Frederico de Castro

Frederico de Castro

n. 1961 GW GW

Escuto o sentir das palavras e então esculpo-as nos meus silêncios, dando-lhes vida forma e cor. Desejo-as, acalento-as, acolho-as,embelezo-as sempre com muito, muito amor…

n. 1961-06-20, Bolama

Perfil
335 714 Visualizações

Na morada dos meus silêncios...



Na morada dos meus silêncios se embriagam as noites
Esculturadas pela solidão mais instigante
Esfarelam todo sonho carcomido pela ilusão prostrada
Na soleira do tempo expectante e substantivo

Na morada dos meus silêncios concebo todo antídoto
Para as minhas tristezas deixando por envenenar o vulto
Das angustias inquiridoras pernoitando entre o tédio
Quase perfeito destes versos errantes e derradeiros

Na morada dos meus silêncios acudo a esperança
Fervendo entre os seios descalços do teu ser quais contagiáveis
E recriadas preces que decifro de forma tão insaciável

Na morada dos meus silêncios reencontraram-se os meus
Segredos...deixando no degredo da vida um imensurável prazer
Armadilhado nesta parafernália de sonhos que penso satisfazer

Frederico de Castro
Ler poema completo

Poemas

224

Detritos da solidão



Borrifa a luz seus gomos de prantos tão indiscretos
Rabujam entre as tristezas mais absortas e obsoletas
Abocanham a vida lentamente povoando o
Antro de cada lamento ou palavra mais inquieta

Inaugurei o silêncio que pulsa no anfiteatro da vida
Deixando cada detrito da solidão tão desamparada,quase
Derrotada, erguendo os muros desta reclusão derradeira
Onde sei plantaria minha poesia erguida numa
Palavra fiel e tão verdadeira

No leito do tempo adormeci estirado entre os
Lençóis sedosos da saudade que agora expira
Espalmando todas as memórias peneiradas, joeiradas
Num pleno e inconsumível silêncio assim enladeirado

No quiosque das diversões compro cada verso editado
No semanário das mil e muitas ilusões alimentando com
Malicia a noite que se despe nesta estrofe trajada de tantas,
Artilheiras palavras expostas no escaparate da vida
Fecundada num murmúrio costurado com doçura tão matreira

Frederico de Castro
272

Aqui jaz a noite



Embalo a noite aconchegada ao colo destes
Cintilantes raios de luz tão absortos tão acústicos
Namoriscam a madrugada e este mavioso silêncio
Exuberante qual gesto subtil serenamente devorante

Em reclusão a noite perdeu-se numa hora vaga
Embriagou-se num silêncio tão martirizado
Tão disfarçado, que a luz se escondeu no
Espesso casulo da minha mais que fadada solidão

Vigio a madrugada flamejando quase incinerada
Até esvaziar todas as saudades bem mascaradas
Quase maltratadas, eu sei, mais que desvairadas

Enquanto clamam os ecos e as sombras em nós se intrusão
Florescerem na órbita taciturna dos meus lamentos um penacho
De memórias fidedignas evocando esta tristeza quase reclusa

Frederico de Castro
366

Nos limites da solidão



Ali chora a vida estampada num capricho solitário
Colhendo entre espinhos e abrolhos o reeditante momento
De vida mascarando a arquitectura do tempo que passa por
Aqui tão transitário despontando algoz e autoritário

Desintegram-se as alegrias num átomo solitário
Explodindo na negrura de um sonho infestado de lamentos
Totalitários qual hora que vasculho entre os cílios da noite
Em escravatura fenecendo em ti tão arbitrário

Enquanto a noite corre lentamente pelos trilhos do silêncio
Enrolo-me no lençóis dos desejos acariciando-te até aos limites da
Minha sofreguidão nua, estática adormecendo ao colo de uma
Madrugada perplexa renascendo com uma fúria quase lunática

Os prantos esquecidos de nós acoitam-se na solidão mais
Enfática permeando o silêncio que desembainho num rebatido
E soçobrante sorriso que clama na clave do cromático tempo infectado
De sonhos fartos , insuperáveis...quase telepáticos

Cobri-me com o edredom dos meus silêncios estilísticos
Policiei esta amor recostado no divan de tantas enfermidades
Escleróticas, impregnando a noite com a fuligem do tempo que fenece
Solenemente apático,desesperadamente frenético...quase selvático

Frederico de Castro
365

Apenas...silêncio



Apenas...silêncio na noite obscena
Deglutindo toda a dopamina que se
Esgueira desta solidão tão serena

Apenas...silêncio no hálito de cada eco
Mais fraterno decompondo a luz maternal
Engolida por todas as saudades mais banais

Apenas...silêncio que soa agora a despedida
Deixando a serotonina das paixões estimular
Aquela memória vagueando versátil e dissimulada

Apenas...silêncio surfando as ondas e maresias
Que acostam a quilha dos meus silêncios enjaulados
Até que me emparelhe em ti pra sempre....assim capitulado

Apenas...silêncio em cada palavra vergada a
Esta solidão tão calculada, demais especulada
Transpondo os portões de uma ilusão assaz simulada

Apenas...silêncio e não existo mais senão nos meus
Versos mudos, castrados e vagabundos...oficio de tantas
Lágrimas chuleadas num mísero lamento quase moribundo

Frederico de Castro
314

Comentários (2)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.
ltslima

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!