Lista de Poemas
Todo tempo...é tanto tempo!

Todo o tempo...é tanto tempo perpetuando
cada instante da nossa existência
Tanto tempo deixando despida
a indumentária furtiva da vida
pintalgando o tempo num strip tease
de desejos apetitivos, simétricos, intuitivos
Todo tempo...é tanto tempo conspirando
por entre sombras carentes escapulindo
renovando a biblioteca de tantos
abraços que deixei sorrindo na azáfama
do silêncio álacre que inventei quase,
quase de improviso
Frederico de Castro
O que recordo em ti...

O tempo soltou suas ventanias
a saudade a memória ígnea
epífania dos silêncios excepcionais
que se alimentam no destino disfarçado
de brisas indeléveis e fraternais
O que recordo em ti
amordaçou a solidão
deixando
a alma em dores profanas
a vida carente rangendo
nas divagações quase insanas
E dos versos serviçais renovei o desejo
quase caótico numa pirotecnia de palavras
imprevisíveis nascendo passionais
homófonas e inesquecíveis
O que recordo em ti
vou soterrar lá no gavetão das
minhas ternas ilusões onde fabrico
e reivento a luz do teu ser
escapulindo por um triz à desinquieta
noite replicada em beijos convalescendo
no pote do amor sem mais contradições
O que recordo em ti
replico na arquitectura das
palavras nunca ditas
invadindo o dicionário dos sentidos
prenhes onde restauro um sonho omitido
dando entrada na clínica dos meus prazeres
recostados no olhar das distâncias
desalmadamente a dois consentido
O que recordo em ti
fez-se então meu quotidiano
desarmando meu raciocínio
ensopando as horas trajadas
de infortúnio
alimentando o ciclo de vida
qual sentimento em declínio
desabitando-nos pra sempre
numa imprevisível e inusitada
hora se revelando devagarinho
Frederico de Castro
Nos cuidados intensivos

Deixei na soleira do silêncio
um sopro de dor em letargia
Enquanto a noite corria apressada
tão fugidia
Somente ali existia o vacilar
dos teus prantos batendo nas
vidraças do tempo
amiúde aconchegando o pacto de todas
as nossas felizes e ternas atitudes
entregues aos cuidados intesivos
da alma incógnita bailando nesta
minha imensa quietude
Em epígrafe te deixo meus versos
revestidos de amor
subsistindo ao tempo
deixando no asilo da vida o
mesmo sonho ecoando
no colossal adeus burilado e
incubado neste quase obsceno silêncio
Morre o dia numa tristeza tão copiosa
A madrugada que se foi, regenera-se
tão minuciosa
sorvendo o perfume que teu ser
rouba de rompante a uma palavra
que reescrevo, astuciosa
Suplanto todas as tristezas
sem mais lacunas ou inigmas
bebendo na esfinge do tempo
o oculto sibilar dos teus beijos
conjecturando na leda madrugada
que esquadrinho a preceito
Mergulho no tempo nómada e sedento
à procura da autoria dos teus abraços
suprindo o desejo manifesto em
cada súplica mais ciosa que amordaço
...envernizando o tilintar da vida arfando
no recanto dos cuidados intensivos
onde acontecemos, simultâneamente
espalhafatosos, famintos, coagulando
o amor atado ao uterino momento
que nos foge inexoravelmente
Frederico de Castro
Um momento mais...

