Gabriel Panisson

Gabriel Panisson

n. 1998 BR BR

Finalizando a graduação em Filosofia. Escrevo poemas livres

n. 1998-10-06, Guarapuava-PR

Perfil
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HUMANO, APENAS

A mim é suficiente as minhas próprias mãos, os meus próprios pés;
viver o que me é possível perceber sem questionar a veracidade de sua realidade,
sem saber se meu corpo e minha alma são ou não uma única coisa.

Quanto às parcelas no fim do mês, dá-se sempre um jeito.
Mas o peso do mundo, esse é insuportável,
esse deve, sempre que possível, permanecer externo e alheio.

Sou homem, sou humano, e é isso que quero ser, cada vez mais.
Retirei de mim toda pretensão divina e toda amizade celestial,
em nome da simplicidade de se saber animal humano, bicho homem que sou.
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Poemas

13

O PROFETA

O profeta crê na significância de suas palavras,
E canta o amanhã com grande voz.
Repete sermões como quem sabe da vida,
E sobe aos mais altos montes.

Mal sabe o profeta que para cada palavra sua,
Uma vida se esvazia,
Uma outra se inicia.
Uma em cárcere se esvai,
Outra o ego acaricia.
Uma sonha sem saber,
Que em sonho acabaria.
Outra desiste de ser,
Mas ainda assim seria.
Uma canta pela noite,
Outra chora pelo dia.
Uma clama a Oxalá,
Outra clama à Mãe Maria.
Uma trabalha no mar,
Outra na lavanderia.
Uma quer dançar,
Outra não se atreveria.
Então, pra facilitar,
Ao profeta eu diria:
Deixa a grandeza pra lá,
E vem ver essa magia.
A vida é de quem faz,
E não de quem anuncia.
103

SOBRE SER APENAS O QUE NÃO SE PODE NÃO SER

Com a alma inerte e a pulsão de criação atrofiada, passam-se os dias como meros efeitos necessários uns dos outros, como mera expressão da causalidade intrínseca ao comportamento dos inanimados. O que se sucede dos meus atos me é alheio e distante, e o que me atinge de fora me toca com absoluta suavidade. Não me queixo, contudo; apenas relato a sensação de passarem os dias como fossem horas e as horas como fossem dias. No entanto me abala o, ainda que sonolento, profundo desejo de extrapolar minha condição de estaticidade e sentir as árvores, os pássaros e as pessoas ao vê-las, ter a sensação vívida de que as coisas existem e de que eu existo, e tudo é absurdamente real. Sentir como fosse a primeira vez que, como estranho, embebedo-me com extrema facilidade com a beleza das coisas. Mas penso que não ver a beleza é consequência necessária do hábito necessário de estar aí, a película protetora da existência. Enquanto devaneio sobre uma vida que não tenho e que pretensamente penso ser possível, mais horas e mais dias continuam passando mecânicos e monótonos, e a passagem me faz mais velho. Mais tarde, tantas horas e tantos dias haverão passado, que já não haverá mais tempo para levantar da cama confortável do destino e, morrendo, não haverá sequer arrependimento do fato de que uma vida única e finita, foi vivida como se vive o ato de piscar os olhos ou de mexer os braços, como mera consequência de atos afogados no líquido amargo da necessidade, sem qualquer divindade ou magia que trouxesse a ela algum brilho.
152

ESCREVO

Escrever por haver um problema
Ou escrever por escrever
Ou escrever por não saber fazer outra coisa
Ou escrever por falta do que fazer.
287

EIS A NOSSA SINA

Canta-se sempre esperança;
Traga-se aflição!
164

SER FELIZ

Ser feliz,
Um sentimento intenso,
ou uma consciência bem alocada?
Uma folha ao vento,
ou uma viga bem fundada?
Um querer viver em transe,
ou em calma?
Uma impossibilidade do corpo,
ou da alma?
161

.

Frequentemente me basto.
181

ALHEIO

Convivo, no momento, com um peso.
Nada do que faço, nada do que desejo,
Vem de mim, de fato.
Vejo-me aflito, por me querer,
Mas desejar o alheio.

Acordo pensando em ti...
Que café sem gosto! Que notícia triste!
Caminho me mal-dizendo.
Me deito pensando em ti...

"Alerta-te!": alerto-me.
Ah como tenho me detestado!
Quero amar a mim de novo!
Devolva-me o sabor do meu café!
163

O QUE HÁ?

A pretensão de ser.
330

LIFE IS A CABARÉ

Me pergunto se há na vida o que fazer além de amor.
Não amor romântico, amor carnal mesmo.
Amor de bicho, amor de gente.
Amor frenético, amor doente!


Já sabemos que daqui nada há que se levar
Que nada tem razão de ser
Mas sabemos também dos impulsos
E os impulsos são,
Saibamos deles ou não!


Então, a vida, que é em nada grandiosa,
Vale mais que uma boa noite de amor?
Aliás, há algo que não seja banal,
Tão banal quanto a penetração repetitiva e animal?


Nada é nobre, nada é sublime,
Tudo o que vale de algo é impulso,
Porque vale por si, por mais nada.


Life is a cabaré,
Come to the cabaré!
356

A MEU ERRO E ACERTO

És música...
Poesia.
Sangue e suor...
Sorriso.
És, em meu caminho, empecilho.
És, a mim, caminho...
Pecadilho.
251

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