Lista de Poemas
Na toada dos silêncios

Descobrem-se as nuvens ensopadas numa alegria
Petulante vestindo as ramagens de uma gargalhada galante
Brincando bem sincopada e apelante
Vem para mim serenamente a noite despindo a
Luz envergonhada, tímida, qual seiva da vida alagando-me
Com beijos delicados devoradores... assim literalmente
Paira no tempo uma solidão quase demolidora subindo
Pela haste do silêncio de forma tão predadora, incutindo
Nas vestes da ilusão um eco grávido, desiludido...blasfemador
Ficou incurável esta saudade inusitada deixando de permeio uma
Memória oculta entre as sintaxes dos meus versos triviais, ofertando-te
Depois uma rima ocasional, escondida entre os sonhos mais virtuais
Veio à tona uma ondulante ilusão, encharcada de toadas e cânticos
Alegres lancetando a madrugada que em mim enfurecida se acoita
Qual inquilina desta solidão consensual...bem elastecida e afoita
Frederico de Castro
319
Cavalgando pelo silêncio

Descalço e vadio o tempo cavalga pela madrugada
Solitária e atrevida, desnudando-se em gomos de
Uma sensualidade quase inescrutável
Nas veias do tempo descarrila minha solidão
Sempre inadiável abraçando-se a uma saudade
Que tanto, tanto anseio assim insaciável
Foram estas cruéis ausências que desmemorizaram
Minha clemente fé qual confidência de todos os actos
De amor que lavro nestes sedentes versos marginalizados
Neste bailado de finas consoantes reverbalizo um verbo
Apaixonado, seduzido, embalando o hiato silêncio palatizado
Pelas vogais que conjugo neste tempo passivo, infinitivo...sincronizado
Os aromas que nos são fiéis jorram agora da noite perdida
Numa alegórica solidão, antítese de um inconsolável desejo
Altruísta que fermenta e leveda seduzido por um beijo quase inescusável
Frederico de Castro
299
Acaso...

Num súbito momento
O acaso aconteceu
Temida a hora tão remota se entristeceu
Acaso o escuro brilhe entre as brumas da noite
Consumindo a escusa luz surpreendida caindo lentamente
Entre as bermas da minha solidão repreendida
Acaso o ocaso ainda aconteça desfragmentando-se
No tempo e no silêncio, talvez me apeteça
Diluir-me em ti até que a madrugada sem alaridos nos enalteça
Foi por acaso que nossos submissos lamentos num
Extravasado e delinquente momento se algemaram
Mudos e quedos naquele tosco e flébil verso mais eloquente
E se acaso indague o tempo sei como cada hora vandaliza qualquer
Outra solidão... sei como convalescer em ti tão profundamente
E sei até como alimentar a geratriz da vida que agora acontece pacificamente
Frederico de Castro
327
Encosto para a solidão

Há metamorfoses no tempo
Há sentidos a divagar sem rumo certo
Apetece-me até rimar com este fio de solidão
Que tirita na manhã resfriada em plena reclusão
Com destreza compus uma ode ao silêncio que
Decorava a sintaxe de todas as palavras enamoradas
Vibrante enfeite de uma ilusão fluindo fluindo revigorada
Deixei depois todos os horizontes desta memória escapulir
No odor da madrugada feliz, unindo as planícies da saudade
Coincidente, reverberante...tão honorada
Imerge a manhã sempre mal humorada agitando a
Desmazelada luz que vagueia neste volúvel sonho,onde
Aquieto a esperança que se acampa ao redor deste silêncio ereto
Que esculpo numa enxurrada de abraços sempre tão diletos
Frederico de Castro
351
Quanto à solidão...

Quanto à solidão...apregoei-a quando ainda era saltimbanca
Reabilitei-a depois de muitas gargalhadas briosas vestindo
A manhã encarcerada num lambuzante, majestoso
E esmerado sorriso tão aromatizante
Quanto à solidão...embrulhei-a numa sombra que pasta no meu
Silêncio mais energizante quando a ilusão da noite, chegando
De mansinho, apazigua a vida, revelando-nos um sonho
Vassalo bordado com cores suaves, aprazíveis e gratificantes
Quanto à solidão...desempacotei-a de vez alimentando omissas
Páginas desta desilusão exorbitante e ditatorial deixando
Frente a frente nossos desejos, teimosos egotistas...mas essenciais
Quanto à solidão...alimentei-a, submeti-a aos prazeres mais radicais
Até que os ecos mágicos do amor nos sufoquem num marginal e
Psicotrópico momento desta serena existência tão crucial
Frederico de Castro
270
Um pouco de tudo...igual a nada