Findou a peça de teatro
O ensaio o momento
A existência que acontece
O passado, o presente cada
recomeço que apetece reedita
o sonho que desperta no futuro
Findou cada lembrança distraída
perdida entre a solidão de silêncios
incertos, indecisos
reconfortando a inconveniência
de uma saudade desventrando aquele
absoluto momento mais...de total
conivência
Guardo religiosamente o perfume
do dia acontecer
admirando a luminosidade do luar
enfeitando a noite numa prece
quase a enlouquecer
Um momento mais
a tempo de namorar cada
suspiro teu
Fitar-te exuberante
tropeçando na sombra dos
nossos desejos quase beligerantes
Confundir-me no agrilhoado tempo
pernoitando qual sentinela do silêncio
que alimenta a vida esculpida num poema
caligrafando a inabalável palavra que tenho
como lema
Um momento mais
Um verso que jorra inacabado
Um silêncio que se perpetua dilacerado
Um dia que renasce ousado
desenterrando a hora súbtil que desliza
na ampulheta do desejo obcecado
Um momento mais e eu te daria minha'alma
embalada num poema quase consumado
Frederico de Castro
Nos cuidados intensivos

Deixei na soleira do silêncio
um sopro de dor em letargia
Enquanto a noite corria apressada
tão fugidia
Somente ali existia o vacilar
dos teus prantos batendo nas
vidraças do tempo
amiúde aconchegando o pacto de todas
as nossas felizes e ternas atitudes
entregues aos cuidados intesivos
da alma incógnita bailando nesta
minha imensa quietude
Em epígrafe te deixo meus versos
revestidos de amor
subsistindo ao tempo
deixando no asilo da vida o
mesmo sonho ecoando
no colossal adeus burilado e
incubado neste quase obsceno silêncio
Morre o dia numa tristeza tão copiosa
A madrugada que se foi, regenera-se
tão minuciosa
sorvendo o perfume que teu ser
rouba de rompante a uma palavra
que reescrevo, astuciosa
Suplanto todas as tristezas
sem mais lacunas ou inigmas
bebendo na esfinge do tempo
o oculto sibilar dos teus beijos
conjecturando na leda madrugada
que esquadrinho a preceito
Mergulho no tempo nómada e sedento
à procura da autoria dos teus abraços
suprindo o desejo manifesto em
cada súplica mais ciosa que amordaço
...envernizando o tilintar da vida arfando
no recanto dos cuidados intensivos
onde acontecemos, simultâneamente
espalhafatosos, famintos, coagulando
o amor atado ao uterino momento
que nos foge inexoravelmente
Frederico de Castro
Almost blue

a Chet Baker
Quase sem sentir este sopro habita o jazz
gemendo no teu ser
A musicalidade exilada no pedestal dos céus
ornamenta o virtuosismo das ilusões harmónicas
que levitam quase anatómicas
numa fusão de sons e musicalidades tão viciadas e melódicas
Rompe a voz insinuante e solícita em constante
harmonia até alvorecer o toque lânguido e selvagem do
silêncio breve sulcando a partitura das improvisações
onde apascento o swing extasiado com os ritmos camuflados
da tua inexprimível arte abraçando a sonoridade de um blues
passarinhando aqui comprometido e tão saciado
Frederico de Castro
Nas entrelinhas do tempo

Novo começo vagando nas entrelinhas
aromáticas do tempo
Marginalizar cada ilusão insana e fútil
A mesma emoção sempre grata e súbtil
O dissecar das vontades onde arrebato
teu ser quase indomável pincelando os
meus silêncios em cada oração dolorosa
esquecida num detalhe desta vida sinuosa
Novo começo e o tempo que acato
percorre o dilúvio dos meus
pensamentos, semeando o perfume
dos dias revogados e insinuantes
vestidos num arco-íris de ilusões
mesclando cada beijo pernoitando
num desejo tão fustigado e estonteante
Do começo ao fim
nada de novo...apenas
e só os contornos decididos
de uma memória sem autonomia
onde revivo cada momento
postergado na privacidade dos lamentos
cantados em estereofonia
Amanhã ou depois, quem sabe
nem eu...sem permissão da saudade
te guarde no invólucro das lembranças
boiando à tona das minhas fiéis esperanças
irrigando cada sonho que bebo na
mais intima fusão dos nossos seres
escoltando o vagar do silêncio esculpindo
e acalentando o cenário das nossas semelhanças
Sem apelo nem agravo chega
a noite disseminando a luz que
foge no breu da vida
perpetrando toda a escuridão que adorna
minha solidão
Ao longe escuto agora o brado do tempo
escapulindo pelos trilhos da memória
num emaranhado de sonhos coletados
a cada imagem subsistindo sem escapatória
Frederico de Castro
Secreto e invisível

