Frederico de Castro

Frederico de Castro

n. 1961 GW GW

Escuto o sentir das palavras e então esculpo-as nos meus silêncios, dando-lhes vida forma e cor. Desejo-as, acalento-as, acolho-as,embelezo-as sempre com muito, muito amor…

n. 1961-06-20, Bolama

Perfil
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Ver-te nos olhos de mim



E assim se multiplicou aquele visceral momento de ilusão
Adiando até a madrugada que absorta nos limites do tempo
Destronou a luz escapulindo por entre toda a balburdia de festejos
Debruados numa sôfrega rima despida de flamejantes e ígneos desejos

Depois acorda a manhã envolta numa magistral embriaguez
Abandonada num espesso silêncio matinal aromatizando o cerne da
Esperança onde escorre a seiva dos meus clamores passionais, qual
Oclusa saudade sulcando os céus talhando essas gargalhadas quase colossais

Ato aos meus desassossegos todos os gomos de uma emoção deixada
Nos escombros do tempo pintalgando as cordilheiras da ilusão com
Os mais nobres desejos que soletro nesta incógnita e abastada desilusão

Ver-te nos olhos de mim incute a cada sonho o sôfrego registo
De um beijo mais veemente resgatando os fragmentos de tantas solidões
Escapulindo deste abissal silêncio desenhado e esculpido...a três dimensões

Frederico de Castro
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Poemas

1436

Nas mãos de Deus


Nas mãos de Deus deposito esta oração que
Se refaz na periferia da fé sempre pacífica e implorada
Adocica e alimenta toda a palavra mais e mais fascinada

Nãos mãos de Deus os silêncios são cânticos de paz
Renovada e fertilizada numa emoção quase triplicada
São a epístola sagrada de uma esperança sempre vivificada

Nas mãos de Deus dá-se o armistício das tristezas prognosticadas
Dá-se uma trégua às solidões suplicantes, afetivas, ali barricadas
Faz despertar essa luz galopando em mil brisas flamejantes e enamoradas

Frederico de Castro
38

O que está pra vir...


Flameja o céu e o horizonte de preces condescendentes
A fé ainda que matutina desatina tantas alegrias exigentes
Cada hora encaixa perfeitamente em mil segundos impacientes

Nas falésias do tempo flutuam imarcescíveis silêncios urgentes
Sem alarde seus ecos amamentam o vício dos sorrisos reincidentes
Seus fluidos lubrificam a maresia de palavras cativantes e tão penitentes

Resta à esperança e ao que está pra vir, tatuar a manhã com a beleza
Das gargalhadas indómitas, gigantes, heterogéneas e sempre excitantes
Deixar a chafurdar no silêncio ortográfico este imenso poente mais vibrante

Frederico de Castro
20

Rebobina-me o silêncio


Anorético o silêncio desmembra-se e emagrece ultrajado
Ressequida a escuridão ensaboa aquele breu felino e fracionado
A boca faminta de desejos esculpe um afago neste luar acalorado

Rebobina-me este silêncio mal humorado, quase deplorado
Escora-me as vigas onde suporto cada lamento ali acocorado
Apascenta-me as palavras e os vazios clamando impotentes e exasperados

No regaço do tempo permutam- se horas reinventadas, tão desgarradas
Cada luminescência contorcionista, além flutua abençoada feliz e revigorada
Sem destino vadiam todas as marés escamoteadas, oclusas…quase dilaceradas

FC
23

Um entre iguais



O dia franzino despertou enregelado
Hibernou entristecido e caiu inanimado
Sobre o gradeamento do silêncio
Ali solitariamente empoleirado

A luz da manhã cativa e descorada
Espreguiça-se tão desvairada
Colhe doces aromas que se transladam
Numa hora roçagando graciosa e admirada

Frederico de Castro
84

Fronteira das intuições



Na intuição de todo sentir
Os sentidos vagueiam pelos
Saborosos momentos que queremos redimir
Ao descortinarmos cada carinho contornando
A fronteira de tantas alegrias a repartir

Esgotaram-se todos os prantos
Deixei uma trégua em todos os meus silêncios
Para que se revoguem os pactos de amor
Clamando na solidão que assedia a vida pigmentada
De paixões e tantos sonhos ali sedimentados

E segui o cortejo do tempo despejando seus ternos
E gentis perfumes pela cordilheira dos teus sorrisos
E gracejos onde claudico saturado ensanduichado pelos
Abraços que antevejo em cada afoito vento uivando pelos
Poros do teu ser viçando na planície dos desejos aqui cevando

Deixei que o silêncio povoasse com balsamos o aprazível
Momento de tempo onde para gáudio da esperança
Amadurecíamos comprometidos...irreversíveis, semânticos,
Dissimulados por um acto de amor persuasível e mais romântico

Frederico de Castro
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Nocturnos



A força da solidão rega o jardim da noite
Onde só a escuridão agora pernoita acometida
Por um profundo remorso repousando na insone
E lírica palavra que alvitro nesta poesia casta e alcíone

Persuadi o tempo com olhares sorrateiros para que eu
Em teus braços, jamais me decepcione ao estender para lá do
Universo um flutuante e mimoso beijo tão prazenteiro

Nocturna deambula toda minha existência e antes
Que se faça manhã confiro às preces oprimidas
Um eco para que reverberam noite e dia, assim...esbaforidas

Quero somente roubar aquele gomo de luz medonho
Tiritando na madrugada que agora finda deslizando ante
Todos aqueles segredos e olhares cúmplices, hígidos e risonhos

Já morri de saudades...mutilando as memórias que ficaram
Algemadas a uma efeméride subtil, iníqua e conformada
Perdendo-se pelas eternidades do silêncio que em mim vagueiam
Inanimadas cismando na noite que degluti com gula tão esfomeada

Frederico de Castro
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Comentários (2)

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ltslima

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!