flora floema

flora floema

n. 1997 BR BR

n. 1997-09-08, Florinea

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Ainda crio verbos para você

Meu coração ainda me pede
Para descansar em sua última foto
Aguardo em bradicardia

Meus olhos em vermelho agudo
Não escondem nem acolhem
Embora formem profundos sentidos
Vistos, lidos e amanhecidos

Querendo se conjugar
Na saudade que
Fico a saudadear
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Poemas

57

Você foi em frente na direção oposta

Ao perceber amar sozinha
Chorei o lago salgado
Que criei
Ao redor de mim
Fiz do corpo uma ilha

Escondi a balsa de travessia
Embaixo de meus braços
Ansiei a sua vinda
Sem saber que você não tinha
A pretensão de vir
233

Asfixia

Asfixiada por quem disse
Que jamais colocaria as mãos
Em minha garganta
Ela queima, estilhaça
Faz de mim cacos pontiagudos

Com as mãos dilaceradas
Recolho o que sobrou de nós
Cansada de arder
Me deito sobre o chão ensanguentado
A espera da dor coagular
339

O choro pode voltar

A choro borrou
As palavras desenhadas
Por esta caneta
Tornou tudo particulado

Receio que o desabor
De saber pouco do amor
Evapore as moléculas no papel
E voltem ao seu remetente
205

Insônia

Você me deixou insone
Afogada em arrependimentos
Meus pulmões queimam
Suplico pelo ar

Você me ajuda
Com suas palavras sufocantes

E me diz que eu deveria saber
Enquanto sou surpreendida pela eutanásia
362

A escrita desenha a minha solidão

A escrita desenha a minha solidão
Em formas assimétricas
Não há encaixe
Só tentativas de preenchimentos

Busco a fuga no adormecer
Desejo o despertar da manhã
Para no abrir de pálpebras
Me pensar sem dor
372

Anemocoria

O vento convida a árvore para dançar
Ela se move cambaleante
Séssil e aprisionada pela calçada
Ainda se pensa errante

Envolvida pelos movimentos
Vê suas sementes caírem ao chão
E flutuarem distante em ritmo lento
Para outros solos que as acolherão

Tudo ensaiado previamente
Cada passo estudado pelo acordo do tempo
Não há ressentimentos em suas partilhas
O vento cumpre seu papel
De fazer da árvore dispersora de vida
321

Entretenimento

Tudo se deteriora
Nessa condição
De vida morna
Na TV
Vozes
Que soam como ruídos

O barulho
É escape sonoro
E afugenta
Minhas lágrimas
435

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