Lista de Poemas

Cochicho do tempo



No silêncio pairando entre duas

folhas secas que se desprendem no tempo
ficou a Primavera mais só junto às cantarias
dos dias intemporais que só um inspirado
poema meu com arte e engenho decerto
eu satisfaria

Ergue-se na leve brisa perene que se esvai
o tempo empoleirado num cochicho
adormecido entre as pétalas e as preces
ágeis desta fé atapetando o caminho
e os aromas vindouros que perfumam sem alarde
todos os cânticos e calmarias embalando o
o Outono que chega de mansinho
Frederico de Castro
446

Navegar por aí...



São estas as palavras e versos

que te clamam...eco dos meus

silêncios

bailado dos ventos suavizando

os tons e as cores paraslisadas

na corrente do tempo estritamente

eternizando um gesto, uma carícia

súbtil...sorrateiramente

Vou navegar por aí

tendo teu porto com destino

mergulhando em cada onda

onde gravita a silhueta dos teus

lábios desejando tanto, tanto

aquele beijo mutuamente

É tempo de festejar com pompa

e circunstância

Ser teu anfitrião a cada minuto

selvagem onde nos apetecemos

inteira...e tão completamente

É tempo de adubar as sementes do amor

Enraizar o fruto das lembranças enfeitando

cada galho de tempo onde musicalizámos

os ecos em frenesim, serenando meu poema

navegando por aí aleatoriamente qual teorema

gizado a régua e esquadro escrupulosamente

Frederico de Castro

508

Portefólio da esperança

Hoje deporto a alma deste corpo já sem chama

prefigurando o tempo de despedidas num cenário

onde sei sou o protagonista que clama

As palavras sei-as de cor e salteado

caiem estateladas em cada silêncio

que pressinto,sem patrocínio...ao abandono

Pelos atalhos desta vida descanso

minha saudade nas lembranças

lá vindo de longe embrulhadas

na caligrafia ou no portefólio das

nostálgicas esperanças

No movimento frágil dos meus sonhos

acordo a cada hora perdida numa

madrugada atónita

acomodando a legião dos desejos

ofegantes exibidos na ladainha destes

versos colhidos no destino hibernando

quietinho

drenando a frincha de tempo onde

sossego assim...clandestino

Fecharam-se as cortinas da manhã

onde filtrei as sombras convertidas

nesta fé confinada ao surtido de

todas as orações pintadas no

semblante deste testamento

iluminando as crenças inolvidáveis

confinadas na fronteira deste evento

entre o caminho a verdade e a vida

triunfando...inexoráveis no tempo

Frederico de Castro

512

Estatuto do silêncio



Franzido se despia o dia

exactamente igual a tantas outros

recostados ali na sarjeta do tempo

configurando o estatuto do silêncio

onde dispo meus sonhos mais tímidos

colhidos no pote da eternidade quatidiana

deambulando na sonoridade das palavras

ditas...quase profanas

E depois dos silêncios bordei teus

sonhos à luz das estrelas correndo

no paralelismo dos nossos beijos

Hospedei o sol no poente recostado

na poltrona dos dias factuais

e gentis

prostrados na ladeira da vida

caminhando sonâmbola ao redor

daqueles abraços infestados de amor

do qual sou teu fiel provedor

Existe hoje no pomar dos desejos

um naipe de sabores incrustados

à manhã que desperta debruçada

à janela do tempo festivo e recatado

Um frémito e obediente sonho cavalgando

no tafetá dos teus olhos bordando o tear

de tantas gargalhadas vagarosamente

dispersas entre as plumas do silêncio

feito estatuto na elasticidade da vida

correndo assim excitada, serena

confidente...indubitavelmente

enamorada

Frederico e Castro

379

Sob disfarce



Quisera eu fotografar o silêncio

Embarcar numa máquina de tempo

e viajar...viajar embriagando todas

as madrugadas desaguando no dominó

da vida jogada pra lá e pra cá

desarrumando todos os horizontes

divagando sem sentido

sem planície...rumo

instante ou existência

Sob disfarce prescruto o lado

mágico das palavras coíncidentes

Perfumo o desejo esculpido nas

tuas formas súbtis...reincidentes

Deixo percorrer o dia aveludando

o disperso farfalhar do silêncio

