Lista de Poemas

Tantos dias




Percorri tantos dias

esqueci-me de acertar

o tempo vagando

ontem, hoje ou amanhã

Elucidei a existência onde

vivo dia a dia errôneo

memorizando os silêncios

indecisos alimentando

cada detalhe do meu quotidiano

que escapa engolido na voracidade

deste instante ilusório

acampado aqui sedutor

invadindo toda a cumplicidade

recriada no tempo redentor

Procurei por ontem

à margem do que

não existe mais

Descortinei todas as

revelações deixadas

neste poema estacionado

num particípio passado

onde imprimo meus versos

expulsados,expressados

compassados,dispersados

num trago de beijos impregnando

nossos seres agora tão acossadas

Tantos dias...tantas horas

e o tempo que cessa

paira agora no ventre

de um eco cantando

todas as palavras incógnitas

que deixo ruminando atónitas

Ao reencontrar-me nas esquinas

desta vida

refino minha razão exactamente

aperfeiçoando cada rima irrelevante

onde ostento a paisagem da vida

se reproduzindo atentamente

Tanto tempo...tantos dias

sem saber...na expectativa

exalando-te definitivamente

Frederico de Castro

389

Semeando estrelas



Deixei as horas discretas

bater suavemente na noite mensageira

saudando a perfumada luz que

enxuga teus prantos num verso

enfeitando a moldura das saudades

derradeiras onde por fim emerso

Depois do longo amanhecer

deixo cartografado os afagos

que ficaram esbatidos no dorso

dos meus anseios

Deixo a vida acontecer permanentemente

entre olhares empoleirados na infância

esquecida casualmente

É tempo de partilha

de palavras dóceis

temperadas com gratidão

revigorando-nos assiduamente

quase que

compulsivamente

tocando a alma que nos

obedece absolutamente

Aqui te reservo

um verso póstumo

cerrado a sete chaves no silêncio

onde virtualmente

no apego da tua sombra, rastejo

e desesperadamente te consumo

Depois do anoitecer

visto-te de luz

semeando estrelas

alimentando o pulsar

de tantas distâncias

perdidamente mergulhando

famintas pela súplica eleita

no temperado sabor de um

beijo personificando cada

acto de amor em insolvência

Por cada sonho que restar

outro virá mais inspirado

até me apetecer, habitando-te

num abraço por mim assinado

em definitivo numa transfusão

de amor a dois confinado

Frederico de Castro

496

Pra ser amor...



