Lista de Poemas

Todo tempo...é tanto tempo!


Todo o tempo...é tanto tempo perpetuando
cada instante da nossa existência
Tanto tempo deixando despida
a indumentária furtiva da vida
pintalgando o tempo num strip tease
de desejos apetitivos, simétricos, intuitivos

Todo tempo...é tanto tempo conspirando
por entre sombras carentes escapulindo
renovando a biblioteca de tantos
abraços que deixei sorrindo na azáfama
do silêncio álacre que inventei quase,
quase de improviso

Frederico de Castro

314

O que recordo em ti...



O tempo soltou suas ventanias

a saudade a memória ígnea

epífania dos silêncios excepcionais

que se alimentam no destino disfarçado

de brisas indeléveis e fraternais

O que recordo em ti

amordaçou a solidão

deixando

a alma em dores profanas

a vida carente rangendo

nas divagações quase insanas

E dos versos serviçais renovei o desejo

quase caótico numa pirotecnia de palavras

imprevisíveis nascendo passionais

homófonas e inesquecíveis

O que recordo em ti

vou soterrar lá no gavetão das

minhas ternas ilusões onde fabrico

e reivento a luz do teu ser

escapulindo por um triz à desinquieta

noite replicada em beijos convalescendo

no pote do amor sem mais contradições

O que recordo em ti

replico na arquitectura das

palavras nunca ditas

invadindo o dicionário dos sentidos

prenhes onde restauro um sonho omitido

dando entrada na clínica dos meus prazeres

recostados no olhar das distâncias

desalmadamente a dois consentido

O que recordo em ti

fez-se então meu quotidiano

desarmando meu raciocínio

ensopando as horas trajadas

de infortúnio

alimentando o ciclo de vida

qual sentimento em declínio

desabitando-nos pra sempre

numa imprevisível e inusitada

hora se revelando devagarinho


Frederico de Castro

386

Nos cuidados intensivos



Deixei na soleira do silêncio

um sopro de dor em letargia

Enquanto a noite corria apressada

tão fugidia

Somente ali existia o vacilar

dos teus prantos batendo nas

vidraças do tempo

amiúde aconchegando o pacto de todas

as nossas felizes e ternas atitudes

entregues aos cuidados intesivos

da alma incógnita bailando nesta

minha imensa quietude

Em epígrafe te deixo meus versos

revestidos de amor

subsistindo ao tempo

deixando no asilo da vida o

mesmo sonho ecoando

no colossal adeus burilado e

incubado neste quase obsceno silêncio

Morre o dia numa tristeza tão copiosa

A madrugada que se foi, regenera-se

tão minuciosa

sorvendo o perfume que teu ser

rouba de rompante a uma palavra

que reescrevo, astuciosa

Suplanto todas as tristezas

sem mais lacunas ou inigmas

bebendo na esfinge do tempo

o oculto sibilar dos teus beijos

conjecturando na leda madrugada

que esquadrinho a preceito

Mergulho no tempo nómada e sedento

à procura da autoria dos teus abraços

suprindo o desejo manifesto em

cada súplica mais ciosa que amordaço

...envernizando o tilintar da vida arfando

no recanto dos cuidados intensivos

onde acontecemos, simultâneamente

espalhafatosos, famintos, coagulando

o amor atado ao uterino momento

que nos foge inexoravelmente


Frederico de Castro

372

Um momento mais...



