Lista de Poemas

Minutos famintos




O que faço das palavras senão a

minha arma perpetrando-te

como as ciladas que invento

ao alimentar a inspiração

faminta em cada momento

  • Que faço dos meus versos

senão as pontes tangenciais

onde unimos as margens do

silêncio

reencontrando-nos a bordo de cada

palavra navegando de contentamento

  • Que faço das minhas rimas

deixadas no réveillon dos tempos

sem sequer me consumir no sabor

da tua harmonia trajada

no colorido dos ventos

deixando todas as vogais atónitas

espraiar-se na sonoridade intercalada

nos desejos e nas preces

despressurizando-me tão caladas

  • Que faço da poesia

morrendo grávida e faminta

por uma rima que tarda

e depressa se requinta

regurgitando sonoridades

quase perfeitas

formosas

e toantes

desembocando na grafia

de um verso rimando sem limites

em emoções tão beligerantes

  • Deixarei que outras palavras

embriagadas na noite

contornem o semblante esquivo

e expectante do teu ser

Pincelem o tamanho das lágrimas

que espiam o eco pitoresco de uma

eleita ode se refinando na ermida

dos silêncios tão quânticos

e inebriantes

Frederico de Castro

434

Luzeiro dos silêncios




Confiro a luz que trazes

nos olhos

grávida de esperança

Abasteço a noite com o luzeiro

nocturno

iluminando-te até que

o rasto do teu ser

se extinga soturno

  • Deste-me a eloquência num raio

travesso de luz embebida

em lamparinas de prazer

incendiando as noites galopantes

passando errantes entre

as tendas anónimas onde

pernoitamos inebriantes

  • Cumprimos a tradição

marchando no riso que

iluminará os faróis espelhando

nossos passos viandantes

Revelaste-me o perdão

num relampâgo de prazer

redundante

percorrendo as tempestades

brejeiras ornamentadas

numa delicia nocturna

quase asfixiante

  • É tempo de apagar as luzes

Parar o tempo numa meta

vitoriosa e sem atenuantes

onde nos embrenhamos empolgantes

caçando todas as réstias de luz

dormitando ao colo

dos silêncios tão estonteantes


Frederico de Castro

565

Aparências




À dor neguei tua partida

quando partiste

e eu

sem esperança

ao tempo estanquei qualquer

queixume por te ter

na minha ausência

quando despertámos mais confidentes

aposentando qualquer felicidade

baralhada pelo destino

inevitável,fugaz

camuflado de tanta criatividade

Darei o mote aos versos

acasalados na madrugada onde noivámos

nossas lendas longínquas

esculpidas à proa dos ventos

Urdirei nas palavras alheias

tuas aparências magnificas

coincidentes

reservadas só pra mim na ode

lírica onde musicámos a vida

tão complacentes


Frederico de Castro

555

Silêncios vespertinos




Medra o rumor das águas

enquanto por ti caminho

vespertino

diluindo as escuridões do mundo

rompendo pela alva

tão copiosamente

revelando-te os segredos

num punhado de versos inacabados

  • Conciliei minhas orações

repetindo-te a existência inédita

dos nossos seres religiosamente

intuitivos

sagradamente cativos

  • Mostrei-te os salmos declamados

no périplo da vida andante

alimentando o pasto da nossa fé

mais perseverante

decretando pelas ruas deste destino

um rugido travesso

partindo nas carruagens do tempo

itinerante

convertendo até as sombras num silêncio

final, perpétuo e revigorante

  • As datas nos dias extinguiram-se

embrulhando sossegadamente

uma hora que ficou perdeida

no tempo

  • Restou o senso da noite despertar

para nós de espanto

enquanto contigo

à luz excelsa de um desejo

regámos a esperança que ressuscita

numa súbita brisa escrita no

Evangelho do nosso encanto


Frederico de Castro

451

Porteiro da noite



O porteiro da noite escancarou

o silêncio nascido na vagem

desta poesia

procurando um colo onde

pernoitar no semblante

predador de um beijo

que desperta alucinante


Foi benigna tão

farta excitação

quando destranquei a loucura

onde me embebedei de paixão

Converti mílimetricamente

este momento numa pílula

de felicidade colorindo a dor

que descalço momentaneamente

assim

tu envergues minha solidão

conversando tranquila

entre dois gomos de poesia

desordenada em verberação


Viver com a meta

já ali neste destino equivocado

é aclamar à marcha do tempo

onde filtramos palavras

movediças

carregando no ventre o

infinito poema transitando

nas avenidas do tempo

tão esquecediças


Andarei bramindo toda

a existência latindo em nós

descontente

aconchegando-me ao espiral

de silêncios onde premedito

a vida batendo em sístoles

tão lactentes

esvaziando o átrio deste coração

onde me enfarto com diástoles

tão persistentes


Vivo desta contemplação

quase eterna

deixando fibrilhar todo

este agitado poema em constante

arritmia e apelação

alimentando o habitat da razão

onde nossas gargalhadas celebram

o milagre que acontece

num desejo em constante desfibrilação


Frederico de Castro
471

Sopro de vida





Importei as tranquilidades do silêncio
pra dentro de mim
desafiando meu embriagado canto
que enlevo beber
nos lábios teus
assim enobreças a doce manhã
onde em ti cada beijo caber
-São palavras essênciais
ressurgindo no tempo etéreo
desintegrando
o fogo
a luz
a fonte onde rompendo as águas
beberemos indissolúveis cada
pausa de saudade assediada
à tua janela
- É um sopro de vida apartado
que repousa singela
entre solidões...de sentinela
assim irremediavelmente marcadas
convergindo até à morada efémera
por onde desencaixotamos
de vez tão fugaz imortalidade
recompensada pelos mistérios do amor
sem destino nem inquietações
apenas
tu e eu
embriagados na misticidade dos
nossos solidários corações
Frederico de Castro
507

