Lista de Poemas
De viés para a solidão

Em diagonal e quase de viés o tempo confina um
Oblíquo silêncio imaturo, desenfreado e tão inseguro
A luz ofuscada desata os nós a um breu fiel e maduro
De viés todos os segundos dominam uma hora prenhe e lasciva
Olhem como se esconde aquela escuridão intima e possessiva
De soslaio ficou a vida vivida com esta absurda intensidade regenerativa
De viés para a solidão as palavras amordaçam um eco senil e furtivo
Além um dueto imaginário de lamentos adormecem castrados e pensativos
Todos os instintos mais labirínticos fertilizam meus silêncios ilógicos e erosivos
Frederico de Castro
94
Sereno silêncio

- para uma amiga que partiu...
Neste sereno silêncio peregrina a luz da manhã
Tão arguta, tão perspicaz, quase felina e audaz
Da noite restam vestígios de uma prece quase voraz
Neste sereno silêncio recorda-se um olhar apaziguante
Fica como atenuante um adeus vagaroso e embargante
São as sequelas deixadas na saudade tão imensa e pujante
Frederico de Castro
64
À Cata do SOL

À cata do SOL a manhã desnuda-se numa prece tão sensorial
Além uma penumbra suave e subtil amara nesta estrofe escultural
Deixa um solfejo de palavras musicar a luz que renasce tão transcendental
Nas entrelinhas do tempo escorre a seiva de um sorriso sempre portentoso
Orquestra-se aquele instinto meigo perdido na estratosfera de um eco delicioso
É a total confraternização dos prazeres contidos num poético sonho tão precioso
Frederico de Castro
75
Indulgente luminescência

Resvala pelo silêncio a manhã tão meiga,tão carente,tão estética
Qual maná caindo dos céus sua luz flutua comovida e antipirética
Febrilmente cada hora desagua à beira da maresia tão profética
Indulgente e mais benevolente intimida-se um uivo tão selvaticamente
Nas encruzilhadas do destino a vida pincela-se de ilusões tão convergentes
Urgente é inspirar as palavras quânticas, frenéticas e mais coniventes
Frederico de Castro
66
Extra-sensorial

Um silêncio extra-sensorial flui na plumagem do tempo marginal
Qual flâmula luzidia flameja irreal, acidental...tão crucial
Já amadurecida a solidão plagia um intenso sussurro quase fatal
Este silêncio extra sensorial ausenta-se num lamento tão factual
Nutre a derme de minh’alma derramada num harmónico desejo viral
Ressuscito algemado e tatuado a cada palavra felina e confidencial
Frederico de Castro
103
Com olhos de ver

Com olhos de ver o tempo furta sessenta segundos voláteis
Consubstancia cada hora despida de sussurros tão portáteis
Enxagua o horizonte adormecido no meio de ilusões mais versáteis
Com olhos de ver a solidão consuma o assassinato de cada breu retrátil
Algema toda a escuridão alimentada pelos despojos da noite pulsátil
Escorrega pela seiva do silêncio imarcescível, hospitaleiro e tão táctil
Frederico de Castro
65
Estados da alma

- para o Ciro, Lucas e Noemi
Um brisa doce e perfumada trilha a imponderabilidade
Do tempo despertando numa prece carente e tão esmiuçada
Gracilmente a solidão sussurra por entre cada carícia esfaimada
Na alma um turbilhão de memórias acontecem sempre excitadas
Uma tempestade de palavras ecoam livres, confidentes e lapidadas
No ar sente-se a sinestesia das emoções apaladadas, olfativas e bem expiadas
Frederico de Castro
152
Prece matinal

Pousada na ombreira do tempo a luz embeleza uma
Palavra desvendada ondulando nas pétalas do silêncio integral
Cada verso penteado por uma prece surreal, adormece feliz e imperial
Nos jardins da esperança beberico a luz confinada a um pranto sacral
No naperon das memórias borda-se uma página de vida tão confidencial
Sobre mim naufraga um derradeiro suspiro, intenso, inspirado e providencial
Frederico de Castro
144
Um abrigo no silêncio

Encontrei um abrigo no silêncio e nele adormeci
Refastelado e abarrotado de emoções acidentais
Inacabado o tempo fenece e jaz ao redor de tantos
Segundos expressivos, rabugentos e bem camuflados
No silêncio da manhã o tempo entrelaça-se a esta
Memória carente, endemicamente carente e insaciável
Irreversível a solidão mutila qualquer palavra irrefutável
Resta o absoluto despojo de um sussurro imenso e inescrutável
Frederico de Castro
145
Esboroar da alma

Indomáveis brisas planam na epiderme dos silêncios
Corteses, serenos, afáveis e absurdamente formidáveis
Assim se esboroa a alma sincronizada aos desejos inenarráveis
Além uma gigantesca gargalhada flui solitária e inimputável
Vagarosamente traveste a vida num par de segundos inexoráveis
Na penumbra dos dias resplandecem palavras famintas e insaciáveis
Frederico de Castro
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