Findou a peça de teatro

O ensaio o momento

A existência que acontece

O passado, o presente cada

recomeço que apetece reedita

o sonho que desperta no futuro

Findou cada lembrança distraída

perdida entre a solidão de silêncios

incertos, indecisos

reconfortando a inconveniência

de uma saudade desventrando aquele

absoluto momento mais...de total

conivência

Guardo religiosamente o perfume

do dia acontecer

admirando a luminosidade do luar

enfeitando a noite numa prece

quase a enlouquecer

Um momento mais

a tempo de namorar cada

suspiro teu

Fitar-te exuberante

tropeçando na sombra dos

nossos desejos quase beligerantes

Confundir-me no agrilhoado tempo

pernoitando qual sentinela do silêncio

que alimenta a vida esculpida num poema

caligrafando a inabalável palavra que tenho

como lema

Um momento mais

Um verso que jorra inacabado

Um silêncio que se perpetua dilacerado

Um dia que renasce ousado

desenterrando a hora súbtil que desliza

na ampulheta do desejo obcecado

Um momento mais e eu te daria minha'alma

embalada num poema quase consumado


Frederico de Castro

401

Nos cuidados intensivos



Deixei na soleira do silêncio

um sopro de dor em letargia

Enquanto a noite corria apressada

tão fugidia

Somente ali existia o vacilar

dos teus prantos batendo nas

vidraças do tempo

amiúde aconchegando o pacto de todas

as nossas felizes e ternas atitudes

entregues aos cuidados intesivos

da alma incógnita bailando nesta

minha imensa quietude

Em epígrafe te deixo meus versos

revestidos de amor

subsistindo ao tempo

deixando no asilo da vida o

mesmo sonho ecoando

no colossal adeus burilado e

incubado neste quase obsceno silêncio

Morre o dia numa tristeza tão copiosa

A madrugada que se foi, regenera-se

tão minuciosa

sorvendo o perfume que teu ser

rouba de rompante a uma palavra

que reescrevo, astuciosa

Suplanto todas as tristezas

sem mais lacunas ou inigmas

bebendo na esfinge do tempo

o oculto sibilar dos teus beijos

conjecturando na leda madrugada

que esquadrinho a preceito

Mergulho no tempo nómada e sedento

à procura da autoria dos teus abraços

suprindo o desejo manifesto em

cada súplica mais ciosa que amordaço

...envernizando o tilintar da vida arfando

no recanto dos cuidados intensivos

onde acontecemos, simultâneamente

espalhafatosos, famintos, coagulando

o amor atado ao uterino momento

que nos foge inexoravelmente


Frederico de Castro

457

Almost blue




a Chet Baker

Quase sem sentir este sopro habita o jazz

gemendo no teu ser

A musicalidade exilada no pedestal dos céus

ornamenta o virtuosismo das ilusões harmónicas

que levitam quase anatómicas

numa fusão de sons e musicalidades tão viciadas e melódicas

Rompe a voz insinuante e solícita em constante

harmonia até alvorecer o toque lânguido e selvagem do

silêncio breve sulcando a partitura das improvisações

onde apascento o swing extasiado com os ritmos camuflados

da tua inexprimível arte abraçando a sonoridade de um blues

passarinhando aqui comprometido e tão saciado

Frederico de Castro

441

Nas entrelinhas do tempo



Novo começo vagando nas entrelinhas

aromáticas do tempo

Marginalizar cada ilusão insana e fútil

A mesma emoção sempre grata e súbtil

O dissecar das vontades onde arrebato

teu ser quase indomável pincelando os

meus silêncios em cada oração dolorosa

esquecida num detalhe desta vida sinuosa

Novo começo e o tempo que acato

percorre o dilúvio dos meus

pensamentos, semeando o perfume

dos dias revogados e insinuantes

vestidos num arco-íris de ilusões

mesclando cada beijo pernoitando

num desejo tão fustigado e estonteante

Do começo ao fim

nada de novo...apenas

e só os contornos decididos

de uma memória sem autonomia

onde revivo cada momento

postergado na privacidade dos lamentos

cantados em estereofonia

Amanhã ou depois, quem sabe

nem eu...sem permissão da saudade

te guarde no invólucro das lembranças

boiando à tona das minhas fiéis esperanças

irrigando cada sonho que bebo na

mais intima fusão dos nossos seres

