético planeta
nessa via láctea acercando cinderal.
Se buscam os asteróides dispersos
no imenso buraco negro desse cosmos
atraídos à lei dos magnéticos universos,
e aí, explodem eles contra si mesmos.
Esses corpos celestes da essência humana
na disparidade científica, profundamente leviana,
que como tal redoma gigante, cria um novo ser,
atirado também a todo o cosmos espacial
à deriva em busca de novo impacto brutal,
rasgando rastos celestiais no céu do entardecer.
Filipe F. Costa 2016
440

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