Pra ser amor

tinha que deliciar-te

aliciar-te sem apelo

nem agravo

Tinha que atropelar teus

silêncios

enclausurar cada eco

fluíndo do teu ser

...e ser não mais a distância

onde mergulhamos nossas existências

subitamente

mas a presença trazida num souvenir

perfumando a vida unilateralmente

Pra ser amor

desembargamos alma

que se prosta carente

Regávamos a sede dos

nossos desejos

com beijos bailando em

cada ditongo aromatizando

vertiginosamente a gargalhada

onde tentadoramente

nos esboçamos

seduzidos

infinitos....explicitamente

Pra ser amor

tínhamos que agitar a noite

vagando no timbre da tua

graciosidade

tínhamos que parir mais

que palavras sedutoras

represar nossos abraços

sintonizados numa carícia

habitando pra sempre

em nós...frenética e tentadora

Pra ser amor

mais que nós dois

tinha que haver um verbo conciliador

um sentir quase predador

transbordando num cálice

de alegria onde te bebo

avassalador

Pra ser amor

tinha que te desbravar

perscrutador

regar-te com guloseimas

de versos tão pecadores

contentar minh'alma onde

em ti me axilo pra

sempre reconciliador

Frederico de Castro

335

Degrau a degrau




Fossem meus olhos bordar a luz nos imensos céus

onde pairam os silêncios teus e então trocaria

de vez o sentido impaciente com que descrevo

nossa entrega sem indiferenças nem contemplações

ao eco das plenas recompensas e sublimes ilusões

Que me ornamentes as palavras tecidas na súbita

poesia abençoada na penumbra dos nossos ternos

e saudosos brados alimentando degrau a degrau

o breve sonho deixado no rodapé do tempo

abandonado neste insano poema escapulindo

no silenciar de um verso acordando sedento

Assim te estendo meu estuário poético onde tudo é aventura

e transita vagarosamente à beira dos nossos rios

como sonhos que se desintegram impressos em cada átomo

de vida avassaladora em cada existência demolidora

onde traduzimos em delicadezas a graça comovida

sorrindo em infinita beleza assim comprometida

Fossem meus olhos olhar-te num instinto de inspiração

e desenharia teus infinitos meteóricos movimentos celestiais

alcatifando a soleira do tempo onde cada afago

domestica os movimentos sensoriais da vida elegante

brotando tão crucial

Fossem os céus os prados memorizados desta madruga

extravagante

onde nos fazemos convertidos e flagrantes

e não mais morreria consumido no sopro da esperança

mas duraria na vulgaridade do tempo estonteante toda

a eternidade expectante excitada pela arquitectura da

sabedoria desabrochando acalentadora e delirante


Frederico de Castro

429

Versos sem destino



Inventei fantasias

imaginei existências

calcorreei motivações

despertei outras conivências

gerei pensamentos bravios

retidos na penumbra da noite

saltitando em convergências

consumindo-me no pavio suave

das tuas perfumadas essências

O mundo esqueceu-se de todos

estes desassossegos

povoando o site das minhas

memórias

onde se trajam as profecias

onde se almeja mais fé

onde se ajoelha esta oração

exposta numa carícia tão

premente em feliz penitência

Agora sou refém dos mesmos

silêncios caminhando a

esmo pelos dias finais

onde tateio um verso sem destino

provocando-te ao ao raiar do tempo

sinuosamente clandestino

Agora a cada hora milimétrica

balançando nos ponteiros desta

frágil existência

adormeço os pensamentos

em desatino

pulando pelos vazios da saudade

onde éramos

versos apaixonados

carícias desesperadas

beijos indiscriminados

Leva-me nos teus sonhos

daqui até além onde

eu tenha todas as chances

de reencontrar-te

quase inevitável transitando

pelo horizonte do tempo onde

costuramos premeditadamente

um naipe de sabores degustados num abraço

deixado estendido...soterrando-nos

de amor assim tão prematuramente


Frederico de Castro

485

Metamorfose da noite



De olhos arregalados rolou ladeira abaixo

a tristeza desencantada cerrando as pálpebras

à noite que chega deambulando desleixada

no tráfego desta vida em metamorfoses

de solidão se esgueirando esfomeada

O que trago no vazio da alma

ficou revogado num estilhaço de silêncios

onde pernoito sem mais interregnos

vestindo o tempo de cambraia

enfeitando a luz da manhã que se despe

pra nós tão intima e dissimulada

A vida percorre todas as correntes de tempo

arrumando-se esquiva na partitura desta poesia

onde disfarço minhas tristezas em páginas

fustigadas de recordações alimentando

outras ilusões quando faço a autópsia à

alma desabrochando a cada momento

Valeu teu distraído sorriso enamorado

aparecendo ao raiar do dia

sentindo-te qual gemido em renascimento

olhando-te toda

desenhando um breve

fragmento de poesia onde condimentamos

todas as invasões deste silêncio

em romaria

bebendo-nos em extâses de carinho

num alfabeto de beijos moldados

na tapeçaria do amor flamejando

insanamente

por cada porção do teu ser que

desfruto inevitavelmente


Frederico de Castro

400

Película de vida



Teu olhar, descortinando

meu poema sedento

num cerimonial brejeiro

acaricia o pomar de beijos

plantado na noite engolida

pela tua

insuportável ausência

que o destino alimenta

pacifica e obedientemente

cinzela

...e nós por fim

deixamos como indulgência

nossas sonhos vulneráveis