Albergue dos silêncios




O pranto autenticou

meus desalentos

albergando as saudades

estampadas

nestes versos

semeados na eira do tempo

onde perpetuamos a vida

despertando feliz emancipada

  • É a face da tristeza já corroida

no tempo

marchando ao desencontro

dos silêncios deixados à

mercê de uma lágrima

que urge neste reencontro

Os dias vestiram-se de cinza

sufocando meus céus de melancolia

soluçando gotas de chuva

que desabrocham tentadoras

pela folia

  • Oiço o tempo bater lá fora

na urgência condimentada

de um adeus caminhando

pelo marasmo dos dias

algemados ao longínquo destino

deixado entre os escombros de um poema

escrito à minha revelia

desembarcando no berço da existência onde

me eclipso pra sempre tão clandestino


Frederico de Castro

561

Baú das memórias



Ali ao lado
juntinho a uma página escrita
em branco
mora o tempo insuflado em memórias
que a saudade descobriu no baú
da vida tão migratória

Ali a o lado
cruzam-se os jogos de palavras
martelando estes versos devagarinho
empihando-os no silêncio
que descamba
quase num chorinho

Ali ao lado
vi sucumbir a primavera
pela ponta do tempo
gemendo ao relento da noite
onde desabrocham
um poema
uma confissão
tantos beijos
perfumados de alfazema

Ali ao lado
no baú das memórias
assumo o trono
desta poesia alcatifada
ao cetro soberano
onde elejo a adulante luz
que mergulha feliz
num manto real suserano

Ali ao lado
rebelo-me todo
tatuando um hieróglifo
de emoções plenas
divertindo a arquitectura
das palavras arremetidas
sem faixa etária
nem insígneas que o silêncio
acomodou
neste hospício do tempo
que o tempo em pinceladas
de desejos pra sempre
teu retrato emoldurou


Frederico de Castro


945

Perfeito silêncio




Vou deixar quieto

o meu silêncio

Contentar-me em alegrar a fachada

onde deposito plenas gargalhadas

embrulhadas no tempo perfeito

quando enfeito todas as calmarias

debruçadas na ténue luz da manhã

que respira escaldando minh'alma

escancarada

no páteo de tuas cantarias

  • Esqueci-me das palavras

neste perfeito silêncio

Penetrei nas sombras da noite

atando-te ao gomo de luar

onde semeio uma grata aurora

forasteira

em ondas ébrias entardecendo

meus horizontes, vagando por ali

nas tuas trincheiras

  • Afogámos nossas esperanças

num almanaque de palavras gentis

içando estes versos

num perfeito silêncio

convergindo num destino que pulsa

velando nossa existência infinita

manufacturada na fímbria da noite

que agora fenece tão explicita

  • Observo o madrugar dos meus

sentimentos

velar-te imarcescível

enquanto partilho pelas veredas

do tempo

um solicito beijo correndo

apressado por ti

tão apetecível

  • Parei do lado do tempo

plausível

entregando-me ao feliz

suspiro deste perfeito

silêncio

quase irreversível

  • Deixei-te sem palavras...irrepetíveis

nem saudades intransponíveis

apenas o que restou

deste poema em fragmentos

proféticos abotoado ao degredo

que me deixou tentadoramente

por ti disponível

na eternidade implacável

de um silêncio sorrateiramente inaudível


Frederico de Castro

490

Culpado ou inocente



São ternas as noites
e longas as insónias
que fotografo na moldura
de um raio de sol adormecido
entre madrugadas tecidas
em vagas de solidão mareando
o tempo com candura


- Apetece-me só
permanecer entre teu regaço
imigrando nos alados beijos
que me deixaste em recato

- Este é só meu jeito
de dizer
como mergulho nessa luz
abraçando-te num soberbo
sorriso
que pousa na tua pele
incendiando nossa temperatura
libertando o dia que
fenece em silêncios e súplicas
de loucura

- Nem sei mais
se imploro por um sorriso
qual unguento feliz e travesso
ou
se em ti me converto
em homenagem arquitectada
entre margens de um rio
onde saciamos os silêncios
exterminando o sequioso tempo
em fuga felina...quase tão derradeiro


- São pequenos passos
convergindo na fragrância
da noite onde assumimos
a culpa ou inocência
onde
digitalizamos cada sonho
fotocopiado em excertos
coloridos de emoção e conivência

- São ecos do coração
batendo sorrateiros em taquicardia
prescrutando no monitor dos dias
o endereço das distâncias que
sossegam tantas arritmias desfibrilando de emoção


-São sombras vaidosas
que se vestiram nos destinos
da noite coreografada num poema
quase clandestino
não fossem tuas lágrimas
o oceano onde me embebedo
destas manhãs sem trajecto
nem instintos
apenas nós
habitando-nos famintos
arrastados no sopro febril do dia
equatorial e tão repentino


Frederico de Castro
470

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!