escoltando o vagar do silêncio esculpindo

e acalentando o cenário das nossas semelhanças

Sem apelo nem agravo chega

a noite disseminando a luz que

foge no breu da vida

perpetrando toda a escuridão que adorna

minha solidão

Ao longe escuto agora o brado do tempo

escapulindo pelos trilhos da memória

num emaranhado de sonhos coletados

a cada imagem subsistindo sem escapatória

Frederico de Castro

466

Secreto e invisível



Tempo de partilhar um gomo de luz

transparente

secreto, invisível

Sentir-me uma ilha descansando

no meio dos oceanos

Atravessar tuas paisagens

pálidas qual vulto navegante

inundando a súbita calmaria

ondulante e curativa

Simples transparências

desnudando minha inspiração

contemplativa

alimentando as franjas de um

sonho corriqueiro trajado a rigor

com tanta malandrice pintalgando

este poema vandalizado...em expectativa

São estados de alma quânticos

Esboços ou rascunhos que a poesia

acata num sonho tântrico

A chatice da ausência

A saudade por inerência

O morrer de amor por cada

palavra apoteótica alimentando

este silêncio sem pedir condolências

Sobraram os restos

do tempo sem permissa

a alma sem ego

solitária, abandonada

caiando a tristeza tão omissa

Os tons da noite

as palavras sem futuro

inacabadas...remissas

A liberdade mitigando

desejos...qual emoção

recuperando desta solidão

quase submissa

O sol sereno lá deixou

seu poente embalar, enxugando

o pranto ao dia que fenece

a cambalear

Resta o suicídio deste poema

despindo os silêncios metodicamente

guardados na vagem do tempo

A transparência da vida que

desabrocha quase Divina

no leito dos sonhos ninando

gargalhadas se regalando

qual poderosa e estimulante anfetamina

Frederico de Castro

440

Cacos das lembranças



O calculo dos tempos
Na ausência das horas
Toda a vida feita em cacos
A presença da saudade
Na tristeza que parte
Neste iniquo tempo
Trajado de cumplicidade

O vestir dos dias
O despentear tantos meses
Deglutindo cada ano
Passando num segundo
Formatado e tão fecundo

Foram sorrisos levados
Nos ventos da lembrança
Numa náusea prenhe
De serenidade
Enquanto a saudade nos verga
Com toda afeiçoada conivência
Curando uma distância tão breve
Num adeus, anónimo sentido
Zelando só tua ausência

É tempo de domar as saudades
Tranquilizar os desejos ausentes
Remediar a solidão que morre
Devagarinho em nome de um
Abraço madrugando em ti
Assim Docemente

Idos são os tempos num
Momento, passado...passando
Poeira levada na eira dos ventos
Naquela saudade invisível
Unificando os cacos da lembrança
Deixados na distância dos tempos

Frederico de Castro

414

A sístole do silêncio



O porteiro da noite escancarou
o silêncio nascido na vagem
do tempo bravio
desventrando o dia que pousa
ao colo do teu semblante predador
qual beijo que desperta alucinante
e intimidador

Foi benigna tão farta excitação
quando destranquei a loucura
onde me embebedei de paixão
Converti milímetro a milímetro
este momento numa pílula
de felicidade colorindo a dor
que descalço momentaneamente
assim
tu envergues minha solidão
anexada, tranquila
entre dois gomos de poesia
desordenada em verberação

Viver com a meta
já ali neste destino equivocado
é aclamar à marcha do tempo
onde filtramos palavras
movediças carregando no ventre o
infinito poema transitando
nas avenidas do tempo
tão esquecediças

Andará bramindo
a existência latindo em nós
descontente
aconchegando-me ao espiral
de silêncios onde premedito
a vida batendo em sístoles
tão latentes
esvaziando o átrio deste coração
onde me enfarto com diástoles
tão persistentes

Vivo desta contemplação
quase eterna deixando fibrilhar todo
este agitado poema em constante
arritmia e apelação
alimentando o habitat da razão
onde nossas gargalhadas celebram
o milagre que acontece num coração
que festeja cada desejo ventrículado
na aorta dos meus silêncios
em constante desfribilação


Frederico de Castro

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Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!