Lista de Poemas

Nocturno




Soltam-se as noites
em ventos acometidos
no breu dos tempos
Diverte-se a solidão
dormitando em cada manhã
que fenece consumada
crepitando, astuciosa
pelas insónias apagando
todas as escuridões do dia
morrendo exumadas
- Deixei de ler na biblioteca
de minha existência
cada instante onde tatuei
os versos nocturnos
promulgando a brevidade do tempo
que minh'alma consolará
despojando o nome que
soletro
e em cada despertar
olhasses
e me desejasses
toda tu até meu sono
velasses
-,Corremos ao sabor da noite
como a água madrugando
no leito fraterno dos teus beijos
Emancipamo-nos tranquilamente
entre as margens do tempo
deleitando-se tentadoramente
na frescura de um verso
aninhado ao vago e brando
olhar que te ofereço
quase marginalmente
- O tempo deixou suas portas
escancaradas às palavras
quietamente semeadas na
planície infinita dos nossos
sonhos
onde cada minuto se faz
minha existência
e o rumor da eternidade
inexoravelmente o abraço
onde cochila nossa conivência
e cumplicidade

Frederico de Castro
512

Conficções




Do tempo quero somente
que me despojes deste corpo
que te invade
Ser o esteio numa promessa
que não se cumpre
soprando nos dias teu
palato com gosto de sonho
sonhando devagarinho
insuflado de paixão
ao colo do teu leito marinho
Do tempo restam
só palavras meigas passarinhando
nos teus silêncios em burburinho
sem te escamotear os medos
atrelados nos ventos felizes
que em ti esquadrinho
Restam somente
uma resma de versos
degladiando-se entre a leda
madrugada que em ti
toda se satura
e a hora
vadiando no pelourinho
de uma fresca brisa dissolvendo-se
no húmus da Terra
nutrida, insólita
em oferendas de amor
tão implícitas
Restam minhas confissões
sustidas em prantos
que já lá vão
embaralhando o naipe de palavras
onde me alimento desvairado
de quase nada
ou de tudo que deixo escrito
na luminescência dos dias
correndo pra nós entrincheirado
Restam sonoridades
pautadas na caligrafia do tempo
acariciando cada letra despertando
na plenitude dos ventos
chamando à vida todas
as aguarelas colorindo esta
poesia toda ela
de ti se empanturrando

Frederico de Castro
425

Coisas banais



Medito até nas coisas não escritas

numa folha de papel em branco tão banais

Remendo os mesmos silêncios por onde hiberno matinal

Aprumo aquele bocejo deixado na corrente da vida

arguta e passional

fugindo-nos no rascunho do tempo

compulsivo e casual

assim que deixo a vida inventar-se

passageira, reciclada e tão cordial

Vou desabotoar o dia e fazer soar o eco

das palavras forjadas em conversas

banais

cicatrizando este poema inquieto

ocasional

quase, quase em estado terminal...

Frederico de Castro

515

Da noite...ao silêncio



És o sonho atiçado
onde me aqueço
num fogo aconchegante
abrasado
És o tempo que se esvai
qual carrasco pelos ventos
andante
num altar dos meus prantos
dilacerado
Desta noite que se espreguiça
errante
ainda sei como te suspiro
profano
sugando todas as lembranças
nos teus lábios apetecidos
toda me cobiçando
Vou desabotoar devagarinho
estes versos apaixonados
redescobrindo tuas margens
a mim se entrelaçando
algemando o suficiente
silêncio
que furto à noite inundada
com o assíduo perfume
dos teus vícios
E enquanto cai um chuvisco
solitário da manhã
tenho-te toda
ávida em fatias de desejos
quase beligerantes
indefesa
esbatida em calmarias no meu solestício
que agora sossegadamente sacio
Sei que às vezes
somos somente nós vivendo
neste hospício de tempo
serenos
sem artifícios
latindo latentes até à exaustão
fugindo esfaimados pelos exímios
versos vadiando nas brisas
dançantes
onde me refúgio nos meandros
de um silêncio quase estonteante
Frederico de Castro
557

Inverno neste dia...






