Filipe Malaia

Filipe Malaia

n. 1969 PT PT

Nasceu em Sá da Bandeira, Angola, em 1969. Licenciado em Ciências Sociais (Psicologia), desempenha profissionalmente funções no I.S.S., I.P., em Setúbal, cidade onde vive.

n. 1969-09-24, Sá da Bandeira Angola

Perfil
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Poesia

Que estranha língua esta, que estranha fala
Que certas noites meus lábios ilumina
E amargamente, a sós, a dor me ensina
Num lânguido chorar que a morte embala

Como alma de outro alguém que em mim se instala
Ou raio de outro mundo que fulmina
Como misteriosa nau que em mim faz escala
Lusitana, mágica, latina!
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Biografia

Nasceu em Sá da Bandeira, Angola, em 1969. Licenciado em Ciências Sociais (Psicologia), desempenha profissionalmente funções como Inspector da Segurança Social, no I.S.S., I.P., em Setúbal, cidade onde vive. No seu percurso literário contam-se participações esporádicas na década de 90, na página cultural “Arca do Verbo” do jornal “O Setubalense”, sob direcção do poeta João Raposo (Livraria UniVerso); Participação na colectânea de poesia Projecto Cultural “Poemas do País da Vida” – MJ Real IMO Editora; Participação na colectânea de poesia Traços da Memória – Casa da Poesia, Setúbal 2003, 28 Poetas Sadinos; Participação na colectânea “Entre o Sono e o Sonho” - Antologia de Poesia Contemporânea - Vol. VII - Chiado Editora; e participações esporádicas em concursos de poesia e conto.

Poemas

3

Dantes


Ah...Já não há chuva como havia dantes

Já não há sorrisos feitos de sorrir

Nem sequer lembranças do que há-de vir

Já não há donzelas como as do Camões

Já não há escudeiros como havia dantes

Nem histórias de piratas, bruxas e gigantes

Já não há olhares feitos de sonhar

Nem castelos nem princesas pra salvar...

 

Ah...Já não há sol como havia dantes

Já não há mágoas feitas de sentir

Nem sequer um porto de onde não partir

Já não há mil dores como as da Florbela

Já não há perfumes como havia dantes

Nem homens perdidos em reinos distantes

Já não há histórias belas de encantar

Nem memórias que ficaram por contar...

 

Ah...Já não há vento como havia dantes

Já não há lágrimas só feitas de sal

Nem sequer futuros deste Portugal

Já não há "outros" como os do Pessoa

Já não há amores como havia dantes

Nem cavaleiros como os do Cervantes

Já não há partidas feitas de ficar

Nem um adeus pra sempre feito de voltar...

 

Filipe Malaia

2024

217

Asas

Há nas borboletas 
Um não sei quê de ti
Um não sei quê de mim
Um não sei quê maior 
Há nas borboletas 
Um não sei quê de nós 
Um não sei quê de luz
Em forma de cor

Há nas borboletas 
Um não sei quê de céu 
Um não sei quê de sol
Um não sei quê de flor
Há nas borboletas
Um não sei quê de paz
Um não sei quê de asas
Em forma de amor...
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Submersão

O som da tua chuva soava-me na alma
Abatia-se sobre o meu corpo como bátega ofegante
Na pele da tua cama, prado errante

Encharcado na memória do teu olhar
Inundava-me na torrente sem me debater
Adormecido no teu amanhecer

Porém, quando submerso, parti pelas águas
Com as asas que a enchente revelou
Foi só o som da tua chuva que ficou…
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