
Calei-me
Deixei passar todos os ecos
perfilados na ausência
da tua voz
Revelei todo o silêncio aprumado
no dorso deste verso
me consumindo pela noite onde
me esgueiro quase inanimado
Frederico de Castro

Agora não mais necessito da noite
para que brilhes qual ébano entre o
sol dos meus dias sombrios
Tenho conectado em nós um raio de luz
que transparece num eco conivente
reflectindo todos os delírios passeando
pelas artérias do mundo quase indigente
sem mordaças
nem instintos selvagens
Apenas seguirei
divagando pela arquitectura
de um verbo distinto
onde viajo em cada momento
deixando esporadicamente
no toque da alquimia
um beijo
agrilhoado ao sigilo complacente
tão singelo e rarefeito
fim meu cais de abrigo
celebrando todos os segredos
que deixei em acta
apalavrando um cântico
numa cascata de sons boémios
uivando contagiados pelo semblante
étnico de todos os desejos mais delirantes
as citações férteis das nossas
emoções
onde idealizo a aurora do tempo
vasculhando cada centímetro das
minhas divagações arrastando-nos
neste tridimensional foco de luz
se desnudando em repletos silêncios
de afectos
e lamentos
reféns numa hora despertando tímida
ao som de uma existência
colorindo o quintal dos meus desalentos
é hora de dar ignição ao tempo e fugir
fugir pra junto da docilidade de um carinho
Desfiar todos os laços onde inseminamos
a vida repleta de poemas decifrados
no anonimado
explodindo em nós miscigenados
depus uma coroa de beijos
inundando todo o dicionário de
palavras lambendo o decote de
um sorriso grávido de desejos
O teu nome rima com gracejos
o olhar penetra-me de lampejos
alojando-se à solidão que sangra
aconchegada ao folguedo
juvenil
ébrio e redimido num poema
derradeiro
fertilizando um sorriso impresso
neste cativeiro
Frederico de Castro

Sigo o latido dos
silêncios que correm
em debandada
Desperto no dia
insurgindo-me no valsar
de tantas gargalhadas que
teu sol irradia
Renova-se cada milagre
saltitando em sinfonias
doidas
sem rédias
silenciosamente selvagens
deambulando neste poema
ancorado em rebeldia
Descanso por fim
enfeitando a noite
estupefacta
tão solitária como a hora
que se despe no tempo
quase intacta
O perfume que o dia tece
em tuas pétalas trajadas
de primaveras
inunda de cor
as constelações docemente
iluminando todas as essências
viajando na minúcia deste poema
caiado de alegria
onde albergo a meiguice
ensurdecedora de um beijo
imergindo
delicadamente em ti
em soluços condimentados de euforia
que num instante breve
latindo
a todos embebeda e inebria
Frederico de Castro

Ali ao lado
juntinho a uma página escrita
na brevidade de uma caricia
mora o tempo insuflado em memórias
que a saudade descobriu no baú
da vida tão migratória
Ali a o lado
cruzam-se os jogos de palavras
martelando estes versos devagarinho
empihando-os no silêncio
que descamba
quase num chorinho
Ali ao lado
vi sucumbir a primavera
pela ponta do tempo
gemendo ao relento da noite
onde desabrocham
um poema
uma confissão
tantos beijos
perfumados de alfazema
Ali ao lado
no baú das memórias
assumo o trono
desta poesia alcatifada
ao cetro soberano
onde elejo a adulante luz
que mergulha feliz
num manto real suserano
Ali ao lado
rebelo-me todo
tatuando um hieróglifo
de emoções plenas
divertindo a arquitectura
das palavras arremetidas
sem faixa etária
nem insígneas que o silêncio
acomodou
neste hospício do tempo
que o tempo em pinceladas
de desejos pra sempre
teu retrato emoldurou
Frederico de Castro

Nem sei se te descortino ali
juntinho a um abreviado adeus
quando conectei o wireless num ponto
qualquer no modem dos teus desejos
utilizando o bluetooth dos nossos afagos
alimentando a osmose desta interface
endereçada ao teu e-mail no areópago
das conexões @ . com
onde tantos...tantos, milhões de desenlaces
se configuram em digressões virtuais
via satélite ou na fibra óptica sintetizada
num chip repleto de emoções
perdi a ligação wi-fi numa rede
periférica entre cortada por brados
deste hardware do qual me tornei
fiel usuário
a compor a memória dos teus
anseios
insiro no motor de busca
a fonte onde formato
o tempo trajado de tantos galanteios
alimentando um servidor disponível
e crucial
num download exclusivo para os
meus ficheiros protegidos por
direitos autoriais
esgotou-se na homologação
dos dias
quando desligámos a hiper banda
de tantos abraços comercializados
por hackers incorporados
no sistema banal
assim monitorado por um anti-virús
tão passional
deste meu wi-fi tão convergente
alimentado num protocolo
de beijos on-line
visualizado nos limites de uma
rede social interactiva
pernoitando naquele blog de desejos
que se postam
nestes versos direccionados para
o link do teu ser onde por
fim e sem mais atalhos
e em toda a banda larga
digitalmente nos conectamos
Frederico de Castro