Em cada poente renasce

fiel

toda a cumplicidade

quando pende pra ti

meu sol envergonhado

te abraçando de soslaio

  • Deleito-me com os fados desta vida

murmurando-te encarcerado

juntinho a cada faúlha de tempo

que me foge exasperado

  • Restaram lembranças

constantemente inacabadas

embaladas

e esquecidas numa perdida gargalhada

adormecendo cuidadosamente

confeccionada no teu esbelto infinito

  • Fez-se um eco correndo

veloz no dia

vestindo a manhã ornamentada

de beijos estupefactos

deliciosamente nos envolvendo

até que asfaltes de vez

tantos sonhos inesperados

  • Deixa que o inverno neste dia

se repita numa enxurrada

e abraços tão predadores

escapulindo a tristeza

em cada migalha de vida

numa hora eterna

reconfortando nossos retratos

estampados

num gomo de luz transpondo

todos os véus deste céu

repleto de um fiel silêncio

enamorado

  • Amanhã percorrerei as mesmas

veredas do tempo

perfumando a terra com

teus incendiantes desejos

espalhando aos ventos

todas as paisagens onde te

invoco pernoitando súbtilmente

em cada impacto

de um beijo teu

deixado ali na penumbra do dia

anandonado...meticulosamente

  • Os sonhos cercam cada lamento

esquecido

esgueirando-se em muitas horas

dissipadas num olhar meridional

compelindo nossos vendavais

até ao louco despontar da

solidão deflagrando em sílabas

sedentas de paixão

desatando os grilhões do silêncio

onde pronuncio teu súbtil ser

quietamente

vagando em mim toda em bulício

espontaneamente

Frederico de Castro

456

Fissuras no tempo




Prometeste fantasiar-me

as noites com luzeiros

matizados de poesia

iluminando meus silêncios

lúcidos

deportados no equinócio

primaveril

onde germina teu celeste

horizonte remisso

alinhando-nos em bailados

de amor...com arte

de um sorriso que

feliz

eu sei

tantos,extasia


Prometeste desmascarar

o tempo onde nos comprometemos

aliciando a vida

plagiada

com rimas e ritmos lavrados

ao sabor da essência que

perfuma nossa solidão

espraiada em actos conciliados

de amor em conspiração

Recorremos num ápice

à poesia que nos revela

observando a criatividade

onde edificámos nossas existências

proliferando em cada palavra

asfixiada numa

estrofe trajada de

suspiros sorrateiros

desabrochando breve

em tangentes de pura longanimidade


Na poesia

mora toda minha solidão

reportada na fissura

do tempo

onde colho todos os lamentos

deixados na excentricidade

chorosa de um sonho

atiçado...em deslumbramento


Em cada noite que restar

repartiremos a elegância

num gomo de luz

até esta se fazer em

novos ciclos de vida explícita

predestinada

escrita nesta ortografia

grávida de contentamento



Frederico de Castro
505

Latido dos silêncios




Sigo o latido dos

silêncios que correm

em debandada

Desperto no dia

insurgindo-me no valsar

de tantas gargalhadas que

teu sol irradia


Renova-se cada milagre

saltitando em sinfonias

doidas

sem rédias

silenciosamente selvagens

deambulando neste poema

ancorado em rebeldia


Descanso por fim

enfeitando a noite

estupefacta

tão solitária como a hora

que se despe no tempo

quase intacta


O perfume que o dia tece

em tuas pétalas trajadas

de primaveras

inunda de cor

as constelações docemente

iluminando todas as essências

viajando na minúcia deste poema

caiado de alegria sorrateiramente


Ali é onde albergo a meiguice

ensurdecedora de um beijo

imergindo

delicadamente em ti

em soluços condimentados de euforia

que num instante breve

latindo

a todos embebeda e inebria




Frederico de Castro
429

Cidade celestial




Para lá de todas

as fantasias dormitando

entre celestiais coreografias

do tempo