Tempo de partilhar um gomo de luz
transparente
secreto, invisível
Sentir-me uma ilha descansando
no meio dos oceanos
Atravessar tuas paisagens
pálidas qual vulto navegante
inundando a súbita calmaria
ondulante e curativa
Simples transparências
desnudando minha inspiração
contemplativa
alimentando as franjas de um
sonho corriqueiro trajado a rigor
com tanta malandrice pintalgando
este poema vandalizado...em expectativa
São estados de alma quânticos
Esboços ou rascunhos que a poesia
acata num sonho tântrico
A chatice da ausência
A saudade por inerência
O morrer de amor por cada
palavra apoteótica alimentando
este silêncio sem pedir condolências
Sobraram os restos
do tempo sem permissa
a alma sem ego
solitária, abandonada
caiando a tristeza tão omissa
Os tons da noite
as palavras sem futuro
inacabadas...remissas
A liberdade mitigando
desejos...qual emoção
recuperando desta solidão
quase submissa
O sol sereno lá deixou
seu poente embalar, enxugando
o pranto ao dia que fenece
a cambalear
Resta o suicídio deste poema
despindo os silêncios metodicamente
guardados na vagem do tempo
A transparência da vida que
desabrocha quase Divina
no leito dos sonhos ninando
gargalhadas se regalando
qual poderosa e estimulante anfetamina
Frederico de Castro
Cacos das lembranças

O calculo dos tempos
Na ausência das horas
Toda a vida feita em cacos
A presença da saudade
Na tristeza que parte
Neste iniquo tempo
Trajado de cumplicidade
O vestir dos dias
O despentear tantos meses
Deglutindo cada ano
Passando num segundo
Formatado e tão fecundo
Foram sorrisos levados
Nos ventos da lembrança
Numa náusea prenhe
De serenidade
Enquanto a saudade nos verga
Com toda afeiçoada conivência
Curando uma distância tão breve
Num adeus, anónimo sentido
Zelando só tua ausência
É tempo de domar as saudades
Tranquilizar os desejos ausentes
Remediar a solidão que morre
Devagarinho em nome de um
Abraço madrugando em ti
Assim Docemente
Idos são os tempos num
Momento, passado...passando
Poeira levada na eira dos ventos
Naquela saudade invisível
Unificando os cacos da lembrança
Deixados na distância dos tempos
Frederico de Castro
A sístole do silêncio

O porteiro da noite escancarou
o silêncio nascido na vagem
do tempo bravio
desventrando o dia que pousa
ao colo do teu semblante predador
qual beijo que desperta alucinante
e intimidador
Foi benigna tão farta excitação
quando destranquei a loucura
onde me embebedei de paixão
Converti milímetro a milímetro
este momento numa pílula
de felicidade colorindo a dor
que descalço momentaneamente
assim
tu envergues minha solidão
anexada, tranquila
entre dois gomos de poesia
desordenada em verberação
Viver com a meta
já ali neste destino equivocado
é aclamar à marcha do tempo
onde filtramos palavras
movediças carregando no ventre o
infinito poema transitando
nas avenidas do tempo
tão esquecediças
Andará bramindo
a existência latindo em nós
descontente
aconchegando-me ao espiral
de silêncios onde premedito
a vida batendo em sístoles
tão latentes
esvaziando o átrio deste coração
onde me enfarto com diástoles
tão persistentes
Vivo desta contemplação
quase eterna deixando fibrilhar todo
este agitado poema em constante
arritmia e apelação
alimentando o habitat da razão
onde nossas gargalhadas celebram
o milagre que acontece num coração
que festeja cada desejo ventrículado
na aorta dos meus silêncios
em constante desfribilação
Frederico de Castro