Lista de Poemas

Num momento...


Num momento de tempo o tempo sucumbe algemado
A este colossal silêncio decadente…oh tão indulgente
À superfície das emoções emerge uma hora quase inclemente

Num momento de tempo a vida refloresce harmónica e conivente
De sorriso em sorriso escancara-se uma gargalhada tão afavelmente
De prece em prece a fé aperalta o altar dos sonhos mais transcendentes

Num momento de tempo a música baila ao sabor de uma carícia fremente
Corteja e flerta a luz da manhã que renasce intemporal, e tão peneirenta
Além um desejo vagabundo e eloquente desfragmenta-se numa rima evidente

Frederico de Castro
114

Silêncios do sul


Ouço um silêncio vindo do sul e nele flutua minha
Prece tranquilamente indiscutível, felina e intangível
As Palavras desvairadas adentram este poente quase invencível

Do sul a maresia navega à bolina de um brisa fresca e irresistível
O oceano vestido de ondas pacíficas amara além fiel é percetível
Dos céus cai uma luminescência miudinha, picuinhas e insubstituível

Pigmentos de solidão mergulham na doce melancolia do tempo remível
A eternidade pare milhões e triliões de horas indigentes e imprescindíveis
Egoísta e temível cada eco infiltra-se no anonimato dos silêncios mais irreversíveis

Ffrederico de Castro
167

Anarquia dos silêncios


Na anarquia dos silêncios sobrevive um eco quase asfixiado
Diacrítico o tempo modula a fonética de cada desejo enamorado
Sem til, acento, cedilhas ou tremas o dia reverbera quase tresloucado

Na anarquia dos silêncios cavalgam palavras e verbos tão fictícios
Adentram o bordel dos silêncios e sussurros vorazes e catalíticos
Renascem a jusante de todos os voláteis lamentos mais apocalípticos

Frederico de Castro
141

Indisfarçavelmente...


Sibila a solidão indisfarçável meteórica e benevolente
Plena de empatia a manhã amamenta sua luz tão indulgente
Cada hora servil e voraz disseca o meu silêncio quase absorvente

Indisfarçavelmente o tempo cabe todinho numa prece benevolente
Urde seu destino contido em memórias afoitas, prazerosas e efervescentes
Os sentimentos partiram e deixaram na derme da solidão tantos sonhos inconfidentes

Frederico de Castro
167

Este meu silêncio tão assíduo


Este meu silêncio tão assíduo confina-me as palavras
Alimenta-me a razão prenhe de memórias tão alegóricas
Depura-me os sentidos fluindo em preces voláteis e mais retóricas

Este meu silêncio tão assíduo confunde-se no horizonte estético
Burla até o calendário onde vagueia e vadia um inerte segundo patético
Ausenta-se naquele sussurro inquietante introvertido e quase profético

Frederico de Castro
164

Esfuma-se o tempo


Esfuma-se o tempo nas poeiras de um sonho
Anónimo, plagiado inflamável, sempre amnistiado
Vai a encriptar o poente tão poeticamente mais saciado

Esfuma-se o dia abalroado por um esquizofrénico silêncio
Rega-se a escuridão com esbeltos breus notívagos…quase asfixiados
Entre nós descongela-se um sussurro quântico esbelto e apaixonado

Frederico de Castro
208

Os segredos da luz


Em segredo a luz apascenta a maresia sempre aromatizante
Cada onda além bolina no meio de uma brisa tão predominante
De passagem o tempo afoga-se neste oceano casto e lubrificante
Escutem o marulhar de cada prece fiel esdrúxula e apaziguante!

Frederico de Castro
194

Essa luz


Maravilhada e aromatizante a luz degusta a delicadeza
Das palavras contidas e mescladas numa rima tão egocêntrica
Horas e segundos reflexivos flutuam ao longo de uma prece excêntrica

Fluidificante saltitante e sublime a paz renasce brilhante e enfática
Deixa suas sequelas em qualquer intensa e absurda carícia mais mediática
Adormece junto ao paraíso das solidões insinuantes, maturas e tão lunáticas

Frederico de Castro
193

Tempo eterno


O tempo é eterno fecundo e coreograficamente real
Encorpora e algema a plenitude da nossa fé em potencial
Sua autonomia consome cada hora faminta, volátil e intemporal

Nos céus magistrais uma nuvem desfragmenta-se neste silêncio visceral
Sonolenta dormitará balouçando numa emoção ávida, voraz e excecional
Seus aguaceiros são o tempero de cada prece, ígnea latejante e sensacional

Frederico de Castro
139

Passageiro da noite


Passageira e notívaga a escuridão passarinha degustando
Toda esta solidão excêntrica profusa, absoluta e simétrica
Glosada a noite estende-se no divã de cada prece geométrica

Ao relento o silêncio esboroa-se num eco funesto e tão incisivo
Ensombradas palavras regurgitam um breu parentérico e furtivo
Sem redenção o tempo castra seus derradeiros segundos mais desnutridos

Perdido no prefácio dos lamentos ardentes cada sonho jaz além introspetivo
Doces brisas adentram a madrugada calejada de emoções e sussurros latentes
No vazio impotente dos silêncios recria-se este verso meditativo e tão contundente

Frederico de Castro
190

Comentários (3)

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asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

asdfgh

BOA TARDE...lindo e sublime.parbns.att.

ania_lepp

Poeta...li e reli vários de teus poemas e só tenho que te agradecer por compartilhar teu talento...muito obrigada!