deglutidos num feliz açoite por clemência

Todo o prazer nasce-me

em películas de vida perfumadas

em silêncios arrebatados

quando apetecívelmente nos

embrenhamos pacíficos

confundindo nossos seres

amando loucamente

ostensivos

aceitando morrer sacrificados

infestados pela bondade

redentora onde nos embebedamos

unilateralmente recíprocos

solenemente leais

alimentando o amor agora

literalmente inequívoco e serviçal

Frederico de Castro

358

Essa estranha loucura



Num momento da feliz existência

observo as coisas belas e simples

audazes...em convergência

deglutindo de mansinho um tão delicado

beijo pousando em desalinho

na fímbria dos teus lábios

me furtando de desejos revividos

com tanto jeitinho

  • Essa estranha loucura

atrela-se à alma onde distendo

em meada um rol de versos

repintados no teu semblante

repleto de ternura entre

nossos entes em sintonia quase

vorazmente de desejos se acometendo

  • Essa estranha loucura reflete-se

numa doce paisagem onde pincelo

teu ser

deixando tatuado um gesto impregnado

de silêncio repintando cada pegada

que um gracejo quase demente

expõe em delírios mitigados

de amor aconchegados cordialmente

  • Provoca-me toda literalmente

lambuza-me os céus actuais onde

pernoito em ti incondicionalmente

Desperta como borboleta

em metamorfoses de loucura

onde me diluo precocemente

  • Encanta-me com cumplicidades loucas

pra que viva consentindo-te infusa

em mim

bebericando-nos até cair a máscara

do dia

e a noite se embrenhe ululante

na acústica de um cântico regado

de emoções tão galantes

  • Invade-me os versos que deixei

cabisbaixos

à mercê de palavras esquecidas

e tão vacilantes

Emerge nos meus rios pra te

afogar nas minhas vagas ondas

jorrando um sopro de silêncios

acantonados aos teus olhos

que se despem ofegantes em

coreografias celestiais

perfumando gota a gota

o infinito salivar refém dos teus

beijos despertando tão factuais


Frederico de Castro

349

Arquivo dos afectos



Hoje acordo indagando o dia

saciando-me num gomo de luz

que a madruga rouba aos afagos

que busco em ti

quase em vícios que a sedução do silêncio

prostrado

desfragmenta num acesso inquieto

ao relantin...assim como que arquivando

todos os beijos que deixaste

fotografado nos meus afectos

  • Sei como é dificil escrever

uma ausência

ou a existência escorregadia

de tantas ilusões

Fartar-me de poesia até

que todos os gerúndios me abasteçam

o vocabulário

amando

rindo

mirando o tempo onde me encerro

salvando todo o alfabeto de palavras

num pretérito mais que perfeito

assim como um eco ferindo a noite

selando-nos de mansinho

  • Há que refazer os sonhos

bebendo todas as saudades

em tons suaves pela tela da vida

matizando teu ser que adivinho

pulsando neste coração em tudo

convergindo

assim que desabrocha meu verso

correndo

correndo pra te esquadrinhar

em cada momento nesta onda

de silêncios agora remanescendo

  • Com o passar do tempo

ergui a alma feliz

fecunda

parindo qualquer meiguice

que me deixaste no sótão

das minhas saudades qual artíficie

  • Recobrei os sentidos inundando

todo o dicionário com as mais belas estrofes

explodindo num poema quase perfeito

aberto ao decote desnudo desta vida

onde alojamos nossos

seres bolinando trajados de amor

confesso...de todo insuspeito


Frederico de Castro

386

Ébano




Agora não mais necessito da noite

para que brilhes qual ébano entre o

sol dos meus dias sombrios

Tenho conectado em nós um raio de luz

que transparece num eco conivente

reflectindo todos os delírios passeando

pelas artérias do mundo quase indigente

  • Vou citar-te num verso mítico

sem mordaças

nem instintos selvagens

Apenas seguirei

divagando pela arquitectura

de um verbo distinto

onde viajo em cada momento

deixando esporadicamente

no toque da alquimia

um beijo

agrilhoado ao sigilo complacente

tão singelo e rarefeito

  • Será teu ser por

fim meu cais de abrigo

celebrando todos os segredos

que deixei em acta

apalavrando um cântico

numa cascata de sons boémios

uivando contagiados pelo semblante

étnico de todos os desejos mais delirantes

  • O que agora me delicia são

as citações férteis das nossas

emoções

onde idealizo a aurora do tempo

vasculhando cada centímetro das

minhas divagações arrastando-nos

neste tridimensional foco de luz

se desnudando em repletos silêncios

de afectos

e lamentos

reféns numa hora despertando tímida

ao som de uma existência

colorindo o quintal dos meus desalentos

  • Na encruzilhadas de tantos caminhos

é hora de dar ignição ao tempo e fugir

fugir pra junto da docilidade de um carinho

Desfiar todos os laços onde inseminamos

a vida repleta de poemas decifrados

no anonimado

explodindo em nós miscigenados

  • Na aura de qualquer silêncio

depus uma coroa de beijos

inundando todo o dicionário de

palavras lambendo o decote de

um sorriso grávido de desejos

O teu nome rima com gracejos

o olhar penetra-me de lampejos

alojando-se à solidão que sangra

aconchegada ao folguedo

juvenil

ébrio e redimido num poema

derradeiro

fertilizando um sorriso impresso

neste cativeiro


Frederico de Castro

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Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!