submergem felizes

os ventos gratinando a vida

que brada veemente

em tons e matizes coloridas

de esplendor

consumindo a brevidade

e as longas horas

em que respiro cada revelação

escrita em profecias coloridas

de unanimidade


Eis-me flertando o teu silêncio

Eis-me falsificando o tempo

só pra te ter recôndita

em mim

Eis-me conivente

com tuas inocências

solidário, diligente

exergando-te sem ambiguidades

sucessivamente


Preso à plenitude da manhã

onde dissecamos as saudades

deixadas

tão óbvias,tão cordialmente

Encontrar-nos-emos

em outras cidades celestiais

transformando a morada

dos nossos seres em

engenhosos pilares que

sustentam o amor


Consumaremos as palavras

invisíveis em ecos

penitentes de fé

Satisfaremos cada existência

meditando na solidão

que foge tão inesgotável

num ápice

deixando-nos só um

longínquo e breve adeus

sem domícilio nem remissão


Eis-me aqui

figurante do tempo

neste teatro de vida

onde me exilo ágil

enclausurado no funil

deste destino

desfilando em enredos

tão tácteis


Eis-me aqui

onde habito deportado

rabiscando um verso

devorador,

esculpindo-te desapressado

sem arestas de melancolia

nem a penumbra de um

raio de sol arisco

iluminando esta noite insólita

que morre esquiva

nas prateleiras do tempo

lambendo somente cada desejo

mais intrusivo

galgando-te volátil, ostensivo


Frederico de Castro
1 098

Tempo de afectos




Despeço-me dos afectos que

se enrolam no tempo

turvando o olhar que divaga

em ondas insufladas de esperança

chicoteadas com tanta fragilidade


Contento-me em atar

os meus destinos

ao final de uma eternidade

que nos acena no indigente

dia que morre quase felino


Aceito cada gomo de solidão

como quem destranca todas as portas

deixadas entreabertas no limiar

genuíno de cada beijo trajado no anonimato

de todos os ecos costurados em sofreguidão


Na elegia deste adeus

me afasto na escuridão

ou na meiguice do teu perfil

onde apréguo mais que os silêncios

a tua essência matreira

prenhe de emoções quotidianas

moldando-nos a todas as

homenagens validadas no tempo

que urge tácito

neste Outono perene e tão pálido


Vou deixar por instantes

que adormeças todos os meus céus

algemando a luz como troféu

pousar em todas as minhas luas

amadurecer todas as minhas ternuras

como a fé que se propaga marginal

entre a baínha de tempo

e as paisagens que afloram nos ventos

e rituais de eterna formosura


Vou ficar quieto

até sossegar a alma que se

gera em cada excêntrica hora

de aventura

Vou confiar na imaginação que

cruza cada inolvidável dimensão

do tempo


Alimentar-me de cada átomo

quântico que decifra meu

vocabulário dançarino

orbitando na magnitude de um

beijo matutino

onde em acordes de amor

deixo que todo este

cosmos longínquo me transforme

num poema afagado em clamor

derradeiro...infinito


Frederico de Castro
435

Voltar no tempo




Decifra-me se puderes
encontra-me neste poema
tantas vezes reescrito
onde mergulho cada palavra
no tempo infiel e proscrito
Reserva-me todos os murmúrios
onde transformamos gargalhadas
em versos de prazer inédito
alimentando o sinédrio dos meus
juízos tão itinerários e frenéticos
Data-me o tempo
que se escoa na espessura
limítrofe do vento
Cubram-se os céus factuais
onde te invento
em vícios quase premíscuos
e delimito minhas orações
nas asas arfantes de um anjo
que vela até
meu arrependimento
Voltar no tempo
onde entreabimos a alma
com beijos
e atiçamos nosos seres
com abraços
que se apressam em fuga
delicadamente
mal a manhã vindoura
te ostente de vida inexoravelmente


Frederico de Castro
440

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!