Assim se veste a noite de estrelas
Enamoradas, enfeitando a linguística das
Palavras choramingando baixinho...rememoradas
Calcei a esperança que caminha entre olhares
Acariciantes ...abrigo de tantas brincadeiras gratificantes
Pousando no terno poente vestido de luzes tão fulgurantes
Assim recheei meu silêncio com um pouco de tudo
Sugando da noite uma ilusão de desperdícios
Coreografando a solidão condimentada com mil artifícios
Deixei a esperança submergir na reciclagem das horas
Vagas, tão desajeitadas, decorando o púlpito desta fé
Em rebuliço, elevando-se num último e derradeiro grito inusitado
Descomprometida a madrugada verga-se perante a luz
Matinal que agora farejo excitado convalescendo entre o opiário
Dos desejos vagueando em cada brisa que baila assim deleitada
Frederico de Castro
291
Emoções inquantificáveis

Na paisagem do tempo amanhece um
Mar de transbordantes ilusões
Abrigam emoções trazendo aquele incomparável
Silêncio agasalhado ao dia que desponta indecifrável
À mesa da solidão deixo um repasto de miseráveis
Horas encurraladas ao rigor da saudade às vezes
Tão irreparável, mesmo que a esperança rejuvenesça
Da insanabilidade impressa em cada oração mais inescrutável
Exalo agora da madrugada teu perfume delicado e inesgotável
Deixando no ar uma atmosfera de alegres e irrefutáveis palavras colorindo
As orquídeas do meu jardim enrolado num verso convicto...inelutável
Adiantada a noite trepa pelo silêncio in loco pousando nas agonias
Do tempo que desperta neste frenesim de desejos mais degustáveis
Saciante e cúmplice sinfonia de furtivos beijos tão críveis e inquantificáveis
Frederico de Castro
291
Por fim...um atalho para a solidão

Por fim late a esperança tão gritante, coesa, ferida escorregando
Pela escuridão ainda mais prepotente desnudando pra sempre a
Suave e delicada manhã lacrimosa que me afaga a solidão entre
Os atalhos de um sonho permanentemente resistente
Por fim olho para a noite despindo todos os seus breus
Perdida em tantas horas aladas resilientes até que, por fim o
Oceano se recoste na margens das minhas maresias,
Repenicando um onda feliz e conivente
Traz o silêncio consigo o tempero de cada pujante perfume
Cozinhado nos instintos mágicos dos nossos desejos
Sugando o ténue latido do amor minudente, saboroso...em festejos
Penetra pelos olhos dentro uma colorida fatia
De solidão em clausura alimentando lentas carícias
Ao dia que desponta entre os cílios da manhã mais vitalícia
Frederico de Castro
335
Uma côdea de silêncios

Entre quatro paredes caio teu retrato
A giz e carvão emoldurando o sorriso
Que trazes grávido de emoção
Endoidecidos andam os ventos com os perfumes
Estendidos no naperon da paixão tão propícia engalanando
Uma vitalícia hora tinindo nesta paixão quase homicida
Incendiei o silêncio sempre mais enriquecido com
As sombras do teu ser musicado e enobrecido
Até que a noite adormeça feliz imprescindível e enlouquecida
Depois de algum tempo deixo obcecado um lamento agora
Mais reabastecido que nasceu vagabundo entre as alquimias
Do amor que namorisco na comunhão de sonhos tão fecundos
Grão a grão amassei o pão de todos os sacrifícios levedados
Mastiguei a côdea dos mesmos silêncios carpindo uma hora serva
Esquecida que afunda nesta solidão, mais consolidada e rejuvenescida
FC
411
@ Silêncio.com

Em @ silêncio.com escondi minha solidão estética
Até que dia desponte computando a caligrafia
Das minhas inspirações divagando tão cibernéticas
Informatizei a existência das palavras que
Digito no écran do tempo alimentando o domínio
Do silêncio que ilude a tristeza ainda sob escrutínio
Servidor da realidade virtual realojo-me no fórum
Dos eventos mais banais deixando em span cada
Mensagem vulnerável...textual
E assim migrei procurando outros servidores
Checando este e-mail em @ silencio.com
Protocolo da solidão escondida nos meus bastidores
Por fim formato o portal onde codifiquei a esperança
Usuária de tantas e tamanhas ilusões em tempo real
Pregão anexo ao perfil de um hacker desbloqueando
A chave do amor definitivamente tão viral
Frederico de Castro
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