onde convalesço ao ritmo premente

dos desejos tão contundentes

Deixa-te levar no sabor das lembranças

aconchegando todo hiato de tempo cósmico

acariciando os poros da existência

clamando a cada transeunte dia que

escapa na patente da saudade que

morre pesarosa neste labirinto

planando em desassossegos

que agora só eu pressinto

Perderam-se tantos segundos numa

hora sequiosa de eternidade

que até me esqueci de marcar no

calendário da poesia uma palavra

de feição onde memorizamos a demanda

do tempo num absurdo silêncio iluminando

os candeeiros da vida escurecendo subtilmente

os céus incógnitos e extraditados

em versos absolutamente estupefactos

Frederico de Castro

434

Lembra de mim...





ao Emílio...a voz

Entre os autênticos momentos

estão em ti o canto...a voz

sucessivamente guardados

onde te imagino pautando

cuidadosamente enamorado

no cancioneiro do amor

num verso feliz exarado

Assim teu canto espreito

num paladar mais belo

de cortar até a respiração

ficando o timbre da nossa

existência na órbita

da tua excelsa morada

No badalar das horas

doamos aos silêncios toda

a eufonia esvoaçando nos ventos

rumando os teus cânticos

além do além

algemados em brados cúmplices

de amor e bela sonoridade

Deixaste-nos no tempo

tua doce voz

num bruá de espanto

pousando preguiçosamente

num pedaço de memórias

perscrutando ansiosas vocalidades

transeuntes batucadas vagando na

solitária ronda da noite

de todas as cumplicidades

Surpreendeste nossas vidas

num grau majestoso

simplesmente azulando os céus

intemporais

regente da orquestra celestial

onde a voz desponta pra sempre

tão quântica e torrencial

Frederico de Castro

483

O tacto do tempo


Existe um sabor em cada cor
O tacto indistinto do tempo
Que se esgueira
A névoa de Outono que chega
O sentir do perfume à janela
Bastava só sonhar o ser uma
aguarela num dia assim que
finalmente se revela


Frederico de Castro
430

Prelúdio de Verão



Teus olhos são o prelúdio do meu Verão

alegria distinta

prematura...em colisão

Silêncios que tanto almejo

desabrochando na velatura do tempo

colorindo os tons da vida despertando

em prefusão



Calei-me só pra escutar as entoações

vindas no bate-bate coração

Degustei sabores e lamentações

embebidas na vulgaridade da vida

Proliferei pele manhã ardilosa

ostentando o perfume que roubas

à minha nebulosa fugindo na

fresta do tempo

sem meios vocabulários

apenas e só

assim tão minuciosa

emboscada num único murmúrio

tremendamente graciosa



Foi o prelúdio do amor

a resposta a todas as ânsias

que me inflingiste

A insanidade que emerge

a nós tão conivente

sinuosa

airosa e de tantos, tantos

desejos aqui e acolá

sem excepção um dia me cingiste



Deixo na hereditariedade dos pensamentos

apenas este poema bailando no teu semblante

sem discrepâncias ou interpretações dormitando

numa gargalhada assim tão petulante

porque a vida essa

frenéticos de alegria comemoramos

no prelúdio do tempo onde sem mais táticas

eternamente nos aventuramos



Frederico de Castro
566

Estados do silêncio



Foi o mar sonorizar as poucas palavras
as quais me impus fazendo porém saber hoje,
que elas apenas fazem jus ao milagre da vida
que nos anima e alegra sacudindo a crina do tempo
baloiçando a paisagem ébria dos silêncios
que tudo purifica e afeiçoa, apela ...e ressuscita!

Frederico de Castro
390

Melancolia




Melancolia

advento em folia

perfumando o tempo

franzino, esquecido

beirando todas as anomalias

dos meus versos em plena vigília



Melancolia

apedrejando os meus silêncios

acantonados na tertúlia dos dias

onde mendigo sem quezilias

um grito de desespero remetido

neste poema morrendo

quase de embolia



Melancolia

dos meus sonhos remetidos ao

túmulo de todas as indiferenças

mastigando cada degrau onde

pavimento o espólio das

minhas irrefutáveis lembranças


Frederico de Castro
424

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!