gabrielperalta217

gabrielperalta217

n. 1997 BR BR

Ás vezes escrevo um pouco

n. 1997-07-15, Canoas

Perfil
9 522 Visualizações

Sobre a pouca vida que tive

a pouca vida que se vive
permito que a lua ilumine
tragédia de infinitas cores
algumas linhas já define

a pouca vida que pude viver
nela estive pouco tempo
o passado surge hoje
me roubando o momento

á pouca vida que chamei vida
não sei se posso assim dizer
as poucas pessoas que ficaram
ficaram sem me ensinar a viver

há pouca vida restante
repousa no vazio da mente
parte procuro discernir
parte está no presente

a pouca vida que está por vir
como um dia todos se vive
algum dia estive na vida?
duvido que em algum deles estive

Ler poema completo

Poemas

59

Brancura as cabelos e mofo nas paredes

Quem sabe essas lembranças irão se pôr com o sol de amanhã
quem sabe essas meias verdades se tornem inteiras de algum modo
e esse chão colha somente as folhas da amizade e perseverança

quem sabe esse tempo dê algo a mais do que somente brancura aos cabelos e mofo nas paredes
quem sabe esse horror tenha seu fim mais breve do que esperado

e eu que tantas vezes me vi calado
esperando o momento de dizer
sempre observando os passantes
observando sem ser observado

nesse momento em que chove
chove? pois não ouço
sim. chove, mas não aqui
mas em algum lugar chove

há sempre sol em algum lugar
sempre chuva em algum lugar
onde, então, há alguém?
onde há pessoas que lembrem?

há, em algum lugar, uma morada
feita de tijolos, um sob o outro
com uma porta grande e pesada
que se encontra muito longe nessa entrada

estrada essa serpenteia pelos vales da alma
e sai na floresta da solidão
uma após a outra, as árvores vão
uma após a outra, nessa ida é tudo vão
tudo é dúvida e desencontro
tudo que construo, logo desmonto

e nessas idas e vindas da alma
estou sempre entre essa e a outra
a sensação de que tudo é falso
por dentro
a vida triste e cruel
por fora

196

Eu não minto

não é esse o fato

não sou o único que desconhece a felicidade
não sou o único que caminha a esmo pela cidade
não sou o único a detestar o mal do mundo
não sou o único a pensar no absurdo

o fato é

ninguém conhece a felicidade
ninguém sabe onde estará
ninguém concorda com a maldade
ninguém deixou de pensar

a única diferença
é que eu não minto

193

Novos tempos

Em outros tempos há
Alguma coisa em que eu possa me basear
Uma vocação, um sonho, um amor talvez

Nos tempos daqui a vida está resumida
Em uma singela esperança:
Os novos tempos serão melhores!
Os novos tempos são sempre melhores

E nessas esperanças vazias construímos tudo
Base, paredes e teto
Janelas, portas e portinholas
E se precisarmos de mais um quarto futuramente?
Derruba-se uma parede e levanta-se outra mais pros fundos
Há sempre mais espaço em uma esperança vazia
Leva esses tijolos daqui até lá
É preciso mais cimento daqui uns dias

Só podemos carregar
Que nossos braços suportam
E os alicerces suportam uma certa quantidade de tijolos
Mas nesses novos tempos
Há mais quartos sendo construídos
Todos os dias

167

Noite

Não me desperte desse sono
Durmo sem hora pra acordar
As horas passam preguiçosas
Meu sonhos seguem eternos
Sem ter hora para parar

Minhas noites são eternas
É sempre noite para quem dorme
Em meu sonhos sou um rei, um deus
Um viajante sem ter onde ir

Ó noite sem lua e sem estrelas
A me velar por horas e horas
Dentre as deusas tu és a mais bela
Suas tranças balançam com o vento
Fique! Não quero que vás embora
 

201

Em algum lugar

Em algum lugar está
Uma nau distante
Onde o vento arrasta
Um desejo cortante
De nunca estar
Sempre ser

Sempre serei
Navego pelo mar infinito
Observo a crista das ondas
Acordo com um grito
Pois não há nada a temer
Nada há para esconder