O que faço das palavras senão a
minha arma perpetrando-te
como as ciladas que invento
ao alimentar a inspiração
faminta em cada momento
senão as pontes tangenciais
onde unimos as margens do
silêncio
reencontrando-nos a bordo de cada
palavra navegando de contentamento
deixadas no réveillon dos tempos
sem sequer me consumir no sabor
da tua harmonia trajada
no colorido dos ventos
deixando todas as vogais atónitas
espraiar-se na sonoridade intercalada
nos desejos e nas preces
despressurizando-me tão caladas
morrendo grávida e faminta
por uma rima que tarda
e depressa se requinta
regurgitando sonoridades
quase perfeitas
formosas
e toantes
desembocando na grafia
de um verso rimando sem limites
em emoções tão beligerantes
embriagadas na noite
contornem o semblante esquivo
e expectante do teu ser
Pincelem o tamanho das lágrimas
que espiam o eco pitoresco de uma
eleita ode se refinando na ermida
dos silêncios tão quânticos
e inebriantes
Frederico de Castro

Ilusionista dos sonhos
emerjo profundo na senda
de cada devaneio
escavando no meu ser
o clarão de felicidade que toda
a alma enxerga
quando desesperadamente
por ti tanto anseio
deixo o luto dos meus
silêncios apaziguar-me
em teus galanteios
onde mendigo um pequeno
farrapo de alegria quando
nocturno te pastoreio
despojo neste tempo
um caudal de palavras
escritas em todas as horas
onde me esgueiro
acelarando toda esta excitação
trajada num verso que tateio
num ameno silêncio
algemado às miragens
desta vida onde habito
quase excêntrico
ilumino os vitrais desta existência
dissimulando as sombras
recolhidas nesta transparência
espiritual
onde creio
me intruso em cada capítulo
colado à derme do tempo
que foge de permeio
toda a noite sedada
convertendo a luz dos pirilampos
numa marcha de incandescências
desfraldando o espectro
descalço deste destino
em cânticos de vigília
inspirando os versos
onde por fim me aconchego
e te escrutino
nos braços impetuosos de uma brisa
emolduro o relicário do tempo
onde incudo minhas dores
dormindo casualmente no regaço
do silêncio me consumindo inexoravelmente
Frederico de Castro

Esculpirei mais letras
desta poesia
conciliada em preces
comemorativas de vida
Entoarei melodias sopradas
por palavras surradas e
divertidas
nos embebedando em atos
de amor se desvendando
na pausa da manhã nascendo
de fé tão convertida
Sou capaz até
de conspirar contra a inevitabilidade
de um desencontro
mas revelarei
se quiseres
onde deixámos enlaçados
tantos abraços
tantos queixumes escorrendo
de mansinho nesta impaciência
que espera a cada momento
novo
o reencontro definitivo,emotivo
como antes
num dia cheio de canções
vestidas de improviso
num beijo cantado de excitações
Se ficares por aí
aqui estarei
despertando teus silêncios
que me ferem a calmaria
consumida pelas insónias
exibidas em fragmentos
cinematográficos
onde me rendo incondicional
à subtileza instintiva dos teus beijos
embriagando minha narrativa
persuasiva...tridimensional
Foi-se a noite
encrespando cada elegante manhã
que se perde neste Março
retocado de sedativos
onde morre tua ausência
repetitiva
só esperando minha serventia
por um minuto de eternidade
ou quem sabe
prorrogada mais além
onde mora só mesmo a saudade
Frederico de Castro

Sinto no apelo destes olhos que me fitam
um cego olhar rasgando as inquietações
inundando os beijos meus que ao teu redor
se despem e explicitam
Basta desfolhar o tempo repartindo-o
serenamente até onde gravitam
as respostas inconfundiveis
decifrando-te nos dispersos
murmúrios intangíveis
quando ditas veementemente
no calor de tantos desejos
impassíveis
deixados degostar-te pela nesga
da vida onde te saboreio
tão promíscuo e peremptoriamente
antídotos pra me resguardar
dos vícios tatuados num verso
incompatível
Apenas bastava alcançar-te com palavras
irrefutáveis
silenciando tua fisionomia escondida
ente mim
e as carências de um olhar partilhado
inalando-te tão vulnerável
descortinando nossa sobrevivência
deixada na cíclica manhã submersa
entre insuperáveis desejos acantonados
no tempo de todas as cumplicidades
vestindo as ilusões
num beijo versátil
pintado num dia onde sepultámos
de vez nossas insanidades
Frederico de Castro