Onde vivia
Não constumava acordar gritando
Pois em cada janela
Há alguém escutando

Me sufocava essa tal liberdade
Que todos compartilhavam nessa cidade

178

É tudo falso

Não me sinto bem hoje
Há uma inquietação sob meus pés
Alguma noção trágica e sem sentido
Resquícios do que não está mais aqui

Sempre me surpreendo assim
Sentindo a presença do que já se foi
Como a dor de um membro já amputado
Como a dor de uma ferida cicatrizada

Sinto uma tristeza intensa
Uma constante falta de sentido nas coisas
Até em mim
Principalmente em mim

Me sobe um calafrio
Algo não está certo
Penso que deveria contar a alguém
Mas todos já sabem

Qual a diferença entre mim e eles?
Eu não consigo ignorar esse círculo vermelho
Que fica no canto das telas
Não consigo ignorar essa sensação
De que tudo é falso
Tudo isso é uma mentira
Não passamos de personagens de uma comédia sem graça

165

O acaso me encontrou

Hoje o acaso me encontrou
não pediu nada
apenas abriu a porta
e se aproximou

sua presença não me assusta
mas sei o que significa
nada de esperança para mim
nessa vida injusta

trazei todos para assistirem
o espetáculo do momento
medo, choro, raiva e desespero
os acasos que me acometem

esses acasos me encontram
nada tenho do que reclamar
os pesadelos me invadem os dias
tudo está onde deveria estar

o que dizem sobre essa chuva
e sobre os ventos que invadem
em minha alma sempre chove
há sempre poças em meu jardim

os ventos sussuram
somente para os loucos
pobres mentes que adoeceram
para mim já falta pouco

o que aconteceu
molda o cotidiano
vivo somente de lembranças
mas esse sempre foi o plano

não tenho medo de sofrer
intermináveis eras passaram
fui centenas nesse mundo
estou ciente que me condenaram

as paisagens por onde passo 
são abundantes em seu florescer
pena não poder assistir
estou rápido demais para ver

pai, não me culpe por minha ausência
bendigo a ti e aos teus atos heróicos
como explicar o que ignoro?
como relatar desconhecendo os fatos?

não é por falhares no passado
falhas pois és humano
a renúncia é um gesto de fé
renuncio a todos aqueles anos

não é por religião
tampouco pelas histórias
te guardo sempre comigo
jamais sairá de minha memória

apenas vejo como tudo isso é falso
o mundo, os homens, as coisas
que por não existirem bastaram
não confio nas pessoas

método triste e sofrido
vivo nesse dilema
de noite sonho com o frio
de dia nada me esquenta

218

Exatamente nesse momento

É nesse momento
vendo esse verme lhe roendo as entranhas
a poeira social nublando a visão

Sim. É exatamente nesse momento
quando não há ninguém para culpar além de si mesmo
quando você percebe que tinhas esperanças e as jogou fora
teve oportunidades e as deixou passar

é nesse momento
a vulgaridade do cotidiano lhe deixa um gosto ruim na boca
o amargo do café ainda preso nos dentes

toda essa crueldade é real
não pense nem sequer por um momento do contrário

160

Alguém

Alguém que te faça sonhar
Alguém que te faça refletir
Alguém com quem chorar
Alguém com quem sorrir

Pela vida inteira ei de esperar
Por alguém que me faça repousar
Em teu seio eu vou me deitar
Ouvir por dentro a sua vida pulsar

Vê essas estrelhas de tão fino brilho?
Essas colinas decorando o caminho?
Esse mar infinito como o meu amor?
Essas cores aguardando o sol se por?

Nada se compara à tua perfeição
Traços bordados e cosidos
Pelo mais habilidoso artesão
Nunca em minha existência
Senti assim uma ausência

Título do mais belo livro
Palavra escrita com afinco
Uma mensagem em cada entrelinha
Este poema para chamá-la de minha

193

Antigamente eu era eterno

No meu ser há um paraíso
Forjado a punho somente
Martelo e cinzel
De meu próprio inimigo

No meu ser há um abismo
Cavado com angústias
E quase no fundo me vejo
Eternamente
Subindo
 

167

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.